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Segunda-feira, 29 Novembro 2021

Qualquer negação da metafísica é uma forma de metafísica

Filed under: A vida custa,David Hume — O. Braga @ 5:19 pm

Segundo este texto que refere David Hume, transcrito pela professora Helena Serrão — para Hume, a Natureza Humana não faria parte da verdadeira Natureza Humana, sendo que a verdadeira Natureza Humana seria (para ele) aquela que ele próprio defenderia como boa. Ou, pelo menos, segundo Hume, existe uma boa Natureza Humana (a verdadeira) e uma má Natureza Humana (a falsa).

Por aqui vemos a contradição em que caem aquelas pessoas que pretendem reduzir a Realidade a uma determinada dimensão dita “científica”. Ou seja, qualquer negação da metafísica é, ela própria, uma forma de metafísica. E David Hume não se deu conta disso.

David Hume era gay; e, ao longo da História, os gays (em geral, e mais ou menos encobertos) nunca foram “metafísicos” no sentido cristão, e desde que S. Paulo escreveu aos romanos uma carta em que referiu os termos «passiones ignominiae », « usum contra naturam » et « turpitudinem operantes » (Romanos 1, 26-27). A metafísica típica do gay é dionisíaca.

Quando Hume recorre ao empirismo para tentar contrariar a metafísica cristã, entra em contradição.

Para contrariar Hume, podemos nós dizer que a indução (que David Hume rejeitou) é princípio lógico independente, impossível de inferir da experiência ou de outros princípios lógicos, e que, sem esse princípio, a ciência é impossível.

«Não toleremos que da palavra “empirismo” se apropriem os que negam três quartas partes do óbvio» — Nicolás Gómez Dávila

Quarta-feira, 14 Julho 2021

A necessidade que os me®dia merdosos têm de provar o contra-factual

Filed under: Cientismo,comunicação social,David Hume,me®dia,merdia — O. Braga @ 1:14 pm
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Durante a pandemia de Covid (H1N1) de 1918 (a chamada “gripe espanhola”, que matou cerca de 15 milhões de pessoas em todo o mundo), não havia nem vacinas, nem medicamentos, nem ventiladores nos hospitais; mas a pandemia “desapareceu” porque o vírus sofreu mutações que o tornaram menos mortífero (porque o próprio vírus procura sobreviver, e por isso muda).


fucken-antivaxxers-300-webActualmente, o cientismo – representado politicamente pela aliança entre o internacionalismo de Esquerda e a plutocracia globalista, que se traduz (entre outros fenómenos) no controlo total da Comunicação Social — afirma que o vírus do COVID-19 sofreu mutações mais benignas “por causa das vacinas”, mesmo sabendo nós que a esmagadora maioria dos casos de COVID-19 actuais incide em pessoas já vacinadas!.

O “argumento” utilizado pretende provar o contra-factual; e é o seguinte : “se não fosse a existência da vacina, o vírus não teria mudado para estirpes mais benignas”. Esta proposição é impossível de provar, porque pretende atribuir, a uma determinada consequência, as causas que se pretendem arbitrariamente validar.

Aliás, a estirpe “Delta” do vírus COVID-19 apareceu na Índia antes de qualquer campanha de vacinação naquele país, o que demonstra fortemente que as mutações virais são independentes das vacinas.

David Hume dizia que “a crença é um sentimento natural”; e sou obrigado a dar-lhe razão. “Todo o conhecimento da realidade carece de necessidade racional, e entra no domínio da probabilidade, e não no do conhecimento científico” (idem).

A ideia propalada pelos me®dia segundo a qual “as vacinas do COVID-19” (que, aparentemente, não imunizam grande coisa, porque os vacinados continuam a contrair COVID-19) “são um factor de mutação benigna do vírus do COVID-19”, é, ou uma crença, ou é propaganda ideológica malévola que pretende propalar uma determinada crença.

Um exemplo de uma proposição que pretende afirmar o contra-factual:

“se Portugal não tivesse entrado na zona Euro, não existiriam telemóveis no nosso país”.

É um facto demonstrável que o surgimento em massa de telemóveis coincidiu com a entrada de Portugal no Euro.

E não há forma de provar, de forma objectiva e em bom rigor, que Portugal teria telemóveis se não tivesse entrado na zona Euro — excepto se utilizarmos exemplos (analogia) de outros países que têm telemóveis e que não estão na zona Euro.

Trata-se, também, de uma falácia lógica conhecida como Argumentum ad Ignorantiam: neste caso, a ignorância representa a “falta de provas em contrário”: alegadamente, “a proposição é verdadeira porque não foi provada ser falsa”.

Sábado, 6 Outubro 2018

A física e a metafísica pertencem à mesma realidade

Filed under: Ciência,David Hume,filosofia,Kant,metafísica — O. Braga @ 4:25 pm

Temos aqui um texto da professora de filosofia Helena Serrão: « ¿Será possível o conhecimento "a priori"? »


O referido texto explica o que significa o “a priori”, segundo Kant. Mas a concepção da diferença entre o “a priori” (o conceito de “relação de ideias”, de Hume), por um lado, e o “empírico” (o conceito de “questões de facto”, de Hume), por outro lado, é anterior a Kant e pertence a David Hume (a Helena Serrão não referiu este facto que é muito importante para a epistemologia).

O que é novo em Kant (em relação a David Hume) é o conceito de “interpretação da realidade” por parte do ser humano, conceito que é compatível com a filosofia quântica. Segundo Kant, as impressões dos sentidos (empirismo) fornecem a matéria bruta do conhecimento (empírico), mas o sujeito (humano) é pensante e responsável pela organização estrutural e relacional dessa matéria bruta.

“O entendimento cria as suas leis (as leis da natureza), não a partir da Natureza, mas impõe-lhe-as” → Kant (Crítica da Razão Pura).

Com esta frase de Kant se resume o conceito de “a priori”, que tem como base o conceito de “interpretação da realidade”. Exactamente por isso é que Karl Popper tem razão quando diz que “a ciência é composta por conjecturas”, porque até as próprias leis da natureza verificadas empiricamente foram verificadas (estatisticamente) no passado, e não há (racionalmente e em bom rigor) uma certeza de elas sejam exactamente as mesmas no futuro.


O que eu não concordo, nem com a Helena Serrão, nem com Kant ou Hume, nem mesmo com Aristóteles, é com a diferenciação entre “física”, por um lado, e “metafísica”, por outro lado (seja o que for que estes dois termos signifiquem). É esta a razão por que escrevo este verbete.

Se existisse uma diferenciação real entre a física e a metafísica, a ciência não teria avançado ou progredido (o único “progresso” que existe de facto é na ciência) — porque muita coisa que pertencia à metafísica, em um determinado momento, passou pertencer a física noutro momento (como podemos constatar actualmente com a física quântica).

Por exemplo, o conceito científico de “não-localidade” ainda há pouco tempo pertencia à metafísica.

Aliás, Kant entra em contradição quando, por um lado, diferencia a física e a metafísica, e por outro lado introduz o “princípio da intencionalidade da Natureza” (Crítica da Razão Pura, 1790).

Kant insistiu que embora não possamos provar que a Natureza está intencionalmente organizada (de uma determinada forma), devemos sistematizar o nosso conhecimento empírico vendo a Natureza como se fosse organizada intencionalmente — o que é uma forma metafísica de conceber a Natureza.

Domingo, 24 Junho 2018

O nominalismo radical e anticientífico do Telmo Três Nomes

Filed under: David Hume,utilitarismo — O. Braga @ 12:44 pm
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Outra das características comuns entre o Telmo Três Nomes (e os seus correligionários), por um lado, e a Catarina Martins e o Bloco de Esquerda, por outro lado, é um nominalismo radical.

Esse nominalismo radical é herança de David Hume que influenciou decisivamente Adam Smith, em primeiro lugar, e influenciou também (mais tarde) os utilitaristas todos até John Stuart Mill, que foi um “utilitarista anti-utilitarista”. O próprio Hayek baseia o fundamento da sua mundividência em David Hume, embora entrando em contradição quando adopta o optimismo de Kant.

A redução da realidade social ao indivíduo (enquanto tal, isolado da sociedade) é um fenómeno paranóico, e um exercício de egologia que se traduz bem na ideia de David Hume segundo a qual “não seria irracional que um homem preferisse a destruição do mundo, a sofrer uma esfoladela no seu dedo” (sic).

É esta irracionalidade “passional” de David Hume, travestida na maior “racionalidade possível”, que nos chega hoje através de dois movimentos ideológicos (que, de certa forma, negam a ciência ou o Iluminismo): por um lado, o marxismo cultural de Herbert Marcuse, Adorno, e Habermas até John Rawls (que tem, em Portugal, protagonistas como Catarina Martins e um certo Bloco de Esquerda); e por outro lado um certo PSD com os actuais seguidores de Ayn Rand e os posteriores libertários até Nozick — toda essa gente foi buscar a David Hume o nominalismo radical.


O Nominalismo é a teoria segundo a qual “nada há de universal no mundo para além das denominações, porque as coisas nomeadas são todas individuais e singulares”.

O Nominalismo nega a existência dos géneros e das espécies que, alegadamente, não existiriam senão em nome: os nomes apenas são etiquetas, graças às quais podemos representar as classes de indivíduos; as ideias gerais não têm um objecto geral: são abstracções obtidas por intermédio da linguagem.

Ou seja, o nominalismo defende a ideia segundo a qual as coisas ou objectos da experiência não têm realidade intrínseca fora da linguagem que as descreve.

O nominalismo radical é o fundamento do individualismo exacerbado — na “Não-Esquerda” do PSD , e da política identitária marxista cultural (que se baseia na hierarquização social de grupos de indivíduos consoante o conceito arbitrário de “dominação”) — no Bloco de Esquerda.


nominalismo-webÉ evidente que quem exporta (mercadorias) são indivíduos e empresas; mas não podemos retirar os indivíduos e as empresas do contexto social, cultural, demográfico, político, etc., em que vivem. E se são os indivíduos e as empresas que exportam, é também uma sociedade inteira — com todas as suas idiossincrasias culturais e políticas — que exporta.

Os indivíduos e as empresas não podem fugir às limitações e aos condicionalismos impostos pela sociedade em que estão inseridos, ou seja, impostos pela nação.

O tipo de raciocínio nominalista radical — (sublinho: RADICAL, porque uma pequena e razoável dose de nominalismo é sempre saudável porque é realista), que caracteriza um certo Bloco de Esquerda e uma parte do Partido Socialista, por um lado, e por outro lado (de um modo diferente) um certo PSD dito “libertário” — é anticientífico, porque a ciência não faz outra coisa senão criar leis universais a partir de factos individuais e experimentais.

Em termos de ciências sociais, por exemplo, não é possível separar uma empresa, por um lado, do contexto político em que ela está inserida; ou não é possível separar o indivíduo do contexto cultural e social em que coexiste.

Domingo, 30 Abril 2017

As vacinas, e a indução na ciência

Filed under: Ciência,Cientismo,David Hume,indução,Karl Popper,utilitarismo,vacinas — O. Braga @ 11:41 am

 

Quando eu era menino, tive o sarampo, e o povo dizia: “Sarampo sarampelo, sete vezes no pêlo!”. Também apanhei a varicela, mas era só uma vez; e a papeira, que é aquela maleita que incha o pescoço. E como eu, a maioria das crianças teve sarampo, varicela e papeira; e, que eu saiba, ninguém da minha infância morreu por isso.

Quando eu era bebé, as vacinas eram: a BCG (tuberculose), a poliomielite, e a varíola. Ponto final. E a vacina não era tríplice: eram tomadas uma de cada vez, em separado e em tempos diferentes. Naquela época não havia vacina contra o “sarampo sarampelo, sete vezes no pêlo”.

Noutro dia fui ao Centro de Saúde aqui da zona, e o enfermeiro queria dar-me uma vacina contra o tétano; mandei-o dar uma volta ao bilhar grande.

Pode dar-nos a ideia de que determinadas pessoas, colocadas em altas posições sociais, estão convencidas de que as vacinas substituem o sistema imunitário, ou que impedem definitivamente o desenvolvimento de doenças — como é o caso da vacina contra o HPV (Human Papiloma virus) nas adolescentes, vacina essa que não impede a manifestação dessa doença. Mas segundo um vídeo que me enviaram, essa ideia pode estar errada: o que se passa é que há interesses financeiros por detrás da obrigatoriedade da toma de determinadas vacinas.

 


francisco-george-webMas vamos partir do princípio de que o senhor Francisco George, Director Geral de Saúde, é uma pessoa impoluta e que não cede aos interesses das multinacionais do medicamento. É apenas uma pessoa bem intencionada que acredita piamente na ciência.

Em ciência (ou em epistemologia), a indução é uma inferência  conjectural ou não-demonstrativa; ou seja, é o raciocínio que obtém leis gerais a partir de casos particulares.

Ao contrário do que acontece na dedução — na indução, as conclusões de um raciocínio não são logicamente necessárias. Na sequência de David Hume, filósofos como por exemplo Karl Popper insistiram no “círculo vicioso” da indução evocando, por exemplo, o princípio da regularidade dos fenómenos naturais, que é em si mesmo um princípio geral que, portanto, não pode ter sido estabelecido indutivamente. Karl Popper tira daqui o argumento para recusar à ciência fundar-se na indução.

David Hume rejeitou o princípio da indução, que, aplicado à questão causal, diz que

  • se A foi frequentemente acompanhado ou seguido de B, e se não se conhece nenhum caso em que A não seja acompanhado ou seguido de B, então é provável que na próxima ocasião em que A seja observado, seja acompanhado ou seguido por B.

Se o princípio é adequado, um número suficiente de exemplos dá uma probabilidade vizinha da certeza, e as inferências causais rejeitadas por Hume são válidas, não decerto para nos dar certeza, mas probabilidade praticamente suficiente.

Mas, se não é verdadeiro, todo o esforço de obter leis científicas a partir de observações particulares é falaz, e o cepticismo de Hume é irrefutável para um empirista. O princípio não pode inferir-se sem circularidade (como Karl Popper também afirmou) de umas uniformidades observadas, desde que por ele se justificam essas inferências. Deve, portanto, ser — ou ser deduzido de um princípio independente e não baseado na experiência. Nesta extensão, Hume provou que o empirismo puro não é base suficiente da ciência.

Para contrariar Hume, podemos nós dizer que a indução é princípio lógico independente, impossível de inferir da experiência ou de outros princípios lógicos, e que, sem esse princípio, a ciência é impossível.

O que eu pretendo dizer — com este relambório acerca da indução e da ciência — ao senhor Francisco George é o seguinte: as vacinas podem resultar bem, provavelmente em 99% dos casos, porque o critério da utilização da vacina segue o princípio da indução. Mas, provavelmente, existe 1% dos casos (por exemplo, mas podem ser mais) em que determinada vacina pode causar mais danos do que benefícios.

O problema do senhor Francisco George é o utilitarismo que predomina na nossa sociedade: “a maior felicidade para o maior número possível de pessoas”; e a quem não pertence ao “maior número”, diz o senhor Francisco George: “fodei-vos!”.

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