perspectivas

Sexta-feira, 13 Outubro 2017

A diferença entre Fernando Rosas ou Raquel Varela, por um lado, e Rui Ramos, por outro lado.

Filed under: Fátima,História,Igreja Católica,Raquel Varela,religião — O. Braga @ 3:13 pm

 

Rui Ramos (historiador) escreveu aqui um ensaio notável acerca de Fátima. ¿E, “notável” por quê? Porque se apoiou em factos documentados (passo redundância), por um lado, e por outro lado porque se absteve de interpretações desconstrutivistas que caracterizam “historiadores” como Fernando Rosas e/ou Raquel Varela.

O desconstrutivismo histórico não é o cepticismo salutar do historiador: em vez disso, é a negação ou/e sonegação ou/e deturpação selectiva de alguns factos historicamente documentados — porque são julgados ideologicamente “inconvenientes”. Raquel Varela ou Fernando Rosas, entre outros “historiadores” marxistas, estabelecem a priori as conclusões da investigação histórica; mas um historiador propriamente dito segue os factos históricos independentemente das conclusões a que possa chegar.


Só há um reparo a fazer no ensaio de Rui Ramos: quando ele se refere à Renascença Portuguesa e aos nomes de “Teixeira Pascoaes, Leonardo Coimbra, Jaime Cortesão, Raul Proença, António Sérgio, Raul Brandão, e, ao princípio, Fernando Pessoa”.

« Nos seus artigos e conferências, Pascoaes, o líder da Renascença, citava, tal como Sardinha, Henri Bergson e William James, para repudiar o “egoísmo materialista”, o “cientismo estreito e superficial”, e saudar o “espírito religioso que ora aparece na Europa”. »

A Renascença Portuguesa pouco ou nada tem a ver (filosófica- e/ou teologicamente) com o catolicismo ou com a Igreja Católica do século XX.

Por exemplo, Leonardo Coimbra só se confessou “católico” pouco tempo antes da sua morte trágica; Bergson foi tentado pelo catolicismo mas não o adoptou. Todos nomes citados ou eram deístas (deísmo), ou eram panteístas (panteísmo, que é um monismo).

A mística teísta (teísmo católico) é incorruptível; mas a mística naturalista (o deísmo, ou “religião natural”) perverte-se em panteísmo, quando a consciência extática identifica o esplendor da Criação, por um lado, com o esplendor do Criador, por outro lado. E a mística personalista (a que é separada da religião) perverte-se em gnosticismo quando a consciência ensimesmada identifica a eviternidade da alma, por um lado, com a eternidade de Deus, por outro lado.

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Sábado, 17 Junho 2017

Luís Reis Torgal é um exemplo dos burros que formatam a cultura em Portugal

 

Vemos um texto que eu acharia inverosímil de ser escrito acerca de Fátima, da autoria de um tal Luís Reis Torgal.

Desde logo a ideia do escriba segundo a qual “a História não julga, mas procura a interpretação objectiva”.

Ora, “interpretar” pode ter vários sentidos (várias definições reais): 1/ pode ser “tornar claro”, encontrar um sentido escondido, dar uma significação; 2/ ou pode ser deformar, desfigurar — por exemplo, dar a um texto ou a um acontecimento histórico um sentido que ele não tem; 3/ ou abordar uma obra ou um acontecimento de maneira a exprimir-lhe sentido.

Qualquer leitura da História implica a valorização de um sentido que não pode ser dissociado das orientações ou mesmo dos ensinamentos do historiador.

Sendo a História escrita por homens, e sendo que “interpretar” é compreender de maneira nova e diferente a cada instante, é falsa a proposição segundo a qual “a História não julga, mas procura a interpretação objectiva”.

No texto, a politização do fenómeno de Fátima é levada a um nível próprio de um mentecapto:

“Ficou claro — porque a História não julga, mas procura a interpretação objectiva — que a mensagem de Fátima se foi modificando desde 1917, tendo sempre como limites a própria política do Estado e da Igreja. Por isso, se ela é nacionalista (recordem-se os cânticos que se continuam a entoar nos templos e nas procissões) e anti-comunista, nunca foi antifascista e nem sequer antinazi, apesar da guerra, das perseguições racistas e do Holocausto”.

Existe aqui uma falsa dicotomia própria dos estúpidos como o Torgal: o facto de se ser eventualmente anti-comunista, não significa que se seja automática- e necessariamente “faxista” e nazi.

Fernando Pessoa, que foi contra a Igreja Católica (que ele chamava de “Cristismo”, em vez de Cristianismo) , escreveu o seguinte:

Ao contrário do catolicismo, o comunismo não tem doutrina. Enganam-se os que supõem que ele a tem. O catolicismo é um sistema dogmático perfeitamente definido e compreensível, quer teologicamente, quer sociologicamente. O comunismo não é um sistema: é um dogmatismo sem sistema — o dogmatismo informe da brutalidade e da dissolução. Se o que há de lixo moral e mental em todos os cérebros pudesse ser varrido e reunido, e com ele se formar uma figura gigantesca, tal seria a figura do comunismo, inimigo supremo da liberdade e da humanidade, como o é tudo quanto dorme nos baixos instintos que se escondem em cada um de nós.

O comunismo não é uma doutrina porque é uma anti-doutrina, ou uma contra-doutrina. Tudo quanto o Homem tem conquistado, até hoje, de espiritualidade moral e mental — isto é, de civilização e de cultura — tudo isso ele inverte para formar a doutrina que não tem.”

→ Fernando Pessoa, “Ideias Filosóficas”

Ora, isto não significa que Fernando Pessoa apoiasse o “faxismo” de Mussolini: pelo contrário, desancou nele quanto pôde. O facto de se ser anti-comunista não significa que “tomaticamente” se seja “faxista”. Mas Torgal vê a coisa a preto e branco, em um maniqueísmo próprio do puritanismo gnóstico modernista.

O texto do Torgal é um absurdo. Por exemplo, confunde e mistura “acidente” com a “essência” de um fenómeno — quando diz que

“é indubitável que Fátima é, acima de tudo, um fenómeno político, de oposição da Igreja ao laicismo e ao anticlericalismo republicanos (recorde-se, porém, que não há anticlericalismo sem haver clericalismo)”.

Desde 1832 que não havia em Portugal “clericalismo” propriamente dito — ou seja, clericalismo como força política e económica organizada.

O “anti-clericalismo” da I república era fictício; foi uma necessidade republicana de criação de um inimigo interno, como sempre acontece com as revoluções. A revolução francesa matou mais gente em apenas um mês e em nome do ateísmo, do que a Inquisição em nome de Deus durante toda a Idade Média e em toda a Europa”. (Pierre Chaunu, historiador francês).

Em suma: ó Torgal!: vai a bardamerda!


ateismo-web

Sábado, 20 Maio 2017

A anti-igreja diz que houve “visões subjectivas” em Fátima, mas nada de aparições objectivas

 

Num cruzamento com semáforos, um automóvel embateu numa bicicleta. Instintivamente corri para o ciclista para saber se ele estava bem, e comecei a berrar com o automobilista. Foi então que alguém me disse que o ciclista tinha passado o sinal vermelho… ou seja, o meu instinto foi o de proteger o mais fraco (o ciclista), mas eu estava errado porque a culpa do acidente tinha sido do ciclista.

O que eu quero dizer é o seguinte: aconteceu um facto objectivo, mas eu interpretei esse acontecimento à minha maneira, interpretei esse facto conforme uma certa “inclinação” endógena e subjectiva. O facto de a minha interpretação ser subjectiva não retira ao acontecimento a sua objectividade — ou seja: não é por eu interpretar de uma certa forma subjectiva que o acidente deixou de ocorrer objectivamente.


relampago_vaticano_webUma situação análogaanalogia, mas não uma comparação ! — aconteceu com os três pastorinhos de Fátima em 1917: aconteceu “qualquer coisa” de objectivo, factual; e cada uma das crianças interpretou o fenómeno subjectivamente, dando lugar a pequenas discrepâncias na descrição do fenómeno.

E é baseando-se nessas pequenas diferenças subjectivas de relato devidas às interpretações, que a anti-igreja se encontra em um processo de colocar em causa a objectividade da aparição de Nossa Senhora de Fátima.

O Santo João Paulo II, antes de ser Papa e na década de 1970, já nos tinha prenunciado o aparecimento da anti-igreja, que é hoje representada pelo Chico Bergoglio e seus acólitos: em Portugal, temos por exemplo, a representação da anti-igreja em Anselmo Borges, o Bispo rabeta Carlos Azevedo, o Frei Bento Domingues, o Padre estalinista Mário Oliveira, entre outros. Les bons esprits se rencontrent…

A anti-igreja é indistinguível da ideologia secularista que obliterou a Lei Natural e os 10 mandamentos.

Sábado, 13 Maio 2017

O papa que não acredita em milagres

Filed under: Antonio Socci,Bergoglio,Fátima,Igreja Católica,papa Chico — O. Braga @ 7:30 pm

 

Antonio Socci escreveu o seguinte acerca das palavras do Chico em Fátima, na noite de 12 de Maio passada:

« Ha sostenuto che si commette una “grande ingiustizia contro Dio e la sua grazia, quando si afferma in primo luogo che i peccati sono puniti dal suo giudizio” perché bisogna “anteporre che sono perdonati dalla sua misericordia”. Ripete: “dobbiamo anteporre la misericordia al giudizio” ».

HA DISTRUTTO ANCHE FATIMA E IL MESSAGGIO DELLA MADONNA (nella foto : Bergoglio in piedi davanti al SS. Sacramento – come al solito – con l’inginocchiatoio lasciato inutilizzato) : Lo Straniero

Ou seja: « [O Jorge] sustentou a ideia segundo a qual se comete uma grande injustiça contra Deus e contra a sua Graça quando se afirma que os pecados são punidos pelo juízo de Deus”, porque “é necessário antepôr a misericórdia ao juízo” (é preciso dar primazia à misericórdia em detrimento do juízo) ». 1

Conclui Socci que o alvo do Chiquitito Bergoglio é a mensagem de Fátima, segundo a irmã Lúcia recebeu da aparição.

E, das três hipóteses seguintes, uma é verdadeira: 1/ ou Deus é mau (segundo a opinião do Chico) ao condenar tantas almas à eterna tortura (inferno); 2/ ou o Chiquinho não acredita nas aparições (o que explica as teorias subjectivistas de “visões” em vez de “aparições”, de anticatólicos como por exemplo Anselmo Borges, do Frei Bento Domingues, o Bispo paneleiro Carlos Azevedo, o Bispo comunista e marxista Torgal Ferreira, e outros senis e asnos); 3/ ou o Jorginho está a acusar a mãe de Jesus (Maria) de cometer uma “grande injustiça em relação a Deus”.

Segundo Socci, o papa escolhido pelos cardeais não acredita em milagres e/ou em aparições (tal qual o Anselmo Borges, o Frei Bento Domingues, o Bispo panasca, o Torgal comuna, etc., e a Nova Teologia), porque ele (o Chico) disse no livro/entrevista “O Céu e a Terra”:

“Eu sinto uma imediata desconfiança em relação às curas milagrosas, mesmo quando se tratam de revelações ou visões; são coisas que me colocam na defensiva. Deus não é uma espécie de Correio que envia mensagens continuamente”.

Conclui Socci, e bem, que o Deus do Bergoglio não é o Deus dos católicos.

O Deus dos católicos é o Deus de Newton que dizia que sem a permanente intervenção de Deus no Universo, o equilíbrio do Universo e das suas leis não seria possível.

Ou é o Deus de Orígenes, que escreveu que “o Logos (o Filho) olha constantemente para o Pai, para que o mundo possa continuar a existir” [Nicola Abbagnano] — o que coincide com a opinião de Newton.

O papa Bergoglio, eleito pelos cardeais do Novus Ordo Seclorum, não é um papa católico: é um papa deísta (deísmo) e gnóstico (gnose); para o Chico, Deus criou o mundo e afastou-se.

Na entrevista a Scalfari (diz Socci), o Chico disse: “Eu acredito em Deus. Não em um Deus católico, porque não existe um Deus católico”. Ora, isto está escrito e nunca foi desmentido pelo anormal Jorginho. Temos um papa que pretende conduzir a Igreja Católica para fora do Catolicismo — para gáudio, por exemplo, de bestas do calibre do Anselmo Borges e do Bispo Roto Carlos Azevedo.


Nota

1. Não sei como é possível antepôr a misericórdia ao juízo, porque o juízo é a condição da misericórdia; sem juízo não há misericórdia possível, porque só podemos perdoar aquilo que foi previamente julgado. Quando um papa diz que “é possível perdoar um acto sem o julgar previamente”, revela um elevado grau de deficiência cognitiva (não seria de esperar outra coisa de um argentino, senão uma burrice alardeada), por um lado, e, por outro lado, revela o estado intelectual pútrido da cúria romana que o elegeu.

Sexta-feira, 12 Maio 2017

O anticatólico Anselmo Borges é como um porco que se refastela na sua própria merda

Filed under: Anselmo Borges,Fátima,Igreja Católica — O. Braga @ 1:44 pm

 

Nós é que não temos a obrigação de lhe aturar o fedor.

É normal que um chanfrado — como é o Anselmo Borges — tenha direito à sua opinião; o que não é normal é que a própria Igreja Católica e os seus membros façam eco acrítico, na praça pública, das suas incoerências e asneiras.

Um dos sacramentos que não foi eliminado pelos protestantes, e que faz parte da Igreja Católica também, é o baptismo. Portanto, todos os cristãos, em todo o mundo e independentemente da corrente religiosa específica, consideram o baptismo como sacramento.

Mas o Anselmo Borges, para além de anticatólico, é anticristão em geral, quando nega ao baptismo a sua importância sacramental:

“[Anselmo Borges] não tem dúvidas em afirmar que, na Cova da Iria, não houve quaisquer aparições mas visões, o que desmonta o espiritualismo daquele lugar. E pergunta-se porquê canonizar crianças se "todas as crianças são santas".”

Porque é que não houve aparições em Fátima? Anselmo Borges explica

Se “todas as crianças são santas”, como diz o Anselmo Borges, ¿qual é a função do sacramento do baptismo?!

Como bom comunista pós-moderno, o “Padre” Anselmo Borges joga com as palavras e com as emoções (“as crianças são todas santas”, faz parte do apelo emocional ao feminino); mas o Anselmo entra em contradição: por um lado, o Anselmo defende a legalização do aborto; mas, por outro lado, ele diz que todas as crianças (incluindo as que são abortadas) são “santas”. O Anselmo defende o assassínio de santos. É caso para dizer: Ó Anselmo!: vai para a grande puta que te pariu!

“Sobre o Papa Francisco, revela uma forte admiração pela capacidade de um pastor global, dirigir, em sentido democrático, uma instituição "machista e misógina" e a "última monarquia absolutista do Ocidente".”

ibidem

Repare o leitor na linguagem à moda do Bloco de Esquerda. “Machista e misógina”. A Catarina Martins ou o João Semedo não diriam melhor. Ainda iremos ver o Anselmo Borges como deputado do Bloco de Esquerda; esperem para ver. Desde que vi um porco a andar de bicicleta, e o Alexandre Quintanilha como deputado do Partido Socialista, já acredito que tudo é possível.

Um instituição “machista e misógina”, diz ele, que canoniza amanhã uma menina, a Santa Jacinta Marto.

Um instituição “machista e misógina”, diz ele, mas que tem um culto mariano; se calhar, o Anselmo Borges pensa que Maria era um macho transgénero que adoptou Jesus depois de ter feito a cirurgia da emasculação, e que José, companheiro de Maria, era gay. Deve ser esta a visão que o Anselmo Borges tem da família cristã original.

É normal que um chanfrado — como é o Anselmo Borges — tenha direito à sua opinião; o que não é normal é que a própria Igreja Católica e os seus membros façam eco acrítico, na praça pública, das suas incoerências e asneiras.

Por exemplo, o Vaticano não é uma monarquia, porque a liderança não é hereditária. E nem sequer é um sistema absolutista, porque permite que o Anselmo Borges continue a ser Padre; e o estúpido nem isso percebe.

O Anselmo Borges está para a Igreja Católica como o José Pacheco Pereira está para o Partido Social Democrata. Querem atenção e a expulsão, para ganharem notoriedade. Pois que ninguém excomungue o Anselmo Borges, por mais estúpido que seja: deixai-o refastelar ad Aeternum na sua própria merda.

Quinta-feira, 11 Maio 2017

Gente iconoclasta ( Anselmo Borges, Torgal Ferreira, Frei Bento Domingues) que se diz “católica” mas que é avessa a símbolos

 

Chego a sentir pena do Frei Bento Domingues, do Bispo Torgal Ferreira, do Anselmo Borges, e de outros; pena, como a que se sente em relação a gente inconsciente, gente a quem Jesus Cristo se referiu, dizendo: “Pai, perdoai-lhes, porque não sabem o que fazem!”.

Vamos chamar, a essa casta de gente, de “católicos gnósticos”, porque se julgam acima do povo ignaro que vai a Fátima manifestar a sua fé.

Os “católicos gnósticos” têm o conhecimento que lhes permite “pairar” acima do comum dos católicos (são os Pneumáticos da modernidade do Concílio do Vaticano II e da Nova Teologia), fazer-lhes críticas desveladas, tratá-los como animais irracionais — enquanto se auto-outorgam a capacidade sobranceira de fazer juízos metafísicos definitivos sobre todo e qualquer fenómeno ou facto da Igreja Católica.


O Torgal Ferreira — o Bispo vermelho, comunista inveterado, hipócrita marxistaterá afirmado:

“Não quero exagerar e dizer que é idolatria, mas o facto de a fé das pessoas em Nossa Senhora se prender tanto com uma imagem, que até vai pelo mundo, em digressão, obriga-me a perguntar: será que não educámos mal o povo? Escandaliza-me que as pessoas só rezem àquela imagem, que se despeçam dela a chorar, na Procissão do Adeus. Eu nunca me despeço de Nossa Senhora, porque ela está sempre comigo. Aquilo para mim não é nada, é um pedaço de barro!”

torgal-ferreira-web¿Como é possível que aquela mente não compreenda o que nos parece evidente?

Seguindo o raciocínio do Bispo Torgal, a cruz de Cristo de cada igreja é um pedaço de madeira“Aquilo não é nada!: é um pedaço de madeira!”, diria o Bispo. Aliás, nem sei o que está a fazer o madeiro na igreja, porque Jesus Cristo está sempre comigo, e eu nunca me despeço da cruz de pau quando saio da igreja.

¿Por que razão és idiota, Torgal? ¿Por que não vais à bardamerda e nos deixas em paz?!

  • Pergunta: ¿O fenómeno de Fátima transformou-se em negócio para muita gente? (hotéis, restaurantes, etc.).
  • Resposta: Sim, é verdade.

Mas não devemos ser estúpidos — como o Torgal e o Anselmo Borges — e confundir o cu com as calças.

Os estúpidos pretendem criticar o fenómeno de Fátima; mas, em vez disso, criticam o negócio à volta do fenómeno de Fátima, julgando que, dessa forma, criticam também o fenómeno de Fátima — como é o caso do atoleimado e senil Padre Mário de Oliveira; ou seja, incorrem na falácia lógica Ignoratio Elenchi, que consiste em querer provar a veracidade de um argumento ou de um facto, mas em vez disso, o raciocínio da argumentação chega a um conclusão que não prova o facto ou a situação que se pretendia; ou então, prova outra coisa qualquer.

Em bom português, quando nos deparamos com a falácia Ignoratio Elenchi, normalmente dizemos que “o cu não tem nada a ver com as calças”. Pois não tem nada a ver (directamente) o negócio de Fátima, por um lado, com o fenómeno religioso de Fátima que teve origem em 1917, por outro lado.

Não é racional que se critique o fenómeno religioso de Fátima mediante a crítica ao negócio à volta de Fátima. “O cu não tem nada a ver com as calças”.


Até o Islamismo, que se diz iconoclasta, tem um livro como símbolo (o Alcorão) religioso; esse símbolo do Alcorão existe por si mesmo, e não depende directamente do seu conteúdo que assume outras formas simbólicas. Para que o muçulmano iconoclasta fosse totalmente coerente, teria que abolir também o símbolo do livro alcorânico — porque, de facto, os maomedanos adoram Alá através do livro Alcorão que é, em si mesmo, um símbolo.

O símbolo é a intermediação; neste caso, o Alcorão é um símbolo, é a intermediação da fé dos maomedanos.

É tão iconoclasta o muçulmano que “adora” o livro Alcorão para “chegar” a Alá (tentem queimar um livro do Alcorão em frente a um muçulmano, a ver o que dá), como é iconoclasta o católico que “adora” a imagem de Maria para “chegar” a Jesus Cristo. São ambos, símbolos.

O que nos interessa saber, em qualquer religião, é o valor do símbolo — o que vale o símbolo, qual é o valor da sua representação e do seu representado, se esse valor é positivo ou negativo, pior ou melhor.

E o que deve preocupar os católicos é a sanha anticatólica de alguns “católicos gnósticos” infiltrados no Poder do Vaticano por intermédio do papa Chiquitito, cuja sapiência teológica dispensa a simbologia na prática religiosa. São os novos iconoclastas puritanos.

Sábado, 29 Abril 2017

Ó Anselmo Borges: toma lá, embrulha, e leva para casa

 

Eu tive aquilo a que se convencionou chamar uma “experiência quase-morte”.

eqm-webDurante a experiência, a luz que incidiu sobre mim era de tal forma forte que era insuportável (uma luz que me “cegou”); e a experiência foi marcada por um certo “transcorrer do tempo”, embora não fosse o “tempo normal” a que eu estava habituado. Depois, ali estava eu, junto ao tecto do quarto, a ver-me a mim próprio na cama com o médico da família à cabeceira, e com a azáfama preocupada da minha mãe. E ouvi todas as conversas; quando voltei a mim, contei as conversas havidas entre o médico e a minha mãe — conversas essas seriam difíceis de reter na memória em estado de quase-coma.

Se eu contasse esta minha experiência ao Anselmo Borges, ele diria que se trataria de uma experiência “subjectiva”, de uma “visão”; e que as figuras do médico, da minha mãe e de mim próprio, não passaram de “visões”, e não de “aparições” — porque o Anselmo Borges foi fortemente influenciado pela Nova Teologia que, por sua vez, foi fortemente influenciada pelo Positivismo que nada mais é do que o “Romantismo da ciência”.


O Padre Gonçalo Portocarrero de Almada cita o papa Bento XVI no que diz respeito ao conceito de “aparição” de Nossa Senhora em Fátima:

« Prossegue Bento XVI, no seu Comentário teológico: “Como dissemos, a «visão interior» não é fantasia” – ao contrário do que o termo ‘visão imaginativa’, usado por D. Carlos Azevedo, na sua entrevista ao Público, no passado dia 21, poderia levar a crer – “mas uma verdadeira e própria maneira de verificação. Fá-lo, porém, com as limitações que lhe são próprias. Se, na visão exterior, já interfere o elemento subjectivo, isto é, não vemos o objecto puro mas este chega-nos através do filtro dos nossos sentidos que têm de operar um processo de tradução; na visão interior, isso é ainda mais claro, sobretudo quando se trata de realidades que por si mesmas ultrapassam o nosso horizonte”. »

Fátima (1): Aparições ou visões?


Em primeiro lugar, não podemos comparar a intelectualidade do papa Bento XVI com o vazio intelectual do papa Chico que o Anselmo Borges segue de forma canina. O Chico age; é um homem de acção, mas não pensa; e quando pensa, só diz asneiras.

Eu já abordei aqui o tema da subjectividade e da objectividade.


O Padre Gonçalo Portocarrero de Almada aproxima-se da minha interpretação da realidade, mas ainda não coincidimos — porque, em última análise (e como ele escreveu acima), todos nós interpretamos a realidade de forma subjectiva, embora seja a intersubjectividade (ou seja, a objectividade) que cria os consensos necessários a uma interpretação racional da realidade prática, segundo leis naturais que regulam o mundo macroscópico em que se movem os seres vivos.

Realidade prática: desde que uma construção do nosso cérebro nos permita a sobrevivência no mundo (macroscópico), pode-se dizer que ela (a construção) está em consonância com a verdadeira realidade e não em contradição com ela. [Este conceito de “realidade prática” é muito importante e pode ser utilizado em diversas áreas do pensamento.]

A investigação das ciências da natureza e a sua aplicação na tecnologia não têm autoridade para fazer afirmações sobre a “realidade em si” (que é diferente da “realidade para nós” que é a realidade intersubjectiva e/ou objectiva): a ciência só pode afirmar, em casos concretos, que as suas afirmações ainda não foram refutadas e, neste sentido poderiam estar em consonância com a “verdadeira realidade”.

Aquilo a que o papa Bento XVI e o Padre Gonçalo Portocarrero de Almada chamam de “visão interior”, é a “visão da consciência” que tem sempre algum grau de intersubjectividade que corresponde ao Nous aristotélico:

“Só vale a pena discutir com pessoas com as quais já estamos de acordo quanto aos pontos fundamentais; só aí se mantém, na pesquisa, a fraternidade essencial; tudo o resto é concorrência, batalha, luta pelo triunfo; não menos reais por serem disfarçados.” (Agostinho da Silva)

Este tipo de igualdade/desigualdade racional de Agostinho da Silva, que diz respeito às ideias, corresponde à noção de Noüs de Aristóteles em que se manifesta um determinado grau de intersubjectividade que distingue a “visão subjectiva”, por um lado, e a “aparição intersubjectiva”, por outro lado.

As ideias do Anselmo Borges e do Bispo gay, segundo a qual “em Fátima aconteceram visões subjectivas, e não aparições”, são tão absurdas que me fazem doer a inteligência — a inteligência também dói, quando nos deparamos com gente deste calibre. E para além de absurdas, as ideias das duas avantesmas supracitadas são perigosas, porque estão imbuídas de um Positivismo radical que se embrenhou no seio da Igreja Católica através do Concílio do Vaticano II.

Sexta-feira, 28 Abril 2017

Fátima, e o Santo Anselmo Borges (1)

Filed under: Anselmo Borges,Fátima,Igreja Católica,Padre Pio de Pietrelcina — O. Braga @ 11:44 am

 

Num momento em que os dois pastorinhos de Fátima, Francisco e Jacinta, vão ser canonizados, o Anselmo Borges diz que “Fátima não é dogma de fé”.

Porém, a canonização, entendida exclusivamente em si mesma, é dogma de fé.

Portanto, podemos dizer que Fátima é dogma de fé por via indirecta — ou seja, por via da canonização dos pastorinhos que estão directamente ligados à causa do fenómeno de Fátima.

“Deve ficar claro, desde o princípio, que Fátima não é dogma de fé. Que é que isto significa? Que se pode ser bom católico e não acreditar em Fátima. Fátima não faz parte do Credo”.

O que eu penso sobre Fátima (1)

O Santo Padre Pio Vimos como se destrói o argumento do Anselmo Borges em duas penadas: de duas, uma: ou o Anselmo Borges não consente e não aceita a canonização dos pastorinhos, e então, segundo este raciocínio, “não é preciso acreditar em Fátima para ser católico”; ou o Anselmo Borges consente e aceita a canonização de Francisco e Jacinta, e então, Fátima passa a fazer parte do dogma de fé subjacente à própria canonização (entendida em si mesma) dos dois pastorinhos.

Ou ainda: para ser coerente, o Anselmo Borges deveria estar contra a canonização dos pastorinhos, e expressar essa sua opinião abertamente em público. Mas isso ele não faz, porque “não fica bem”.


“Fátima não ocupa nem pode ocupar o centro do cristianismo, o centro é Jesus de Nazaré, confessado como o Cristo, portanto, Jesus Cristo, e o Deus de Jesus e as pessoas, todas”.

ibidem

O S. Padre Pio de Pietrelcina dizia o seguinte:

« Quando vires uma imagem de Maria, diz-lhe: “Maria, saúdo-te! E dá os meus cumprimentos ao Teu filho, Jesus!” »


Naturalmente que sabemos que o S. Padre Pio de Pietrelcina, quando comparado com o Santo Anselmo Borges, é uma merda.

O Santo Anselmo Borges representa o progresso do Concílio do Vaticano II, a Nova Teologia (é nova! Por isso, é melhor!) que pretende substituir a doutrina católica tradicional, e a aproximação revolucionária da Igreja Católica ao luteranismo; é neste sentido que dizemos que o S. Padre Pio de Pietrelcina é uma merda quando comparado com o Santo Anselmo Borges.


Há fenómenos que não fazem parte do Credo e são dogmas de fé, directa- ou indirectamente.

Sexta-feira, 21 Abril 2017

O Bispo D. Carlos Azevedo gosta mais de “aparições” concretas do que de “visões” platónicas

Filed under: Anselmo Borges,Fátima,Igreja Católica — O. Braga @ 2:07 pm

 

O D. Carlos Azevedo gosta mais de “aparições” do que de “visões”. Ele é mais para o concreto, e menos para o platónico. Que ganhe juízo, que já tem idade para isso.

hmossecualidadeeraconhecida

Quer o Bispo dizer: uma pessoa vê (tem visões); mas aquilo que a pessoa vê, não aparece (não é aparição). Por exemplo, eu vejo o Manel, mas o Manel não é uma aparição: é apenas uma visão. Eu penso que vi o Manel, mas não o vi — porque não convém ao Bispo que eu tenha visto o Manel.

E o bispo, à laia do Groucho Marx, pergunta-me:

“ ¿Acreditas no que os teus olhos mentirosos vêem, ou naquilo que eu te digo?”

E como ele é Bispo e tem uma autoridade de direito concedida pela Igreja Católica do Vaticano II, eu começo a duvidar daquilo que vi; se calhar, o Bispo tem razão: o que eu vi não era o Manel! Era apenas uma visão do Manel que não existe de facto.

Talvez o Manel não exista senão na minha tola. Talvez não seja má ideia que eu dê entrada num manicómio; e com jeitinho, arrebanha-se, em campos de concentração para insanos, aquela gentalha toda católica que se reúne em Fátima, e que não gosta de gente com « passiones ignominiae », « usum contra naturam » e « turpitudinem operantes » (Romanos 1, 26-27).

É um Bispo intelectual. É tão intelectual que entra pela metafísica da linguagem adentro:

"Basta pensar que Maria, Mãe de Jesus, não aprendeu português para dialogar com Lúcia, para nos interrogarmos sobre como acontece o processo comunicativo do que se entende por visão".

Fátima: "Não foram aparições, foram visões"

Numa altura em que nas universidades americanas se estuda a transmissão de pensamento independentemente do idioma utilizado, o Bispo vem dizer que “Maria não aprendeu português para dialogar com Lúcia”. E isto para não falar na telepatia que é estudada há décadas pela psicologia.

É curioso que o Anselmo Borges também pensa da mesma forma que o Bispo: temos o Anselmo Borges, que defende a legalidade do aborto, e o Bispo gay, os dois a ler pela mesma cartilha da Nova Teologia e da Teologia da Libertação. Les bons esprits se rencontrent…

No mínimo, são « turpitudinem operantes », aqueles dois manguelas. Aliás, acerca deste assunto da “visão” e da “aparição” em Fátima, já escrevi aqui, ou seja, já reduzi esse argumento — do Padre abortista e do Bispo gay — ao absurdo.

Segunda-feira, 17 Abril 2017

A irracionalidade do Anselmo Borges

Filed under: Anselmo Borges,Fátima,filosofia,Igreja Católica,metafísica — O. Braga @ 1:57 pm

 

¿Como é que eu posso afirmar que “é evidente que Nossa Senhora não apareceu em Fátima”?

“É preciso também distinguir aparições de visões. É evidente que Nossa Senhora não apareceu em Fátima. Uma aparição é algo objectivo. Uma experiência religiosa interior é outra realidade, é uma visão, o que não significa necessariamente um delírio, mas é subjectivo.”

Anselmo Borges


Quando alguém diz que “é evidente que Nossa Senhora não apareceu em Fátima”, pretende demolir um dogma católico por intermédio de um pensamento dogmático — porque de facto não é evidente, por exemplo, que não existem extraterrestres. Uma pessoa que diga que “é evidente que não existem extraterrestres”, é estúpida e possui um pensamento dogmático. O mais que eu posso racionalmente dizer é que não é provável que existam extraterrestres; mesmo assim, a minha afirmação é controversa.

Ora, a pior coisa em religião e em teologia é a existência de um pensamento dogmático que critica os dogmas vigentes e ancestrais (novos dogmas que tentam demolir a tradição).

Se há coisa evidente nos acontecimentos de Fátima de 1917, é que nada é evidente (ver o que significa “evidência”). Exactamente porque nada é evidente em Fátima de 1917, é que o Anselmo Borges é burrinho; ele pode receber todos os salamaleques do mundo, mas o rei vai nu.

O Anselmo Borges gosta de ser do contra; ser do contra enche-lhe o ego, à laia do reviralho revolucionário. Ora, devemos ser do contra sempre que seja provável que o contra tem razão — e não, como acontece com o Anselmo Borges: ser do contra para ganhar notoriedade académica e pública, e vender livros, e independentemente da razão.


Do ponto de vista da filosofia, o Anselmo Borges está ultrapassado; ele já não tem autoridade de facto para dar aulas de filosofia. Pode ser teólogo, mas hoje qualquer merda é teólogo. Hoje, um professor universitário de filosofia tem que ter bases suficientes (não precisa ser especialista)  em matemática (e não só em lógica) e em Física (incluindo a física quântica).

O Anselmo Borges diz que “é evidente que Nossa Senhora não apareceu em Fátima”, porque, alegadamente, “uma aparição é algo objectivo”.

¿O que significa “objectivo”?

É sinónimo de “intersubjectivo” (definição nominal). Quando três crianças (e não só uma) vêem a mesma coisa, trata-se de um fenómeno intersubjectivo, ou seja, objectivo. O problema é o de saber se a coisa vista pelas três crianças (e não só por uma) é o que elas julgam que viram — mas seria estúpido e dogmático dizer-se que “é evidente que não foi aquilo ou não foi aqueloutro”.

Em toda a minha vida, eu passei talvez meia-dúzia de vezes pelo santuário de Fátima e nunca lá estive por ocasião do 13 de Maio. Estou à vontade para falar porque não sou, por assim dizer, um “fanático de Fátima”. Mas hei-de lá ir em um 13 de Maio futuro, se Deus quiser.

Seguindo o raciocínio do Anselmo Borges, poderia dizer-se: “é evidente que Jesus Cristo não ressuscitou”, porque “uma aparição de Jesus depois de morto seria algo objectivo, o que não foi o caso”. O chip que regula o software do pensamento do Anselmo Borges é positivista — nem sequer é o mais moderno, em termos científicos: Anselmo Borges vive no século XIX.

Aqui, o problema do Anselmo Borges é o conceito de “objectivo”.

Em ciência (positivista), é objectivo um fenómeno que se mede estatisticamente mediante repetição verificada (verificação) de forma intersubjectiva (objectiva), ou através da indução que, em epistemologia, é uma inferência conjectural e não-demonstrativa que obtém leis gerais por intermédio de casos particulares.

É certo que o Anselmo Borges não compreendeu Karl Popper (o que não é invulgar); e muito menos compreendeu Niels Bohr, Heisenberg, Wolfgang Pauli, David Bohm, John Wheeler, etc.. o Anselmo Borges precisa de se actualizar; mas duvido que burro velho retome andadura.


Não podemos separar a matéria, por um lado, da pessoa, ou do modo como a pessoa observa, por outro lado.

A única realidade que existe são as respostas às nossas perguntas, e a única coisa que conhecemos do mundo são os resultados das nossas experiências. Isto significa que os elementos básicos do mundo têm uma origem imaterial que, aliás, define a “consciência”: a consciência é uma experiência originária — comprovável a nível intersubjectivo — que antecede a experiência objectiva, tanto em termos lógicos como também em termos existenciais.

Uma imagem que vemos (“nós vemos”, intersubjectivamente, ou objectivamente, o que é o mesmo) não é menos o resultado das nossas acções do que, por exemplo, uma imagem que pintamos, ou de uma casa que construímos.

A realidade do nosso mundo é um facto (do latim facere = fazer); portanto, algo feito por nós; algo feito pelo Anselmo Borges, por exemplo, ou feito pelos três pastorinhos e pelas milhares de pessoas que testemunharam a dança do Sol em 1917, em Fátima. Não há razão nenhuma objectiva (ou seja, intersubjectiva) para que possamos supôr que “os factos do Anselmo Borges” tenham uma valia superior à dos “factos de milhares de pessoas” que assistiram (objectivamente, ou seja, intersubjectivamente) aos fenómenos de Fátima em 1917.

O nosso comportamento, perante a realidade, não é passivo: pelo contrário, nós participamos activamente na construção da realidade — sem que, contudo, criemos a “realidade em si mesma”, porque, em regra, não inventamos os dados a partir dos quais o nosso cérebro constrói as coisas; mas somos criadores da “realidade para nós”, o nosso cérebro monta precisamente aquelas coisas que estamos (todos nós, ou todos os milhares de pessoas em Fátima em 1917, de forma intersubjectiva, ou seja, objectiva) a ver a partir dos dados da “realidade em si”. Isto justifica aquilo que se disse em S. Mateus 13,58:

“E Ele não fez ali muitos milagres, por causa da falta de fé daquela gente”. [O Anselmo Borges também estava lá, no meio daquela gente].

Não podemos separar a realidade, por um lado, da pessoa, ou do modo como a pessoa observa, por outro lado. Só podemos limitar-nos a esperar que a “realidade para nós”, por um lado, e a “realidade em si”, por outro lado, sejam tão semelhantes quanto possível — o que levou à definição de “verdade” por parte de S. Tomás de Aquino:

«A verdade é a adequação entre a inteligência que concebe (a “realidade para nós”), e a realidade (“a realidade em si”)».


Não temos qualquer acesso ao mundo independentemente da interpretação — nem no conhecimento, nem na acção, nem em qualquer outro lugar.

Ora, não há nenhuma razão objectiva para supormos que a interpretação do Anselmo Borges é superior ou mais válida do que a interpretação intersubjectiva dos três pastorinhos, ou do que a interpretação objectiva (intersubjectiva) de milhares de testemunhas em Fátima de 1917.

O Anselmo Borges acredita que ele sabe como está estruturada a “realidade em si”, para além da interpretação humana.

Trata-se de um pensamento dogmático do Anselmo Borges — porque o pensamento humano não é capaz, por princípio, de dizer como se estrutura a “realidade em si”. Portanto, o que está por detrás das nossas construções intersubjectivas da realidade é um mistério — e foi o que se passou em Fátima de 1917: um mistério —, mistério esse que nos fornece os dados para a interpretação, mas que permanece eternamente incognoscível.

A única coisa que podemos dizer, com certeza, sobre a "a realidade em si", independente de nós, é como ela não é (conceito negativo), porque quando as nossas construções fracassam (como fracassou o positivismo do Anselmo Borges, ou o romantismo dele), deparamo-nos com a realidade “por detrás” da nossa construção da realidade. Porém, dado que só podemos descrever e explicar sempre o nosso fracasso através dos conceitos que utilizámos para a construção das estruturas falhadas, isso nunca nos pode proporcionar uma imagem do mundo que pudéssemos responsabilizar pelo fracasso.

É o que acontece com o Anselmo Borges: ele explica o fracasso da teologia cristã através de conceitos que ele próprio utiliza para a construção das suas estruturas pessoais falhadas, e por isso, ele nunca terá uma imagem do mundo que possa responsabilizar-se pelo seu próprio fracasso interpretativo.

Eu nunca vi o Anselmo Borges — nem na televisão, nem pessoalmente. Apenas vi fotografias dele nos jornais; mas uma fotografia não tem vida própria.

Contudo, seria estúpido da minha parte se dissesse que “é evidente que o Anselmo Borges não existe”, apenas e só porque nunca o vi pessoalmente. Chegam-me testemunhos de milhares de pessoas que dizem que o Anselmo Borges existe, ou seja, a figura viva do Anselmo Borges é intersubjectiva (ou objectiva). Se nós só acreditarmos naquilo que virmos, seríamos da espécie do “Anselmo Borges”.

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