perspectivas

Quarta-feira, 10 Fevereiro 2016

Adriano Moreira e a impotência italiana

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 7:55 pm
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“O incidente das estátuas pudicamente cobertas, não pelo manto diáfano da fantasia mas pela dureza da submissão revelada perante o representante político de uma potência de área cultural diferente da ocidental, o que não deixa esquecer não é uma leviandade protocolar, é sim a dificuldade crescente de impedir que a Europa, não há muito considerada a "luz do mundo", seja um passado histórico e não a voz de um novo tempo de grandezas para a casa comum dos homens que se prometeu ser o globo.

Tratou-se de um incidente entre a nobre soma de países, a procurar que a União Europeia recupere uma posição na hierarquia das potências, um processo que vai mostrando as dificuldades de conciliar a memória de soberania e proeminência de cada uma com as realidades do tempo mal sabido em que vivemos”.

Adriano Moreira


impotencia-de-esquerdaAdriano Moreira refere-se à recente visita do presidente do Irão a Roma.

Normalmente dizemos que as pessoas só vêem aquilo que querem ver. No caso vertente, Adriano Moreira só vê o que quer ver; e atribui o tapamento das estátuas de Roma a uma “submissão por impotência”. Trata-se, de facto, de uma submissão, mas que não se deve a uma impotência real.

Quando D. Afonso Henriques declarou a independência de Portugal, prometeu ao Papa uma determinada quantidade de ouro em troca do seu (deste) apoio. O Papa anuiu e apoiou a independência de Portugal; mas, depois, D. Afonso Henriques não pagou! O primeiro rei de Portugal enganou e desafiou o próprio Papa medieval; e não consta que o condado portucalense fosse uma “potência” no contexto europeu de antanho.

Uma coisa é sermos de facto impotentes; outra é pensarmos que somos impotentes, sem de facto o sermos; e outra, ainda, é fazermos de conta de que somos impotentes. Ora, para Adriano Moreira, se um país age com impotência, é por que é de facto impotente — aqui segue o Salazar: “em política, o que parece, é!”

O que Adriano Moreira se esqueceu de dizer — porque não lhe convém — é que o governo italiano é socialista. A Esquerda em geral castra a cultura indígena europeia.

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Quarta-feira, 30 Setembro 2015

Alguém que diga a Adriano Moreira que só os refugiados sírios são 12 milhões

 

Depois de termos verificado a doença mental da Inês Pedrosa, constatamos que ela se espalha. Mas antes de mais, vamos a algumas notícias dos últimos dois dias:

Os direitos humanos não exigem que um país — ou um conjunto de países — seja obrigado a abrir as portas a milhões de pessoas. Se uma invasão em massa se justifica através dos direitos humanos, a Declaração Universal dos Direitos Humanos torna-se absurda.

Defender a ideia da acomodação na Europa de mais 12 milhões de muçulmanos é uma irresponsabilidade. Aquela gente vem para ficar. Adriano Moreira está senil: só lhe falta agora defender o “casamento” gay, a adopção de crianças por pares de invertidos, a procriação medicamente assistida para toda a gente, as “barriga de aluguer” e o tráfico de crianças, e votar no Partido Socialista.

Quarta-feira, 22 Abril 2015

Adriano Moreira desilude

Filed under: Política — O. Braga @ 2:06 pm
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“O que parece tornar evidente que a ONU, ainda que imperfeita nas definições e intervenções, continua a ser o projecto mais esperançoso no sentido de impedir o progresso dos regionalismos não convergentes, isto é, o mundo partilhado.”

Para além do facto de Adriano Moreira escrever (ou permitir que alguém escreva por ele) segundo o Aborto Ortográfico, a sua “revienga” ideológica é brutal. Vamos ver:

Parece que — segundo Adriano Moreira — há “regionalismos não convergentes”, o que significa podem existir “regionalismos convergentes”. Acontece, porém, que os “regionalismos convergentes” anulam-se enquanto regionalismos através de uma concepção de “mundo partilhado” que significa “governo global”. E esse “governo global” — continuo a interpretar Adriano Moreira — não é neoliberal: Adriano Moreira não nos explica como conciliar um governo global, seja ele neoliberal ou não, com a manutenção das especificidades regionais.

O progresso é visto — por Adriano Moreira — como uma lei da Natureza, o que pressupõe uma visão hegeliana da realidade. Parece que Adriano Moreira passou a estar condicionado pelas “opiniões opinativas” da sua (dele) filha socialista, para evitar um qualquer conflito em família.

A ascensão da supremacia americana depois da queda do muro de Berlim pode comparar-se à queda das cidades-estado gregas através do império macedónio de Alexandre.

O que o mundo helenístico nos trouxe foi a decadência da cultura grega das cidades-estado através de uma miscigenação cultural com os bárbaros — a decadência da ciência (no pós-modernismo), o surgimento do cientismo que se subjuga à arbitrariedade da política vulgar, a insegurança generalizada e global, a repartição do globo entre os tiranos (sucessores de Alexandre), o definhamento da alta cultura, a morte da filosofia, a afirmação na cultura antropológica de mitos mundanos e vulgares, a pobreza de espírito.

Portanto, o que é preciso é resgatar as “cidades-estado” da Europa — porque o simples retorno a elas é impossível. É preciso um Renascimento da Europa que passa pela valorização das regiões e dos países da Europa. Adriano Moreira está enganado.

Sábado, 13 Setembro 2014

Com défice zero, podemos não pagar ao Papa

Filed under: economia,Europa,Portugal — O. Braga @ 11:12 am
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O professor Adriano Moreira afirmou que o primeiro rei de Portugal não pagou ao Papa. E foi verdade: é que, naquele tempo, o défice público era zero porcento.

merkel papaCom défice zero, exigido pelos credores — e mal por mal — pagamos se quisermos e o que quisermos. Com défice zero imposto coercivamente pelo exterior, não podemos pedir dinheiro emprestado, mas também não se percebe por que razão — em uma situação de défice zero imposto pelo directório da União Europeia — se pede emprestado para pagar juros da dívida. O défice zero pode ser um mal porque a “torneira” do crédito é fechada e passamos a viver de acordo com as nossas possibilidades; mas, por outro lado, pode ser um bem na medida em que não pagamos ao Papa.

Além disso, o défice zero é a condição sine qua non para a saída de Portugal do Euro: a bem ou a mal.

Em resumo: o défice zero reduz a nossa dependência em relação aos credores, por um lado, e por outro lado é um incentivo para que Portugal saia do Euro. Parece é que é isto que a União Europeia de Angela Merkel pretende de Portugal.


Naturalmente que os neoliberais não gostaram que D. Afonso Henriques não pagasse ao Papa.

Os neoliberais não querem apenas défice zero: querem superávite orçamental, para que não só não peçamos dinheiro emprestado, mas também para pagarmos ao Papa; e não só: querem que os portugueses continuem a pagar balúrdios em portagens de auto-estrada para trabalhar no seu país e para que continuem a existir rendas fixas superiores a 12% para os detentores das PPP (Parcerias Público-privadas) nas rodovias; querem reduzir as despesas do Estado com a saúde e a educação, mas apoiam os monopólios dos Mellos na área da saúde; e querem que o Estado deixe de apoiar o ensino público para subsidiar e pagar o ensino privado com o dinheiro dos impostos dos portugueses.

Querem o monopólio das EDP’s chinesas e da GALP na área das energias, querem privatizar a água, os rios e os mares, querem tirar a TAP aos portugueses, mas querem a manutenção de Portugal no Euro — sempre com défice zero ou superávite, para se poder pagar ao Papa.

Domingo, 27 Julho 2014

A “direita” portuguesa é ideologicamente entrópica

Filed under: Política,Portugal — O. Braga @ 12:38 pm
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Este texto no blogue Corta-fitas é o exemplo acabado do efeito da segunda lei da termodinâmica, ou princípio da entropia, aplicado às ideias. Bergson escreveu o seguinte:

“A palavra vira-se contra a ideia. A letra mata o espírito. E o nosso mais ardente entusiasmo, quando se exterioriza em acção, condensa-se por vezes tão naturalmente em frio cálculo de interesse ou vaidade, um adopta tão facilmente a forma do outro, que poderíamos confundi-los, duvidando da nossa própria sinceridade, negando a bondade e o amor — se não soubéssemos que a morte conserva ainda algum tempo as feições do vivo”.

(“A Evolução Criadora”).

O tempo separa a ideia e o real, que originalmente pareciam muitíssimo unidos. O tempo separa a ideia do seu sentido original, e sem que a ideia dê por isso… separa, e depois opõe a ideia e a acção que reclama a ideia… a acção, depois de instalada a entropia, introduz ruído no diálogo entre a ideia e o real até que o diálogo se transforme em um monólogo de um ventríloquo.

Foi o que passou com Marcello Caetano, e agora passa-se com Passos Coelho.

Ambos acabaram em monólogos de ventríloquos — o primeiro com as “conversas em família” na televisão, entropicamente já muito afastadas das ideias de Salazar; e o segundo em um monólogo de ventriloquia acerca da ideia de “liberdade” que se afastou da ideia original de “liberdade” que surgiu depois do 25 de Novembro de 1975, com Sá Carneiro, Amaro da Costa, Ramalho Eanes, e outros.

E o Vasco Mina — o autor do texto — só vê a putativa (e discutível) entropia das ideias de Adriano Moreira; não consegue ver a sua (dele, do Vasco Mina) própria entropia, porque ele continua a considerar a “liberdade” aquilo que já não é.

O neoliberalismo é de facto repressivo; Adriano Moreira tem toda a razão.

Quinta-feira, 11 Abril 2013

Fernando Pessoa e o antídoto da aristocratização

«A nossa civilização corre o risco de ficar submersa como a Grécia (Atenas) sob a extensão da democracia, de cair inteiramente nas mãos dos escravos, ou então de ficar como Roma, não nas mãos de imperadores filhos do acaso e da decadência, mas de grupos financeiros sem pátria, sem lar na inteligência, sem escrúpulos intelectuais e sem causa em Deus.

O único antídoto para isto é uma lenta aristocratização.»

— Fernando Pessoa, 1920.

A aristocratização que nos fala Fernando Pessoa é a criação de uma elite digna desse nome ou propriamente dita, que já existiu em Portugal no século XX mas que nas últimas três décadas tem vindo paulatinamente a desaparecer com o surgimento dos “trabalhadores da undécima hora”.


O mestre Adriano Moreira, no seu livro “Tempo de Véspera”, escreveu o seguinte:

“(…) os trabalhadores da undécima hora só prosperam quando as batalhas forem ganhas, os tempos cumpridos, os sonhos realizados. Não são os que ficaram silenciosos, os que participaram na acção, que fizeram o mundo em que vivemos. Acontece que estão lá na época da colheita. Os que fazem o mundo são os outros, são os que transformam as ideias em palavras e as palavras em acção.
(…)
É porque os velhos lutadores estiveram nos debates, responderam à chamada para o combate, participaram nas carências, correram todos os riscos, que chega algum dia em que batem as pancadas da undécima hora. Os construtores do mundo, de uso não têm mais do que dez horas para viver. A colheita em regra não lhes pertence.
(…)
O grande destino que lhes coube e cumpriram foi o de preparar a vinda da undécima hora.”

Segunda-feira, 29 Outubro 2012

José Sócrates e Passos Coelho são o complemento um do outro

Referindo-se a José Sócrates, diz-se dele que é um “filósofo-retro”. Considero isso um insulto, porque “retro” sou eu. O mais que José Sócrates pode ser é “progre”. Há que ter uma noção de etimologia quando se constroem neologismos: criatividade não é aleatoriedade e caos.

O problema do escriba e do PSD do Pernalonga, é que ambos são “progre”; e, por isso, têm a necessidade de apodar de “retro” aquilo que não é, para assim se “demarcarem da concorrência”.

Adriano Moreira — outro “retro” — escreveu o seguinte no seu livro “Tempo de Vésperas”:

“Não é aceitável chamar “prudência” à incapacidade de correr riscos, ou chamar “ponderação” à falta de capacidade para tomar decisões, ou chamar “paciência” à falta de sentido para agir a tempo. E assim por diante a misturar o sim e o não da vida, a inverter os sinais, a deturpar as palavras, a recusar as opções, como se a natureza das coisas pudesse ser iludida.”

Esta sentença de Adriano Moreira serve tanto para José Sócrates como para Passos Coelho: o primeiro porque “invertendo os sinais e deturpando as palavras”, vendeu a banha-da-cobra aos portugueses; e o segundo porque “invertendo os sinais e deturpando as palavras”, chama “prudência” à incapacidade de correr riscos, “ponderação” à falta de capacidade para tomar decisões, e “paciência” à falta de sentido para agir a tempo.

Terça-feira, 2 Agosto 2011

“O direito à alimentação” (Prof. Adriano Moreira)

Filed under: A vida custa,ética,Política — O. Braga @ 5:01 pm
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«A pobreza é a falta de leite de mãe por falta de alimentação ou crianças demasiadamente esfomeadas para estarem atentas na escola; pobreza é viver em multidão sob um pedaço de plástico em Calcutá, amontoado numa barraca durante uma tempestade em São Paulo, ou sem casa em Washington, D. C.; pobreza é ver o filho morrer por falta de uma vacina que custa cêntimos e por nunca ter sido visto por um médico; pobreza é um boletim de inscrição que o interessado não sabe ler, um pobre professor numa decrépita escola, ou a completa falta de escola; pobreza é sentir-se desamparado, sem dignidade ou esperança.»

via Spe Deus: O direito à alimentação.

Terça-feira, 31 Maio 2011

Um exemplo de discurso conservador

Filed under: Política — O. Braga @ 7:13 am
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Antes do acolhimento pelas leis, a solidariedade é um componente essencial do património imaterial de um povo com história, e com valores não atingidos pelo relativismo dissolvente dos ocidentais.”

Prof. Dr. Adriano Moreira

Terça-feira, 1 Junho 2010

Sobre o programa de ontem da Fatinha

Filed under: Portugal — O. Braga @ 8:02 am
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Nunca me canso de ouvir o prof. Adriano Moreira.

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