perspectivas

Quarta-feira, 8 Setembro 2010

Centralismo lisboeta: a vergonha nacional

Filed under: nortadas,Política,Portugal — O. Braga @ 11:43 am
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Terça-feira, 29 Junho 2010

Para José Pacheco Pereira, o populismo é o povo

Por vezes, a classe política comete erros e depois coloca-se na posição de vítima. É o que parece expressar este postal do José Pacheco Pereira.

A classe política parece estar sempre isenta de culpa, e quando o povo se revolta, é populismo. Qualquer revolta popular contra a incompetência ou mesmo iniquidade da classe política é automaticamente classificada de populismo. Trata-se de um mecanismo de defesa que José Pacheco Pereira herdou da sua formação maoísta — um tanto semelhante ao mecanismo de defesa do movimento político gay, que sabendo das suas contradições idiossincráticas, considera homofóbico tudo quanto se lhe opõe ou assuma uma posição crítica.

Para o Pacheco Pereira, antes a ditadura do que a implementação, no nosso sistema político, de mecanismos de democracia directa que ele considera uma forma de ditadura.

Se o povo fala e comenta contra o comportamento da classe política, para o Pacheco é um prenúncio de morte (ou a linguagem do norte, que vai dar ao mesmo). A revolta do povo é, para ele, apocalíptica; o povo devia comer e calar.

A classe política representa a inquestionável legitimação ética do mostrengo (imundo e grosso): “Quem é que ousou entrar nas minhas cavernas que não desvendo, meus tectos negros do fim do mundo ?!” — mas contra a lei do mostrengo, o povo ao leme tremeu e disse: “El-Rei D. João Segundo!”.

E segue o povo, em poema: “Aqui ao leme sou mais do que eu: / Sou um povo que quer o mar que é teu; / E mais que o mostrengo, que me a alma teme / E roda nas trevas do fim do mundo, / Manda a vontade que me ata ao leme, / De El-Rei D. João Segundo!”

José Pacheco Pereira parece não querer compreender que o problema não é o de os políticos ganharem muito ou pouco dinheiro, mas o facto de não existir transparência sobre aquilo — muito ou pouco — que os políticos ganham. Quando um político passa pelo limbo da governança para depois entrar no paraíso das super-empresas dos lóbis da cidade-prostituta, estamos concerteza em face de um novo mostrengo “imundo e grosso”.

Porém, para o Pacheco, quem é o povo para poder reclamar qualquer tipo de ética para a classe política? “Quem vem poder o que só eu posso, / Que moro onde nunca ninguém me visse / E escorro os medos do mar sem fundo?”

Quinta-feira, 17 Maio 2007

É preciso gostar de cavalos

Filed under: nortadas — O. Braga @ 12:59 pm

Quando era mais moço, conheci, na minha actividade profissional, um grande empresário britânico, talvez o mais bem sucedido na sua área de actividade em todo o Reino Unido. Tratava-se de um self-made man, alguém que teve uma infância difícil num bairro pobre de Edimburgo, estudou os rudimentos da gramática para cedo se dedicar ao trabalho árduo, desde a adolescência incipiente; no tarde, adulto maduro, adquiriu alguns dos conhecimentos que a sua atribulada infância não lhe tinha permitido.

Em conversa informal, narrando-me estas coisas, comentei que ele deveria ser uma pessoa que se dedicava totalmente às suas empresas, um empresário apaixonado pela sua actividade, que tudo fez para ultrapassar as limitações impostas pela sua vida passada, por amor à sua actividade profissional e aos negócios.
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Eu gosto é de cavalos”, respondeu-me. “Trabalho porque gosto de cavalos, ganho dinheiro para os poder ter, para os ver e estar com eles todos os dias. A minha paixão é sempre o último potro nascido, e não um qualquer negócio”.

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O empresário português típico é aquele que faz uma visita à sua empresa ao domingo, depois da missa.

Terça-feira, 13 Março 2007

Nós por cá, todos bem

Filed under: FCP,nortadas — O. Braga @ 11:22 am

Ontem vi o programa da Fatinha sobre o futebol nacional. No painel, estavam os representantes dos clubes da segunda circular, mas havia um lugar vago ao lado deles; não percebo porque é que um representante do Belenenses (ou o Estrela da Amadora, ou mesmo o Vitória de Setúbal) não foi convidado para programa. Coisas da Fatinha…
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