perspectivas

Segunda-feira, 18 Fevereiro 2013

O problema da imigração europeia que foge da miséria

Filed under: A vida custa,Justiça,Sociedade — orlando braga @ 9:09 am
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Lounging on the steps of a crumbling Soviet-era apartment block on the outskirts of Romania’s most notorious slum, Iordan Rupa is drinking apple brandy and waiting for his mobile phone to ring.

Pulling a woollen hat tightly over his ears, he gestures at the filthy streets, filled with packs of stray dogs, mountains of rubble and litter, potholes, and the occasional burnt-out car.

‘Look at this place,’ he says. ‘There is nothing for us here. No jobs, no money. But if God is willing, this telephone will soon bring the chance of a better life.’

via 'We want to get into your country before someone locks the door': Shocking investigation into the coming wave of immigration from Romania and Bulgaria | Mail Online.

Ontem, à porta da igreja da minha paróquia, estava uma mulher romena, imigrante, a pedir esmola com um casal de filhos. Durante a missa, as crianças entraram na igreja e sentaram-se no banco imediatamente à minha frente, exalando um fedor nauseabundo de que não tinham, obviamente, culpa nenhuma. O rapaz teria uns nove anos e a menina uns doze. Pareceram-me crianças normais e sociáveis, bonitas até, que poderiam ser perfeitamente integráveis na nossa sociedade se lhes dessem uma oportunidade. No fim da missa, o Padre fez referência a uma iniciativa da paróquia, que tem o apoio da Segurança Social, no sentido de oferecer (gratuitamente) duas refeições por dia a pessoas na situação daquela mãe e filhos.

O problema é que aquelas duas crianças — normais, bonitas, sociáveis, embora fedendo a lei da vida miserável — irão crescer no ambiente cultural em que vivem, e transformar-se-ão em pessoas parecidas com as que vemos na foto em baixo. O estigma da miséria e da marginalização social acompanhá-las-á até à adultez, moldará os seus espíritos e os seus corpos, fazendo do adulto uma imagem pálida daquilo que poderia ter sido. A inversão da lógica da miséria material e espiritual é um desafio enorme que se nos coloca a todos. Temos a obrigação de garantir que aquela menina, por exemplo, não terá um dia que pedir esmola à porta de uma igreja com dois filhos pela mão.

romenos web

Vira-se o feitiço cientificista contra o cientismo cultural

Filed under: Ciência,Europa,Justiça — orlando braga @ 8:00 am
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No Direito formalizado e positivista, podemos colocar qualquer conteúdo, por mais absurdo que seja, inclusivamente podemos através dele condenar à prisão seis cientistas por não serem videntes e profetas, e condenar também quatro empreiteiros porque as casas construídas por eles não resistiram a um terramoto.

Um cientista pode prever que um sismo vai ocorrer, mas não pode prever quando um sismo vai ocorrer. E um empreiteiro não é obrigado a construir uma casa anti-sismos a não ser que a lei estabeleça os critérios necessários para essa construção. A lei italiana, e por isso, a justiça italiana, reflecte uma cultura muito actual, cientificista, em que a ciência é concebida como uma espécie de varinha-de-condão que resolve os problemas da humanidade. Mas a culpa é da comunidade científica que cedeu facilmente ao cientismo. Os cientistas têm o que merecem.

Quinta-feira, 14 Fevereiro 2013

A irracionalidade da classe política portuguesa e o “casamento” gay

Depois de a classe política portuguesa ter legalizado o “casamento” gay, ¿ o que impede, na lei, por exemplo, que um pai case com uma filha maior, ou que um homem adulto se case com a sua irmã adulta? Resposta: apenas a alínea b) do Artº 1602 do Código Civil. Mas já não se compreende como essa alínea se aplica ao “casamento”, por exemplo, de dois primos direitos do mesmo sexo.

    foi cesariana

  • Para acomodar o “casamento” gay na lei, a classe política eliminou, do Código Civil, o adultério como justa causa para divórcio, criando para o efeito o “divórcio unilateral e na hora”. Hoje, um dos cônjuges pode pedir o divórcio sem que se ouça a outra parte do contrato, e independentemente de haver adultério, ou não. Ou seja, na lei actual, não há uma noção de “culpa” (de uma das partes, ou de ambas as partes) presente na dissolução de um casamento. A culpa desapareceu; escafedeu-se.
  • Para acomodar o “casamento” gay na lei, a classe política eliminou, do Código Civil, a imagem jurídica da falta de “consumação do acto sexual” no casamento como causa para divórcio — porque numa relação entre homossexuais, não há consumação do acto sexual propriamente dita.

Portanto, hoje, o conceito legal de “casamento” não inclui nele nem a consumação do acto sexual, nem a representação cultural do adultério. Ou seja, a classe política retirou da instituição do casamento qualquer referência implícita à actividade sexual entre os cônjuges. Hoje, segundo a lei, o casamento não tem actividade sexual. A actividade sexual, entre os cônjuges, é hoje apenas subentendida, mas não é explicita na lei. A lei não quer saber se os cônjuges têm uma actividade sexual, ou não. E tudo isto em nome da acomodação do “casamento” gay na lei.

Se a lei não quer saber se os cônjuges têm uma actividade sexual, ou não, então ¿ por que razão dois primos direitos — sejam do mesmo sexo ou de sexos diferentes — não se podem casar?

Contudo, o artigo 1602 do Código Civil mantém-se em vigor, o que é um absurdo. Ou seja, segundo a lei, por exemplo, dois primos direitos gays não se podem “casar”, alegadamente devido ao “parentesco no segundo grau da linha colateral”. Ora, como dois gays não dão filhos entre si, ficamos sem saber por que razão o artigo 1602 se mantém — a não ser que, de facto, existam dois tipos de casamento: o natural, e o outro. A julgar pelo espírito da lei, e não apenas segundo a forma da lei, dois primos direitos homossexuais podem, de facto, “casar” — o que já não acontece com dois primos direitos numa relação heterossexuada.


“Os problemas sociais não são solúveis. Mas podemos minorá-los, evitando que o empenho em aliviar um só deles, agrave todos.” — Nicolás Gómez Dávila

Domingo, 10 Fevereiro 2013

Dois escarros blogosféricos acerca do caso Liliana Melo

1/ Se eu pertencesse a um blogue colectivo onde alguém pudesse escrever isto (ver ficheiro PDF), eu seria o primeiro a retirar o meu nome da lista dos autores do blogue. Diz o povo: ”Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és.”

Os blogues colectivos servem, entre outras coisas, para acoitar a cobardia.

2/ Este outro verbete (ficheiro PDF), de outro blogue, tenta justificar o injustificável. Repare, caro leitor: (more…)

Quarta-feira, 30 Janeiro 2013

Como o “casamento” gay destruiu os fundamentos da instituição do casamento e da justiça

Filed under: homocepticismo,Justiça,politicamente correcto — orlando braga @ 2:23 pm
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No caso recente da mulher que matou os seus dois filhos e que se suicidou a seguir, vamos reter factos objectivos:

  1. O crime e suicídio aconteceram quatro dias depois de o tribunal ter decretado a entrega imediata das crianças ao pai e a proibição da mãe de os visitar sem supervisão, determinando que estas visitas ocorressem em casa de familiares para que não estivesse sozinha com os menores.
  2. A mulher em causa, professora de 40 anos, sofria de depressão psicológica.
  3. A polícia encontrou, no apartamento da mulher, três cartas de despedida, endereçadas à mãe, ao ex-marido e ao actual companheiro, e nas quais terá relacionado o crime à perda da guarda dos menores e ao processo de divórcio.

(more…)

Segunda-feira, 21 Janeiro 2013

Juízes portugueses praticam crimes contra a humanidade

«Os tribunais conluiados com assistentes sociais arrogam-se o direito a um poder absoluto contra a família determinando se podem ou não ter filhos, e impondo ameaçadoramente o que têm que fazer para os evitar. Isto, tanto quanto sei, começou com o então chamado «rendimento mínimo garantido», o qual exigia que quem dele quisesse usufruir fosse obrigado ao uso contínuo da contracepção, mesmo a abortiva precoce. Esta brutalidade totalitária não incomodou os altos prelados que se desfizeram em elogios à introdução daquele sem atender a este monstruoso «detalhe».

Ontem foi noticiado por um semanário o mais clamoroso dos casos conhecidos. A coisa é medonha. Um juiz determinou a esterilização permanente de uma mãe em virtude da pobreza em que vivia com os filhos. Como ela felizmente, e ajuizadamente, não o fez e se atreveu a procriar mais, o tribunal determinou, para gáudio das assistentes sociais, que lhe fossem extorquidos sete dos dez filhos, deixando-a só com os mais velhos. A ferocidade controladora e predadora do Estado, em nome do bem-estar material, da higiene e da pontualidade escolar, ignora friamente os vínculos familiares, os laços de amor filiais, maternos, paternos e fraternos, e em vez de colaborar com a sociedade civil e com as Instituições de solidariedade para melhorar as condições de vida desta sociedade natural, anterior ao estado, entretém-se sadicamente a escaqueirá-la.»

via Famílias Portuguesas: Usurpações aterradoras.


Consciencializar é a variante pudica de doutrinar.” — Nicolás Gómez Dávila


Que um militante de um partido político radical defenda tamanha monstruosidade, é uma coisa; que um juiz a ponha em prática, é outra coisa totalmente diferente.

É bom que alguém comece a registar os nomes de juízes como aquele: chegará a hora da verdadeira justiça. Chegará a hora de enviar também alguns juízes para a prisão, por crimes contra a humanidade. Do que se trata aqui, neste caso como noutros, é de um crime contra a humanidade.


“As decisões despóticas do Estado moderno são finalmente tomadas por um burocrata anónimo, subalterno, pusilâmine, e provavelmente cornudo.” — Nicolás Gómez Dávila


Liliana Melo, 34 anos, 10 filhos

Liliana Melo, 34 anos, 10 filhos

Sábado, 12 Janeiro 2013

A estupidez de Alexandre Soares Franco

Filed under: A vida custa,Coelhismo,Esta gente vota,Justiça,Tirem-me deste filme — orlando braga @ 8:48 pm
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¿Por que é que a Direita portuguesa é estúpida? Porque faz dos portugueses, estúpidos.

E quando a Direita faz dos portugueses, estúpidos, dá tiros nos pés e argumentos à Esquerda, como aconteceu aqui:

“Tenho um pacemaker colocado pelo estado que não me custou nada. Não admito isso”. — Alexandre Soares Franco

via Os vampiros – Arrastão: Os suspeitos do costume..

Se um milionário pagar os seus impostos, como toda a gente paga, na proporção da sua riqueza e conforme os princípios da justiça distributiva, não me repugna absolutamente nada que o Estado lhe pague o marcapasso cardíaco (pacemaker é o diabo que o carregue!). E afirmar o contrário disto é insultar a inteligência dos portugueses, porque o que se pretende dizer é que deve existir um sistema de saúde para ricos, e outro sistema de saúde para pobres.

Ser de direita não significa a defesa da igualdade — como acontece à esquerda. Mas também não significa que não possamos defender o princípio da equidade (Aristóteles). Não sei por que carga de água, hoje pensa-se que ser de direita é assumir o darwinismo-social e a atomização da sociedade. Isso não é direita: é selvajaria!

Terça-feira, 20 Novembro 2012

A petição e a reivindicação

Filed under: A vida custa,ética,cultura,democracia directa,Justiça,Política,Ut Edita — orlando braga @ 7:02 am
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Deparei-me no Twitter com a seguinte frase de Roger Scruton:

“Quando as dádivas são substituídas por direitos, a gratidão é substituída por reivindicações. E as reivindicações alimentam o ressentimento.”

Podemos resumir a dissonância entre o movimento revolucionário e a sociedade em geral, à aceitação, ou não, da validade desta proposição de Roger Scruton.
(more…)

Sábado, 13 Outubro 2012

“Atribuir a guarda” de uma criança a alguém, não é adopção (2)

A adopção deve ser feita no superior interesse das crianças, e não no interesse de pares de avantesmas adultas.

Depois de ter procurado saber de mais detalhes sobre o caso da criança com trissomia 21 colocada por um juiz homossexualista à guarda de um par de homossexuais, deparei-me com esta notícia no pasquim Público: nenhum dos gays é o pai biológico da criança. Por isso, aquilo que escrevi no postal anterior deixa de ser apropriado.

Vejamos, então:

1/ nenhum dos gays, que constituem o par, é o pai biológico da criança;

2/ o facto de o par homossexual ser “casado” ou não, é relativamente irrelevante, porque a lei permite a adopção por uma pessoa individual (art. 1978, nº 1, do Código Civil). Na minha opinião, esta permissão deveria ser revogada.

3/ o par gay entrou por dois caminhos jurídicos, a saber: a) confiança com vista a futura adopção (art. 1978 do Código Civil); b) promoção e protecção de menor (art. 1921 do Código Civil, “menores sujeitos a tutela”).

4/ a “confiança com vista a futura adopção” não se aplica neste caso, porque a alínea b) do nr. 1 do art. 1978 do Código Civil exige o consentimento de ambos os pais biológicos (pai e mãe).

No caso concreto, o pai não concorda com essa acção da parte de um dos homossexuais que vive com o outro homossexual. E mesmo que o pai biológico da criança esteja preso (como é o caso), e por isso incapacitado de prestar assistência ao seu filho (exercício do poder paternal), isso não significa que o juiz passe por cima da lei.

5/ o juiz invocou o artigo 1921 do Código Civil para entregar a criança a um dos homossexuais que vive com o outro homossexual — artigo esse que define “os meios de suprir o poder paternal”. Ora, “suprir” não é a mesma coisa que “suprimir”. “Suprir” significa “complementar em situação precária”.

6/ Mesmo que o juiz pretenda invocar o art. 1921 do Código Civil para entregar a criança a tutela de terceira pessoa, terá que obedecer à lei — porque um juiz não está acima da lei! Um juiz não tem o direito de fazer da lei o que lhe dá na gana. A alínea j) do art. 1933, no seu nº1, diz o seguinte, e passo a citar:

“[Não podem ser tutores] os que tenham sido excluídos pelo pai ou mãe do menor, nos mesmos termos em que qualquer deles pode designar tutor.”

Ora, acontece que o pai biológico da criança, que se encontra a cumprir pena de prisão, opõe-se à tutela da criança por um dos homossexuais que vive com o outro homossexual.

7/ O juiz homossexualista António José Fialho, poderia eventualmente invocar a alínea c) do art. 1921, no nº 1, do Código Civil, que reza assim:

“[O menor está obrigatoriamente sujeito a tutela, se os pais] estiverem há mais de seis meses impedidos de facto de exercer o poder paternal.”

Sendo que o pai da criança está preso [está na cadeia], está de facto impedido de exercer o poder paternal. E a mãe abandonou a criança. Conclui o juiz que pelo facto de o pai estar preso, este fica voluntariamente impedido de exercer o poder paternal — o que não é verdade. A situação de prisão não é, por definição, voluntária; ninguém vai para a prisão porque quer ir.

Portanto, o juiz homossexualista, perante a oposição do pai biológico, deveria encontrar para a criança uma solução provisória, que passaria pela sua entrega a uma organização da Segurança Social ou a uma organização católica. Mas o juiz homossexualista preferiu entregar a criança a um homossexual que vive com o outro homossexual.

Em suma, a acção do juiz homossexualista António José Fialho deverá ser objecto não só de impugnação judicial (que é relativamente fácil para um advogado mediano), como de investigação por parte do Conselho Superior de Magistratura. Juízes activistas políticos e dessa índole deveriam ser sumariamente expulsos da magistratura.


Agora vamos analisar o problema do ponto de vista da Ética.

1/ é lamentável que a ILGA Portugal se regozije e fique muito contente com um drama de uma criança e com a tragédia de uma família desmembrada. Esta atitude da ILGA diz tudo acerca da índole perversa e tenebrosa daquela organização, que procura a desgraça alheia para fazer valer os seus sórdidos pontos de vista.

2/ a adopção de uma criança, por sua própria natureza e definição, exige que a sua árvore genealógica ou ascendência genealógica, seja “apagada”, isto é, seja eliminada do registo civil. Os pais biológicos da criança (mãe e pai) deixam de existir na história da vida dessa criança. A adopção de uma criança por um casal heterossexuado (homem + mulher), não sendo o ideal — porque o ideal seria que a criança não se encontrasse nessa situação —, pode de certa maneira colmatar, por analogia com os pais biológicos, a infelicidade dessa criança.

3/ a adopção de uma criança por um par de homossexuais acrescenta à criança, já de si infeliz devido à sua má sorte, mais um factor de infelicidade: retira-lhe os modelos de pai e de mãe; neste caso, não existe a analogia de modelos que existiria no caso da adopção por parte de um casal heterossexuado.

4/ Defender a adopção de crianças por pares de gays é de uma desumanidade de todo o tamanho. Pretende-se eliminar uma putativa injustiça (a “injustiça” que os gays denunciam) criando uma injustiça ainda maior (a injustiça em relação à criança que não se pode defender, e que fica privada dos modelos feminino e masculino na sua educação familiar).

A adopção deve ser feita no superior interesse das crianças, e não no interesse de pares de avantesmas adultas.

[ ficheiro PDF do artigo do pasquim Público ]

“Atribuir a guarda” de uma criança a alguém, não é adopção

O tribunal de Família e Menores do Barreiro atribuiu a guarda e educação de uma criança de dois anos e com trissomia 21 ao cabeleireiro Eduardo Beauté e ao modelo Luís Borges, “casados” em 2011.

via Juiz confia criança a “casal” homossexual – JN.

Eu não sei se esta notícia corresponde aos factos, ou seja, se a decisão do juiz, neste caso, se baseou nos argumentos invocados na narrativa de uma pseudo-informação (propaganda) dos me®dia.
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Domingo, 9 Setembro 2012

A ficção do contrato social

Eu sou muito crítico da teoria moral e da teoria do conhecimento de David Hume, mas já não sou tanto da sua teoria política e da teoria de justiça. A teoria do conhecimento de Hume foi pelo menos parcialmente desbaratada pela praxis científica, mas a sua teoria moral é a que prevalece hoje na elite portuguesa.

A ambiguidade de David Hume consiste na discrepância ou incoerência entre as suas teorias moral e do conhecimento, por um lado, e as suas teorias da política e da justiça, por outro lado.

A vida social organiza-se segundo ficções, por exemplo, a ficção do contrato assente na promessa, que permitiu que a classe política portuguesa tivesse conduzido o nosso país à ruína e à dissolução em apenas 30 anos.

Na teoria política, David Hume denunciou a ilogicidade e a irracionalidade do contrato social iluminista, demonstrando a evidência da nulidade das promessas feitas pelos políticos, promessas essas que estão subjacentes ao contrato social entre o povo e as elites. A governança de Passos Coelho prova à saciedade que David Hume tinha razão.
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Quarta-feira, 5 Setembro 2012

O Estado-de-polícia (1)

“Christians should leave their religious beliefs at home or accept that a personal expression of faith at work, such as wearing a cross, means they might have to resign and get another job” — government lawyers have said.

via Christians should 'leave their beliefs at home or get another job' – Telegraph.

Quando os súbditos ingleses, por exemplo, são aconselhados a mudar de emprego só porque usam uma cruz ao peito ou porque não renunciam à expressão pública da sua religião, verificamos que a Inglaterra vive hoje em um Estado-de-polícia.

A Inglaterra — e outros países da Europa, por exemplo, os países escandinavos, a Holanda, a Bélgica — vivem hoje num Estado-de-polícia. O Estado-de-polícia sucede-se ao Estado-providência; é a consequência lógica da evolução do Estado-providência.

O Estado-de-polícia foi inventado pelos alemães luteranos no século XVII, mediante a acção política do chamado “Camaralismo”. Portanto, o que estamos a assistir hoje na Europa — e nos Estados Unidos de Obama — não é totalmente novo; ou melhor, o que vemos hoje na Europa traduz o conceito de Fernando Pessoa de “velhice do eterno novo”.

O Estado-de-polícia não é apenas um Estado policial, embora também seja um Estado policial. Para além da repressão policial, um Estado-de-polícia é também aquilo que foi criticado por Kant [Teoria e Prática, 1793]:

“Um governo que fosse fundado sobre o princípio da benevolência para com o povo — tal o do pai para com os seus filhos, quer dizer, um governo paternal —, onde, por consequência, os sujeitos, tais filhos menores, incapazes de decidir acerca do que lhes é verdadeiramente útil ou nocivo, são obrigados a comportar-se de um modo unicamente passivo, a fim de esperar, apenas do juízo do chefe do Estado, a maneira como devem ser felizes, e unicamente da sua bondade que ele o queira igualmente — um tal governo, digo, é o maior despotismo que se pode conceber.”

As semelhanças formais entre o Estado-de-polícia alemão dos séculos XVII e XVIII, e o Estado-de-polícia actual de alguns países europeus, são evidentes. O que muda são os conteúdos de um e de outro tipo. Por exemplo, o Estado-de-polícia impõe – através da força bruta e da repressão violenta ao dispôr do Estado — a sua noção de felicidade a súbditos totalmente passivos.

Quando os súbditos ingleses, por exemplo, são aconselhados a mudar de emprego só porque usam uma cruz ao peito ou porque não renunciam à expressão pública da sua religião cristã, verificamos que a Inglaterra vive hoje em um Estado-de-polícia. A principal diferença entre a actual política correcta, por um lado, e, por outro lado, a teoria dos camaralistas alemães dos séculos XVII e XVIII, é que a noção de felicidade é diferente. Muda apenas o conteúdo, e mantém-se a essência e a forma.

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