perspectivas

Quarta-feira, 9 Outubro 2019

A caridade tem que cuidar da dignidade moral do pobre

Filed under: cristianismo,Estado,Igreja Católica — O. Braga @ 6:49 pm

El_Greco_St_Martin_of_Tours-webO Homem moderno — incluindo os cristãos actuais — já perdeu a noção cristã medieval de “caridade”; para o homem moderno, a caridade é dar (mas) sem cuidar da dignidade moral de quem recebe.

Na Idade Média, os mendigos andavam livres nas ruas das povoações; e quando pediam esmola a um rico burguês ou nobre que passava, quem lhes dava a esmola pedia em troca uma oração pela sua alma. Ou seja, a mendicidade medieval era uma profissão socialmente útil, porque quem dava a esmola ao pobre recebia qualquer coisa em troca.

A partir do momento em que a Reforma protestante retirou à penitência religiosa, por um lado, e à acção moral individual, por outro lado, a sua importância tradicional medieval, o Estado passou a controlar a acção altruísta dos indivíduos.

E como a mendicidade não acabava, o Estado protestante — Alemanha, Inglaterra — passou a restringir a liberdade dos mendigos naquilo a que Foucault chamou de “Grande Encarceramento”: os mendigos deixaram de ser úteis à sociedade, e passaram a ser reprimidos e encarcerados.

Através da rotulagem do “pobre” e de sinais distintivos afins, a caridade da Idade Média que se caracterizava por um modo de relação, transformava-se, no mundo moderno da Reforma e dos “direitos humanos”, em um modo de segregação.


Na imagem: S. Martinho partilha a sua capa com um pobre (pintura de El Greco).

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Quarta-feira, 14 Agosto 2019

A roubalheira da empresa Águas de Gaia Empresa Municipal, SA

Filed under: Estado — O. Braga @ 7:11 pm

A empresa Águas de Gaia não necessita de aplicar dinheiro em contas bancárias a prazo, ou fazer aplicações financeiras com mais-valias: basta-lhe chular o consumidor de água.

aguas-de-gaia-webBasta ao consumidor atrasar-se em seis dias no pagamento de uma factura, a empresa Águas de Gaia debita logo 08,31€ (+ IVA) de coima na factura seguinte.

Por exemplo, o meu consumo de água, na última factura, foi de 11,08 € (IVA incluído); e porque me atrasei mais de seis dias no pagamento da factura, tive que pagar um suplemento de 10,22 € de coima. Ou seja, o valor da coima é semelhante ao valor do consumo de água.

Neste caso particular, o “lucro” da empresa Águas de Gaia é de quase 100%. A chular assim o consumidor, a empresa Águas de Gaia não precisa de contas bancárias a prazo.

Mas, por exemplo, se um consumidor tiver uma factura de 500 Euros de água, paga os mesmos 10,22 € de coima.

É esta a lógica socialista da Câmara Municipal de Gaia: o tubarão que consome muita água paga a mesma coima que o peixe miúdo.

Sábado, 22 Dezembro 2018

O problema nosso não é só o de pagar demasiados impostos: é que ainda por cima somos gozados pelo corporativismo fiscal

Filed under: Estado,imposto é roubo — O. Braga @ 5:33 pm
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Estou de acordo com o João Távora em relação às Finanças — mas vou mais longe: o comportamento dos funcionários das Finanças, em geral, atingiu a raia do inimaginável em termos de sadismo.

Por vezes dá-me a sensação de que o normal funcionário das Finanças tem um prazer mórbido em gozar com o Zé Pagode: é com um sorrisinho nos olhos que nos dizem que estamos fornicados por um qualquer motivo fiscal. E quando reclamamos um mau serviço por parte dos funcionários das Finanças (o célebre “Livro Amarelo”), a resposta vem pronta e sempre corporativista: sempre contra o povo e a favor da corporação.

O problema nosso não é só o de pagar demasiados impostos: é que, ainda por cima, somos gozados pelo corporativismo fiscal: eles (os funcionários das Finanças) divertem-se à fartazana quando nos sentem fodidos pela máquina trituradora fiscal.

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Sexta-feira, 3 Agosto 2018

O individualismo, o bom e o mau

Filed under: Absolutismo Político,Estado,individualismo,monarquia — O. Braga @ 6:29 pm

 

Para que não digam que “estou sempre no contra”, desta feita estou de acordo com este verbete que critica o individualismo.

Mas a crítica é feita ao “fanatismo da independência individual”, e por isso é que eu estou de acordo com ela — porque o “individualismo” enquanto concepção segundo a qual o indivíduo constitui uma realidade primeira, essencial e fundadora de qualquer valor, é uma das premissas do Cristianismo (o “princípio de individuação”).

Hoje é preciso ter muito cuidado quando abordamos um qualquer conceito, porque uma má interpretação pode gerar mais confusão do que esclarecimento.

Para Jesus Cristo, o indivíduo é a base soteriológica; ao contrário do que dizem certos intelectualóides de urinol da Esquerda, Jesus Cristo foi tudo menos comunista, porque baseou a sua mensagem de salvação espiritual, no indivíduo. Para Jesus Cristo, o indivíduo é mais importante do que o colectivo, embora o colectivo também seja importante. Há parábolas de Jesus Cristo que fazem sobressair a importância do indivíduo face ao colectivo.

Portanto, um colectivista não pode ser cristão. Ser cristão e colocar o colectivo acima do indivíduo é uma contradição em termos. Mas ser cristão não significa ser “fanático da independência individual”.


O problema do “fanatismo da independência individual” começou, em primeiro lugar, com a radicalização política da concepção de Razão de Estado, e na sequência desta, o Absolutismo Monárquico da Idade Moderna que acabou por destruir a monarquia em muitos países da Europa.

Na Idade Média, por exemplo, o indivíduo existia independentemente do colectivo, embora agregado em guildas ou associações. E a nobreza constituía um escol — um escol não é uma classe, mas antes é uma colecção de indivíduos. Pelo menos em Portugal, nunca na Idade Média os indivíduos tiveram que abdicar da afirmação da sua identidade individual para se sujeitarem e anularem em relação ao colectivo — como aconteceu no século XX com o nazismo ou com o comunismo.

pierce-webO problema do “fanatismo da independência individual” começou com a radicalização do conceito de Razão de Estado, com o Absolutismo Monárquico e com o Romantismo. Todo este problema se desenvolveu entre meados de 1600 e meados de 1800.

Muita gente critica os iluministas continentais europeus (porque não existiu Iluminismo propriamente dito no Reino Unido), e principalmente Kant, pela criação do problema do “fanatismo da independência individual”. Mas trata-se de um erro.

O princípio da autonomia de Kant não defendeu um “fanatismo da independência individual”. O princípio da autonomia, segundo Kant, caracteriza-se por 1/ como liberdade no sentido negativo, isto é, como independência em relação a qualquer coacção exterior (o cidadão), 2/ mas também no sentido positivo, como legislação da própria Razão pura prática (o legislador). Ou seja, segundo Kant, o indivíduo autónomo ou independente é chamado a assumir as suas responsabilidades sociais e colectivas, aliás, na linha da tradição cristã.

Porém, não devemos opôr o Estatismo ao individualismo (enquanto “fanatismo da independência individual”) : trata-se de uma falsa dicotomia.

Há determinadas forças políticas — por exemplo, o Partido Comunista, o Bloco de Esquerda ou o PNR (Partido Nacional Renovador) — que criticam o individualismo para assim poderem defender a legitimidade de uma qualquer forma de Estatismo (defendem um Estado plenipotenciário e um Absolutismo político).

Segunda-feira, 7 Agosto 2017

Em Portugal, mais vale fugir aos impostos

Filed under: Estado,imposto é roubo — O. Braga @ 9:34 am

 

Se eu (na qualidade de senhorio) alugo um T2, pago 28% de imposto ao Estado sobre a renda líquida recebida; mas se eu alugo dois quatros separados, não pago imposto nenhum ao Estado porque ninguém paga. Vejam o exemplo de desta página no FaceBook.

procuro-quarto-web

O Estado quer tanto chular os senhorios, que acaba por incentivar a fuga aos impostos através do aluguer de quartos separados.

Sábado, 15 Abril 2017

Obama, a Esquerda, o feminismo, e o Estado-providência

 

 

Sexta-feira, 10 Março 2017

A Raquel Varela tem uma mentalidade fascista

Filed under: censura,Comunismo,Esquerda,Estado,fascismo,liberdade,Raquel Varela — O. Braga @ 7:51 pm

 

A Raquel Varela pouco se distingue de uma agente comunista da STASI: ela é a favor da censura da opinião.

Talvez ela possa aprender alguma coisa com o Ludwig Krippahl — embora o fascismo seja caracterizado pelo controlo apertado do Estado sobre o cidadão: e ¿não é este controlo estatal sobre tudo o que mexe (a começar pela economia) que o partido “Livre” do Ludwig Krippahl defende?

 


“Ao contrário do catolicismo, o comunismo não tem doutrina. Enganam-se os que supõem que ele a tem. O catolicismo é um sistema dogmático perfeitamente definido e compreensível, quer teologicamente, quer sociologicamente. O comunismo não é um sistema: é um dogmatismo sem sistema — o dogmatismo informe da brutalidade e da dissolução.

Se o que há de lixo moral e mental em todos os cérebros pudesse ser varrido e reunido, e com ele se formar uma figura gigantesca, tal seria a figura do comunismo, inimigo supremo da liberdade e da humanidade, como o é tudo quanto dorme nos baixos instintos que se escondem em cada um de nós.

O comunismo não é uma doutrina porque é uma anti-doutrina, ou uma contra-doutrina. Tudo quanto o Homem tem conquistado, até hoje, de espiritualidade moral e mental — isto é, de civilização e de cultura — tudo isso ele inverte para formar a doutrina que não tem. »

→ Fernando Pessoa, “Ideias Filosóficas”

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