perspectivas

O Desconstrutivismo de Derrida

Imaginemos este texto:

“Depois da sua derrocada, a socialisma foi sucedida por uma culturalisma que caracteriza tanta a teoria da discursa como a desconstrução e a feminisma.”

Este trecho é escrito na linguagem do feminês levada ao seu extremo caricato, o que traduzido para a linguagem corrente, significa: “Depois da sua derrocada, o socialismo foi sucedido por um culturalismo que caracteriza tanto a teoria do discurso como a desconstrução e o feminismo.”

Se a Fernanda Cância se apercebe desta nova linguagem, vamas ter uma nova estila literária na sua bloga.


O marxismo económico perdeu estrondosamente a sua guerra ideológica. O que restou aos marxistas? Em desespero de causa, dedicaram-se à guerra cultural. E esta guerra de guerrilha cultural passa por destruir a sociedade por dentro, minando-a no seu âmago mais profundo, dissolvendo-a através de um ataque ideológico feroz à família natural. O “casamento” gay, a penalização do casamento e das famílias numerosas por via dos impostos, o aborto livre, e o divórcio simplex, inserem-se nessa estratégia neomarxista. O fenómeno não é só português; é uma doença europeia. A Europa está profundamente doente.

Para isso, os marxistas culturais tiveram que criar barreiras intransponíveis na comunicação entre o homem e a mulher, tentando criar uma lógica de base que pudesse colocar os homens e as mulheres “às avessas”. E sejamos realistas: eles estão a conseguir destruir a nossa sociedade através dessa guerrilha cultural e sem deixarem impressões digitais, coisa que Estaline, Mao, Fidel Castro e todos os comunistas juntos não conseguiram fazer.

A razão porque o homem teve, ao longo da História, um papel preponderante na sociedade está ligada à guerra. A necessidade da guerra deu privilégios ao homem, por motivos óbvios.
Portanto, a explicação para a predominância do homem é simples, mas os marxistas culturais sentiram a necessidade de complicar a história para poderem arranjar uma ideologia (leia-se: dogma) que fizesse o que marxismo económico não conseguiu fazer: destruir a democracia e a liberdade atacando a estrutura da sociedade.

Ao longo da História podemos verificar que nas sociedades em que a mulher teve um papel proeminente e equitativo em relação ao homem, a civilização floresceu invariavelmente. Porém, o que se passa hoje através do feminismo é exactamente o oposto de “civilização”: é a reclamação da mulher pelo direito igual ao homem ao exercício da barbárie.

A desconstrução ideológica

Jacques Derrida é de uma incompreensibilidade histriónica. Porém, o mais grave em Derrida não é o seu discurso incompreensível, mas um cinismo absurdo que impregna as suas ideias. Para entendemos minimamente o enviesamento do pensamento de Derrida, temos de seguir uma linha ideológica que remonta, pelo menos, a Hegel.

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Embora se atribua a Jacques Derrida a teoria do Desconstrutivismo, ela vem de longe ― pelo menos desde Nietzsche. Esta grande besta foi o responsável não só pela desconstrução ideológica, como ele esteve na base do feminismo radical moderno através da sua feroz misoginia e ao criar as condições ideológicas para o horror do nazismo, fazendo com que o homem passasse a ser demonizado pelas feministas. A Europa é o continente mais inadequado para um homem viver; é muito mais feliz o homem na Ásia, África ou mesmo na América do que na Europa, devido aos fantasmas ideológicos que por causa de Nietzsche e a partir do nazismo, atormentam a nossa memória colectiva.

Foi com Heidegger que o desconstrutivismo assumiu o seu corpo ideológico. Este foi outra grande besta, porque para além de ter sido um oficial nazista, depois da segunda guerra utilizou o seu relacionamento sexual com a judia Hannah Arendt ― que se tinha deslocado à Alemanha integrada numa missão do governo americano para pôr em prática a desnazificação da Alemanha ― para se ilibar de culpas ideológicas que comprometessem a sua carreira académica, e depois de o ter conseguido, “deu-lhe com os pés”.


Vejamos esta proposição:

Ω = 1

Vemos aqui um símbolo ― ou signo ― “Ω” a que corresponde um valor de “1”. Portanto, temos aqui um significante ― o símbolo “Ω” ― e um significado, que é o número “1”. O símbolo “Ω” tem um papel de significante porque é ele que desempenha a função de suporte do sentido que dá ao significado, que neste caso é o número 1. Penso que fui claro, mas se não me fiz entender, enviem-me um email ou escrevam nos comentários.

Agora vejamos outra proposição:

Ómega = 1

Aqui, o significante é “Ómega”, e o significado mantém-se o mesmo: 1. As duas proposições são na realidade idênticas, porque o símbolo “Ω” significa a letra “Ómega” do alfabeto grego, símbolo esse que não existe contudo no nosso alfabeto, e nesta medida o símbolo Ω passa a ser para nós só um signo. Porém, Derrida diz que as duas proposições não são idênticas, porque na primeira existe um símbolo intermediário ( Ω ) escrito entre o locutor e o discurso, e no segundo caso “a escrita é fonética”.


Vou dar um exemplo de denúncia da “dominação cultural” exercida através da escrita fonética, segundo Derrida:

“O porco merece esse nome porque é um animal pouco asseado.”

O significante aqui é o substantivo “porco”. O significado é “animal pouco asseado”. Aqui, Derrida parte de um princípio ― que não é de sua autoria mas do linguista Ferdinand de Saussure ― segundo o qual os sons que compõem uma palavra são totalmente arbitrários e nada têm a ver com o significado. O substantivo “porco” é uma palavra convencionada, e em vez de “porco” poderíamos chamar de “reco” ou “javali doméstico”, ou outro nome qualquer; por exemplo, “pinóquio”. Contudo, a palavra “porco”, por força da escrita fonética que induz o imediatismo de uma imagem mental, acaba por não só designar o animal como designar também a essência da sujidade por ele produzida, o que Derrida atribui à escrita fonética que caracteriza a cultura ocidental.

Vamos ver melhor:

Por exemplo, se Ω = porco, não faria o mesmo sentido escrever: “O Ω merece esse nome porque é um animal pouco asseado” embora soubéssemos que Ω significava “porco”, porque existiria um símbolo ( Ω ) entre o significante e o significado. A diferença está no imediatismo da fonética e da acústica quando se pronuncia a palavra “porco”, em que o substantivo passa a ser adjectivado por força da imagem mental associada ao significante através do significado. Quando escrevemos Ω, existe um símbolo entre a nossa imagem mental do porco e a sua significação; quando escrevemos “porco”, o símbolo intermediário Ω desaparece e a nossa imagem mental do porco é imediata. Acontece que em linguagens escritas como o chinês, a intermediação simbólica está presente, o que não acontece na escrita da nossa cultura, que é fonética e não é simbólica.

Chegado aqui, Derrida partiu para o dogma ideológico. Dizia ele que a presença imediata do significado ― por via da nossa escrita fonética ― “retira autonomia ao significante” por lhe atribuir um papel secundário, isto é, o animal a que se convencionou chamar de “porco” é sujeito à desvalorização do seu significado, sendo que o porco como significante fica diminuído na sua importância ideológica. Segundo Derrida, a maior importância vai para o significado da proposição (“animal pouco asseado”). O significante ― o animal a que demos o nome de “porco” ― saiu inferiorizado do “negócio” da escrita fonética e assume um papel secundário na proposição (assimetria conceptual).

Eu diria que a conclusão de Derrida é subjectiva. Ao invés, poderíamos escrever: “Um animal pouco asseado merece esse nome porque é porco” , e aqui o significante passaria a significado, sem que as valências simétricas fossem beliscadas. O que se passa na realidade é que o substantivo “porco” passou a ser um adjectivo que existe em função de uma realidade que é a de que o porco é, normalmente e na sua pocilga, porco (pouco asseado); não há que escamotear a realidade e dizer que o porco é limpo. Derrida diz que não, que o porco é limpo, e o facto de dizermos que o porco é porco é resultado de uma “dominação” do significado em relação ao significante, isto é, é resultado de uma assimetria de valências que caracteriza a escrita fonética da merda da cultura ocidental.

O mais que eu poderia concordar com Derrida é que, eventualmente, o porco é porco porque vive numa pocilga e não num palácio; de resto, a verdade é que um porco na pocilga é porco. Talvez Derrida culpe a cultura ocidental por manter os porcos nas pocilgas, em vez de os colocar em palácios. Porém, não estou de acordo com ele: eu já vi porcos em palácios, nomeadamente em São Bento, e nem por isso notei a diferença na produção escatológica.

Derrida retira daqui a conclusão que existe uma “linguagem de dominação” sobre o coitado do porco (e não só), linguagem essa que prevalece na cultura ocidental. E a partir deste exemplo do porco (que é da minha lavra, obviamente, mas que serve perfeitamente de exemplo), Derrida extrapola ideologicamente ― e de uma forma absurda ― para a dominação da mulher por parte do homem na cultura ocidental, que se caracteriza pela acção da escrita fonética na relação de assimetria (desiquilíbrio) onde à mulher é invariavelmente atribuído um valor inferior ao homem ― o que levou à obsessão feminista (que está na moda) da reinterpretação dos textos literários e à denúncia de um carnaval que mascarou o sentido literário dos textos escritos ao longo da História, e em que se procuram conteúdos ocultos que recuperem a feminilidade recalcada (como se de uma espécie de um processo de psicanálise literária se tratasse). Como se não bastasse, Derrida chamou a cultura ocidental de “falocrática” (literalmente, “o governo do falo”).

O impacto de tudo isto em determinadas feministas com cabeça de galinha foi devastador. A luta inteligente das intelectuais feministas que ocorreu desde finais do século 19 até aos anos 60 do século passado foi obnubilada por um novo feminismo de tipo “Betty Friedan”, com pouco conteúdo e muito espectáculo mediático, que não luta já pela emancipação política e social da mulher mas por uma revisão dos sistemas simbólicos culturais de forma a que a dominação homem / mulher, denunciada aqui pelo exemplo do porco do Derrida, passasse a ser exercida no sentido oposto. Em vez da emancipação equitativa da mulher, aconteceu a guerra dos sexos que destroça a sociedade.

Os neomarxistas rejubilam com a atomização da sociedade democrática e livre através da destruição da família nuclear, rumo a um totalitarismo. Afinal, nem tudo estava perdido.

2 comentários »

  1. […] pergunta que fazemos às feministas (e aos “feministos”: não desprezar a desconstrução da linguagem) é a seguinte: ¿Qual é a alternativa que propõem àquilo a que chamam de “sociedade […]

    Pingback por A narrativa feminista de Márcia Tiburi | perspectivas — Sexta-feira, 1 Janeiro 2016 @ 11:17 am | Responder

  2. Excelente aqui desconstrução do desconstrucionismo e subprodutos como a teoria/ideologia Queer {Butler} Este/a martela o refrão de que Tudo relativo ao desenvolvimento sócio afetivo, sexual das pessoas, o senso de identidade é uma construção social, e, que historicamente foi expressão do machismo patriarcal e que, portanto, precisa ser demolido. A ideologicação dogmática de correntes feministas que dominam alguns centros acadêmicos produz um divórcio delas, [feministxs], para com a imensa maioria das mulheres que querem, sim dignidade, respeito, direito à liberdade e ao amor e igualdade de oportunidades, respeitadas suas diferenças quanto aos homens em suas sociedades e culturas. Este feminismo ideologizado rompe com a base natural, biológica e psiquica da feminilidade e produz um gênero indefinido, confundindo meninas e adolescentes em fomação, que acabam sofrendo uma dissonancia identitária.

    Comentar por Ageu Heringer Lisboa — Sexta-feira, 18 Novembro 2016 @ 2:00 pm | Responder


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