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Sábado, 25 Dezembro 2021

What Child is This? — (Fr. Mark Goring, CC)

Filed under: cristianismo,Igreja Católica,milagre,natalidade — O. Braga @ 3:44 pm

Segunda-feira, 23 Julho 2018

O Bloco de Esquerda e o trabalho reprodutivo

 

Chamaram-me à atenção para esta espécie de texto, cujos factos relatados são irremediavelmente falsos. Porém, toda a ideologia tem direito a manipular os factos e a falsear a realidade. E o Bloco de Esquerda não foge à regra.

O que é chocante, no referido textículo, é o conceito de “trabalho reprodutivo”: o termo é de uma crueza inaudita. O Bloco de Esquerda considera como sendo “trabalho” (no sentido económico moderno) o acto de parir e de criar um ser humano. Se isto não fosse sério, seria histriónico. E depois vem o Bloco de Esquerda para a praça pública dizer que defende a natalidade…

O que é espantoso (e nauseabundo) é que o “amor de mãe” (através do conceito de “trabalho reprodutivo”) seja reduzido pelo Bloco de Esquerda a uma “actividade animal”, ao conceito de “trabalho” segundo Karl Marx.

A redução de toda a actividade humana a “trabalho”, é assustadora; é semelhante ao conceito neoliberal de “não há almoços grátis” do “católico” João César das Neves (tão católico que ele é, que até anda caladinho acerca da acção política do papa Chico).

Segundo os modernos (que incluem a Catarina Martins e o João César das Neves), o objectivo do trabalho (que vem do latim “tripalium”, um instrumento de coacção através do qual se prendia o gado) é a transformação da Natureza num sentido útil para o Homem, tendo em vista as suas necessidades. Ou seja, o que não é útil, não é trabalho (e por isso é que “não há almoços grátis”); e, assim sendo, o acto de parir e de criar uma criança passa a ser considerado “útil” pelo Bloco de Esquerda, e é neste contexto que este partido diz “defender a natalidade”.

Porém, assim como há actividades remuneradas às quais é difícil chamar “trabalho”, assim há actividades desinteressadas cuja motivação principal reside no prazer que nos proporcionam. Desta forma, é possível distinguir as actividades socialmente úteis, e chamar de “trabalho” apenas aquelas que estão associadas à produção de bens e serviços necessários à vida; e, que eu saiba, um ser humano não é um “bem e serviço”, nem a sua mãe é uma “parideira industrial”.

A mundividência oficial do Bloco de Esquerda é de tal forma repulsiva que me causa náuseas.

Essa mundividência oficial do Bloco de Esquerda reflecte-se no conceito de “totalitarismo”, segundo Hannah Arendt no seu livro “Entre o Passado e o Futuro” (editora Relógio D’ Água, 2006, páginas 110 a 118).

Segundo a experiência da Hannah Arendt, o sistema totalitário difere do clássico autoritarismo político (por exemplo, o Salazarismo) porque se constrói (analogamente) através do chamado “sistema da cebola”: a liderança e o seu núcleo político encontra-se no centro da “cebola” que tem várias camadas até à superfície táctil.

A acção política da liderança e do núcleo duro do sistema totalitário é iniciada a partir de centro da organização para o exterior, e não a partir de cima para baixo como acontece no autoritarismo que tem uma estrutura piramidal e cujo poder do líder autoritarista é justificado por uma realidade que transcende a própria sociedade (Deus).

As camadas intermédias da “cebola” totalitária consistem em uma extraordinária diversidade de partes legais e clandestinas do movimento totalitário que se entre-cruzam e se intercomunicam ― organizações do partido, membros de um ou de mais partidos com idêntica sensibilidade política, sindicatos e agremiações profissionais, as formações da elite política e a máquina do Estado que inclui organizações policiais e para-policiais, etc., ― que estão relacionadas de tal modo entre si, que cada um desses centros de poder ou dessas organizações formam uma “fachada numa direcção”, e o “centro noutra direcção”.

Isto significa que o papel “do mundo exterior normalíssimo e corriqueiro do dia-a-dia do partido” é desempenhado por uma das faces, o que dá ao Bloco de Esquerda uma aparência pública vulgar e normal, e até relativamente consentânea com a generalidade dos conceitos do senso-comum ― enquanto que noutra face e/ou nas camadas mais inferiores, o radicalismo extremo vai aumentando à medida que se aproxima do centro da “cebola”. Esse radicalismo bloquista pretende a mudança revolucionária da natureza do ser humano por intermédio de engenharias sociais.

É neste contexto que devemos entender o conceito bloquista de “trabalho reprodutivo”.


Segundo a mesma Hannah Arendt, poderíamos também assumir a distinção de Aristóteles entre “teoria” (especulação), “práxis” (acção), e “poiesis” (fabricação, trabalho): nesta perspectiva, o trabalho seria a actividade humana mais próxima da animalidade, da necessidade biológica em virtude da sua finalidade consistir em satisfazer as nossas necessidades; nesta perspectiva, a lei do trabalho é a reprodução indefinida de objectos e dos actos consumados para os reproduzir, a repetição monótona do ciclo produção-consumo. Esta visão do trabalho está bastante próxima da visão de Karl Marx, segundo a qual “o trabalho é o resultado de um projecto consciente e voluntário, dado que a actividade animal é instintiva”.

O que é espantoso (e nauseabundo) é que o “amor de mãe” (através do conceito de “trabalho reprodutivo”) seja reduzido pelo Bloco de Esquerda a uma “actividade animal”, ao conceito de “trabalho” segundo Karl Marx.

Terça-feira, 17 Julho 2018

“Transição demográfica” — o novo slogan que une os Liberais à Esquerda radical

O Ricardo Paes Mamede (mais um psicopata com os três nomes…!, que estão na moda ) pode perceber muito de economia, mas duvido que perceba grande coisa de História; pelo menos a história que não esteja ao serviço de uma qualquer ideologia.

O Mamede escreveu um texto com o título “¿Queremos mesmo pagar às pessoas para se reproduzirem?”. Eu guardei o texto em ficheiro PDF para memória futura.

No referido texto, o Mamede escreveu o seguinte:

“Há quem pareça acreditar que a existência do país e da sua identidade ficam em perigo se a população diminuir no longo prazo. Quem valoriza a identidade nacional deveria lembrar-se que grande parte da história de Portugal se fez com níveis populacionais muito inferiores aos actuais – e que foi sempre marcada por grandes doses de miscigenação, alimentadas por vagas de pessoas oriundas do exterior”.

O conteúdo ideológico desta citação é falso; o que o Mamede diz é falso. Portugal nunca foi uma espécie de Brasil. Portugal nunca teve “grandes doses de miscigenação”, nem teve “vagas de pessoas oriundas do exterior”. O Mamede mente. Basta termos estudado História no ensinos secundário para sabermos que o Mamede é um mentiroso. Portugal sempre foi um país de emigração, e não de imigração.

IMMIGRANTS-webO referido texto é (em várias partes) auto-contraditório, por exemplo, quando defende a ideia segundo a qual “a imigração é uma via mais adequada do que o aumento da natalidade para enfrentar o desafio da transição demográfica, na medida em que permite arrecadar receitas de impostos e contribuições sociais no curto prazo”, por um lado; e por outro lado quando o Mamede escreve que

“deveríamos preocupar-nos com o que mais conta (e que pesa menos no Orçamento do Estado): estabilidade no emprego, horários de trabalho que permitam aos adultos acompanhar as crianças e os jovens a seu cargo, partilha das tarefas domésticas entre homens e mulheres, um serviço público de ensino pré-escolar desde a primeira infância. Se pensarmos bem, estas são medidas que têm que ver com igualdade de oportunidades, com igualdade de género e com qualificação da população. A natalidade é aqui uma questão de segunda ordem”.

Por um lado, o Mamede diz que a imigração em massa — naturalmente de países de África e de países de cultura islâmica — resolve melhor o problema da “Transição Demográfica”; mas por outro lado fala na necessidade de igualdade entre os sexos. Estamos todos mesmo ver os maomedanos imigrantes (e os africanos também) a obedecer aos critérios de igualdade do Mamede…

O conceito de “Transição Demográfica” não é apenas próprio 1/ da Esquerda utilitarista (Bloco de Esquerda e Partido Socialista): é também 2/ um conceito oriundo do globalismo americano traduzido pelos neocons americanos (desde o tempo do ex-trotskista James Burnham); 3/ pelo actual partido democrático dos Estados Unidos (de Hillary Clinton e de Obama) e da actual deriva “progressista” deste partido, e 4/ de uma charneira política de plutocratas de que George Soros é umas das figuras centrais.

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Uma certa “Direita” está de acordo com uma determinada Esquerda sobre a necessidade de uma política malthusiana aplicável apenas e só no Ocidente (Europa, Estados Unidos e Canadá).

A primeira vez que ouvi falar de “Transição Demográfica” foi da boca de Pinto Balsemão (o “Chico dos Porsches” e do grupo de Bilderberg) em um programa na TV SICn, no princípio da década passada, em que ele afirmou que “se Portugal tivesse metade da população actual, não teria tantos problemas” (sic). Esta frase bem poderia ter sido dita pelo esquerdista malthusiano Ricardo Paes Mamede ou pela bloquista Catarina Martins: Les bons esprits se rencontrent…


 

Outra contradição do Mamede consiste em afirmar que

“quem quiser ter filhos – biológicos ou adoptados – tê-los-á por iniciativa própria. O Estado não precisa de interferir nas escolhas íntimas de cada um”,

por um lado; e por outro lado, o Mamede defende a ideia de que o Estado deve garantir o aborto grátis em hospitais públicos, e que os Centros de Saúde do Estado devem garantir uma distribuição grátis de contraceptivos pela população. Ou seja, para o Mamede, o Estado deve ser neutro apenas no que diz respeito ao fomento da procriação da população autóctone da nação portuguesa. A “neutralidade” do Estado do Mamede não é neutra.

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Gente como o Ricardo Paes Mamede não pode ser levada a sério pela nossa sociedade e pelo nosso escol. Aliás, se levássemos a sério o que o Mamede defende, teríamos que o eliminar fisicamente, para que ele pudesse ser coerente com as suas (dele) próprias ideias… seguindo a lógica do Mamede: não sei por que razão teríamos que dar o direito à vida a pessoas (como ele) que defendem que a vida dos outros deve ser eliminada de raiz. Quid Pro Quo.

O texto de Mamede é “ideológico”, isto é, tem muito pouco a ver com a realidade — por exemplo, quando ele defende que a imigração em massa resolve melhor o problema da baixa natalidade. Esta ideia do Mamede é absolutamente falsa, e essa falsidade é corroborada pelos factos constatados no terreno na Alemanha, por exemplo. O Mamede é perigoso, porque é um mentiroso compulsivo, um psicopata.


Segundo Hannah Arendt, todo o pensamento ideológico (as ideologias políticas) contém três elementos de natureza totalitária:

1/ a pretensão de explicar tudo;

2/ dentro desta pretensão, está a capacidade de se afastar de toda a experiência;

3/ a capacidade de construir raciocínios lógicos e coerentes que permitem crer em uma realidade fictícia a partir dos resultados esperados por via desses raciocínios — e não a partir da experiência.


Pelo menos ¾ dos imigrantes recentemente chegados à Alemanha não trabalham (vivem “à pala” do Estado), e não se espera grande evolução nesta matéria nas próximas décadas, porque estamos a falar de gente que mal sabe ler e escrever a língua do país de origem (e muito menos a língua alemã!).

Portanto, a ideia do Mamede segundo a qual sai mais caro barato ao Estado importar imigrantes desqualificados em massa, do que investir na prole autóctone, é de uma filha-da-putice daquelas que se ouvem apenas uma vez em toda a vida.


Eu consigo estar de acordo com o Mamede no que diz respeito à ideia de que o dinheiro do Estado não resolve o problema da baixa natalidade — porque, antes de mais nada, a baixa natalidade revela um grave problema cultural que o dinheiro do Estado não conseguirá resolver. Não é deitando dinheiro do Estado para cima do problema da natalidade que ele se resolve, como que por milagre. Não há dinheiro que resolva o problema intrínseco de uma sociedade niilista — a sociedade niilista que bestas como o Mamede fomentam e incentivam, sem deixarem impressões digitais.

Chegará o tempo do ajuste de contas; não perdem pela demora.

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