perspectivas

Quarta-feira, 24 Dezembro 2014

A falácia ad Verecundiam e a burrice do Rolando Almeida

Filed under: Ciência,filosofia — O. Braga @ 9:44 am
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burro com oculos 300 web“Um dos erros mais elementares consiste em pensar que uma pessoa ou é religiosa e por isso espiritual ou não é religiosa e por isso pouco ou nada espiritual. Na verdade uma pessoa pode ser religiosa e muito pouco espiritual (mesmo pensando que é profundamente espiritual) e pode ser não religiosa e profundamente espiritual. Isto porque a dimensão espiritual não é uma propriedade exclusiva das religiões nem das crenças religiosas.

Edward O. Wilson é talvez o biólogo vivo mais respeitado no mundo e professor emérito da Universidade de Harvard, com um currículo de mais de 100 prestigiados prémios.”

Ciência, espiritualidade e humanidades, por Rolando Almeida

1/ o Rolando Almeida fala em “espiritual” sem que se saiba o que se pretende dizer com “espiritual”. Por exemplo: uma pessoa que gosta de música clássica ¿é, só por esse facto, “espiritual”? ¿O que significa “espiritual”?

Espiritual vem do latim spiritus, que significa “sopro”. Em filosofia (vamos deixar a teologia de parte!), o espírito é aquilo que se opõe à natureza e à matéria; é um princípio imaterial que é considerado primordial na escala da essência e do conhecimento.
Segundo Hegel, o espírito é o princípio racional que anima a História; e o Espírito Absoluto — segundo Hegel — é o espírito que alcançou a sua verdade ou a sua realização absoluta através da mediação da arte, da religião e da filosofia. Portanto, até Hegel, que defende um monismo, alia necessariamente a religião ao espírito.

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Terça-feira, 23 Dezembro 2014

Stephen Hawking e a morte da filosofia

Filed under: Ciência,filosofia — O. Braga @ 11:31 am
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“Hawking defende que a filosofia morreu pois as grandes questões são respondidas pelas ciências da natureza, nomeadamente a física. Mas parece existir um grande problema na afirmação de Hawking. Como é que a física pode mostrar cientificamente que a filosofia morreu? Como é que Hawking consegue responder a essa grande questão sobre a morte da filosofia sem, ao mesmo tempo, filosofar? Que pensar disto?”

A filosofia morreu

Stephen Hawking parte de um princípio (um postulado; ou um axioma) segundo o qual “as pessoas só vivem neste mundo uma vez”. Não é possível fazer prova científica (no sentido do método das ciência da natureza) da verdade desse argumento, mais quando sabemos que a primeira célula viva que apareceu no universo ainda existe hoje — ou seja, essa célula primordial não morreu. Mas partir desse princípio também é filosofar — assim como um matemático parte sempre de um postulado para construir uma teoria através do formalismo matemático; e, neste sentido, também o matemático é um filósofo.

Stephen Hawking entende a filosofia no sentido do Positivismo, ou do neo-empirismo, em que filosofia era entendida como produto da “ilusão da linguagem”. Hoje ainda existem muitos pobres espíritos que pensam assim, apesar de demonstrações lógicas entretanto feitas que refutam o simplismo dessa forma de conceber a filosofia e o pensamento humano.

Stephen Hawking ficará para a História como o estereótipo do “cientista idiota”: através de um pensamento circular, recusa o carácter tautológico da ciência, por um lado, e por outro  lado confunde “ciência” com “técnica”.

Domingo, 14 Dezembro 2014

O progresso, o Aquecimento Global e a pseudo-ciência do David Marçal

 

O Desidério Murcho deveria organizar umas aulas de filosofia (principalmente de lógica) para os editores do blogue Rerum Natura.

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Terça-feira, 2 Dezembro 2014

A pseudo-ciência do David Marçal

 

O David Marçal, que escreve no blogue rerum natura,  escreveu um livro sobre “pseudo-ciência”; mas o livro aplica-se a ele próprio.

No domínio do chamado “aquecimento global” — que agora mudou, em certos círculos, para “alterações climáticas” — tudo o que não corresponda a uma norma idealizada por uma certa comunidade “científica” comandada e controlada pela plutocracia internacional, é sinal de “culpa do ser humano”.

O David Marçal deu uma entrevista à Antena 1 1em que falou do Aquecimento Global Antropogénico (Aquecimento Global por culpa do ser humano). Para poupar ao leitor a audição da entrevista toda, oiça aqui em baixo a parte que interessa ao caso.

 

lund universityDesde logo, David Marçal é bioquímico; não tem qualquer autoridade, nem de direito, nem de facto, para falar em Aquecimento Global, e muito menos antropogénico. Estamos já no domínio do dogma, e não da ciência.

David Marçal acusa os cépticos do Aquecimento Global de serem pagos para serem cépticos. E quem paga a David Marçal para defender um dogma em nome da ciência? Pois bem: quem lhe paga, directa ou indirectamente, são os poderosos do mundo, os plutocratas como por exemplo Rockefeller, os Rothschild, Bill Gates ou George Soros, que são os que promovem, nos me®dia, a ideologia do Aquecimento Global Antropogénico no sentido da limitação da presença de seres humanos na Terra através do aborto e da eutanásia mais ou menos compulsivos.

David Marçal é um mercenário cientificista: faz política em nome da ciência. E a Rádio Renascença dá-lhe cobertura política! Não se deixe enganar, caro leitor: mantenha um espírito crítico que é próprio da verdadeira ciência!

Nota
1. Por lapso, tinha referido a Rádio Renascença em vez da Antena 1.

Domingo, 30 Novembro 2014

A teoria científica como “explicação” da realidade

Filed under: Ciência — O. Braga @ 7:21 pm
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O Carlos Fiolhais explica aqui, embora de forma enviesada, por que razão Galileu foi condenado pela Igreja Católica; mas não explica por que razão Copérnico, que defendeu a mesma tese de Galileu antes deste, não foi condenado pela Igreja Católica. Ou seja, a teoria de Carlos Fiolhais é deficitária e tem que ser substituída por uma teoria melhor.

“Qualquer cientista propriamente dito reconhece hoje, e a partir da perspectiva actual segundo o conceito de paradigma de Thomas Kuhn, que a reacção do Papa às teses de Galileu foi absolutamente correcta. As teses de Copérnico receberam o imprimatur porque foram formuladas como hipóteses. Porém, Galileu não quis formular quaisquer hipóteses, mas afirmar verdades absolutas — e isto numa época em que a hipótese de Ptolomeu podia explicar melhor muitos fenómenos celestes.

A Igreja Católica, naquela época, defendeu a concepção científica mais moderna embora se tenha atido a concepções cosmológicas erradas.”

Afinal, ¿do que é que Carlos Fiolhais está a falar quando se refere ao bosão de Higgs? Está a falar de uma “teoria que explica alguma coisa”. ¿E o que é uma “teoria”?

1/ o fundamento de qualquer teoria é a Lógica que não existe da mesma forma na realidade quântica e na realidade macroscópica. Na realidade quântica, “a nossa lógica é uma batata”. O que significa, por inferência, que as teorias científicas acerca da realidade quântica são apenas “teorias da batata” (hipóteses mais ou menos verificáveis).

2/ a “lógica dedutiva”, que está subjacente à teoria científica, baseia-se por sua vez na teoria do silogismo de Aristóteles: é, ela própria uma teoria da validade das inferências lógicas ou da relação de sequência lógica. Se as premissas de uma inferência válida forem verdadeiras, então segue-se que a conclusão também deverá ser verdadeira.

3/ na ciência trabalha-se com teorias, ou seja, sistemas dedutivos que tentam “explicar” um problema científico. Mas não se trata de “explicar”: trata-se de “descrever” — porque se uma teoria científica se baseia na “lógica dedutiva” que é ela própria uma teoria, a ciência prossegue em circulus in demonstrando: a teoria científica baseia-se sempre em uma teoria prévia e axiomática (a Lógica), e portanto, o conceito de “teoria científica” é tautológico. Uma tautologia não explica nada: apenas pode descrever alguma coisa.

4/ é melhor ter uma teoria, apesar da tautologia, do que não ter nenhuma — porque uma teoria revela a preocupação com a verdade que nos distingue dos animais irracionais.

5/ não existe uma ciência de observação pura: todas as ciências estão imbuídas de teorias. O leitor retire desta proposição a conclusão que quiser.

Quinta-feira, 27 Novembro 2014

A pseudo-ciência da investigadora Ana Cristina Santos da Universidade de Coimbra

Filed under: Ciência,cultura — O. Braga @ 11:13 am
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Há que ver a diferença entre ciência, por um lado, e a moda, por outro lado. Quando essa diferença não é feita, não estamos a falar de ciência, mas de pseudo-ciência. A ciência não anda ao sabor da moda, embora esteja condicionada por paradigmas. Uma das funções da filosofia é justamente a de vigiar a ciência, fazer-lhe a crítica, no intuito de impedir que a ciência se transforme em pseudo-ciência.

Neste texto publicado no jornal Púbico, uma tal Ana Cristina Santos, que dizem ser socióloga investigadora da Universidade de Coimbra, e resumindo, fala-nos basicamente do conceito actual de “autonomia” que consiste na adulteração actual e ignara do princípio de autonomia de Kant. Mas, antes de mais, vamos falar um pouco sobre a sociologia e/ou as chamadas “ciências sociais e humanas”.


A sociologia da Ana Cristina Santos baseia-se naquilo a que Karl Popper chamou de “naturalismo incorrecto das ciências sociais” ou “cientificismo metodológico”, que consiste no mito segundo o qual se exige que as ciências sociais recorram ao método das ciências da natureza para aprenderem o que é o método científico. Este naturalismo incorrecto estabelece algumas exigências; por exemplo: partir de observações ou/e medições como levantamentos estatísticos; prossegue, depois, indutivamente para generalizações e elaboração de teorias, tentando assim uma aproximação ao ideal da objectividade científica própria das ciências da natureza.

Ignora-se que é muito mais difícil — se é que é possível! — conseguir uma idêntica objectividade nas ciências sociais e nas ciências da natureza, uma vez que a objectividade implica despojamento de valores, e a socióloga só em casos muito raros consegue libertar-se das valorações da sua própria camada social, por forma a poder avançar no sentido de uma independência valorativa da objectividade.

Portanto, sob a capa de uma objectividade científica que não existe, a socióloga Ana Cristina Santos tece considerações que pertencem menos à ciência do que à pseudo-ciência. O que ela faz é juízos pessoais de valor que não fazem parte da ciência mas antes pertencem à ética e/ou à metafísica.


Voltamos agora ao princípio de autonomia de Kant e ao conceito actual de “autonomia”.

Pergunta: ¿uma mulher tem o direito de não querer ter filhos? Claro que tem! Sempre teve. Por exemplo, na Idade Média, muitas mulheres escolhiam a vida religiosa que impedia a procriação. Mas não só: muitas mulheres das classes mais altas, ao longo da História, optavam pelo celibato aparente.

feminismo actual webMas o direito de uma mulher ou homem a não ter filhos é um direito negativo. Um direito positivo está directamente relacionado com um dever e/ou obrigação moral e mesmo legal (em alguns casos); um direito negativo está relacionado com a não-interferência de uns em relação aos direitos de outros.

Por isso, quando uma mulher decide não ter filhos, está a exigir da sociedade (dos outros) o direito a uma não-interferência (da sociedade) em relação à sua decisão; recusando um dever (o de ter filhos que contribui para a continuidade da sociedade), ela exige que esse seu direito negativo seja respeitado pela sociedade.

Um direito negativo pode ser compensado com um direito positivo: por exemplo, uma mulher pode escolher não ter filhos mas dedicar parte da sua vida a educar as crianças dos outros: assim, compensa o direito negativo com um direito positivo. Do ponto de vista cultural, social e ético, o importante é que os direitos negativos sejam equilibrados com direitos positivos.

A autonomia da pessoa  (seja mulher ou homem) pressupõe a liberdade no sentido negativo (o tal direito negativo do cidadão), por um lado, e por outro lado pressupõe também a liberdade no sentido positivo (o tal direito positivo do cidadão enquanto legislador). Porém, a narrativa do pasquim Púbico e da socióloga Ana Cristina Santos só concebe a liberdade no sentido negativo e o direito negativo. Ou seja, o conceito de “autonomia” é propositadamente adulterado no sentido de valorizar uma cultura sociopata. Portanto, o problema colocado pela socióloga Ana Cristina Santos é ético, e não propriamente científico.


“Apesar de há décadas ter sido conseguida, através da medicina, a separação entre sexualidade e reprodução, a verdade é que essa separação, em termos culturais, não se deu na sua totalidade”

(…)

“A primeira é a desnaturalização do sexo (que não tem de ser reprodutivo) e a segunda é a desnaturalização, também, dos papéis de género atribuídos às mulheres.”

Ana Cristina Santos.

O conceito de “desnaturalização do sexo” é contraditório nos seus próprios termos. É delírio interpretativo. Não se pode desnaturalizar uma coisa que pertence à natureza; e mesmo as intervenções artificiais do Homem, são artificiais apenas aparentemente, porque mesmo as intervenções humanas na natureza são regidas por leis naturais. O Homem não pode fugir às leis da natureza — nem mesmo quando envia uma sonda a Marte!

A socióloga Ana Cristina Santos incorre em uma série de falácias: por exemplo, a ideia segundo a qual “através da medicina”, se consegue “a separação entre sexualidade e reprodução”. Seria como se disséssemos que “a medicina erradica e cura uma gripe”, quando na verdade a medicina apenas trata uma gripe, e esta pode ressurgir mais tarde. Mesmo a varíola, que já foi “erradicada” na maior parte do mundo, pode ressurgir a qualquer momento.

A medicina não cura; a medicina trata.

Em boa verdade, a separação de facto entre a sexualidade e a reprodução é uma impossibilidade objectiva, e só uma pessoa em delírio pode conceber essa ideia. Essa separação é cultural, e não é biológica nem “natural”. Não é legítimo que a socióloga Ana Cristina Santos invoque a natureza para justificar um fenómeno cultural: ela incorre simultaneamente em duas falácias lógicas: a falácia do apelo à natureza, por um lado, e a falácia naturalista, por outro lado.

Sexta-feira, 14 Novembro 2014

Uma correcção ao professor Rolando Almeida

Filed under: Ciência,filosofia — O. Braga @ 1:44 pm
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O professor Rolando Almeida escreveu aqui que “não existem ciências exactas e outras não exactas”. Mas, em todo o texto, o professor Rolando Almeida não definiu “ciência”, o que seria o ponto de partida para a justificação da sua proposição supracitada. Por isso, vamos definir “ciência”.

Chamamos “ciência” ao conhecimento positivo (neopositivismo) — a “ciência experimental” — que se apoia em critérios precisos de verificação, e permitindo, por isso, uma objectividade dos resultados.

Poderíamos definir “ciência” de outra maneira, mas é esta definição real que é geralmente válida nas universidades e no meio científico.

Em função desta definição de ciência — que o professor Rolando Almeida não fez —, podemos distinguir três tipos de ciências:

  1. as ciências experimentais ou empíricas; são as chamadas “ciências da natureza”, que se referem a um dado objecto na experiência e validam-se através de controlos experimentais;
  2. as ciências formais; a matemática e a lógica, baseadas na dedução a partir de axiomas. Nas ciências formais, não há qualquer necessidade de verificação experimental, porque a matemática e a lógica não têm um objecto exterior à sua construção;
  3. as ciências humanas (história, sociologia, antropologia, psicologia, etc.) que são aquelas em relação às quais não se pode aplicar igual- e literalmente o método das ciências da natureza (ler Karl Popper). A ideia segundo a qual se pode aplicar literalmente o método das ciências da natureza às ciências humanas, é um mito cientificista.

É neste sentido — baseado no facto de não se poder aplicar igualmente e literalmente o método das ciências da natureza às ciências humanas — que se faz a distinção real entre aquilo a que se convencionou chamar de “ciências exactas” (pontos 1 e 2) e “ciências não exactas” (ponto 3).

Terça-feira, 4 Novembro 2014

O conceito metafísico de “evolução darwinista” é incompatível com a metafísica religiosa

Filed under: Ciência,filosofia — O. Braga @ 11:22 am
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Quando analisamos argumentos, devemos, em primeiro lugar, estudar quanto possível a essência deles, e só depois devemos partir para a abordagem lógica que poderá eventualmente encontrar contradições nesses argumentos.

De qualquer modo, ao ser humano é impossível a absoluta não-contradição.

O cientista informático Larry Stockmeyer demonstrou que a verificação lógica de apenas 558 teoremas implica a necessidade de um computador do tamanho do universo. Se cada teorema for fraccionado em todas as suas partes lógicas possíveis, comparado com todas as conclusões lógicas, silogismos e sorites, estaremos em presença de fracções na ordem de 10^168 (1 seguido de 168 zeros) — mesmo um computador do tamanho do universo bloquearia ao tentar analisar o teorema número 559. Para verificar as possíveis contradições em apenas 100 proposições, podemos obter um número prolixo de fracções, na ordem de 10^30 (1 seguido de 30 zeros). Pedir a um ser humano que seja mais perfeito, no seu raciocínio, do que um computador do tamanho do universo, é defender a ideia de um super-homem.


O Domingos Faria começa por não definir “evolução darwinista”, porque o que lhe interessa é a redução à análise lógica da contradição entre “evolução darwinista” e as religiões universais (e não só os teísmos!) — por exemplo, as várias estirpes do Hinduísmo são incompatíveis com o conceito de evolução darwinista.

No seu sentido biológico, ‘evolução’ designa um processo pelo qual a vida emerge da matéria não-animada e se desenvolve depois por meios naturais. Foi esse o sentido que Darwin emprestou à palavra e foi retido pela comunidade científica” (Michael Behe).

Isto significa que o conceito de “evolução darwinista” pertence à metafísica, e não à ciência. Ou, se quisermos uma abordagem neo-kantiana:

“O criacionismo é um mito, assim como o darwinismo é um mito, porque é impossível explicar a mutação das formas”. — Eric Voegelin

Segundo o físico ateu Fred Hoyle, a probabilidade de que os tijolos da vida (os aminoácidos) se juntem na sequência correcta para formar uma proteína, é de 1 em 10^40 (1 seguido de 40 zeros). Note-se que os matemáticos consideram a hipótese de 10^50 (1 seguido de 50 zeros) como uma “impossibilidade matemática”. O físico Chandra Wickramasinghe escreveu o seguinte:

“As hipóteses de a vida ter aparecido por acaso e de forma aleatória são semelhantes às hipóteses de um ciclone soprar num qualquer cemitério de automóveis e construir-se assim um Boeing 747”.


Desde Galileu que a Igreja Católica “joga à defesa” (tentando evitar um erro que, de facto, não cometeu) em relação à ciência, e muitas vezes não se dá conta de que o conceito de “evolução darwinista” pertence à metafísica — como aconteceu recentemente com o “papa Francisco”.

Segundo o conceito actual de paradigma, de Thomas Kuhn, a reacção do Papa medieval às teses de Galileu foi absolutamente correcta. As teses de Copérnico receberam o imprimatur porque foram formuladas como hipóteses. Porém, Galileu não quis formular quaisquer hipóteses, mas afirmar verdades absolutas — e isto numa época em que a hipótese de Ptolomeu podia explicar melhor muitos fenómenos celestes.

A Igreja Católica, naquela época, defendeu a concepção científica mais moderna embora se tenha atido a concepções cosmológicas erradas.


Se tivermos em consideração devida a noção de “evolução darwinista”, o texto de Domingos Faria não faz sentido, porque especula sobre opiniões de gente que não tem em consideração exacta o princípio de que parte o darwinismo. Aliás, o conceito de “aleatoriedade do processo de evolução” está já, hoje, ferido de morte: a selecção natural pode explicar a sobrevivência de uma espécie adaptada, mas não consegue explicar por que razão essa espécie adaptada surgiu em primeiro lugar.

Quinta-feira, 30 Outubro 2014

¿Qual a diferença entre a pseudo-ciência que o David Marçal critica, e o cientismo que ele perfilha?

Filed under: Ciência — O. Braga @ 6:23 pm
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Praticamente nenhuma.

O cientismo é a atitude intelectual que se desenvolveu a partir da segunda metade do século XIX e que concede um valor absoluto ao progresso científico. O cientismo concede à ciência o monopólio do conhecimento verdadeiro e atribui-lhe a capacidade de resolver progressivamente todos os problemas que se apresentam à Humanidade. A noção de cientismo foi fundada por Augusto Comte, com o Positivismo.

A pseudo-ciência ignora o nexo causal dos fenómenos da realidade macroscópica que é produto da acção da Força Entrópica da Gravidade; o cientismo ignora ostensivamente o indeterminismo a-causal que é característico da realidade microscópica condicionado pela Força Quântica.

A diferença entre o cientista Carlos Fiolhais e a teóloga Teresa Toldy

Filed under: Ciência,Igreja Católica — O. Braga @ 9:41 am
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“É precisamente este “casamento” entre religião e ciência que incomoda Carlos Fiolhais, físico e um dos mais conhecidos divulgadores científicos portugueses. “Isso é um pouco mais perigoso. O perigo está em uma pessoa querer ir buscar à ciência fundamentos para a crença”, explica. “A crença em Deus, segundo penso, radica num ato que de modo algum tem sustentação científica. A fé, a crença, é um salto, que algumas pessoas conseguem dar e outras não, que é um impulso para o desconhecido. Fé é querer o desconhecido.”
Carlos Fiolhais

Eu não estou totalmente de acordo com o Carlos Fiolhais ; mas não é isso que está agora aqui em causa. O que interessa agora é que Carlos Fiolhais tenta basear-se em factos para defender a sua tese: o que conta é a forma de raciocinar de Carlos Fiolhais.

“Teresa Toldy, teóloga e professora universitária, também entende que “o discurso religioso é uma coisa e o discurso científico outra”. Mas não considera que o Papa Francisco estivesse a tentar encaixar as duas variáveis numa só”. Acho que o que ele está a dizer é que uma não é incompatível com a outra”, defende.”

A teóloga especula sobre a putativa e eventual intencionalidade das palavras do papa. Ela não fala de factos: interpreta subjectivamente aquilo que ela pensa que o papa quereria eventualmente dizer.

Isto não significa que todos os teólogos e filósofos utilizem o mesmo método de análise da teóloga Teresa Toldy. O que se quer dizer é que o argumento da teóloga Teresa Toldy não é válido. Quando interpretamos as palavras de alguém, devemo-nos basear em factos objectivos (no sentido puro das palavras, evidentemente intersubjectivas e de acordo com o senso-comum) e não (apenas) na nossa subjectividade.

“Interpretar” não é necessariamente “adulterar” ou “enviesar” ou “subjectivizar”.


Carlos Fiolhais está errado quando diz que “o perigo está em uma pessoa querer ir buscar à ciência fundamentos para a crença.”

Em primeiro lugar, a ciência é baseada em crenças. Por exemplo, quando a ciência diz que “a lei da gravidade se aplica igualmente em qualquer parte do universo”, trata-se de uma crença porque não há nenhuma verificação empírica desse facto. Este assunto “daria pano para mangas”. Em última análise, até o empirismo é uma crença.

Em segundo lugar, não há nenhuma incompatibilidade no facto de a ciência corroborar a religião (ou a metafísica). Trata-se de “corroborar”, e não de “fundamentar” como diz Carlos Fiolhais. “Corroborar” não é a mesma coisa que “fundamentar”. De modo semelhante, a religião (ou a metafísica) pode também corroborar a ciência (ou teorias científicas).

O problema do papa é que ele não quis corroborar coisa nenhuma. Como é costume nele, só disse asneiras.

Terça-feira, 21 Outubro 2014

As três dimensões da Realidade

Filed under: Ciência,filosofia,Quântica — O. Braga @ 9:36 am
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“A distinção entre matéria e espaço vazio teve que ser finalmente abandonada, quando se tornou evidente que as partículas virtuais podem ser criadas espontaneamente, a partir do vazio, e nele desaparecem novamente, sem que esteja presente algum nucleão ou qualquer outra partícula que interactue fortemente.

As partículas formam-se a partir do nada e desaparecem novamente no vácuo. De acordo com a “teoria de campo”, acontecimentos deste tipo estão constantemente a acontecer. O vácuo está longe de se encontrar vazio. Pelo contrário, contém um ilimitado número de partículas que surgem infinitamente.”

→ Fritjof Capra, “O Tau da Física”, página 184

Temos que compreender alguns conceitos exarados no texto supracitado, como por exemplo, os conceitos de “nada”, “vazio”, “partícula virtual”. E temos também que perceber a linguagem metafórica e anti-positivista não só de Fritjof Fritjof Capra, mas também a da maior parte dos físicos actuais.


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Sexta-feira, 3 Outubro 2014

Sem a confirmação da ciência, o Sol não nasce todos os dias

Filed under: Ciência,cultura — O. Braga @ 6:57 am
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Imagine o leitor que reputados cientistas se reuniam em uma conferência de imprensa para anunciar ao mundo uma nova e revolucionária descoberta: “O ser humano é um animal mamífero dotado de linguagem, bípede e inteligente”. E os me®dia anunciariam, com parangonas de pompa e circunstância, a nova descoberta da ciência; a noção de ser humano.

Hoje é absolutamente necessário que a ciência confirme o óbvio e o evidente, e a noção de ser humano só faz sentido se for corroborada pela ciência. Por exemplo, se é evidente que o Sol nasce todos os dias, essa evidência, por si mesma, não chega: é necessário que a ciência venha a terreiro confirmar o evidente, e sem a confirmação da ciência segue-se que deixa de existir o nascer-do-sol. Aquilo que a ciência não corrobore simplesmente não existe.

A ciência segue o exemplo de Groucho Marx quando perguntava: “ Acreditas no que os teus olhos mentirosos vêem, ou naquilo que eu te digo?”. E para que os nossos olhos não sejam mentirosos, temos que acreditar na ciência como em Deus Nosso Senhor.

Lemos aqui um artigo no qual se afirma que, afinal, a ciência não têm a certeza de que não exista livre-arbítrio no ser humano. Mas existe no texto um vício de forma: “a ciência ainda não tem a certeza acerca do livre-arbítrio do ser humano, mas as investigações continuam”.

Ou seja, a ciência determina que o ser humano tem livre-arbítrio — o livre-arbítrio no ser humano é, assim, determinado pela ciência. Se a ciência não determinasse o livre-arbítrio do ser humano, este não o teria. Em suma, parece que o determinismo da ciência declara a validade provisória da liberdade do ser humano.

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