perspectivas

Sábado, 13 Junho 2015

A irracionalidade do politicamente correcto: o caso do professor Tim Hunt e a ciência como um ramo da política

Filed under: Ciência,Política,politicamente correcto — O. Braga @ 6:48 am
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Tim Hunt ganhou um prémio Nobel em 2001, salvo erro, em química. Durante uma conferência com estudantes universitários na Coreia, Hunt afirmou o seguinte:

“Let me tell you about my trouble with girls. Three things happen when they are in the lab: you fall in love with them, they fall in love with you, and when you criticise them they cry.”

(“Permitam que vos diga o meu problema com as raparigas. Acontecem três coisas quando elas estão no laboratório: eles apaixonam por elas, elas por eles, e quando são criticadas elas choram”).



¿Será que Tim Hunt afirmou que elas são intelectualmente inferiores? Será que ele disse que as mulheres não podem ser cientistas?

O leitor, por favor, soletre o que o professor Tim Hunt afirmou. S-o-l-e-t-r-e. No entanto, o irracionalismo politicamente correcto atacou Tim Hunt acusando-o de discriminar as mulheres, a ponto de o laureado com um Nobel pedir a demissão da universidade onde era professor honorário.

O que Tim Hunt afirmou é que eles e elas apaixonam-se no laboratório” — e que isso não é necessariamente bom para o trabalho científico. Ou, por outras palavras, para que os mais jovens entendam: fazer uma suruba no laboratório não é propriamente “investigação científica”.

Tim Hunt nunca disse que “a mulher é inferior ao homem no trabalho científico”. Poderia dizê-lo com propriedade e assertividade, baseando-se em factos históricos; mas não o disse. Pelo contrário, Hunt inclui o homem nas suas críticas: eles e elas apaixonam-se no laboratório. Naturalmente que disse que, depois de se terem envolvido emocionalmente com eles, “elas choram quando são criticadas no trabalho”.

O problema é o de saber se esta proposição — “elas choram quando são criticadas no trabalho” — é, em juízo universal, verdadeira ou falsa. Toda a gente sabe, que em juízo universal, a proposição é verdadeira, o que significa que a ciência, hoje, é um ramo da política, na medida em que um professor que diz a verdade é obrigado a demitir-se por dizer a verdade.

A ciência já não tem nada a ver com factos e com a verdade. A ciência é hoje, pura e simplesmente, um instrumento da política politiqueira. O Carlos Fiolhais que não se queixe.

Domingo, 7 Junho 2015

O pragmatismo da homeopatia

Filed under: Ciência — O. Braga @ 5:26 pm
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A homeopatia, entendida segundo o conceito “efeito rebound”, é a negação da ciência na medida em que o que é considerado importante não é a medicina (a ciência) em si mesma, mas aquilo que se acredite (crença) que é a ciência.

Neste sentido, a homeopatia segue os princípios da filosofia pragmatista de Williams James (Pragmatismo): toda a crença, se considerada boa e útil para a sociedade e/ou para o indivíduo, é considerada verdadeira. Não é a verdade da crença, considerada em si mesma, que é importante: em vez disso, é a putativa bondade e utilidade da crença que faz com que ela seja verdadeira.

A ciência — neste caso, a medicina — é concebida pela homeopatia como um fenómeno humano, com fraco interesse pelos objectos que a ciência contempla. Deseja-se a felicidade do Homem, e se uma determinada crença promove essa felicidade, então essa crença, para além de boa e útil, é necessariamente verdadeira. Neste sentido do “efeito rebound”, a homeopatia é uma tentativa de construir uma superstrutura da crença em alicerces de cepticismo (neste caso, em relação à ciência), e depende de falácias na medida em que ignora todos os factos extra-humanos.

Quinta-feira, 21 Maio 2015

Começo a entender o comportamento da Isabel Moreira e quejandas

Filed under: Ciência — O. Braga @ 5:34 am
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isabel-moreira-85210-web“Lo sorprendente es que el semen humano también tiene virtudes llamativas. Un estudio realizado por Gordon Gallup y Rebecca Burch entre 300 mujeres ha demostrado que aquellas que usan condón tienen un puntaje 50% más alto en síntomas de depresión que aquellas que no lo utilizan.

El semen afecta el sistema nervioso femenino, es una de las conclusiones de la investigación. También hay evidencia que las mujeres embarazadas que no usan condón son menos propensas a sufrir preclampsia que aquellas que sí recurren a él. Dado que esta complicación médica tiene relación con una respuesta del sistema inmunológico de la madre, se cree que el semen podría tener también beneficios en las defensas.”

El semen altera el cerebro de las hembras

Sábado, 25 Abril 2015

A fotografia mais inteligente alguma vez tirada

Filed under: Ciência — O. Braga @ 4:14 pm
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the solvay conference 1927 web

Conferência de Solvay, Bélgica, sobre Mecânica Quântica, 1927



Na primeira fila, em baixo, da esquerda para a direita (como convém):

Irving Langmuir, Max Planck, Marie Curie, Hendrik Lorentz, Albert Einstein, Paul Langevin, Charles-Eugène Guye, C.T.R Wilson, Owen Richardson.

Na segunda fila, no meio:

Peter Debye, Martin Knudsen, William Lawrence Bragg, Hendrik Anthony Kramers, Paul Dirac, Arthur Compton, Louis de Broglie, Max Born, Niels Bohr.

Na terceira fila, em cima:

Auguste Piccard, Émile Henriot, Paul Ehrenfest, Édouard Herzen, Théophile de Donder, Erwin Schrödinger, JE Verschaffelt, Wolfgang Pauli, Werner Heisenberg, Ralph Fowler, Léon Brillouin.

(fonte)

Segunda-feira, 13 Abril 2015

A Austrália, as vacinas, e o cientismo da Helena Damião

Filed under: Ciência — O. Braga @ 9:17 pm
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A ciência tem que convencer, persuadir, e não impôr coercivamente. Convencer e persuadir é esclarecer, informar, chamar o povo e explicar as coisas, “tim-tim por tim-tim”.

Tal como Platão na “República”, a Helena Damião está convencida de que um mito pode ser crido pela geração presente pela via da coerção do Estado, e que a imediata e posteriores gerações podem ser “educadas” de tal modo que não tenham dúvida alguma do mito. Miopia perigosa!

Por exemplo, os japoneses foram ensinados, desde meados do século XIX, que o imperador descendia da deusa-sol, e que o Japão foi criado primeiro do que o resto do mundo; e qualquer intelectual japonês que duvidasse de tal dogma (dogma político, e não propriamente religioso) era afastado da vida pública, alegadamente por actividades anti-japonesas. E os resultados deste mito político viram-se na II Guerra Mundial.

O que a Helena Damião não consegue ver é que os mitos “aceites” de forma compulsória e coerciva por parte do Estado, reduzem a inteligência em circulação na sociedade. A única forma adequada de impôr uma crença  — neste caso uma crença da ciência — é através da persuasão. E persuadir não é violentar ou retirar direitos às pessoas.

À ciência não cabe definir a ética e comandar a sociedade (positivismo religioso).

Mentalidades cientificistas como a da Helena Damião, Carlos Fiolhais e o resto da comandita do blogue Rerum Natura, devem ser combatidas sem quartel.

Diz a Helena Damião (revelando a sua mentalidade totalitária em potência) que “as crianças não são dos pais”; mas também não pertencem ao Estado — era só o que faltava!. E não cabe ao Estado transformar a sociedade em uma espécie de sucedâneo contemporâneo da “República” de Platão.

Terça-feira, 31 Março 2015

Segundo a Carolina Santos, a mulher quando está com o cio “dá” para todos

 

A julgar pela lógica da escriba do Observador — tal como as cadelas, as mulheres quando estão com o cio “dão” para todos os cães. Aliás, ela (a escriba) deve saber isso por experiência própria.

Quem escreve no Observador deveria saber o que é a falácia de apelo à natureza, e deveria saber filtrar as notícias da “ciência” que não passam de cientismo. Enquanto o Observador não elevar o nível real (porque existe um nível formal que é convencionado) dos seus colaboradores, não terá grande futuro senão no campo da política partidária.

A sociobiologia é uma lástima e segue estupidamente o pior do evolucionismo que não acabou propriamente com Deus, mas acabou certamente com o ser humano. E é esta gente, que reduz a mulher a uma cadela, que escreve no Observador.

Quarta-feira, 25 Março 2015

Filosofia e ciência

Filed under: Ciência,filosofia — O. Braga @ 9:17 am
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Thomas F. Bertonneau  é um filósofo e Sylvain Gouguenheim é um historiador (ciências humanas).

Thomas F. Bertonneau  pega num livro de Sylvain Gouguenheim e escreve este ensaio sobre ele (o livro). O filósofo faz uma análise à  tese de um historiador (neste caso), como poderia fazer uma análise de um qualquer postulado ou teoria científicos, seja na matemática, na química ou na física.

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Terça-feira, 24 Março 2015

Um homem a seguir no Twitter, para quem desconfia do cientismo

Filed under: Ciência — O. Braga @ 3:39 pm
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Terça-feira, 17 Março 2015

O João Malva e a inteligência do ser humano

Filed under: Ciência,filosofia — O. Braga @ 11:49 am
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Quando a ciência — na voz de João Malva – diz que “está por provar que o ser humano seja mais inteligente do que os animais”, temos que concluir o seguinte: ou a noção de “inteligência” prevalecente no senso-comum está errada e tem que ser revista, ou então a ciência não consegue provar uma evidência (a de que o ser humano é mais inteligente), o que faz todo o sentido.

 

joao-malva

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Sábado, 28 Fevereiro 2015

Theodore Dalrymple, e a hipocondria como um problema religioso e filosófico

São psiquiatras como Theodore Dalrymple que metem outros — como, por exemplo, o Júlio Machado Vaz — no bolso mínimo das moedas das minhas calças de ganga.

“There is no doubt that hypochondriacs are boring; you fear to ask them how they are in case they should tell you.

But one cannot help but suspect that their excessive concern with the state of their health is a defence against something worse, an existential fear that life has no meaning beyond itself, and that therefore the achievement of health, the avoidance of illness, is the highest goal possible.

(..)

In the absence of a transcendent purpose in life, staving off death becomes all-important. Hypochondriasis, then, is in part a religious or philosophical problem.”

The cure for hypochondria

Sábado, 14 Fevereiro 2015

A matemática e os órgãos dos sentidos

Filed under: Ciência — O. Braga @ 10:51 am
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“Quando vão entender que qualquer expressão matemática só corresponde a uma realidade analogicamente, e que em última instância o único juiz dessa correspondência é o testemunho dos tão desprezados órgãos dos sentidos?”

→ Olavo de Carvalho

É verdade a que matemática parte de postulados — e não de evidências —, mas também é verdade que os órgãos dos sentidos fundamentam-se em crenças; e o problema é o de saber quando e se essas crenças (e não me refiro a fé religiosa, que é outra coisa) ditadas pelos órgãos dos sentidos são verdadeiras ou falsas.

Por exemplo, se os órgãos dos sentidos são o único juiz da realidade, então o darwinismo está correcto — até porque o darwinismo é fortemente intuitivo e não propriamente atreito a formalismos matemáticos. Ora, a principal objecção em relação ao darwinismo é que se baseia quase exclusivamente nos órgãos do sentidos (por exemplo, a comparação visual de Ernst Haeckel entre um feto de um peixe e um feto humano). É mesmo contraditório que um cientista aceite simultaneamente e sem reservas o darwinismo e a física quântica. Nenhum biólogo darwinista (passo a redundância), digno desse nome, deixa de ser fortemente céptico em relação a qualquer aspecto da física quântica, porque a biologia tem como fundamento os órgãos dos sentidos, a categorização da informação que recebe dos órgãos dos sentidos, e a intuição sensível.

Do empirismo só podemos esperar soluções empíricas.

Eu estou de acordo com Olavo de Carvalho quando ele separa a matemática, por um lado, do testemunho dos órgãos dos sentidos, por outro  lado. Mas já não estou tão certo sobre se o único juiz da realidade é o testemunho dos órgãos dos sentidos (ver teoria do balde).

Penso mesmo que este problema é insolúvel — refiro-me ao problema do juízo sobre a realidade ou sobre partes dela — se não seguirmos S. Tomás de Aquino: “A verdade é a adequação do intelecto à  realidade”. S. Tomás de Aquino falou em “intelecto”, e não em “órgãos dos sentidos”.

É claro que o intelecto interpreta a informação que nos chega dos órgãos dos sentidos, mas também  coloca em causa essa informação; o intelecto questiona os órgãos dos sentidos. Portanto, os órgãos dos sentidos não podem ser o único avalizador da realidade.

Os órgãos dos sentidos são imprescindíveis para a sobrevivência do ser humano em um mundo com determinadas características. Mas, ao contrário do que defendeu Bergson ou Husserl (cada um à  sua maneira), é a inteligência e não só a intuição que permite construir conceitos capazes de descrever partes da realidade.

A intuição leva a dizer que a Terra é plana e/ou que o homo sapiens é descendente do macaco segundo um processo aleatório de evolução. A intuição salva as aparências. A intuição é necessária, mas já verificámos o facto do recuo da intuição sensível em favor da inteligência (do “intelecto”, de S. Tomás de Aquino). É o intelecto (que inclui a matemática) e não a intuição que nos diz que, mesmo que seja verdade que o homem descenda do macaco, isso não poderá ter acontecido através de “um processo aleatório de evolução mediante pequenos passos”.

Quarta-feira, 4 Fevereiro 2015

David Marçal, Carlos Fiolhais, e a homeopatia

Filed under: Ciência — O. Braga @ 2:47 pm
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Em relação a este artigo publicado no Rerum Natura por David Marçal e Carlos Fiolhais, digo o seguinte:

1/ tenho muitas reservas acerca da visão científica desses dois senhores: servem-se do método científico para defender um pensamento dogmático baseado em paradigmas imobilistas que pretendem petrificar a ciência em conformidade com as suas crenças pessoais, políticas e subjectivas. Fazendo uma analogia: esses senhores desempenham hoje o papel da Igreja Católica da Idade Média em relação a Galileu: defendem dogmaticamente um paradigma.

2/ pelo exemplo daqueles dois senhores, devemos duvidar — no sentido da “dúvida metódica”, e não no sentido da “dúvida céptica” — da ciência: eles representam a normalidade científica actual que se confunde com o cientismo.

Quando vemos que a ciência se fecha em si mesma e se dogmatiza, mas ainda assim defende o método científico para “salvar as aparências”, e pior, serve de arma de arremesso político e ideológico — temos a obrigação de duvidar dela.

3/ parece-me claro que a homeopatia não obedece a critérios objectivos de verificação. A homeopatia não é falsificável. Portanto, não podemos dizer que a homeopatia faz parte da ciência.

Mas isso não significa necessariamente que todos os aspectos da homeopatia não mereçam investigação científica. E é esta negação dogmática, radical e irracional em relação a todas as áreas da homeopatia que caracteriza o David Marçal e o Carlos Fiolhais. Por exemplo, em relação a Jacques Benveniste, existem alguns desenvolvimentos: o que está em causa é não considerar a ciência como uma área fechada em função de crenças ideológicas, políticas, ou outras.

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