perspectivas

Quarta-feira, 12 Julho 2017

Em Portugal, o sistema de Justiça é uma arma de arremesso político

Filed under: Justiça,Paulo Rangel,Pedro Arroja — O. Braga @ 8:27 pm

 

Em Portugal, o sistema de Justiça (entre outras coisas) serve para calar a oposição política — como podemos ver neste caso do Paulo Rangel contra Pedro Arroja.

paulo-rangel-400Tanto um como o outro são figuras públicas e, portanto, têm um estatuto jurídico ligeiramente diferente quando comparados com o cidadão vulgar.

Enquanto figuras públicas, têm que estar preparados para ouvir certas coisas, por exemplo, “jurista de vão-de-escada”; chamar ao Paulo Rangel “jurista de vão-de-escada” não é insulto nem injúria: é apenas uma opinião acerca de uma figura pública.

“Quem não quer ser lobo não lhe veste a pele”; quem não quer ser figura pública não aparece sistematicamente nos me®dia.

A verdadeira razão por que o Paulo Rangel “meteu” o Pedro Arroja em tribunal (alegadamente porque este lhe chamou de “jurista de vão-de-escada”) é a de que a Justiça é utilizada em Portugal como um instrumento de guerra de guerrilha política — porque a Justiça é cara, e a defesa em tribunal custa muito dinheiro ao acusado, neste caso, ao Pedro Arroja.

A mensagem do Paulo Rangel ao Pedro Arroja é a seguinte: «Essa invectiva (“jurista de vão-de-escada”) vai sair-te do bolso!, e muito caro!».

O Paulo Rangel sabe bem que vai perder o processo judicial que ele próprio iniciou contra o Pedro Arroja; mas também sabe que o Pedro Arroja vai gastar muito dinheiro com a acção no tribunal. E ao Paulo Rangel, o que lhe interessa, é que o processo judiciário “doa” ao Pedro Arroja onde normalmente dói bastante a toda a gente: no bolso dele; mesmo que perca o processo e assuma as custas judiciais.

É para esta merda que servem os tribunais em Portugal.

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Domingo, 26 Março 2017

Vasco Pulido Valente e a “dor de corno histórica” de Jeroen Dijsselbloem

Filed under: capitalismo,Europa,Holanda,Pedro Arroja,Vasco Pulido Valente — O. Braga @ 3:46 pm

 

Alguém explique ao Vasco Pulido Valente que Calvinismo não é a mesma coisa que luteranismo: ele mistura aqui alhos e bugalhos. E o Pedro Arroja vai logo atrás da “autoridade de direito” do Vasco Pulido Valente que cai na falácia ad Verecundiam.

“José Manuel Fernandes foi o único a perceber que o comentário do sr. Dijsselbloem era um comentário de calvinista. Infelizmente, acabou aí. Mas vale a pena continuar. Garton Ash já pediu em público aos seus amigos Merkel e Schäuble que não tratassem a crise do Euro como “um ramo da teologia” e, para uso dos zoilos, também já explicou que esta perversão vem das profundezas da cultura alemã.”

Ó Vasco: “calvinista” é o caralho! E mesmo que Jeroen Dijsselbloem fosse calvinista, Merkel e Schäuble seriam luteranos (e não calvinistas). E se não sabes a diferença entre Calvinismo e luteranismo, Vasquinho, mete a viola ao saco.

Ó Vasco: não é Calvinismo: é racismo. É uma “dor de corno histórica”.

É, por exemplo, o português e o espanhol como línguas literárias e internacionais, e o holandês que é uma língua de grunho. ¿Alguém fala holandês? Só os grunhos! ¿Que civilização nos têm para oferecer, os holandeses? ¿Tulipas e moinhos de vento? Até a pintura clássica era flamenga (influência belga), e não propriamente holandesa. A Holanda foi uma colónia secundária da Espanha dos Filipes, e só como colónia de Espanha granjeou alguma notoriedade na Europa. E depois foi colónia dos ingleses, no tempo de John Locke e depois da revolução inglesa do século XVII. E a seguir foi submetida sucessivamente pelos franceses (Luís XIV) e pelos alemães. E hoje é uma colónia da Alemanha de Merkel e Schäuble.

Ademais, a tese de Max Weber acerca do capitalismo — “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”, 1905 — é apenas uma teoria.

A verdade é esta: na Europa, os Bancos surgiram, em primeiro lugar, no sul católico (em França com os Templários século XIII, e mais tarde, em Itália com os Monti di Pieta, século XIV e XV). Só mais tarde surgiu na Alemanha a Liga Hanseática. O prémio de seguro de risco foi inventado pelos franciscanos menores em Itália do século XII. A renascença italiana não foi outra coisa senão a exuberância capitalista das cidades-estado.

O capitalismo nasceu no sul da Europa, católico.

O que não podemos fazer é confundir capitalismo, por um lado, com revolução industrial, por outro lado. A revolução industrial surgiu em Inglaterra (e não na Holanda) na sequência das guerras civis do século XVII que separaram o Estado, por um lado, e as diferentes religiões, por outro lado (ergo, desenvolvimento da Ciência e da Técnica).

Sábado, 25 Março 2017

Ó Pedro Arroja: o protestantismo não é utilitarismo

Filed under: Pedro Arroja — O. Braga @ 2:01 pm

 

“É claro que o ministro Dijsselbloem tocou no ponto fulcral. O que faz a diferença entre os países do norte da Europa e os países do sul, entre os países de cultura predominantemente protestante e os países de cultura predominantemente católica (ou ortodoxa, como a Grécia), são as mulheres”.

Pedro Arroja


Não tem nada a ver. Quando Lutero e Calvino cindiram o Cristianismo, o norte protestante era muito mais puritano (do ponto de vista formal) do que o sul católico. Conforme escrevi aqui:

prostit-imNo século XV, e nas cidades da Europa, o bordel contribuía para a manutenção da paz social, e neste sentido, era uma “instituição católica”.

Em meados do século XVI, o papado, para responder às críticas protestantes [de Lutero], sentiu-se forçado a emitir uma defesa deste tipo: “o bordel contribui para a manutenção da paz social”, para justificar a existência dos “banhos públicos” em Roma.

Ou seja, ao contrário do que dizem, a moral católica não reprimia (politicamente) a prostituição [na Idade Média]; e a atitude tolerante de Salazar em relação à prostituição reflecte essa tradição católica medieval — que depois foi parcialmente contrariada pela Contra-Reforma que, no fundo, imitou a Reforma.

A repressão [política] da prostituição iniciou-se com a Reforma protestante; e, de certo modo, essa “repressão sexual” foi imitada pela Contra-Reforma católica através da influência dos jesuítas na Igreja Católica.

Em geral — e não só em relação às prostitutas —, antes da Reforma, as relações sexuais aconteciam frequentemente antes da actual “idade adulta” [21 anos]. A Igreja Católica medieval instituiu a figura cultural do padrinho de baptismo, que impedia que um homem mais velho pudesse ter relações sexuais com uma jovem afilhada com quem tinha um “relacionamento espiritual”; e era vulgar [na Idade Média] que uma menina pudesse ter vários padrinhos de baptismo: só depois da Reforma e da Contra-Reforma, o padrinho de baptismo passou a ser um só, e a sua figura foi desvalorizada pelo protestantismo.

Em consequência da repressão da prostituição, a partir do século XVII, (e da repressão sexual em geral), os casamentos passaram a realizar-se mais tarde na vida das pessoas, por um lado, e por outro lado, a idade dos nubentes passou a ser semelhante.

O que se passa na Holanda actual é outra coisa, e pouco ou nada já tem a ver com Lutero ou Calvino: o laxismo moral na Holanda (e em quase todos os outros países europeus), é o utilitarismo entendido como religião política a que se convencionou chamar de “secularismo”. E por isso é que os maomedanos vão tomando o poder político.

 

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