perspectivas

Quinta-feira, 20 Fevereiro 2020

António Costa e Rui Rio irão pagar muito caro o que estão a fazer a Portugal

Filed under: Bloco de Esquerda,Esquerda,esquerdalho,esquerdopatia,eutanásia — O. Braga @ 4:56 pm

Aconselho a leitura de dois artigos:


Durante duas décadas, a Esquerda (incluindo o PSD, e a cobardia do CDS) defendeu uma política anti-natalidade em Portugal.

Os anticoncepcionais e o aborto passaram a ser grátis e pagos pelo Estado. As mães solteiras passaram a pagar menos impostos do que as mães casadas. O apoio do Estado às famílias numerosas praticamente desapareceu.

Toda a política da Esquerda, nas últimas duas décadas, foi contra a família natural.

Agora chegou o tempo de colher os frutos do niilismo político esquerdista.

Com uma população envelhecida — com pouca gente jovem —, a Esquerda recorre à eutanásia dos velhos para tentar remendar o mal que fez, mas adoptando um outro mal ainda pior.

Esta gente vai ter que pagar isto com língua de palmo.

Quarta-feira, 19 Fevereiro 2020

Para o idiota JCD, nada se altera com os factos

Eu tenho imensa dificuldade em entender um idiota, porque a sua idiossincrasia escapa a qualquer categorização ou generalização. Cada idiota é um caso único; o idiota é a expressão de um nominalismo total.

Porém, há um mínimo múltiplo comum dos idiotas: a capacidade coriácea de auto-imunização em relação à experiência.

Um indivíduo que se diz “libertário de Direita” e, simultaneamente, defende a ideia segundo a qual o Estado deve matar gente em hospitais estatais (alegadamente “a pedido”), é um perfeito idiota.

E quando esse indivíduo é imune a qualquer tipo de experiências nas áreas que aborda (fazendo de conta que a sua visão das coisas não tem precedentes nem antecedentes), estamos em presença de um idiota perigoso, isto é, de um estúpido.

Segundo Cipolla, «o estúpido é a pessoa mais perigosa que existe.»

Segunda-feira, 17 Fevereiro 2020

A lógica absurda do José Pacheco Pereira

Filed under: eutanásia,José Pacheco Pereira — O. Braga @ 7:47 pm

“As matanças democráticas pertencem à lógica do sistema; e as antigas matanças ao ilogismo do Homem”

— Nicolás Gómez Dávila


politicamente-correcto-grafico-300-webO José Pacheco Pereira é de opinião de que, se a eutanásia existe “escondida”, então é hipocrisia não a legalizar. É a lógica da estupidificação do espírito e da terraplanagem do Direito.

«Qualquer pessoa que conheça a realidade dos hospitais e de doentes com médicos que são seus amigos sabe que há muito mais eutanásia escondida do que se imagina».

A “lógica” do Pacheco pode também ser aplicada ao tráfico de drogas pesadas: “se o tráfico existe, então o comércio de heroína deve ser legalizado”. É o Pacheco do PSD a concordar sistemicamente com o Bloco de Esquerda; é a mesma “lógica” que presidiu à legalização do aborto: “se o aborto existe, então tem que ser legalizado”; é a adequação jurídica da norma ao facto isolado; é o fim do Direito abstracto e geral.

E, seguindo a mesma “lógica”, não vejo por que razão o infanticídio não possa ser legalizado, uma vez que, em Portugal, a mulher que mata o filho nascido já não apanha pena de prisão superior a três anos (salvo em caso de reincidência).

Esta gentalha serve-se de tudo para justificar a “lógica” da defesa do absurdo.


«LIBERTÉ, égalité, fraternité.

O programa democrático cumpre-se em três etapas: 1/ etapa liberal, que fundou a sociedade burguesa, sobre cuja índole nos remetemos aos socialistas; 2/ etapa igualitária, que funda a sociedade soviética, sobre cuja índole nos remetemos à nova esquerda; 3/ etapa fraternal, que é o prelúdio dos alienados que copulam em amontoados colectivos.»

→ Nicolás Gómez Dávila

O anacronismo actual do cuidado hospitalar, segundo o juramento de Hipócrates

Filed under: Anselmo Borges,eutanásia,Igreja Anglicana,Igreja Católica — O. Braga @ 1:20 pm

A foto abaixo foi tirada em 1959 em um hospital público inglês; vemos, nela, um grupo de enfermeiras rezando, antes de iniciar o seu turno de trabalho.

enfermeiras-rezando-q1959-web

Esta foto é hoje um anacronismo — em um tempo em que (em alguns países) o Estado já pede ao pessoal hospitalar que mate os doentes.

Aliás, o acto de oração, retratado na foto, é (hoje) ilegal; é uma blasfémia contra o Zeitgeist: uma enfermeira que reze em serviço pode ser sujeita a processo disciplinar, porque, alegadamente, é um exemplo de “ódio” que pode ser participado às autoridades.

Em apenas 60 anos, a realidade reflectida naquela foto parece nunca ter existido; e para a dissipação daquela realidade contribuíram também os mentores católicos do concílio do Vaticano II, e os “teólogos” da estirpe do Anselmo Borges — os mesmos que vêm agora hipocritamente carpir contra a legalização da eutanásia patrocinada pelo Estado.

Sábado, 15 Fevereiro 2020

A ligação entre “processo de promulgação”, por um lado, e a "Vontade Geral", por outro lado

Filed under: Bloco de Esquerda,Democracia,eutanásia — O. Braga @ 6:54 pm

A Helena Matos denuncia aqui o (actual) problema da degenerescência do Estado parlamentar em Portugal: por via do “processo legislativo”, o legislador pode fazer absolutamente tudo o que quiser; e, ainda assim, continua a chamar “Direito” ao conjunto de “processos legislativos” que ilegitimamente manipula.


O princípio de “discussão pública” das leis é, em consequência, totalmente substituído pelo princípio asséptico e antidemocrático de "Vontade Geral", segundo Rousseau.

A partir do momento em que todos os problemas económicos e sociais se tornam “estatais”, o Estado passa a gerir burocraticamente os diferentes interesses sociais; surge então o Estado administrativo, em substituição do Estado parlamentar; e quem controla o novo Estado administrativo são os dignitários da "Vontade Geral".

No contexto da “democracia de massa” e com a emergência do Estado administrativo (em substituição do Estado parlamentar), a lei perde a sua dimensão geral e abstracta [Carl Schmitt, “Legalidade e Legitimidade”, 1932] — o legislador passa a adequar sistematicamente a norma jurídica ao facto isolado, transformando o Direito em um amontoado de contradições intrínsecas e num exercício político de arbítrio discricionário, ou mesmo em uma prática de actos gratuitos por parte da elite legisladora.

A discussão pública das leis é substituída por uma negociação oculta nos bastidores do parlamento, dominados por várias coligações e grupos de interesse — “parece que o Estado moderno se tornou naquilo a que Max Weber vê nele: uma grande empresa” [idem].

Estamos a entrar por um caminho muito perigoso. O problema é o de que, depois de embrenhados por esse caminho, só poderemos sair dele por intermédio da violência e da dissolução do Estado parlamentar.

Eu concordo com a posição do Partido Comunista acerca da legalização da eutanásia

Filed under: Bloco de Esquerda,eutanásia — O. Braga @ 4:35 pm

Desde logo, concordo com o termo “provocação da morte antecipada”, em vez de “eutanásia”: o termo “morte antecipada” é mais abrangente do que “eutanásia”. E, com todo o texto, concordo a 100 porcento (ler em ficheiro PDF).

O Partido Comunista põe a nu (no referido texto) o ideário político da legalização da provocação da morte antecipada : esse ideário faz parte da agenda política da plutocracia globalista (com origem nos Estados Unidos), a que obedecem caninamente os seus serviçais e caciques portugueses do Bloco de Esquerda, do Partido Socialista e do Partido Social Democrata.

Patricia MacCormackÉ nesse contexto ideológico, patrocinado pela plutocracia globalista, que verificamos (por exemplo) casos como o de Patricia MacCormack (na imagem), professora na universidade de Cambridge (pasme-se!), que lançou um livro com o título “The Ahuman Manifesto” (“O Manifesto Inumano”) — em que a dita “professora universitária” de Cambridge defende que se acabe com a espécie humana, para “salvar o planeta” — o que é um absurdo total!: se não existirem seres humanos para desfrutar da vida no planeta, qual é o sentido de “salvar” o planeta?!
Ao longo da História, verificámos que as famílias numerosas sempre assustaram os poderosos…

Os professores universitários actuais são cada vez mais assim…

Gente como Patricia MacCormack é alcandorada a posições de docência nas universidades ocidentais porque é subsidiada (através dos seus caciques locais) pelos globalistas dos países anglo-saxónicos. É esta a nova “elite” patrocinada pelo globalismo.

A legalização da provocação da morte antecipada faz parte de uma agenda política tenebrosa, diria mesmo, neofascista. Neste aspecto, o Bloco de Esquerda, o Partido Socialista e o Partido Social Democrata colaboram com essa agenda política neofascista globalista.

Ademais, a legalização da provocação da morte antecipada é inconstitucional, porque atenta contra o princípio da igualdade inscrito na Constituição; como se pode ler no texto:

«O princípio da igualdade implica que a todos seja reconhecida a mesma dignidade social, não sendo legítima a interpretação de que uma pessoa “com lesão definitiva ou doença incurável” ou “em sofrimento extremo” seja afectada por tal circunstância na dignidade da sua vida.»

Sexta-feira, 14 Fevereiro 2020

O Domingos Faria, o sofista

Filed under: Domingos Faria,eutanásia,utilitarismo — O. Braga @ 10:07 pm

pass-auf-ao-burro-webO Domingos Faria agarra-se a dois autores de tradição cultural britânica, e tira deles a ilação segundo a qual “quer se seja consequencialista quer se seja deontológico, não parece haver bons obstáculos morais para a eutanásia”.

E depois ele cita o “teólogo” Hans Küng para dizer que até mesmo o Cristianismo pode defender a legalização eutanásia — só lhe falta dizer que o Anselmo Borges, que defendeu a legalização do aborto, também é “teólogo”; e que, por isso, também é possível ao Cristianismo defender o aborto.

Ver o texto dele aqui.


A filosofia é entendida pelo Domingos Faria como os sofistas a entendiam no tempo de Sócrates: a filosofia é reduzida à capacidade de retórica, e não existe uma verdade objectiva intrínseca à Realidade.

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Ademais, o Domingos Faria (tal como a Isabel Moreira, por exemplo) acredita que é possível que a lei portuguesa da eutanásia seja melhor do a que lei belga, holandesa, ou canadiana — talvez porque ele pense que os legisladores portugueses pertençam a uma casta superior.

Porém, e mesmo que a lei “perfeita” da eutanásia não seja cumprida num ou noutro caso, serão esses casos os danos colaterais característicos do utilitarismo que o Domingos Faria defende.

E quem não pertença ao “maior número”, que se foda!


«HOY, el anciano es tan inútil como el animal viejo. Donde no hay alma que los años tal vez ennoblezcan, sólo queda un cuerpo fatalmente envilecido.» — Nicolás Gómez Dávila

Quinta-feira, 13 Fevereiro 2020

A legalização da eutanásia: a irracionalidade volta a estar na moda

Eu penso que a Manuela Ferreira Leite é socialista; aliás, o PEC (Pagamento Especial por Conta) foi uma das pérolas instituídas pela Manuela Ferreira Leite quando foi Ministra das Finanças do primeiro-ministro Durão Barroso (salvo erro). Ora, o PEC arrebentou sistematicamente com as pequenas empresas ao longo de quase duas décadas.

Porém, em questões de ética, Manuela Ferreira Leite não é de Esquerda; ou melhor dizendo: não é da Esquerda utilitarista — como por exemplo o Bloco de Esquerda, o Partido Socialista, o PAN (Pessoas-Animais-Natureza) ou o LIVRE.

Podemos ver aqui uma entrevista da Manuela Ferreira Leite à TVI acerca da legalização da eutanásia.


Em termos gerais, concordo com o que o João Távora escreveu aqui:

“A lógica da eutanásia (…) está directamente ligada à atomização da sociedade e ao desaparecimento progressivo das antigas comunidades de proximidade, nomeadamente a família alargada, coesa e solidária.”

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Porém, a “lógica da eutanásia” (se é que existe uma “lógica” subjacente à eutanásia que não seja a negação da própria Lógica) vai para além da anomia:

1/ em nome da promoção de uma putativa “liberdade individual”, os ditos “libertários” fortalecem o poder de vida e de morte em relação aos cidadãos, por parte do Estado — o que é uma contradição em termos.

Em boa verdade, a promoção da “liberdade individual” não passa certamente pela promoção do aumento do Poder do Estado sobre a vida e morte das pessoas — leia-se, pela promoção de uma cultura da eutanásia em hospitais do Estado.

2/ o marxismo cultural (ou o politicamente correcto actual) — ou seja, Bloco de Esquerda, LIVRE, PAN (Pessoas-Animais-Natureza), e parte do Partido Socialista e do PSD — é uma utopia negativa, porque se concentra na crítica dissolvente da nossa sociedade real.

A crítica feroz em relação à nossa sociedade, por parte do actual politicamente correcto — Bloco de Esquerda, PAN (Pessoas-Animais-Natureza), LIVRE, Partido Socialista e parte do PSD — , é negativa porque não possui conceitos capazes de superar a distância entre o presente e o futuro: quaisquer que sejam as possibilidades reais que a nossa sociedade actual apresente em relação ao futuro, o marxismo cultural (principalmente o Bloco de Esquerda) não nos revela quais são essas possibilidades, limitando-se a negar o sistema em que se baseia a nossa sociedade actual, e na sua totalidade. É uma agenda política totalitária.

Ou seja, a legalização da eutanásia faz parte de uma agenda política de acção destrutiva (aparentemente, sem pensar nas consequências) em relação ao sistema em que se baseia a nossa sociedade actual. É uma “política de picareta”. O que interessa (ao politicamente correcto) é destruir a cultura vigente (Gramsci).

“¿E quais as consequências da destruição da cultura antropológica actual? Bem… logo se verá!”

Para o Bloco de Esquerda, todos os meios (literalmente “todos”) são legítimos para destruir a cultura antropológica actual; trata-se da defesa do desmantelamento da Razão. A irracionalidade volta a estar na moda.

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Quinta-feira, 6 Fevereiro 2020

O Partido Comunista é o único partido da Esquerda que (ainda) não é utilitarista

Filed under: Esquerda,esquerdopatia,eutanásia,utilitarismo — O. Braga @ 8:48 am

«Lucas Pires argumenta que a “eutanásia é uma visão utilitária da vida” e esquerda “devia ser contra”, tal como é contra o consumismo noutras áreas.»

“Eutanásia é uma visão utilitária da vida” e esquerda “devia ser contra”


O Jacinto Lucas Pires está equivocado: nem toda a Esquerda tem uma “visão utilitária da vida”.

O único partido da Esquerda que (ainda) não é utilitarista é o Partido Comunista; aliás, na esteira do próprio Karl Marx, que dizia que “o utilitarismo é moral de merceeiro inglês”.

O próprio Álvaro Cunhal (o ex-Secretário-geral do Partido Comunista), no seu livro “O Aborto – Causas e Soluções”, confessa que hesitou muito — e reflectiu ainda mais — antes de defender a legalização do aborto, precisamente por causa do carácter utilitarista da lei do aborto (e, por isso, não consentâneo com a pureza da doutrina marxista).


Toda a doutrina utilitarista encontra-se condicionada por duas proposições antitéticas ou contraditórias entre si:

bentham

  • uma proposição positiva (axiomática de interesse próprio), que diz que os homens devem ser considerados como indivíduos egoístas, calculadores e racionais, e que tudo deve ser pensado e elaborado a partir do seu ponto de vista — por exemplo, Rui Rio do PSD ou José Pacheco Pereira; “libertários” de Esquerda que mais não são do que prosélitos do marxismo cultural, como Rui Tavares; a maioria da elite do Partido Socialista; e grande parte dos militantes do Partido Social Democrata;
  • e uma proposição normativa (axiomática sacrificialista), que afirma que os interesses dos indivíduos, a começar pelo meu próprio, devem ser subordinados e mesmo sacrificados à felicidade geral ou do "maior número" — por exemplo, Catarina Martins do Bloco de Esquerda, alguns quadros do Partido Comunista (excluindo Jerónimo de Sousa);

Todo o utilitarismo mistura, em proporções infinitamente variáveis e dependente apenas da discricionariedade política das elites, uma axiomática do interesse e uma axiomática sacrificialista, que é simultaneamente um encantamento pelo egoísmo e uma apologia do altruísmo, e tentativa de reconciliar um ponto de vista ferozmente individualista e uma vertente colectivista, globalizada e holista.

Bloco de Esquerda, Partido Socialista, e PSD actual são partidos que perfilham o princípio ético de Bentham — o da maior felicidade para o maior número possível”: mas quem não faz parte do “maior número” … está f*d*d*!

Terça-feira, 4 Fevereiro 2020

Marcelo Rebelo de Sousa, o “Efectivamente” da undécima hora

Filed under: eutanásia,Marcelo Rebelo de Sousa,politicamente correcto — O. Braga @ 7:41 pm

«Lisboa, 04 fev 2020 (Lusa) – O Presidente da República afirmou hoje que não se pronunciará sobre qualquer iniciativa em debate no parlamento para despenalizar a morte medicamente assistida "até ao último segundo" em que tenha eventualmente de decidir sobre esta matéria.»

Marcelo afirma que não se pronunciará sobre a eutanásia "até ao último segundo"

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Quarta-feira, 25 Dezembro 2019

A legalização da eutanásia, e a “destruição criativa” da sociedade

Filed under: Esquerda,esquerdalho,esquerdopatia,eutanásia,utilitarismo — O. Braga @ 4:15 pm

A Ana Sofia de Carvalho faz aqui um “diagnóstico” correcto acerca da posição putativamente “libertária” da Esquerda em matéria da legalização da eutanásia (que inclui o PSD de Rui Rio), mas depois ela aplica-lhe o “tratamento analítico” errado.

“Volto uma vez mais ao tema da eutanásia. Confesso que ao ler a exposição de motivos dos projectos de lei apresentados pelo BE, PS e PAN me fez revisitar uma corrente filosófica, denominada de libertária, que teve como principal autor um filósofo de Harvard, Robert Nozick.”

A crítica feita, por diversos filósofos, ao “libertarismo” de Nozick, é devastadora!

Desde logo, a crítica do filósofo Michael Sandel, que demonstra que o erro dos libertários é o de “adoptarem uma concepção voluntarista do sujeito” — isto é, adoptam a ideia segundo a qual o sujeito preexiste (existe anterior- e separadamente) aos fins que ele próprio elege. Em bom rigor, é impossível que o sujeito tenha um tal desapego de si mesmo a respeito dos fins, e por isso torna-se necessária a admissão de que a própria identidade (do sujeito) é constituída por aqueles fins.

Sandel defende a ideia segundo a qual a questão de saber se o Estado deve recusar intervir no tema do aborto depende da verdade ou falsidade da doutrina moral que concebe o aborto como um assassínio — e apenas se as teses substantivas da Igreja Católica sobre este assunto se revelarem falsas se terá o direito de exigir do Estado que permaneça neutro nesta matéria.

Ou seja, em matéria do aborto, o Estado actual não é neutro! E o mesmo se aplica à lei da eutanásia. Defender a ideia de neutralidade do Estado em matéria do aborto ou da eutanásia, é um sofisma.


eutanasia-velhariasA crítica do filósofo MacIntyre à chamada “escolha soberana” do indivíduo, em relação a uma escolha com a qual não estaria previamente comprometido, é a de que o sujeito (o indivíduo) é, em primeiro lugar, um agente (uma pessoa que age), e, nesta qualidade de agente, deve dar um sentido inteligível às suas acções. Ora, esse sentido inteligível não pode resultar de um acto isolado, mas, pelo contrário, deve ser encontrado numa sequência de actos, para que possa adquirir um mínimo de inteligibilidade. Essa “sequência de actos” é parte da identidade do individuo.

Qualquer interpretação de uma “acção deliberada” do sujeito necessita de ser contextualizada para adquirir sentido — e esse contexto não é objecto de escolha por parte do agente, mas antes é imposto ao agente. Esse contexto é constituído, em primeiro lugar, por um conjunto de práticas para as quais não estabelecemos (nós próprios, enquanto indivíduos isolados) as respectivas regras (por exemplo, através da herança histórica, ou da tradição).

Portanto, antes de a Ana Sofia de Carvalho criticar as posições contraditórias da Esquerda utilitarista (Bloco de Esquerda, PAN, Partido Socialista, PSD), deveria (em primeiro lugar) criticar a própria posição libertária de Nozick que se apoia numa concepção voluntarista do sujeito.

Ou seja, o Estado não é neutro, e esta Esquerda utilitarista sabe muito bem disso!

É suposto, segundo a Esquerda, que a legalização da eutanásia — assim como aconteceu com a legalização do aborto — deva ser financiada e imposta coercivamente pelo Estado em nome de uma putativa (e inexistente, em termos práticos) “liberdade do indivíduo a escolher”.

A legalização da eutanásia — assim como a legalização do aborto — serve fins políticos inconfessáveis e sinistros; e é sustentada por dois tipos de agentes políticos: os ignorantes — como é o caso de Rui Rio ou dos dirigentes do PAN (Pessoas-Animais-Natureza) — ou os que defendem a “destruição criativa da sociedade”, como é o caso da liderança do Bloco de Esquerda.

Quarta-feira, 13 Novembro 2019

A palhaçada da eutanásia

Filed under: eutanásia,marxismo cultural,utilitarismo — O. Braga @ 8:53 pm

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