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Sexta-feira, 26 Janeiro 2018

A metafísica de Confúcio

Filed under: Confucionismo,Gonçalo Portocarrero de Almada,religião — O. Braga @ 10:09 pm

 

O Padre Gonçalo Portocarrero de Almada publicou um artigo, alegadamente da autoria de um tal José Miguel Pinto dos Santos (ver ficheiro PDF), em relação ao qual terei que corrigir determinados passos. Escreve o tal amigo do Padre:

“Mas e o Confucionismo? O Confucionismo também tem templos, sacerdócio, rituais, escrituras, código moral, santos e um sistema metafísico. Lá por esse sistema metafísico ser agnóstico no que se refere à existência de divindades e espíritos não retira ao Confucionismo o seu estatuto milenar de religião”.


É um erro comum dos “intelectuais” do Ocidente julgar o Confucionismo como um sistema metafísico agnóstico. Esse agnosticismo era apenas e só aparente, e só quem não tem uma noção mínima do que são as religiões ditas universais, poderá afirmar uma coisa dessas.

Confúcio não só não criticou as práticas e convicções da religião próprias do mundo em que ele vivia (em que participava no culto dos antepassados, que não constitui apenas uma expressão de piedade, mas também inclui a convicção do prolongamento da vida depois da morte), como encontra-se plenamente na linha da religião imperial chinesa: Confúcio pressupõe a existência do mundo celeste, da qual parece ter uma certeza quase mística.

Quando estava doente, Confúcio rezava aos deuses (Anacletos de Confúcio, livro VI, 34). Portanto, é falso que “o sistema metafísico do Confucionismo fosse agnóstico em relação aos deuses”:

“Não murmuro contra Deus e não me encolerizo com os seres humanos. Investigo aqui em baixo, mas aponto para o alto. É Deus quem me conhece.”Anacletos de Confúcio, livro XIV, 37

Portanto, embora o Confucionismo possa parecer frequentemente — aos olhos dos nosso critérios ocidentais ou cristãos — apenas uma filosofia política (tal qual se julga também em relação ao Budismo), na realidade trata-se de uma concepção de religião universal — embora, para o Mestre Kung (Confúcio), a religião possui, por assim dizer, um lugar completamente diferente na vida espiritual do indivíduo e da Totalidade, daquele que ocupa no Cristianismo; porém trata-se de uma variante da religião que nos é estranha, na qual o monismo é fundamental.


A religião é um conjunto de crenças e de ritos que compreendem um aspecto subjectivo (o sentimento religioso ou a ) e um aspecto objectivo (as cerimónias, as instituições, os templos, etc..).


As “cinco relações” do Confucionismo, a que se refere o amigo do Padre, fazem parte de uma concepção ética secular que também existe nas outras religiões universais — desde logo a “regra de ouro” (por exemplo, no Sermão da Montanha). O sistema de regras éticas de Confúcio (JEN), que se subdivide em quatro virtudes (HSIAO, TEN, LI, YI), é sobretudo importante para a convivência dos seres humanos e para o funcionamento da sociedade — e também existe em todas as outras religiões universais.

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Domingo, 14 Janeiro 2018

O Padre Gonçalo Portocarrero de Almada escamoteia a acção da máfia alfazema no seio da Igreja Católica do papa Chiquinho

 

Um bom gestor de recursos humanos fala muito mais nas virtudes das pessoas que tem sob sua responsabilidade, do que nos seus defeitos; e quando fala dos defeitos dos seus subordinados, é sempre em privado, evitando os holofotes da opinião pública.

cardeal_coloridoUm patrão que passa a vida a maldizer os seus empregados, não vai longe no negócio. É isto que o Padre Gonçalo Portocarrero de Almada parece não ter compreendido, no que diz respeito ao papa Chico.

Por outro lado, não é insignificante ou irrelevante que o papa seja “este” ou “aqueloutro” — como parece dizer o Padre Gonçalo Portocarrero de Almada. E quando criticamos as ideias de uma pessoa (seja papa ou não), temos a obrigação de dizer claramente por que as criticamos.

Por exemplo, os clérigos (entre eles o anterior cardeal patriarca de Lisboa) que criticaram os papas antecessores (Bento XVI e João Paulo II), nunca se atreveram a afirmar publicamente o teor das suas críticas: eram eminências pardas que manobravam na sombra, sem que o povo católico suspeitasse da conspiração da máfia alfazema que apoia claramente este papa.

Quando o Padre Gonçalo Portocarrero de Almada faz referência à infalibilidade da Igreja, invocando Mateus 16,18 — convém citar o que diz o trecho de Mateus:

“também eu te digo: Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do Abismo nada poderão contra ela.”

Em primeiro lugar, Cristo referia-se a Pedro, e não a um qualquer papa. A “Igreja edificada” seria uma consequência de Pedro. Em segundo lugar, o facto de “as portas do Abismo nada poderem contra ela” não significa que a Igreja seja necessariamente infalível em um dado momento ou em uma dada moda de época — porque se assim fosse, por exemplo, o papa Bórgia teria sido infalível, o que não me parece ser uma boa ideia.

O Padre pode enganar o Zé Pagode; mas não engana quem já leu umas coisas da História. E eu não li muito, mas li umas coisitas, o suficiente para dizer ao Padre que “papas há muitos”. E concordo com S. Roberto Belarmino:

“Tanto quanto está autorizado a resistir a um Papa que comete uma agressão física, do mesmo modo que é permitido resistir-lhe se faz mal às almas ou perturba a sociedade e, com mais forte razão, se procurasse destruir a Igreja — é permitido, digo, opôr-se a ele não cumprindo as suas ordens e impedindo que a sua vontade seja realizada.

Não é licito, contudo, julgá-lo em tribunal, impor-lhe punição, nem o depor, pois estes são actos próprios a um superior”.

— São Roberto Belarmino, De Romano Pontifice, Livro II, Capítulo 29.


comunion-for-adulterers-webEm relação à aberração ideológica que é o Amoris Laetitia, o Padre Gonçalo Portocarrero de Almada diz que é uma “questão de interpretação”:

“É verdade que a ‘Amoris laetitia’, que é susceptível de uma leitura coerente com o precedente magistério da Igreja, foi também interpretada por alguns eclesiásticos de forma contrária à doutrina católica”.

Mais uma vez, o Padre quer enganar o pagode, sugerindo que o problema é de “interpretação”. Mas a gente não anda a dormir, e vamos lendo umas coisas porque ainda não desaprendemos de ler português, embora não saibamos o latinório do Padre (se é que os padres ainda sabem latim!).

Esta semana, o Acta Apostolicae Sedis, que é o órgão oficial do Vaticano responsável pela promulgação apostólica, publicou a infame e desprezível carta do papa Chicão aos bispos de Buenos Aires, declarando, ademais, que não há outras interpretações (“no hay otras interpretaciones”) do Amoris Laetitia senão aquela exarada na famigerada carta aos bispos argentinos.

É claro que o facto de o pagode não ler inglês favorece o Padre e comandita; mas eles podem enganar o povo durante algum tempo, mas não o enganarão pelo tempo todo.

A interpretação do Amoris Laetitia, segundo Chiquinho, é a seguinte: qualquer par em estado de mancebia pode participar na comunhão eucarística. Ponto final. É está “interpretação” do Chicozinho que o Padre Gonçalo Portocarrero de Almada escamoteia.

Em suma: é lamentável que o Padre Gonçalo Portocarrero de Almada venha defender o indefensável, e que se coloque ao nível do psicótico Frei Bento Domingues e do marxista Anselmo Borges.

IGREJA-DO-CHICO-WEB

Segunda-feira, 2 Outubro 2017

Estamos perante um Cisma na Igreja Católica

 

cardeal-sarah-webOlhamos para a Igreja Anglicana e verificamos a sua decadência objectiva, após a “ordenação sacerdotal” de mulheres.

Os números da decadência da Igreja Anglicana, após as “mulheres-padres”, falam por si: basta procurarmos no Google. Há coisas que são tão evidentes que até nos cegam; mas não influem nos burros e casmurros como o Frei Bento Domingues: as evidências, para ele, não contam; ou então não sabemos do que pensar das intenções do asno.

Agora, até o Padre Gonçalo Portocarrero de Almada, que eu tinha como alguém de bom-senso e respeitador do senso-comum, alinha com os chiquistas (com os apoiantes do Chico Burrico). A Igreja Católica enfrenta um cisma escondido.

O Cardeal Robert Sarah põe o dedo na ferida: a arma dos cismáticos é o Poder do Silêncio: agem e calam-se  (como fazem os ladrões pela calada da noite), não respondendo a perguntas não só dos fiéis católicos em geral, mas também sonegando respostas às questões colocadas pelo próprio clero católico.

Nunca o Poder no Vaticano foi tão autoritarista como é hoje com o Chiquinho.

O Chico e os seus apaniguados defendem a ideia segundo a qual a mundividência pessoal e particular do Chico deve ser considerada como sendo superior à doutrina (a verdade, os absolutos morais) da Igreja Católica. Mais: segundo os apaniguados cismáticos, a opinião pessoal e subjectiva do Chico deve ser considerada como ensinamento magisterial. Mas simultânea- e contraditoriamente, o Chico e seus acólitos colocam em causa o princípio dogmático da infalibilidade papal.

O Frei Bento Domingues continua a sua saga irracional contra o fenómeno de Fátima. O Frei Bento Domingues não consegue separar a religião, por um lado, da política politiqueira, por outro lado. Para ele, a religião é uma espécie de ideologia política; e, por isso, é impossível dialogar com quem pensa assim.

Sábado, 30 Setembro 2017

Deduzo que o Padre Gonçalo Portocarrero de Almada pensa que S. Roberto Belarmino não tinha razão

 

“Tanto quanto está autorizado a resistir a um Papa que comete uma agressão física, do mesmo modo que é permitido resistir-lhe se faz mal às almas ou perturba a sociedade e, com mais forte razão, se procurasse destruir a Igreja — é permitido, digo, opôr-se a ele não cumprindo as suas ordens e impedindo que a sua vontade seja realizada.

Não é lícito, contudo, julgá-lo em tribunal, impor-lhe punição, nem o depor, pois estes são actos próprios a um superior”.

→ São Roberto Belarmino, “De Romano Pontifice”, Livro II, Capítulo 29.


O Padre Gonçalo Portocarrero de Almada pensa que não se deve resistir ao papa “se este faz mal às almas ou perturba a sociedade e, com mais forte razão, se procurasse destruir a Igreja”.

Um grupo de católicos, seguindo a opinião de S. Roberto Belarmino, não cumpre as ordens do papa Chico e impede que a sua (dele) vontade seja realizada no que diz respeito a uma determinada encíclica que é clara- e evidentemente permissiva em relação ao adultério.

O Padre Gonçalo Portocarrero de Almada esconde-se por detrás da definição nominal canónica de “heresia”, esquecendo-se de que, sob o ponto de vista figurativo e simbólico, “heresia” significa também “acção ou palavra ímpia, sacrílega, disparate, absurdo”. Por exemplo, quando o Chico diz que “é mais importante o acolhimento de imigrantes do que a segurança das populações autóctones”, estamos perante um disparate que até um burro pode verificar — mas o Padre recusa-se a ver. Pior que um burro, é o “cego” que não quer ver.


A condenação do adultério faz parte dos Mandamentos não só do Judaísmo, mas também do Cristianismo, para além de outras religiões que também o condenam, como por exemplo, o Budismo. Neste sentido, podemos dizer que a condenação do adultério é dogmática — no sentido em que não se discute teologicamente, por ser teológica- e racionalmente consensual. Colocar em causa a condenação (ética e teológica) do adultério é, por analogia, como colocar em causa os Primeiros Princípios: as evidências não se questionam. Neste sentido, colocar em causa, explicita- ou implicitamente, o dogmatismo da condenação católica do adultério é uma forma de heresia.

Santo Agostinho distingue a “lei eterna” (pensada de acordo com o modelo dos estóicos), por um lado, da “lei natural”, por outro lado.

A lei eterna (a lei de Deus) desmultiplica-se e permanece idêntica a si mesma (apesar da passagem do tempo), inscrevendo-se como lei natural em cada consciência humana à maneira de um anel de cera (De Trinitate, XIV, xv, 21). Santo Agostinho assume assim a identidade entre a Lei Natural e a Lei de Moisés (os Mandamentos), e procede a uma nova divisão do Decálogo que foi aceite pela teologia romana, e depois pela luterana, estruturando as Sumas dos confessores da Idade Média. O número 6 do Decálogo de Santo Agostinho é a proibição do adultério.

Ora, o papa Chico mandou Santo Agostinho às malvas. E o Padre Gonçalo Portocarrero de Almada, de uma forma corporativista e desafiando a opinião de S. Roberto Belarmino (sim!, porque o Padre é muito mais importante que o Santo!), ataca quem critica o Chico. Ora, nem o papa está acima de críticas.

Sexta-feira, 1 Setembro 2017

Os ‘libertários’ portugueses ainda seguem Ayn Rand

 

O Padre Gonçalo Portocarrero de Almada fez um comentário a um texto psicótico da Maria João Marques que eu também já tinha comentado. O meu comentário foca-se no absurdo que é a ausência de argumentos válidos no texto de Maria João Marques; o Padre Gonçalo Portocarrero de Almada vai mais longe e faz um fisking do textículo de Maria João Marques.

O Padre Gonçalo Portocarrero de Almada fez bem em publicar o comentário, por razões pedagógicas — não em relação a Maria João Marques, mas antes em relação ao público em geral. É bom que o cidadão valorize o argumento válido, em uma tese ou discussão.


libertarismo-webDo ponto de vista filosófico, a Maria João Marques é uma nódoa — como é uma nódoa a maioria dos escribas do Insurgente. Não há ponta por onde se lhe pegue.

É daquela gente que ainda não se deu conta de que o Objectivismo, de Ayn Rand, já foi consistentemente reduzido ao absurdo. Os Insurgentes fazem lembrar os comunas que ainda vivem no tempo de Estaline, quando ainda se baseiam em uma doutrina ética auto-contraditória que nenhum manual de filosofia digno desse nome já faz referência.

Do ponto de vista da filosofia e da ética, o Objectivismo de Ayn Rand é paupérrimo e não tem nada de original senão um sincretismo pobre e mal construído entre Nietzsche e a corrente marginalista de Carl Menger e Walras. Nenhum manual sério — repito: sério — e completo de filosofia menciona Ayn Rand; ela simplesmente não conta para a história da filosofia.

De Nietzsche, Ayn Rand foi buscar a noção de “selecção natural darwinista” que determina as elites sociais [social-darwinismo] e o desprezo pelo Cristianismo, pelos cristãos, e pela religião em geral. De Carl Menger e do marginalismo, Rand foi buscar a noção utilitarista radical segundo a qual “é tão útil a oração para o homem santo, como é útil o crime para o homem criminoso”.

Hoje, os manuais de filosofia (propriamente ditos) referem-se a David Gauthier e sobretudo a Nozick, quando tratam o Libertarismo; e mesmo assim, este “libertarismo” é evocado para fazer a crítica de John Rawls e de Habermas. De resto, o chamado “libertarismo” foi devidamente destruído pelos chamados “filósofos comunitaristas” — Michael Sandel, Alasdair MacIntyre, Michael Walzer, Charles Taylor, entre outros.

Quinta-feira, 31 Agosto 2017

A Maria João Marques consegue ser pior do que a Fernanda Câncio

 

Das mulheres que escrevem nos me®dia, não há ninguém mais repugnante que a Maria João Marques; ela consegue ser mais repugnante do que a Fernanda Câncio — porque esta toda a gente sabe que é de Esquerda e não engana ninguém.

A Maria João Marques é uma “feminazista de Direita”, o que é uma contradição em termos.

A Maria João Marques é especialista na argumentação sem argumentos válidos. Por exemplo, quando afirma aqui que o Padre Gonçalo Portocarrero de Almada mente, mas ela nunca diz onde é que ele mente. “Ele mente! Prontos!”

E neste sentido, também é pior do que a Fernanda Câncio — que é o mais aproximado que temos da Maria João Marques: é que a Fernanda Câncio, mesmo entrando por uma interpretação delirante qualquer, fundamenta com argumentos (mesmo que em delírio interpretativo) aquilo que escreve.

Lendo o texto da Maria João Marques, fiquei sem saber em que é que o Padre Gonçalo Portocarrero de Almada mente neste texto.

O único argumento da Maria João Marques que merece alguma atenção é uma falácia do espantalho, por um lado, e por outro lado é uma falácia tu Quoque. Ou seja, para a Maria João Marquês, o facto de um homem ser um putanheiro justifica perfeitamente que a respectiva mulher seja uma puta. Vemos aqui plasmada a falácia lógica tu Quoque. Escreve ela:

“Também é notório, pelo que vai escrevendo, que o articulista, apesar de padre católico, gostaria de um deus-juiz e não aprecia grandemente a misericórdia. Por isso aproveita para terminar o texto informando que Diana não se portou sempre como a sua posição exigia. Sinceramente, que nojo. Isto perante uma pessoa que já morreu, e que com todos os defeitos que teria (todos temos, e os de Gonçalo Portocarrero de Almada são gritantes), e problemas de saúde vários, tinha um inegável espírito de serviço, grande coragem e – algo que o articulista não percebe – empatia pelo sofrimento alheio. Mostrando o ranço que lhe vai na alma, apesar de declarar que Diana nem sempre se portou como devia, branqueia o comportamento do seu marido, falando na ‘alegada infidelidade conjugal de Carlos’. Bom, Carlos de Gales assumiu numa famosa entrevista televisiva que foi infiel a Diana. Não há nada de alegado nisto.”

Ademais, ela faz uso da falácia do espantalho, porque o artigo do Padre Gonçalo Portocarrero de Almada foca-se especificamente em Diana Duquesa de Gales — e é absurdo que a análise da personalidade, do carácter e do comportamento de uma determinada pessoa (neste caso, de Diana Spencer), dependa da personalidade, do carácter e do comportamento de terceiros!


Noutro artigo, a Maria João Marques acusa uma pessoa de agir de uma determinada forma, mas ao mesmo tempo utiliza o mesmo tipo de argumentário para criticar essa mesma pessoa.

« ‘Sabem quem deu indicação à Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG) que ‘recomendou’ (pois) retirada dos cadernos da Porto Editora? O ministro da tutela, Eduardo Cabrita. O deputado socialista que em 2013, para fins políticos, chamou ‘frígida’ a Maria Luís Albuquerque. Cabrita é, além de malcriado e censor, um protozoário machista que não sabe debater política envolvendo uma mulher sem ir buscar ataques sexuais. Donde, para António Costa e PS, é o ministro ideal para tutelar a promoção da igualdade de género. »

Dizer que a Maria Luís Albuquerque é frígida, é “ataque sexual”; mas dizer que o dito cujo é um protozoário machista já não é ataque sexual — porque, pelo que parece, o “ataque sexual” só se define por “coisas feitas na cama”. Por este andar, a Maria João Marques deixará de ver a diferença entre “uma bica e um queque”, por um lado, e “um bico e uma queca”, por outro lado.

A Maria João Marques é daquele género de mulher que faz com que um machista empedernido se sinta orgulhoso.


A realidade é sexista

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Sábado, 29 Abril 2017

Ó Anselmo Borges: toma lá, embrulha, e leva para casa

 

Eu tive aquilo a que se convencionou chamar uma “experiência quase-morte”.

eqm-webDurante a experiência, a luz que incidiu sobre mim era de tal forma forte que era insuportável (uma luz que me “cegou”); e a experiência foi marcada por um certo “transcorrer do tempo”, embora não fosse o “tempo normal” a que eu estava habituado. Depois, ali estava eu, junto ao tecto do quarto, a ver-me a mim próprio na cama com o médico da família à cabeceira, e com a azáfama preocupada da minha mãe. E ouvi todas as conversas; quando voltei a mim, contei as conversas havidas entre o médico e a minha mãe — conversas essas seriam difíceis de reter na memória em estado de quase-coma.

Se eu contasse esta minha experiência ao Anselmo Borges, ele diria que se trataria de uma experiência “subjectiva”, de uma “visão”; e que as figuras do médico, da minha mãe e de mim próprio, não passaram de “visões”, e não de “aparições” — porque o Anselmo Borges foi fortemente influenciado pela Nova Teologia que, por sua vez, foi fortemente influenciada pelo Positivismo que nada mais é do que o “Romantismo da ciência”.


O Padre Gonçalo Portocarrero de Almada cita o papa Bento XVI no que diz respeito ao conceito de “aparição” de Nossa Senhora em Fátima:

« Prossegue Bento XVI, no seu Comentário teológico: “Como dissemos, a «visão interior» não é fantasia” – ao contrário do que o termo ‘visão imaginativa’, usado por D. Carlos Azevedo, na sua entrevista ao Público, no passado dia 21, poderia levar a crer – “mas uma verdadeira e própria maneira de verificação. Fá-lo, porém, com as limitações que lhe são próprias. Se, na visão exterior, já interfere o elemento subjectivo, isto é, não vemos o objecto puro mas este chega-nos através do filtro dos nossos sentidos que têm de operar um processo de tradução; na visão interior, isso é ainda mais claro, sobretudo quando se trata de realidades que por si mesmas ultrapassam o nosso horizonte”. »

Fátima (1): Aparições ou visões?


Em primeiro lugar, não podemos comparar a intelectualidade do papa Bento XVI com o vazio intelectual do papa Chico que o Anselmo Borges segue de forma canina. O Chico age; é um homem de acção, mas não pensa; e quando pensa, só diz asneiras.

Eu já abordei aqui o tema da subjectividade e da objectividade.


O Padre Gonçalo Portocarrero de Almada aproxima-se da minha interpretação da realidade, mas ainda não coincidimos — porque, em última análise (e como ele escreveu acima), todos nós interpretamos a realidade de forma subjectiva, embora seja a intersubjectividade (ou seja, a objectividade) que cria os consensos necessários a uma interpretação racional da realidade prática, segundo leis naturais que regulam o mundo macroscópico em que se movem os seres vivos.

Realidade prática: desde que uma construção do nosso cérebro nos permita a sobrevivência no mundo (macroscópico), pode-se dizer que ela (a construção) está em consonância com a verdadeira realidade e não em contradição com ela. [Este conceito de “realidade prática” é muito importante e pode ser utilizado em diversas áreas do pensamento.]

A investigação das ciências da natureza e a sua aplicação na tecnologia não têm autoridade para fazer afirmações sobre a “realidade em si” (que é diferente da “realidade para nós” que é a realidade intersubjectiva e/ou objectiva): a ciência só pode afirmar, em casos concretos, que as suas afirmações ainda não foram refutadas e, neste sentido poderiam estar em consonância com a “verdadeira realidade”.

Aquilo a que o papa Bento XVI e o Padre Gonçalo Portocarrero de Almada chamam de “visão interior”, é a “visão da consciência” que tem sempre algum grau de intersubjectividade que corresponde ao Nous aristotélico:

“Só vale a pena discutir com pessoas com as quais já estamos de acordo quanto aos pontos fundamentais; só aí se mantém, na pesquisa, a fraternidade essencial; tudo o resto é concorrência, batalha, luta pelo triunfo; não menos reais por serem disfarçados.” (Agostinho da Silva)

Este tipo de igualdade/desigualdade racional de Agostinho da Silva, que diz respeito às ideias, corresponde à noção de Noüs de Aristóteles em que se manifesta um determinado grau de intersubjectividade que distingue a “visão subjectiva”, por um lado, e a “aparição intersubjectiva”, por outro lado.

As ideias do Anselmo Borges e do Bispo gay, segundo a qual “em Fátima aconteceram visões subjectivas, e não aparições”, são tão absurdas que me fazem doer a inteligência — a inteligência também dói, quando nos deparamos com gente deste calibre. E para além de absurdas, as ideias das duas avantesmas supracitadas são perigosas, porque estão imbuídas de um Positivismo radical que se embrenhou no seio da Igreja Católica através do Concílio do Vaticano II.

Sábado, 1 Abril 2017

O Padre Gonçalo Portocarrero de Almada, a estupidez de Rui Rio, a ciência, o aborto e a eutanásia

 

A eutanásia — assim como o aborto — é uma questão de ética, e não propriamente de ciência.

Naturalmente que a ciência pode dar opinião, mas não adianta de nada, como podemos ver na questão do aborto: hoje a ciência diz que o ADN único e irrepetível do ser humano tem o seu início no momento da concepção, mas nem por isso a opinião da ciência é ouvida pela classe política.

Eu diria mesmo que chegamos a um ponto da nossa sociedade em que a opinião da ciência se tornou irrelevante, na medida em que a ciência é amiúde adulterada no sentido de justificar determinadas religiões políticas.

eutanasia-cadeiras


Na medida em que 1) o cientista deve procurar a objectividade; 2) em que a objectividade requer um despojamento de valores; 3) e em que o cientista é um sujeito [um ser humano] e a comunidade científica é composta por seres humanos [sujeitos] — a ciência [e sobretudo as ciências sociais] só muito raramente consegue libertar-se das valorações [éticas] da sua própria camada social, de modo a poder estabelecer uma independência valorativa e objectiva.

Em consequência, surgiu no século XX um fenómeno massivo de “liquidação do sujeito”, imposto por uma elite cientificista, e que se traduziu na emergência das religiões políticas totalitárias [por exemplo, o eugenismo característico dos “progressistas”, evolucionistas e socialistas; o nazismo e o comunismo]. Este processo cientificista de “liquidação do sujeito” levou a uma dissociação mental extrema entre a comunidade científica, e a uma inversão da moral.

O marxismo é um exemplo dessa dissociação mental extrema e da inversão da moral: por um lado, o marxismo liquida a ética e a moral [e também toda a filosofia], classificando-a de “subjectiva” e idealista, ao mesmo tempo que denuncia os tabus tradicionais e históricos (por exemplo, os tabus da cultura antropológica europeia do aborto e da eutanásia); e por outro lado, entrega-se a um excesso ético, que denuncia toda a oposição e crítica ao marxismo como um embuste, e estabelecendo simultaneamente novos tabus (Aquecimento Global, animalismo, etc.) contrapostos aos tabus tradicionais.

O marxismo — que se diz, dele próprio, científico — faz a crítica da nossa moral tradicional, mas de uma forma extremamente moralizante, e moralmente invertida e contra-natura. [ver mente revolucionária]

A ideia segundo a qual “o aborto e a eutanásia não são defendidas exclusivamente pela Esquerda, mas que, em vez disso, atravessam toda a sociedade”, é um embuste — a não ser que se reduza a Esquerda e a Direita à economia. O que se passa é que algumas pessoas que se dizem de Direita — como por exemplo, o economista Rui Rio — reduzem a realidade inteira à economia, e depois consideram-se mais inteligentes do que um qualquer analfabeto carrejão do Douro.

É evidente que o Rui Rio é um idiota útil.


eutanasia-velhariasEscreve o Padre Gonçalo Portocarrero de Almada que “os médicos portugueses são, na sua grande maioria, contra a eutanásia”; mas são contra a eutanásia enquanto seres humanos dotados de sensibilidade, inteligência e intuição (que é uma forma de inteligência), e não enquanto médicos. Por exemplo, o João Semedo, do Bloco de Esquerda, é médico e é a favor da eutanásia. O problema é ético, e não científico.

A ética e a moral não podem ser definidas ou determinadas pela ciência.

A ideia de responsabilidade moral reside na experiência subjectiva, enquanto que a ciência só concebe acções determinadas pelas leis da natureza, e não concebe autonomia, nem sujeito, nem consciência e nem responsabilidade. A noção de “responsabilidade” é não-científica.

A ética e a moral pertencem ao domínio da metafísica que se caracteriza pela falta de “bases objectivas” — estas aqui entendidas no sentido naturalista [naturalismo ≡ cientificismo metodológico].

A Esquerda marxista (Partido Comunista, Bloco de Esquerda, José Pacheco Pereira e Partido Socialista) pretende destruir a sociedade em que vivemos, para por cima dos seus escombros construir uma sociedade totalitária (no caso de José Pacheco Pereira, uma espécie de República de Platão em que impere o rei-filósofo, ou seja, ele próprio) .

Portanto, a posição da Esquerda é perfeitamente compreensível. O que é mais difícil de compreender são os individualistas ditos “de Direita” — como Rui Rio: colocam o seu individualismo e libertarianismo ao serviço de uma agenda política colectivista e totalitária.

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