perspectivas

Quinta-feira, 12 Novembro 2020

Novembro, uma vez mais…

Filed under: A vida custa,poesia — O. Braga @ 11:17 am

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Segunda-feira, 13 Junho 2016

Vem aí o São João !

Filed under: poesia — O. Braga @ 7:11 am

Eu comprei-te um manjerico
No passeio da Ribeira.
Ai amor!, sem ti não fico
Antes d’ hora derradeira.

Se a fogueira for acesa,
Com esmero e com paixão,
Esquecemos a tristeza,
Na noite de São João.

Manjerico, tens um cheiro
d’ Alfazema no Verão,
E a cor da esperança…

Não há com’o amor primeiro,
Que se dá na ilusão
De eterna confiança.

(Orlando Braga)

Sábado, 5 Outubro 2013

Dia de Outono

Filed under: poesia — O. Braga @ 6:24 am

 

Dia de Outono

Senhor: é tempo. O Verão foi muito longo.

Lança a tua sombra sobre os relógios de Sol

e solta os ventos sobre as campinas.

Manda que os últimos frutos se arredondem;

dá-lhes inda dois dias mais meridionais,

leva-os à perfeição e faze entrar

a última doçura no vinho pesado.

Quem agora não tem casa, já não vai construí-la.

Quem agora está só, longo tempo o será,

Fará vigílias, e lerá, escreverá longas cartas

e vagueará, de cá para lá, nas alamedas,

agitado, quando o vento arrasta as folhas.

 

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Rainier Maria Rilke (“Livro das Imagens”, 1902)
“Poemas, As elegias de Duíno e Sonetos a Orfeu”, ASA Editores, 2001, página 76

 

Terça-feira, 5 Junho 2012

Sobre Oscar Wilde

No FaceBook, alguém transcreveu o seguinte texto atribuído a Óscar Wilde:

LOUCOS E SANTOS

Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e aguentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade disparate, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que “normalidade” é uma ilusão imbecil e estéril.

G. K. Chesterton definiu o arquétipo mental de Wilde de uma forma adequada:

“Queerly enough, it was the very multitude of his falsities that prevented him from being entirely false. Like a many-colored humming top, he was at once a bewilderment and a balance. He was so fond of being many-sided that among his sides he even admitted the right side. He loved so much to multiply his souls that he has among them one soul at least that was saved. He desired all beautiful things — even God.” — [“A Handful of Authors.”]

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Quinta-feira, 12 Abril 2012

As crianças, a auto-referencialidade e a poesia

Filed under: poesia — O. Braga @ 4:19 am

“A chuva chove mansamente… como um sono
Que tranquilize, pacifique, resserene…
A chuva chove mansamente… Que abandono!
A chuva é a música de um poema de Verlaine…”

Cecília Meireles consegue fazer caber, no enunciado [“A chuva chove mansamente… como um sono”] sobre a chuva, uma “imitação” da chuva; parece que “ouvimos” a chuva a cair… E importante são, também, as palavras que se repetem ou que são semelhantes [“a chuva chove”].

Segundo Roman Jakobson, trata-se do “princípio masculino da similitude metafórica” que, de certo modo, reforça o “princípio feminino da combinação do dissemelhante, na sintaxe” (e talvez por isso haja historicamente mais homens na boa poesia do que mulheres; e talvez devido à actual cultura de neutralidade de género, cada vez menos aparece boa poesia… mas isto sou eu, aqui, a pensar com os meus botões…).

A auto-referencialidade na poesia é, talvez, a razão por que as crianças são-lhe naturalmente atreitas. A auto-referencialidade da palavra poética não é paradoxal: pelo contrário, ela é representativa de uma qualquer situação em que o conteúdo “imita” a realidade formal do enunciado.

Exemplos de auto-referencialidade paradoxal: “Eu não sou o assunto desta frase”; “podes citar-me”; “Esta frase tem cinco palavras — ou sete?”.

Sexta-feira, 6 Janeiro 2012

Escutar não é a mesma coisa que ouvir; e inteligência não é a mesma coisa que criatividade

Filed under: acordo ortográfico,poesia — O. Braga @ 1:44 pm

O seguinte poema foi publicado no De Rerum Natura :

No descomeço era o verbo.
Só depois é que veio o delírio do verbo.
O delírio do verbo estava no começo, lá onde acriança diz: Eu escuto a cor dos passarinhos.
A criança não sabe que o verbo escutar não funciona para cor, mas para som.
Então se a criança muda a função de um verbo, ele delira.
E pois.Em poesia que é a voz do poeta, que é a voz de fazer nascimentos — O verbo tem que pegar delírio.

via De Rerum Natura: No descomeço era o verbo.

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Sexta-feira, 4 Novembro 2011

O Império da Poesia

Filed under: poesia — O. Braga @ 4:04 pm

Sinto um certo constrangimento ao dizer isto (talvez porque me sinta fora da moda), mas é a pura verdade: não sou um apreciador de poesia — o que não quer dizer que não exista alguma poesia que me agrade: há uma certa poesia, como por exemplo, a de Fernando Pessoa, de que gosto (é uma “poesia que dá que pensar”). Mas, regra geral, não sou apreciador.

Há pessoas que são “surdas” em relação à música; eu sou “surdo” em relação à poesia em geral.
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Quarta-feira, 31 Agosto 2011

Vai ter que chegar o dia…

… em que um professor universitário que defenda ideias destas seja sumariamente despedido. E esse dia já tarda (faz falta quem vá cavar batatas!)

«Eu sou muito realista. Acabava com Os Lusíadas e com o Pessoa e outras obras no secundário. No secundário não há maturidade para a cultura erudita. É como dar pérolas a porcos.» — opinião de um “licenciado e doutorado em Humanidades, docente ligado a um departamento de Letras duma universidade portuguesa com responsabilidade na formação de educadores e professores, orientador de dissertações académicas na área da educação, com responsabilidade na organização de encontros sobre literatura para a infância. E, não menos importante, escritor.”

via De Rerum Natura: “Por que é que o pacato povo português tem de saber quem é o Camões e o que são Os Lusíadas?”.

Domingo, 5 Junho 2011

O prémio Camões merece Mia Couto

Filed under: cultura,Livros,poesia — O. Braga @ 2:46 pm
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Formou-se, no FaceBook, um grupo que sugere o prémio Camões para Mia Couto.

«A elite intelectual portuguesa tem andado “cega” em relação à obra literária de Mia Couto. O escritor moçambicano é um dos melhores intérpretes actuais da língua portuguesa no mundo, e tem sido, de certa forma, desprezado pelos responsáveis pela atribuição do prémio Camões.

O estilo da prosa de Mia Couto toca a genialidade porque introduz na língua portuguesa uma originalidade que é a prerrogativa e a distinção da arte que não se aprende, mas que é “ingénita” (para utilizar a expressão de Kant) — genialidade essa que não pode ser alargada a outros campos da actividade humana. Mia Couto reinventou a língua portuguesa e de tal forma que, depois dele, a nossa língua já não pode ser a mesma.

Por uma questão de justiça, vamos “abrir os olhos” à elite intelectual portuguesa que se recusa a constatar a realidade do fenómeno literário que é Mia Couto.»

Domingo, 15 Maio 2011

A dinâmica progressista de João Malaca Casteleiro e do seu Hacordo Hortográfico

Livro distribuído pelo Ministério da Educação do Brasil defende o erro de concordância verbal

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Sexta-feira, 15 Outubro 2010

Outono

Filed under: poesia — O. Braga @ 9:07 am
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Novembro apagou nas buganvílias
seus nomes brancos, roxos, escarlates.

É mais difícil regressar a casa:
o caminho disfarçou, emudeceu
seu rosto nos muros e nas grades.

— Por onde seguiremos
sem que o outono espesso nos trespasse?

(José Bento)
Um Sossegado Silêncio
Porto, Edições Asa, 2002

Quinta-feira, 2 Setembro 2010

A chuva chove

Filed under: poesia — O. Braga @ 8:33 am

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