perspectivas

Sábado, 26 Março 2016

O anti-Nacionalismo é um cinismo moderno

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 12:53 pm
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“Eis, em suma, porque Agostinho da Silva não era realmente um nacionalista. A seu ver, para um país como Portugal, a posição nacionalista era demasiado insuficiente para garantir a nossa existência histórica. Se mesmo um país como o Brasil não pode sobreviver sozinho num mundo cada vez mais globalizado, quanto mais um país como Portugal. De resto, sempre foi assim na nossa história. Foi sempre uma hábil política de alianças trans-nacionais o que foi garantindo, até hoje, a nossa existência histórica”.

Nacionalismo, Anti-Nacionalismo e Trans-Nacionalismo

Agostinho da Silva foi um cínico (no sentido grego); só lhe faltou viver dentro de um barril, como aconteceu a Diógenes que se incomodou com o imperador Alexandre, O Grande, porque este lhe tapava o Sol. Como cínico, Agostinho da Silva fazia da cidade-estado um meio, e não um fim em si mesma; ele não foi um cidadão de um qualquer lugar: entrava na cidade para brandir o seu cajado aos cidadãos, e depois saía dela para se reconciliar com a sua idiossincrasia.

Um cidadão-de-nenhum-lugar não pode ser nacionalista. A ideia segundo a qual “Portugal não tem viabilidade histórica” é própria de um determinado cinismo actual. O cínico tem uma inconfessável desconfiança visceral e um profundo desprezo em relação ao cidadão. Ao contrário de Sócrates (que amava a cidade; este sim, foi um nacionalista), que fazia perguntas incómodas aos cidadãos — o cínico proferia verdades absolutas e ameaçava os cidadãos com o seu cajado. O anti-Nacionalismo é um cinismo moderno.

diogenes-web

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Sábado, 31 Outubro 2015

O Agostinho da Silva das ciências

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 8:31 am
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“Valdemar Caldeira, antigo professor na Universidade de Coimbra, é um sábio que preferiu renunciar às reformas do Estado porque não consegue aceitar ‘a hipocrisia da persuasão, a lógica do impositivo e o uso do autoritarismo’. Vive, por isso, dos alugueres de propriedades deixadas pelos pais”.

Valdemar Caldeira: Um sábio “mimado” que rejeita viver da reforma do Estado

Agostinho-e-Wlademar



Adenda (12/04/2019): O professor Valdemar Caldeira faleceu por estes dias.

Terça-feira, 1 Abril 2014

Os portugueses em abstracto

Filed under: cultura,Portugal — O. Braga @ 3:01 pm
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abstracto portugueses web

 

“Os portugueses sempre adoraram o concreto: entendem o abstracto, mas procuram traduzi-lo imediatamente em concreto.” — Agostinho da Silva


“Uma lista dos defeitos dos portugueses devia levar o político inteligente a elaborar um projecto de sociedade em que eles passassem apenas a ser características, ou quem sabe se qualidades.” — Agostinho da Silva

Sábado, 19 Outubro 2013

A heterodoxia de Agostinho da Silva

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 9:48 pm
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"Pensar não tem mais transcendência em si próprio do que arrumar uma casa: trata-se de pôr em ordem, de organizar um meio em que nos possamos mover, o que não significa que o queiramos fixo para sempre, como nenhuma dona de casa supõe que a limpeza se fará para todo o sempre.

O pensador é bom na medida em que a audácia das suas explorações o leva a cada passo à beira da heterodoxia."

– Agostinho da Silva, As Aproximações, respigado no "Livro das Fuças" (como diz o Bic Laranja).

agostinho-da-silvaConcordo com a primeira parte (primeiro parágrafo). Na segunda parte, é preciso definir "heterodoxia": neste caso, significa "pensar diferente" dos outros. Ora, eu conheço muito estúpido com pensamento "à beira da heterodoxia".

Agostinho da Silva perde porque arrisca-se muito. Quem o leu, com olhos de ler, sabe que eu tenho razão. Eu gosto dele como pessoa (no presente do indicativo, porque para mim, ele vive), mas no pensamento, é temerário. Ora, temeridade não é a mesma coisa que coragem.

Eu posso ser um temerário nas minhas cogitações, porque sou um Zé Ninguém e não tenho aspirações a paradigma. Eu posso dar-me ao luxo de ser temerário. Mas um pensador que é visto nas pantalhas — e se for responsável — terá que se esforçar por ter as quatro virtudes cardeais dos antigos gregos: perseverança, justiça, coragem e prudência.

Quinta-feira, 9 Maio 2013

Aprendendo com Agostinho da Silva

“Mas, era um sentido acrítico, porque se afastava um dado tão evidente quanto incómodo: o povo (alemão) que provocou a catástrofe da (II) Guerra era, à altura, o mais escolarizado, o mais culto da Europa.”Helena Damião.


“Com o culto excessivo da especialização, os homens desaprendem a sua tarefa essencial de ser humanos e de entender os problemas fundamentais dos outros homens. A Universidade hoje, por exemplo, a Universidade americana, a alemã, podem formar técnicos excelentes mas rarissimamente formam homens.” — Agostinho da Silva


“Consiste o progresso no regresso às origens: com a plena memória da viagem.” — Agostinho da Silva

E, já agora:

“Muitos fingem de mortos para que a vida não os agrida.” — Agostinho da Silva

Esta última citação não é menos importante do que as outras. A maioria finge de morta para que a vida (e os políticos) não a agrida. Cala-se perante os novos arautos da justiça “progressista” que, em nome desta, criam novas injustiças muito mais profundas, fundamentais e ontológicas. Mas há os que se levantam e “cantam até que a voz lhes doa”: são os inteligentes, segundo o filósofo português:

“A grande diferença entre o inteligente e o estúpido, é que o primeiro se esforça.” — Agostinho da Silva

Segunda-feira, 16 Abril 2012

Mensagem de Agostinho da Silva para Dilma Roussef

Filed under: A vida custa,Esta gente vota,Política — O. Braga @ 7:53 pm
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Todos sabemos que não há diálogo entre desiguais. Dilma Roussef.


Quando compro peúgas, compro-as todas iguais e da mesma cor, para não ter trabalho adicional de juntar os pares depois de lavados. De modo semelhante, as minhas camisas são todas iguais e da mesma cor, para não ter que perder tempo a escolher a camisa da manhã. E o mesmo se aplica às minhas T-Shirts que uso no Estio: são todas iguais em duas cores: azuis ou brancas; porque se uma delas se estiola, não tenho disso pena porque tenho uma outra igual à minha espera no gavetão. E sobre a igualdade na minha vida, estamos conversados.

O que pode ser igual é a relação que temos com as coisas, e não as coisas em si mesmas que nunca serão iguais entre si, quanto mais não seja pela acção do tempo. E, diga-se para que se evitem mal-entendidos, que o ser humano não é propriamente uma coisa, um objecto, ou um meio utilizado para atingir um fim.

Porém, existe um conceito de igualdade diferente daquele a que se referiu Dilma Roussef, e que foi traduzido pelo saudoso Agostinho da Silva:

“Só vale a pena discutir com pessoas com as quais já estamos de acordo quanto aos pontos fundamentais; só aí se mantém, na pesquisa, a fraternidade essencial; tudo o resto é concorrência, batalha, luta pelo triunfo; não menos reais por serem disfarçados.”

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Segunda-feira, 31 Janeiro 2011

A elite intelectual orgânica

Filed under: cultura,Política,Portugal,Sociedade — O. Braga @ 2:46 pm
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Em Portugal, quando alguém lê uma opinião qualquer sobre um assunto qualquer, há sempre a tendência de se saber quem emitiu a opinião, antes mesmo de se fazer a análise da dita. Se a opinião é de alguém conhecido no mercado da política (que inclui o activismo político académico e/ou jornalístico), normalmente há duas posições a tomar: ou a submissão canina ao Diktat opinativo da elite, ou a rebelião elitista/revolucionária contra ela. À margem da discussão ficam sempre os intelectuais tradicionais, que de elitistas têm muito pouco.
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Sábado, 26 Junho 2010

Temos que ser “especialistas da curiosidade não especializada”

Eu sigo a blogosfera porque me interessa saber de ideias. Naturalmente que se tiver a oportunidade de conhecer as pessoas que escrevem, melhor seria; mas não tendo o ensejo de as conhecer, bastam-me as ideias. Porém, não deixo de ficar aturdido com esta estória.
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Quarta-feira, 16 Junho 2010

A evolução do gnosticismo até à sua expressão moderna (6)

Já vimos duas características do gnosticismo antigo: a sua raiz anticósmica e o unanimismo como exigência de pertença. Também falámos das diferenças entre as religiões superiores e as religiões universais. (more…)

Domingo, 6 Junho 2010

Agostinho da Silva era de esquerda ?

Toda as virtudes são coragem; e a esquerda normalmente apropria-se cobardemente de todas elas.

Por exemplo, o Estado Social é a “identidade de esquerda”, quando sabemos que ele apareceu na Europa do pós-guerra, e em primeiro lugar, com Konrad Adenauer. Os intelectuais? “Têm o seu ADN à esquerda”; desde o tempo dos pré-socráticos que todos os pensadores são de esquerda (não se deram conta disso). A democracia? Naturalmente que é de esquerda — como “identidade da esquerda”, a democracia já existia no paleolítico, e os autores da Magna Carta eram de esquerda (só que ainda não tinham disso consciência). A esquerda é tão fantástica que pressupõe que alguém virtuoso seja sempre de esquerda, embora “não tenha saído do armário”. É , segundo a esquerda, o caso de Agostinho da Silva.

Para a nossa esquerda, Agostinho da Silva era canhoto. Vejamos o que escreveu o filósofo transmontano sobre a política:

“O melhor será que não pertençamos a partido algum, porque a política não é uma essência de ser, como a religião, a ciência ou a arte, nas quais todos devíamos estar: é uma pura fatalidade histórica, como a economia, ou administração. Como também a medicina ou a engenharia.”

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Sexta-feira, 4 Junho 2010

A Europa vendeu-se ao diabo

« O que permitiu à Europa dominar Portugal, chegando ao extremo de lhe apresentar o que há de mais estrangeiro, de mais alheio à índole nacional como inteiramente nacionalista, foi o pecado de ter levantado como valores supremos de vida humana os do adulto, o saber, o trabalho e aquela separação de sujeito-objecto que permite a filosofia, a ciência e a técnica. A Europa vendeu-se ao diabo e o dinheiro que nisso ganhou serviu-lhe para comprar Portugal. »

— Agostinho da Silva

Quinta-feira, 13 Maio 2010

Agostinho da Silva, a Europa e Portugal

« A Comunidade económica Europeia encontra-se, continuamente, em desacordo consigo própria pois trata-se de pequenas nações provincianas a tratarem agregar-se numa Nação grande.

Nós [os portugueses] que fizemos o Brasil, sabemos o que isso é há muito tempo, há centenas de anos. Além do mais, a CEE não é Europa, como se costuma erradamente dizer, mas apenas o departamento económico da Europa. Qualquer departamento económico deve ser, sempre, secundário porque o que devemos ter é uma Europa cultural onde a economia seja sustento mas nunca o objectivo. »

— Agostinho da Silva – Novembro de 1994, “Conversas com Agostinho da Silva”, de Victor Mendanha

Agostinho da Silva era um optimista acerca da construção da Europa das Nações, embora não fosse um federalista; ele não apoiava a ideia de uma Federação Europeia. No mesmo livro dizia ele que “vamos ser médicos e enfermeiros da Europa ou não seremos nada”. Desde logo, Agostinho parte de um princípio de que a Europa está doente, o que é uma grande verdade; mas depois coloca Portugal entre o tudo ou o nada. Talvez se Agostinho da Silva vivesse hoje dissesse que este “nada” teria que ser o “tudo”, porque o estado comatoso da Europa indicia claramente a sua morte civilizacional. Esta Europa precisa de morfina e não já de penicilina.

« Do português há a esperar tudo e haver um povo no Mundo do qual tudo há a esperar parece-me ser uma coisa extraordinária. Pegando num tema de moda, nós diríamos que o extraordinário de Fernando Pessoa não foi ele ter feito poesia sendo Álvaro de Campos ou sendo Caeiro ou, ainda, outros sujeitos bem diferentes. O extraordinário de Fernando Pessoa foi o facto de se tratar de um indivíduo imprevisível.

Gostaria muito que o Povo português se especializasse no imprevisível. »

— Ibidem


A especialização do português no imprevisível passa pela intuição acerca de uma Europa que entrou já em processo de auto-destruição. Existem alguns paralelismos entre a actual situação europeia e a situação dos séculos que se seguiram ao saque de Roma pelos Godos em 410, até ao fim do primeiro milénio.
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