perspectivas

Sábado, 20 Julho 2013

Verdade de La Palisse: Ou o CDS/PP é um partido de inspiração cristã, ou não.

Estive a ouvir, ontem à noite, o mestre e professor Adriano Moreira. Uma das coisas que ele disse é que a doutrina social da Igreja Católica não desampara os mais pobres, e por isso — diz ele — o Estado Social não deve ser desmantelado sem garantias de que os mais pobres tenham condições dignas de sobrevivência.

Por outro lado, Manuela Ferreira Leite — por exemplo e entre outras figuras do Partido Social Democrata — está “cansada” de dizer que, neste momento, um corte de 4,7 mil milhões não é factível. Esse corte – e mesmo outros – pode ser feito ao longo de algum tempo e à medida em que a economia cresce e o desemprego diminui. Em resumo: o problema dos cortes passa pela União Europeia; e sobre a União Europeia, ler este trecho no Jornal de Negócios:

« Viremo-nos agora para o outro lado do problema, ou seja, para a crise especificamente europeia. Ao contrário da anterior, esta é, na sua essência, uma crise política com um pretexto económico, fabricada de todas as peças pelo governo alemão coadjuvado pelo BCE, quando, em 2010, ao julgar ter resolvido o seu particular problema doméstico, lançou a palavra de ordem “cada um por si”. Sabe-se há muito que o euro sofre de malformações congénitas. Ainda assim, a zona euro no seu conjunto não padece de desequilíbrios financeiros externos ou internos. O problema só surgiu quando se começou a partir aos bocadinhos um sistema que era suposto ser uno, coeso e solidário.

A crise do euro foi criada pela má-fé da Alemanha, que viu na crise internacional uma oportunidade única de impor a sua hegemonia política, económica e financeira no velho continente. Esse projecto avançou sem sobressaltos de maior até ao momento em que o contágio atingiu a Espanha e a Itália, cuja ruína ameaça os próprios fundamentos do euro. Não há forma de acudir-lhes se a situação se agravar, de modo que, após muitas hesitações, o BCE decidiu-se a intervir e a Alemanha resignou-se a aceitar os princípios da união bancária, da união fiscal e, a prazo, da mutualização parcial da dívida. Porém, assim que a iniciativa do BCE começou a dar resultados, Merkel renegou a sua palavra e adiou tudo para 2014.»

Chegados aqui, concluo o seguinte: ou o CDS/PP é um partido de “inspiração cristã” (conforme os estatutos do partido) e tenta mudar (internamente) a política neoliberal do Partido Social Democrata de Passos Coelho; ou o CDS/PP alinha totalmente com o PSD do Pernalonga e eu passo a defender eleições legislativas antecipadas.

Sexta-feira, 12 Julho 2013

Radicalização da política portuguesa está aí

Era inevitável, e há muitos meses que eu previa que a política do Vítor Louçã Rabaça Gaspar daria nisto. Em 18 de Outubro de 2012 escrevi aqui o seguinte:

O governo de Passos Coelho esgotou o seu propósito

Passos Coelho foi, desde o princípio, um primeiro-ministro de um governo destinado a cumprir um programa . Um programa é uma sequência de acções predeterminadas que funciona em certas circunstâncias que permitem o seu cumprimento. E se as circunstâncias externas ou internas não são favoráveis, o programa fracassa – que é exactamente o que aconteceu com o programa do governo de Passos Coelho.

Um programa cumpre-se mediante mecanismos automáticos; quem executa um programa não tem muito que pensar – e por isso é que nós assistimos a esta crueza e insensibilidade da parte de Passos Coelho e do seu ministro das finanças. Ambos estão a cumprir um programa que é por definição predeterminado, e não têm que pensar em estratégia.

Ao contrário do programa, a estratégia resulta da reflexão, tem em conta o imprevisto, eventuais situações adversas, e valoriza sempre a Informação que pode alterar o curso dos acontecimentos. Mas, para haver estratégia numa organização, esta não pode ser concebida ab initio para obedecer a um programa ou programação. Ou seja, por exemplo, quando se forma um grupo de trabalho para executar um determinado programa, seria uma estupidez que se exigisse desse grupo de trabalho a elaboração de qualquer estratégia.

Restaria a Passos Coelho adoptar uma estratégia; mas não o pode fazer, porque a noção de programa opõe-se à noção de estratégia. É praticamente impossível que um mero cumpridor de um programa, como é Passos Coelho, passe a ser um estratega, porque isso seria contraditório em termos.

Se nós já verificamos que o programa que Passos Coelho está a cumprir tem uma enorme probabilidade de não só não atingir os seus objectivos, mas também de fazer retroceder a nossa economia à idade da pedra, então teremos que concluir que o projecto do programa de Passos Coelho fracassou e tornou-se redundante e anacrónico. Passos Coelho deve ser demitido.

Em vez de um governo que apenas cumpre um programa, devemos ter um governo com estratégia.

Agora “é tarde e Inês é morta”, o mal está feito e Cavaco Silva faz parte do problema. Eleições, neste momento, significam uma nova versão light do PREC [Processo Revolucionário em Curso].

Quinta-feira, 4 Julho 2013

Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és

Neste textículo , o escriba fala de tudo menos do óbvio: aturar Passos Coelho é obra de um santo. Já não falo do povo que o tem aturado de uma forma admirável e santificadora: refiro-me às pessoas que convivem diariamente com ele no governo.passos-coelho-007-web.png

Passos Coelho aguentou o ministro Relvas – ferido politicamente de morte e durante quase um ano por causa de uma licenciatura tirada à moda de José Sócrates – apenas e só por amiguismo político. Passos Coelho nomeia Maria Luiz Albuquerque ministra das Finanças – ferida politicamente de morte pela questão dos swaps – apenas e só por amiguismo político e sem procurar um compromisso político com Paulo Portas.

Passos Coelho é um nepotista, é um farsante político, um indivíduo muito longe daquilo que deve representar um político moderno e eficaz. Passos Coelho tende a transformar um governo de coligação numa coutada pessoal.

Ora, um nepotista e os seus nepotes não merecem credibilidade, nem pessoal nem política. E por isso é que Passos Coelho não tem liderança no governo, porque não tem nem merece credibilidade da parte dos seus ministros. O rei vai nu. Foi isto que, desgraçadamente, saiu na rifa ao povo português (mas o Tó-Zero Seguro não é melhor do que Passos Coelho: é apenas diferente).

Naturalmente que quem se deita com um puto acorda mijado. Foi o que aconteceu com Paulo Portas: deitou-se com o puto e acordou encharcado. Normalmente tende-se a nivelar por baixo. E agora, até gente do CDS/PP coloca Paulo Portas na mesma categoria de Passos Coelho . Encharcado até às orelhas, Paulo Portas é agora comparado a Passos Coelho.

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Quarta-feira, 3 Julho 2013

Os professores do Instituto Camões ainda não receberam o salário de Junho

Filed under: Passos Coelho,Pernalonga — O. Braga @ 9:28 pm
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A máfia do Partido Social Democrata no governo ainda não pagou o mês de Junho aos professores do ensino básico do Instituto Camões que ensinam as crianças portuguesas no estrangeiro, apesar de os pais dos alunos emigrantes pagarem propinas (o que não acontece em Portugal).

Não se trata de falta de dinheiro, mas de um acto gratuito; ou de estupidez; ou de incompetência.

Cabeça quadrada

¿Por que razão a cabeça é redonda? Porque é necessário, de vez em quando, que o pensamento mude de sentido.

Este princípio não se aplica a Passos Coelho, cuja cabeça é quadrada.

Terça-feira, 18 Junho 2013

Em política, não há santos e pecadores

O maniqueísmo político, que divide a sociedade em grupos bons e outros maus, é uma herança do marxismo que é utilizada inconscientemente mesmo por aqueles que dizem combater o marxismo , como é o caso de uma certa Direita actual.

Ainda no século XIX, antes de Karl Marx recolocar o maniqueísmo gnóstico da Antiguidade Tardia na agenda política e apesar do radicalismo jacobino da revolução francesa, nas discussões políticas era normal não haver nem santos nem pecadores, e tão somente pontos de vista diferentes. Não existiam negações ontológicas dos adversários políticos, nem se pensava que por causa da diferença de opinião o adversário deveria deixar de existir.

Hoje, os nossos adversários políticos são sempre “sujinhos sujinhos”, seja à esquerda ou à direita. Nós somos sempre os bons e os outros são sempre os maus e independentemente do valor das ideias em discussão: Marcuse chamou a isso “tolerância repressiva” e o seu conceito já tomou conta de uma certa direita.

Eu não sei quem está a “usar os alunos como reféns”: se os professores fazendo greve aos exames, se o governo anunciando despedimentos de professores em vésperas de exames. Se esta greve dos professores é “sujinha, sujinha”, este governo é “porquinho, porquinho”. Os sindicatos estão à altura moral deste governo imoral.

Domingo, 16 Junho 2013

Passos Coelho é um fenómeno político inexplicável!

«Fundada em 1748, por D. João V, a Coudelaria de Alter do Chão possui cerca de 800 hectares de reserva agrícola, e desde a sua fundação que se dedica ao estudo e melhoramento da raça Puro Sangue Lusitano.

O arqueólogo Jorge de Oliveira, da Universidade de Évora, liderou o projecto de recuperação do património arqueológico da Fundação e afirmou “estar preocupado com o futuro do mesmo; uma reserva arqueológica, única no mundo, um testemunho intacto que remonta ao V milénio a.C.”. »

Governo põe fim à Coudelaria mais antiga do Mundo

Trata-se de um acto gratuito, como quase todos os actos recentes do governo de Passos Coelho. Por exemplo, a recusa de pagar o subsidio de férias aos funcionários públicos foi outro acto gratuito. O Partido Social Democrata tem que reagir e organizar um congresso extraordinário para substituir Passos Coelho, antes que seja tarde. Passos Coelho tem que sair.

Existe uma semelhança entre Passos Coelho e José Sócrates: ambos têm um problema grave de personalidade que se reflecte num carácter retorcido e até perverso. Ambos são aquilo a que o professor José Hermano Saraiva dizia ser “gente menor”. Ter gente menor desta a governar um país é extremamente perigoso. Mesmo correndo o risco de ver a esquerda a tomar conta do país, Passos Coelho tem que sair. Naturalmente que Passos Coelho não sai pelo seu próprio pé, mesmo que tenha que arrastar o Partido Social Democrata para a lama: faz parte do carácter retorcido dele.

Passos Coelho – tal como José Sócrates – é um fenómeno político difícil de explicar. Eu não consigo compreender como uma cavalgadura destas (que manda fechar a mais antiga Coudelaria do mundo!) chegou a primeiro-ministro.

Quarta-feira, 12 Junho 2013

O bombeiro involuntário do PSD de Passos Coelho

Marcelo Rebelo de Sousa falava aos jornalistas à margem de um jantar de apoio ao candidato do PSD à Câmara de Matosinhos, Pedro da Vinha Costa, tendo considerado que “não vai haver hecatombe nas autárquicas” para o PSD.

Na opinião do ex-líder social-democrata, será um “resultado que, como as expectativas estão muito baixas” não vai surgir “como verdadeiramente aquela tragédia que muitos esperavam”.Marcelo “Não vai haver hecatombe no PSD”

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Quarta-feira, 5 Junho 2013

O olho vesgo do liberalismo bovinotécnico

Filed under: Passos Coelho,Pernalonga,Política,Portugal — O. Braga @ 4:37 pm
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http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=Q2u1ERFediM

  1. Por que razão a polícia autorizou que um manifestante, que foi depois detido, tivesse tido acesso ao interior do edifício, onde mostrou o cartaz “demissão já!” à ministra? Isto porque se o local onde se encontrava o manifestante com o cartaz não era um sítio próprio e autorizado para manifestações de protesto, então a polícia não deveria ter permitido a entrada a ninguém estranho aos serviços da instituição visitada pela ministra.
  2. Por que razão, estando uma pessoa em um local público e não vedado pela polícia, não pode mostrar à ministra um cartaz com as palavras “demissão já!”? Será que o manifestante se infiltrou, clandestina e ilicitamente, em local previamente vedado pela polícia? Se assim foi, ele deveria ter sido imediatamente detido por entrada em local vedado ao público, e não por outra razão qualquer.
  3. Por que razão um cidadão não pode reagir a uma agressão discricionária e arbitrária da polícia? Se um polícia me agredir sem qualquer razão plausível e justificável por lei, será que eu não tenho o direito de reagir agredindo-o também? Aliás, basta ler a Constituição para se ter a resposta…

Um polícia não é a autoridade: antes, é um representante da autoridade.

A mim parece-me que a Esquerda, neste caso, tem razão – porque 1/ o manifestante foi autorizado pelas forças de segurança a entrar num edifício onde estava previsto que a ministra passaria; 2/ porque, neste país, o protesto (ainda) é livre desde que não ofenda pessoalmente o detentor de cargo político em relação ao qual se protesta; 3/ porque, e em função dos pontos anteriores, o cidadão reagiu a uma agressão inusitada, discricionária e arbitrária da polícia. Em tribunal, qualquer advogado acabado de sair da faculdade “safa” aquele homem.

Em Portugal, hoje, os liberais são aqueles que negam o direito à liberdade de expressão .

(*) A bovinotecnia é a arte de tratar do “gado” de uma forma tal que se consiga fazer crer aos “bovinos” que serão livres se abandonarem o seu estatuto de bovinidade.

O veneno mental do coelhismo

“Uma nação que habitualmente pense mal de si mesma acabará por merecer o conceito de si que anteformou. Envenena-se mentalmente.

O primeiro passo para a regeneração, económica ou outra, de Portugal é criarmos um estado de espírito de confiança – mais, de certeza, nessa regeneração. Não se diga que os factos provam o contrário. Os factos provam o que quer o raciocinador.” – Fernando Pessoa, Teoria e Prática do Comércio

Uma das características do coelhismo é a preponderância do “veneno mental” no discurso político, porque se trata de uma tendência política euro-federalista.

O federalismo europeu exige esse “veneno mental” inoculado no espírito do povo português, uma vez que a recuperação do “espírito de confiança”, segundo o coelhismo, passa sempre pelo estrangeiro (União Europeia) e não pela regeneração portuguesa propriamente dita. Para isso, os coelhistas não fazem outra coisa senão apresentar “factos” que alegadamente justifiquem a racionalidade do “veneno mental” com que derrotam Portugal.

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Terça-feira, 14 Maio 2013

Passos Coelho e o mundo virado ao contrário

Filed under: A vida custa,Coelhismo,Passos Coelho,Pernalonga — O. Braga @ 4:13 pm
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Passos Coelho deveria dizer assim:

« Precisamos de mais crianças, temos muitos professores. »

Percebem agora por que a diferença entre Francisco Louçã e Passos Coelho é apenas formal?

A santíssima trindade de Passos Coelho: OCDE, FMI e UE

Filed under: Coelhismo,Passos Coelho,Pernalonga — O. Braga @ 2:27 pm
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Para Passos Coelho, basta invocar a nova santíssima trindade, ou apenas um dos seus membros. E antes de a invocar, há que dizer o que a nova santíssima trindade e os seus membros terão que significar.

Recorre-se, assim, a uma autoridade que transcenda a realidade e que não seja da nossa igualha; mas o problema é que aquilo que essa autoridade diz é aquilo que antecipadamente Passos Coelho pretendia que fosse dito.

O símbolo da nova santíssima trindade tem um representado: a política radical de Passos Coelho e de Vítor Gaspar.

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