perspectivas

Quarta-feira, 28 Abril 2010

Sobre a loucura

Filed under: Novo Guia dos Perplexos — O. Braga @ 7:30 am

“O louco não é o homem que perdeu a razão; é o homem que perdeu tudo, excepto a razão”. — G. K. Chesterton

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Segunda-feira, 19 Outubro 2009

O empirismo ateísta na corda-bamba

Reparemos neste conjunto de proposições que respiguei aqui e que dizem respeito a este outro artigo:

Eu não acreditar em deus é uma posição circunstancial, não metodológica ou a priori. Caso ele descesse do céu e fizesse milagres na minha frente eu teria que repensar a ideia. Caso alguém definisse deus de uma forma que fizesse sentido e apresentasse evidências de que ele existe eu teria que repensar a ideia. Agora, enquanto isso não acontece, sugiro que é bem mais acreditável que ele seja um personagem mitológico.

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Quarta-feira, 8 Julho 2009

O gato de Schrödinger

Uma árvore, que cai na floresta, faz barulho se não estiver lá perto dela alguém que possa ouvir o ruído?
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Quinta-feira, 11 Junho 2009

O livre-arbítrio (9)

Filed under: filosofia,Novo Guia dos Perplexos,Quântica — O. Braga @ 12:05 pm

Eu tive bons professores de filosofia, mas a julgar pelos meus filhos, dá-me a sensação que os actuais professores do ensino secundário ensinam a filosofia como se de uma língua morta se tratasse.
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Terça-feira, 2 Junho 2009

O livre arbítrio (8)

Filed under: filosofia,Novo Guia dos Perplexos,Quântica — O. Braga @ 9:56 am
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Sexta-feira, 29 Maio 2009

O livre-arbítrio (7)

Filed under: filosofia,Novo Guia dos Perplexos,Quântica,Religare — O. Braga @ 7:34 am

Lógica Quântica

Lógica Quântica

Para mim, que me interesso por estes assuntos desde tenra idade por influência de familiares próximos, e que desde o princípio da minha adolescência sempre me dediquei à leitura de livros e artigos relacionados com a quântica e com as consequências das conclusões desta para uma visão filosófica racional e holística da realidade ― dizia eu que, para mim, colocar em palavras conceitos deste género é mais difícil do que a sua explicação através de desenhos ou imagens. A melhor forma de fazer passar conceitos abstractos e formais como são os quânticos [entre outros], é através de imagens metafóricas. Infelizmente, não tenho jeito para desenhar. Por isso compreendo que o leitor que não esteja familiarizado com estes assuntos, e ao ler esta série de postais sobre o livre-arbítrio, me considere uma espécie de lunático; não o levo a mal por isso.

Antes de continuar, e em função de comentários que já foram feitos, convém definir “determinismo” e “livre-arbítrio”. Para além do determinismo filosófico que sempre existiu desde os gregos pré-socráticos, o determinismo científico consiste na equivalência lógica entre duas proposições da dinâmica newtoniana no que diz respeito a dois diferentes instantes de tempo. Com a relatividade de Einstein, esta definição não se alterou. O determinismo científico corroborou o determinismo filosófico de Heraclito a Espinosa, segundo o qual a liberdade do Homem é uma ilusão porque o ser humano “se sente consciente da sua vontade mas ignora a causa que a determina”. Para Espinosa, a causa era o próprio Deus de um sistema panteísta, e portanto a definição de Espinosa cabe perfeitamente na definição de “determinismo” concebido pela Física clássica (causa-efeito, ocorrendo no tempo).
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Quarta-feira, 27 Maio 2009

O livre arbítrio (6)

Filed under: filosofia,Novo Guia dos Perplexos,Religare — O. Braga @ 9:45 am

Kant e a consciência ― II

Kant fez, em relação à teoria do conhecimento, uma coisa que se assemelha ao que Copérnico fez em relação à explicação dos movimentos celestes. Este último conseguiu explicar melhor os movimentos dos planetas supondo que o observador gira sobre si mesmo; de modo semelhante, Kant parte do princípio de que os objectos ― enquanto “fenómenos” ― se formam assumindo um modelo adequado às condições “transcendentais” da experiência humana, em vez de admitir, como até à sua época, que a experiência humana se modela a partir dos objectos.

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Na verdade, aquilo a que Kant chama de “transcendental” [na minha opinião] deveria chamar-se “imanente”. Kant chama “transcendental” a todo o conhecimento que diga respeito não já ao conhecimento empírico dos objectos, mas ao modo como conhecemos os objectos, o que inclui o conhecimento “a priori” que inclui o formalismo matemático que nos levou à quântica, por exemplo.
Portanto, em termos de interpretação da linguagem através da semântica, o “a priori” de Kant não é transcendental, mas é imanente de acordo com o formalismo do realismo matemático. Por outro lado, embora o conhecimento seja independente da experiência [segundo Kant], isto não significa que o conhecimento preceda [exista antes da] a experiência ― e é neste ponto que se baseou o equívoco do jovem bioquímico. Para Kant, todo o conhecimento começa com a experiência embora aconteça que ele [o conhecimento] não derive totalmente da experiência (indução) mas da capacidade de que o ser humano de acrescentar à experiência a faculdade de conhecer através do estímulo que a experiência nos dá (dedução).
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O livre arbítrio (5)

Filed under: filosofia,Novo Guia dos Perplexos,Quântica,Religare — O. Braga @ 12:09 am

Kant e a consciência

Kant

Ontem, em conversa com o meu filho [que é finalista em bioquímica], dizia ele que Kant não faz sentido com o seu conceito de “a priori”, porque o conhecimento só pode ser “a posteriori”, isto é, baseado na experiência. Segundo ele, o próprio conceito de conhecimento “a priori” de Kant só pode existir em função da experiência decorrente da existência humana; a noção de que “um quadrado ou um rectângulo têm quatro lados”, decorre de uma verificação empírica do ser humano, embora se trate de um empirismo básico e pouco elaborado. Ainda segundo o meu filho, qualquer criança que não tenha sido instruída sobre a geometria, tem a noção de que um quadrado tem quatro traços que o delimitam [quatro lados], mas essa noção advém da sua experiência ao olhar o quadrado, e não existe “antes” de a criança poder ter a capacidade cerebral suficientemente desenvolvida para poder compreender uma figura geométrica. No fundo, a síntese “a priori” decorre do cérebro humano, e é este que permite a experiência do conhecimento “a priori”, e neste sentido, dizia ele, o “a priori” é sempre “a posteriori”.
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Domingo, 24 Maio 2009

O livre-arbítrio (4)

Filed under: filosofia,Novo Guia dos Perplexos,Quântica,Religare — O. Braga @ 6:07 pm

Por mais que custe ao classicismo científico admitir, a mecânica quântica revelou que existe uma ordem universal que assenta na probabilidade e não no determinismo, e portanto, no livre arbítrio.

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Um dos argumentos dos cientistas clássicos é o de que o microcosmos e o macrocosmos são duas coisas diferentes e sem interligação que justifique qualquer paralelismo epistemológico. A ideia empírica é a que de o que se aplica ao átomo não se aplica ao Homem. A ciência clássica segue os conselhos de Niels Bohr, que proibiu a comunidade científica de se referir ao comportamento do mundo quântico. A mecânica quântica passou a ser, em parte, um tabu imposto pelo próprio Niels Bohr, o que revela um fenómeno de Galileu contemporâneo e invertido, uma vez que é hoje a ciência que diz que “o sol anda à volta da terra”; Eppur si muove…

A ordem universal que está subjacente às descobertas mecânica quântica, ordem essa que manifesta a existência de leis quânticas, não implica um determinismo como efeito dessas leis. É como se alguém nos dissesse que “devemos ir por ali” (seguindo as directrizes de uma Ordem Universal), mas que somos livres de “não ir por ali” assumindo nós próprios a nossa responsabilidade da tomada da decisão.
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Sábado, 23 Maio 2009

O livre-arbítrio (3)

Filed under: filosofia,Novo Guia dos Perplexos,Quântica,Religare — O. Braga @ 4:19 pm

Breve resenha histórica da ‘morte de Deus’ e da sua ‘ressurreição’

A mecânica quântica está directamente ligada e relacionada com a vontade. A vontade é apenas o livre arbítrio agindo nas mais ínfimas escalas atómicas, ao abrigo da lei quântica da “complementaridade”.

Com o advento do Iluminismo, iniciou-se um processo histórico da tentativa de assassínio de Deus [transcendência] e de imposição do gnosticismo aliado ao materialismo, que como escreveu Eric Voegelin, “sacrificou Deus à civilização”. Quando Nietzsche, de uma forma patética, anunciou a morte de Deus, já Ele tinha sido sofrido um atentado à Sua vida anos antes através da afirmação da religião substitutiva do Positivismo de Augusto Comte.

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Com a evolução da matemática e da Física, as ciências da natureza que tinham assumido desde o Iluminismo a convicção de que Deus estava morto, a partir do fim da década de vinte do século passado começaram a duvidar da certeza do estertor divino. As evidências científicas apontavam para uma realidade que está para além do empirismo positivista: nenhum sociólogo, antropólogo, biólogo, neurobiólogo, etc., pode entender cabalmente a noção de Espaço-tempo sem recurso à matemática; não é possível apreender, de uma forma intuitiva, a noção de Espaço-tempo e a suas curvaturas; e todas as descrições possíveis em linguagem corrente acerca do Espaço-tempo são apenas aproximações exíguas da realidade espaço-temporal que apenas e só a matemática pode descrever.
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Sexta-feira, 22 Maio 2009

O livre-arbítrio (2)

Filed under: filosofia,Novo Guia dos Perplexos,Religare — O. Braga @ 8:42 pm
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No primeiro postal vimos que o realismo matemático conduz ao imanentismo ― a uma concepção imanentista da realidade. A realidade imanente é aquela que não é perceptível através dos cinco sentidos humanos ou através da simples experiência ou experimentação. O que é surpreendente é que Bertrand Russell, que era ateu, assumiu implicitamente o fim do empirismo e do positivismo quando reconheceu a existência de uma “realidade imanente” que se caracterizava por uma base ontológica da lógica que se destacava da realidade concreta.

No entanto, há que definir “imanentismo”, ou melhor dizendo, destrinçar pelo menos duas formas de “imanentismo”.

O imanentismo da lógica matemática [segundo Russell] cabe no conceito de “imanentismo” panteísta de Espinosa ― e no de Gilles Deleuze através do conceito de “realidade pura”. Podemos dizer que a lógica matemática se serve do “imanente” segundo Espinosa e Deleuze, para contornar o incómodo de ter que aceitar o “transcendente”.
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Quinta-feira, 21 Maio 2009

O livre-arbítrio (1)

Filed under: filosofia,Novo Guia dos Perplexos,Religare — O. Braga @ 1:15 am
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No programa da RTP 1 da Fátima Campos Ferreira de 17 de Fevereiro p.p., em que se debateu o “casamento” gay, entre outros intervenientes estiveram dois homossexuais: Vale de Almeida, antropólogo e ateu, e José Ribeiro, católico e professor de matemática na Universidade de Évora. Não é de admirar que o antropólogo seja ateu, porque a esmagadora maioria dos antropólogos o são [assim como os licenciados na área de ciências da natureza]; também não é de admirar que o professor de matemática se diga católico, porque até Bertrand Russell ― que foi um dos raríssimos matemáticos ateus, embora existam muitos matemáticos agnósticos ― dizia que existia “uma base ontológica para a lógica”, base ontológica essa que “se destacava da realidade sensível”. O ateu Russell praticamente defendia a lógica-matemática como um fenómeno inerente a uma realidade metafísica. A esmagadora maioria dos matemáticos defende o realismo matemático; o matemático Alain Connes escreveu mesmo que “a sequência dos números primos tem em si uma realidade que é mais permanente que a realidade material que nos rodeia”.
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