perspectivas

Sábado, 15 Fevereiro 2014

A nova “democracia” sugerida pela Nova América

 

“Tom Perkins, the Silicon Valley billionaire, has risked further controversy by saying the rich should be given more votes than the less well off.

An unrepentant Mr Perkins also said those who paid no taxes whatsoever should be disfranchised.”

Rich should get more votes, says billionaire Tom Perkins

Eis o passo seguinte do neoliberalismo: “os mais ricos devem ter mais votos, e os pobres que não paguem impostos devem ser marginalizados da política”.

plutocrata webAs ideias têm causas e consequências. Que ninguém pense que estas ideias surgem por acaso, ou que não têm importância. Pelo contrário, são ideias bem maturadas e que pretendem afirmar-se em uma sociedade caracterizada pela maximização de uma ética utilitarista entendida no seu pior sentido.

O lógica do libertarismo de direita — económico e financeiro — conduz a uma distorção da democracia e mesmo a uma forma mitigada de totalitarismo. Os libertários de direita não se dão conta de que sem a democracia correm o sério risco de sofrerem represálias e revezes históricos.

Os princípios liberais clássicos, por exemplo o da igualdade fundamental do cidadão perante a lei, começam agora a ser colocados em causa pelo capitalismo egocêntrico que defende a ideia revolucionária segundo a qual “a humanidade encontra-se perante o Fim da História”.

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Domingo, 2 Fevereiro 2014

O Iluminismo Negativo (parte 3)

 

O Iluminismo Negativo é uma teoria política contraditória porque tenta conciliar as aspirações do libertarismo económico, por um lado, com a implementação de um ideário de repressão política na sociedade, por outro lado. Por um lado, o Iluminismo Negativo defende a transformação do Estado em uma empresa privada, com accionistas e com um conselho de administração; mas, por outro lado, defende a repressão da expressão política em nome de uma sociedade de bem-estar material.

A democracia pode e deve ser sujeita a crítica, principalmente quando ela se desvia dos interesses da esmagadora maioria da população (como acontece, por exemplo, em Portugal e na União Europeia).
Mas não é aceitável que se utilizem exemplos de uma democracia prostituída e destituída dos seus fundamentos elementares, para se defender uma qualquer forma de fascismo.

O lema do Iluminismo Negativo é o seguinte: “ou o cidadão aceita que não tem voz política, ou sai do país” (no voice or exit). Os exemplos de “bons estados” apontados pelo Iluminismo Negativo são Hong Kong, Singapura e o Dubai. Ou seja, estamos perante uma nova forma de fascismo, com a diferença que esta nova forma de fascismo transformou a soberania de um país em um negócio de privados que são os accionistas do Estado, e que são os únicos cidadãos (os accionistas) que têm voz política dentro do território administrado por esse Estado privado.

Quando leio, por exemplo, que o governo de Passos Coelho autorizou publicidade de empresas privadas nos uniformes dos funcionários dos museus do Estado, não podemos deixar de constatar um indício de uma linha política de privatização do Estado (que a Helena Damião, e bem, critica aqui). Por um lado, esta tendência ideológica é libertária de direita (economia), mas por outro lado tende a transformar o Estado em um negócio privado o que vai contradizer o libertarismo inicial subjacente ao seu ideário, porque um Estado privatizado é sempre anti-político.

Ou seja, para o Iluminismo Negativo, “liberdade” e “libertarismo” são sinónimos de “repressão política” — o que é uma contradição em termos. Não é possível reduzir a liberdade (propriamente dita) ao bem-estar material. Esta noção behaviourista de “liberdade” do Iluminismo Negativo decorre de uma visão positivista do ser humano, por um lado, e por outro lado de um utilitarismo elevado ao seu expoente máximo — e por isso é que esta forma de fascismo é nova, porque as formas anteriores de fascismo ou eram não-utilitaristas, ou mesmo anti-utilitaristas.

A esta privatização do Estado, o Iluminismo Negativo chama de “neo-camaralismo”, porque, segundo esta teoria, é baseada no Camaralismo germânico representado pelo austríaco Heinrich Gottlob von Justi (1720 – 1771), que Kant e Humboldt criticaram em nome da implementação do Estado de Direito. Ou seja, o Iluminismo Negativo representa a negação do Estado de Direito. Ora, a designação de “neo-camaralismo” para essa teoria dita “libertária” é também em si mesma contraditória, porque o Camaralismo foi tudo menos libertário.

Verificamos como uma teoria dita “libertária” pode ser uma nova forma de fascismo, em que o Estado passa a ser propriedade privada, e em que os cidadãos que não forem accionistas do Estado não têm outros direitos e liberdades senão comer, dormir e trabalhar (e fornicar) — ou abandonar o território administrado por esse Estado privado.

A democracia pode e deve ser sujeita a crítica, principalmente quando ela se desvia dos interesses da esmagadora maioria da população (como acontece, por exemplo, em Portugal e na União Europeia). Mas não é aceitável que se utilizem exemplos de uma democracia prostituída e destituída dos seus fundamentos elementares, para depois se defender uma qualquer forma de fascismo.

O Silêncio dos Culpados

 

«Durant ces jours, j’ai pensé amèrement que si les machinations diaboliques des idéologies et des systèmes totalitaires ont été brutalement imposées aux peuples, comme la majeure partie des peuples européens, qui avaient été mûris par des siècles d’une authentique et profonde éducation humaine et chrétienne; que si, malgré cela, les peuples ont subi cette violence, résistant de nombreuses fois dans leur conscience et dans de nombreux autres cas aussi dans l’expression de leur vie culturelle et sociale. Donc, si certains systèmes ont été imposés à l’époque, quelle résistance pourra-t-il y avoir à la dictature qui se prépare?

C’est une dictature des médias de masse, du politiquement et culturellement correct, qui trouve une tradition catholique ignorée par la majorité des jeunes, ignorée parce que la plupart de ceux qui auraient dû leur en parler ne l’ont pas fait d’une manière appropriée; elle trouve une trame de vie sociale extrêmement faible sur le plan personnel, sur le plan de la conscience humaine, sur le plan de la sensibilisation aux valeurs éthiques fondamentales; en somme, elle trouve un peuple qui se désintègre, qui risque de subir une dictature sans même la noblesse de l’opposition.»

La dictature avance. Dans le silence.

o silencio dos culpados web

Sábado, 1 Fevereiro 2014

O Dark Enlightenment — o novo fenómeno político e cultural

Filed under: Democracia em perigo — O. Braga @ 12:48 pm
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O Dark Enlightenment — traduzindo: “Iluminismo Negro”, o que quer significar um “Iluminismo Negativo” — é um movimento filosófico e político que se move já em determinados círculos culturais nos Estados Unidos e no Reino Unido. Por uma questão de facilidade de expressão e de respeito pela nossa língua, vou utilizar a expressão “Iluminismo Negativo”.

O Iluminismo Negativo tem origem no “filósofo” inglês Nick Land; e embora parta de pressupostos, em grande parte, assertivos e até historicamente verdadeiros, acaba por chegar a conclusões erradas porque se baseia em uma “lógica indutiva” aplicada à História das Ideias (ver “lógica da indução”).

O discurso de Nick Land é labiríntico, e por vezes parte de princípios errados — por exemplo, o princípio segundo o qual “Rousseau defendeu a democracia”: o conceito de “Vontade Geral” de Rousseau não significa “vontade da maioria”, por um lado; e, por outro lado, os totalitarismos do século XX foram todos eles escorados no princípio de “Vontade Geral” de Rousseau. Dizer que “Rousseau defendeu a democracia” é não ter compreendido as ideias de Rousseau.

Nos próximos verbetes, e com tempo, vou dar aqui a minha opinião acerca do Iluminismo Negativo. Entretanto, quem quiser consultar alguma coisa sobre o assunto, pode fazê-lo aqui.

Sexta-feira, 31 Janeiro 2014

A noção de identidade é inseparável da liberdade e da democracia

Filed under: Democracia em perigo — O. Braga @ 8:33 pm
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«La notion d’identité est inséparable de la liberté et de la démocratie. Elle fonde, contrairement à ce que la gauche essaie de faire croire, notre système de valeurs.

Comme l’a très bien montré Tocqueville, la priorité accordée à l’égalité dans l’évolution démocratique engendre une menace sur les libertés. Les prétendues « avancées » de l’égalité et de la « démocratie » sociale et sociétale constituent une menace pour la démocratie politique fondée sur la libre volonté des citoyens suffisamment indépendants du pouvoir pour faire de celui-ci l’expression de la volonté générale.

Les Suisses ne sont pas obsédés par l’égalité sociale, mais ils ont une égale liberté de choisir ce que la Suisse doit faire, lorsqu’ils participent aux référendums régulièrement organisés

Christian Vanneste

Terça-feira, 28 Janeiro 2014

Os novos fascistas

 

Hoje saíram dois artigos de pressão política sobre o presidente da república: um do neofascista Miguel Romão, e outro do neofascista André Abrantes Amaral. E são neofascistas porque recusam liminarmente os mecanismos da democracia que incluem a figura do referendo.

Nenhum deles parece estar preocupado com o facto de nenhum partido dos dois que compõem o governo, e a maioria actual no parlamento, ter inserido no seu programa de governo a questão da adopção de crianças por pares de invertidos. Os neofascistas estão se cagando para a democracia.

Quando temos um professor de Direito que escreve isto, ficamos com a ideia clara da razão por que o Direito, neste país, se transformou em uma ideologia política.

Sábado, 25 Janeiro 2014

Os fascistas que são contra o “fascismo ao virar da esquina”

 

Há em Portugal uma certa classe social fascista que é contra o “fascismo ao virar da esquina”: viram cada esquina e gritam: “então, faxisto?!”

Textos fascistas como este, da autoria de um tal José Diogo Madeira, serão lançados nos me®dia regularmente, tentando intoxicar a opinião pública. São os fascistas antifascistas.

Em 2005, as uniões homossexuais foram referendadas na Suíça — ou seja, o “casamento” gay foi sujeito a referendo na Suíça. Abrenúncio, cruzes canhoto! Faxistas!!!!!!!

Para os fascistas antifascistas, a Suíça é um país fascista porque referendou alegados direitos das minorias. No Portugal progressista dos fascistas antifascistas, o “casamento” gay foi promulgado sem ouvir a opinião dos portugueses, porque ser democrata é ser fascista. Mas os fascistas antifascistas querem ir mais longe: querem envolver os direitos de terceiros (das crianças) no “casamento” gay sem ouvir o povo português — porque o povo português é fascista. Só não é fascista quem concorda com os fascistas antifascistas.

Neste caso, o fascista antifascista José Diogo Madeira cometeu um erro (coisa rara, aliás!): em 1933 não houve um referendo, mas antes um plebiscito.

Terça-feira, 14 Janeiro 2014

Para a União Europeia, “tolerância” é a proibição da liberdade de expressão

 

Hate crimes” means: any criminal act however defined, whether committed against persons or property, where the victims or targets are selected because of their real or perceived connection with – or support or membership of – a group as defined in paragraph (a).

(d) “Tolerance” means: respect for and acceptance of the expression, preservation and development of the distinct identity of a group as defined in paragraph (a). This definition is without prejudice to the principle of coexistence of diverse groups within a single society.

A “tolerância”, segundo a União Europeia, é “o respeito e a aceitação da expressão, preservação e desenvolvimento da distinta identidade de um determinado grupo”.

Sendo que “grupo” significa “um número de pessoas unidas por raízes raciais ou culturais, descendência ou origem étnica, filiação religiosa ou ligações linguísticas, identidade de género ou orientação sexual, ou outra qualquer característica de natureza similar”.

E sendo que “libelo acusatório a um grupo” é, segundo a União Europeia, comentários difamatórios feitos em público e contra um grupo (conforme definição supra) ou seus membros, com a intenção de incitamento à violência, ridicularização do grupo, ou sujeição a falsas acusações”.

Trata-se de uma proposta do parlamento europeu para promover a “tolerância” na União Europeia.


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Sexta-feira, 10 Janeiro 2014

A liberdade religiosa está a ser ameaçada pela aliança da direita com a esquerda

 

Este texto dá-nos uma visão breve do processo histórico recente que levou a colocar em causa a liberdade religiosa nos Estados Unidos. Um facto que é de extrema importância, e que eu chamo à vossa atenção, é o da aliança entre a direita neoliberal Goldman Sachs e a esquerda marxista cultural, no sentido da limitação e restrição da liberdade religiosa nos Estados Unidos. Ou seja: por razões diferentes, a direita Goldman Sachs e a esquerda marxista cultural estão de acordo no que respeita à limitação da liberdade religiosa.

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Domingo, 8 Dezembro 2013

A Direita e a Lei de O’Sullivan

 

“As civilizações apenas são mortais porque se tornam clarividentes. Logo que se põem a reflectir sobre si próprias, estoiram…” — Jean-Edern Hallier

A Lei de O’Sullivan estabelece o princípio segundo o qual uma qualquer organização ou instituição, que não se defina claramente como sendo de Direita nos seus princípios éticos, com a passagem do tempo acaba sempre e invariavelmente por cair na Esquerda. E a razão por que isto acontece é a de que a Esquerda é, em geral, muitíssimo mais intolerante do que a Direita que procura sistematicamente a inclusão de elementos da Esquerda nas suas instituições — ao passo que é impensável que um esquerdista alguma vez admita, na sua organização, a proximidade física e intelectual de alguém da Direita.

No Brasil chama-se a esta postura suicida do indivíduo da Direita, em relação à Esquerda, de “bom-mocismo”; em Portugal chamamos de “nacional-porreirismo”.

O indivíduo de Esquerda é altamente intolerante, mas mascara a sua intolerância através do anúncio público da defesa da utopia. Por outro lado, o esquerdismo é, em si mesmo, uma forma de decadência civilizacional: o esquerdista, em vez de dedicar o seu tempo e energia a criar civilização, torna-se em um introspectivo obcecado. O esquerdismo é a entropia do espírito e do intelecto.

“Quando se deixa de lutar pela posse da propriedade privada, luta-se então pelo usufruto da propriedade colectiva” — Nicolás Gómez Dávila

Não há ninguém mais obcecado com o dinheiro do que o esquerdista; e de tal forma que, onde houver dinheiro, lá está o esquerdista parasita a reivindicar direitos indevidos em relação ao dinheiro que não é seu. E quando já não houver propriedade privada, o esquerdista pretende sempre o monopólio do usufruto da propriedade colectiva — o esquerdista vê na colectivização da propriedade uma nova forma de propriedade privada de que pretende o usufruto privilegiado e, se possível, exclusivo.

Por isso é que as organizações de Direita devem ter um uma vigilância ética interna eficaz e constante: qualquer infiltração de um esquerdista na organização pode ser fatal, porque a esquerda funciona como uma metástase e mediante de uma fé metastática.

Quarta-feira, 4 Dezembro 2013

A solução do problema demográfico passa por uma relação directa entre o IRS e a filiação

 

Face ao decréscimo da taxa de natalidade (número médio de filhos por mulher), alguns países da Europa (os mais ricos) estabeleceram um valor pecuniário de incentivo à natalidade. Porém, esse tipo de incentivos só funciona em relação às classes mais baixas: as classes médias e altas prescindem desse incentivo e, na maior parte das vezes, prescindem também dos filhos.

A solução do problema demográfico passa por uma relação directa entre o IRS e a filiação.

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Segunda-feira, 25 Novembro 2013

A concepção de democracia de Edite Estrela e dos socialistas

 

“Il aura fallu à peine 15 jours pour que le rapport Estrela si controversé sur “La santé sexuelle et les droits sexuels et génésiques” soit annoncé pour la réunion du 26 novembre de la commission des Droits des Femmes. Le vote en plénière est prévu en décembre. Le texte soumis au vote des députés européens est rigoureusement le même que celui qui a été renvoyé en commission.

Pourquoi cette précipitation ?

Le rapport Estrela été renvoyé en commission des droits des Femmes, le 22 octobre par 358 voix pour et 319 contrebebe. Or la commission des Droits des Femmes propose un nouveau vote sans modification du texte, mardi 26 novembre, sans débat, sans réexamen sérieux qui prenne en compte les remarques des députés et des citoyens européens qui se sont exprimés en masse juste avant son rejet.

Ce refus de dialogue et de débat démocratique des partisans de ce rapport, ne fait pas honneur au Parlement européen, ni aux députés européens, à quelques mois de leur réélection.

L’expression “droits sexuels et génésiques” a été lancée dans les années 1990 par l’Organisation Mondiale de la Santé (OMS), mais n’a jamais été intégrée dans le droit international ou européen. Ce rapport concerne la contraception, l’avortement, le recours à la PMA, l’éducation sexuelle des enfants, l’égalité des genres…..

Ainsi, le rapport Estrela est contraire aux principes du droit européen, notamment le principe de subsidiarité, puisque ces questions relèvent de la compétence des Etats membres, pour traiter les questions de l’avortement ou du recours à la PMA (Procréation Médicalement Assistée). Ces questions sont de la compétence des Etats membres.”

Respigado aqui.

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Quinze dias depois do relatório de Edite Estrela ter sido vetado pelo parlamento europeu, Edite Estrela voltou a apresentá-lo para votação sem qualquer alteração do texto!

Votar no Partido Socialista? Nem pensar!

Essa gente leva um “não” do povo mas não desiste: volta à carga, ameaça, exerce coacção, chantageia, insulta — até que, vencido pelo cansaço e pela violência, o povo desiste e resigna-se ao absurdo socialista.

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