perspectivas

Terça-feira, 19 Junho 2018

O Telmo Três Nomes e a Catarina Martins são duas faces da mesma moeda

 

“O liberalismo resulta desfavorável à liberdade porque ignora as restrições que a liberdade deve impôr a si própria para não se auto-destruir”.Nicolás Gómez Dávila 


Don_Pelayo,_rey_de_Asturias_(Museo_del_Prado)-webHá um indivíduo que escreve no Blasfémias  que dá pelo nome de Telmo Azevedo Fernandes — ¿por que será que os “serial killers”, nos Estados Unidos, usam sempre três nomes?!

Por este texto escrito pelo Telmo Três Nomes, vemos o enorme problema que temos em Portugal — porque se trata de alguém que diz dele próprio que “é liberal” e que “não é de Esquerda”. O problema começa logo quando o Telmo Três Nomes se coloca contra um certo Estado português intrusivo (e muito bem!), mas quando se trata de apoiar a intrusão do leviatão da União Europeia nas nossas vidas, lá temos o Telmo Três Nomes na vanguarda a dizer ámen ao super-estado de Bruxelas.

O “liberal” português (em geral) critica o Estado português, mas adora a ideia de construção do leviatão estatal europeu!

Aquele texto revela o espertalhão que habita no Telmo Três Nomes, por um lado, e por outro lado revela a desorientação que se fundamenta no relativismo axiológico de uma certa mundividência que se diz de si mesma ser “liberal” — mas que de “liberal” tem muito pouco.

O Telmo Três Nomes e a Catarina Martins são duas faces da mesma moeda. Explico por quê.

O Telmo Três Nomes coloca (no referido texto) uma série de perguntas acerca da imigração — por exemplo, “¿com base em que argumento moral se funda a objecção cultural à entrada de imigrantes?”.

Só é possível colocarmos aquelas perguntas se fizermos de conta de que a nossa sociedade (Portugal) não tem passado nem História — e portanto, quem faz aquelas perguntas ignora absolutamente o conceito histórico de nação. Mas simultaneamente, o Telmo Três Nomes (assumindo para si mesmo a ideia do “igualitarismo dos direitos dos imigrantes”) defende implicitamente um tipo de democracia que se deve basear na igualdade de oportunidades. O que o Telmo Três Nomes não sabe nem pode explicar é como é possível haver igualdade de oportunidades e democracia sem a nação — em linguagem kantiana podemos dizer que “a nação é a condição da democracia”.

O Telmo Três Nomes diz-se apologético da democracia, por um lado, mas por outro lado faz de conta de que o conceito de nação não existe.


“O liberalismo prega o direito do indivíduo ao embrutecimento, desde que esse embrutecimento não estorve o embrutecimento do seu vizinho.” — Nicolás Gómez Dávila


Vamos definir “nação” (quando começamos a definir, os espertalhões desatam a tresmontar).

Uma nação é uma comunidade natural em que cada indivíduo se inscreve em função do seu nascimento, da existência de uma História, de uma língua e de uma cultura antropológica comuns.


Vimos a noção de nação; agora vamos alargar a noção mediante uma descrição breve do conceito de nação.

1/ A nação não é a mesma coisa que Estado.

2/ A nação (e, por isso, a nacionalidade) é, por definição e natureza, imposta ao indivíduo por nascimento. Mas o indivíduo pode mudar de nação e de nacionalidade — é livre de adquirir outra nacionalidade que não a original. Neste caso, o indivíduo tem a possibilidade de escolher entre a nação originária e uma outra nação de adopção que raramente deixará de ser adoptiva enquanto prevalecer nele a memória da cultura e a língua da nação de origem.

3/ Portanto, temos dois tipos de nacionalidade: 3.1/ a que decorre da comunidade de origem, e 3.2/ a que pode decorrer de um contrato em relação a determinados princípios fundamentais celebrado com uma determinada comunidade nacional diferente e de emigração.

4/ Um imigrante de segunda geração já nasceu em Portugal, e por isso preenche o primeiro requisito da nacionalidade: o nascimento. E depois, em função da aprendizagem da língua nacional através do ensino escolar, e através do entrosamento em relação à cultura antropológica nacional, acaba por preencher os outros requisitos da nacionalidade.

Repare, caro leitor: depois de definirmos “nação”, as perguntas e dúvidas do Telmo Três Nomes deixam de fazer qualquer sentido.

As dúvidas do Telmo Três Nomes só fazem sentido no universo ideológico da Catarina Martins — em que a História de Portugal é demonizada e/ou obnubilada, por um lado, e escamoteada ou/e esquecida, por outro lado. É nesse mesmo universo psicótico que se move o Telmo Três Nomes.

Quarta-feira, 20 Setembro 2017

O nacional-porreirismo do Ferreira Fernandes no Diário de Notícias

 

Antes de existir oficialmente o chamado “politicamente correcto”, Portugal foi percursor do dito com o nacional-porreirismo, mediante de uma certa mentalidade indolente da cintura industrial lisboeta e alentejana.

Uma das características do nacional-porreirismo é relativismo histórico e moral. Por exemplo, quando, o Ferreira Fernandes escreve o seguinte no Diário de Notícias:

Em 1962, com a crise nuclear a 80 km da Florida, John Kennedy chamou ministro dos Negócios Estrangeiros ao Mr. Gromyko e presidente a Khruchtchev – e foi firme, a ponto de ser ouvido pelos soviéticos. Não chamou Monstro do Pântano a um, nem Homem Aranha a outro. Ontem, Trump, depois de anunciar que a Coreia do Norte seria "totalmente destruída", acrescentou: "Rocket Man [o Homem Foguetão] está numa missão suicida para ele próprio e para o seu regime." Tentem seguir o fio ao pensamento.”

Kim Jong-un-webEm primeiro lugar, a URSS não é a mesma coisa que a Coreia do Norte; a comparação é uma falácia de Parménides, para além de se compararem coisas de grandezas diferentes; mas o Ferreira Fernandes é que é um intelijumento que escreve nos me®dia; e por isso, entre outras razões, é que os me®dia andam falidos (porque muito do pessoal que sabe ler, não é parvo).

Em segundo lugar, em 1962 não existiam as “redes sociais”, e não havia a participação pública na política que hoje existe.

Em terceiro lugar: desde 1995, pelo menos, com Clinton, que existe uma política de apaziguamento em relação ao programa nuclear da Coreia do Norte. Vinte dois anos depois, a política de “afago” politicamente correcto em relação ao ditador coreano não deu qualquer resultado: pelo contrário, um país com um sistema totalitário em que o povo passa fome, desenvolveu a bomba de hidrogénio; e o Ferreira Fernandes compara, ou coloca no mesmo nível, Kim Jong-un e o Donald Trump.

É a merda do nacional-porreirismo.

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