perspectivas

Sexta-feira, 1 Junho 2018

Animalismo : a dogmatização do darwinismo

Filed under: animalismo,Anselmo Borges,Cientismo,politicamente correcto — O. Braga @ 5:45 pm

 

Eu fico chateado quando estou de acordo com o Anselmo Borges em alguma coisa. E eu estou de acordo com a seguinte proposição do Anselmo Borges:

“Uma das ameaças para o humanismo é a tese animalista que pretende que entre o ser humano e os outros animais não há uma distinção qualitativa, mas apenas de grau”.


darwin macaco webO grande problema dos animalistas (e dos ateístas em geral, e da neurologia em particular) é o problema da “consciência” — e não propriamente a questão da “linguagem”, a que se refere o Anselmo Borges. Os animais também se expressam e comunicam através de uma qualquer linguagem; e também existe simbolismo na linguagem dos animais.

Ou seja, se eu estou de acordo com a primeira proposição do texto do Anselmo Borges, já discordo do desenrolar do raciocínio dele — e por isso fiquei aliviado ! Afinal, nem tudo estava perdido.


O que distingue o ser humano, por um lado, e os animais, por outro lado, é a consciência e a autoconsciência, de que surgiram as proposições descritivas e a função representativa (S. Tomás de Aquino, primeiro, e Karl Bühler, muito depois) de frases que representam uma determinada situação intersubjectiva (ou seja, situação objectiva) que pode, ou não, corresponder aos factos (podem ser falsas ou verdadeiras).

É aqui (com a consciência, e por isso com as proposições descritivas e com a função representativa) que reside a diferença fundamental entre humanos e os animais.

Entre os animais existem também símbolos — por exemplo, as borboletas que simulam olhos grandes, nomeadamente para afugentar os predadores. Mas o ser humano foi o único que deu o passo no sentido de verificar (ver verificação) as suas próprias teorias através de argumentos críticos quanto à verdade objectiva (ou seja, verdade intersubjectiva) — através da função argumentativa da linguagem humana. E todas essas características humanas são produtos da consciência e autoconsciência.

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Sexta-feira, 11 Maio 2018

A hipocrisia puritana do Júlio Machado Vaz

 

Hoje ouvi na rádio pública (Antena 1, rádio do Estado) o Júlio Machado Vaz insurgir-se contra as touradas e, de uma forma implícita, a defender a proibição das touradas — argumentando, por exemplo, que “a tourada não é uma tradição em Portugal porque, de um total de 308 concelhos, apenas em 40 se realizam espectáculos de tourada” (este argumento é o mais estúpido que alguém poderia conceber: como se uma tradição pudesse ser considerada como tal independentemente da cultura antropológica; como se fosse necessário que a maioria dos concelhos de Portugal tivesse praças-de-touros para que a tourada fosse considerada tradição em Portugal.

julio machado vaz webO Júlio Machado Vaz, que hoje ouvi defender publicamente (implicitamente) a proibição das touradas em nome do alegado “sofrimento do touro”, é o mesmo Júlio Machado Vaz que fez campanha a favor da legalização do aborto gratuito pago pelo Estado (ou seja, abortos pagos por todos os portugueses).

Quando se trata do sofrimento de um ser em que já bate um coração, o Júlio Machado Vaz “chuta para canto”, porque entra em dissonância cognitiva, por um lado; e por outro lado porque ele adopta uma agenda política tenebrosa que pretende substituir uma série de tabus tradicionais e seculares por outros tabus anti-naturais.

Neste caso, o Júlio Machado Vaz (e a Esquerda em geral) pretende substituir um tabu tradicional, que eticamente impede o aborto, por um novo tabu que proíbe a tourada (eliminando o tabu do aborto da cultura antropológica). O Júlio Machado Vaz sabe que uma cultura sem tabus é um círculo quadrado; e por isso sabe que é imprescindível substituir os tabus tradicionais por outros tabus que permitam (ou que facilitem) o assalto totalitário ao Poder.

Este fenómeno político e cultural, de que é exemplo o Júlio Machado Vaz, ganhou um nome nos Estados Unidos : Virtue signalling”. Traduzindo em português: “Sinalização de Virtudes”. No fundo, trata-se de um tipo de puritanismo hipócrita que, na esteira cultural da Reforma protestante, se caracteriza por uma “guerra” contra a tradição.

Os esquerdistas actuais são os herdeiros culturais de Lutero e/ou Calvino. “Nietzsche, o grego; Karl Marx, o cristão protestante” (Albert Camus).

« Os puritanos detestavam os combates de ursos, não porque esses jogos causassem sofrimento aos ursos, mas porque davam prazer aos espectadores. »Thomas B. Macaulay 

Esse puritanismo hipócrita, de Sinalização de Virtudes e anti-tradicionalista que esteve sempre presente na cultura europeia cristã através do gnosticismo anti-cristão, evoluiu para o gnosticismo puritano moderno.

Ernest Sternberg, professor da universidade de Bufallo, Estados Unidos, escreveu um ensaio sobre as novas tendências da Esquerda a nível global que crescem actualmente sobre os escombros do marxismo-leninismo. O ensaio tem o título genérico de “Purifying the World: What the New Radical Ideology Stands For”“Purificando o Mundo: O que pretende a nova ideologia radical”.

Ernest Sternberg chama ao novo tipo de esquerdismo (renascido do marxismo cultural) que desponta e se organiza a nível internacional, de “Purificacionismo” (trata-se de uma religião monista !). O nome dado por Ernest Sternberg (Purificacionismo) está intimamente ligado ao movimento puritano inglês dos princípios da idade moderna, que Eric Voegelin descreve com uma minúcia surpreendente na sua obra “A Nova Ciência da Política”.

Quarta-feira, 4 Abril 2018

Sobre o caso Nasim Aghdam

 

nasin-animalista-webOs me®dia já se esqueceram do episódio de ontem do ataque às instalações do YouTube na Califórnia, porque o caso em si não serve a narrativa de Esquerda. Quem cometeu o crime não era um homem branco heterossexual e rico; por isso, não interessa aos me®dia prosseguir com a cumbersa sobre esse assunto.


O caso de Nasim Aghdam causou-me algum incómodo psicológico, porque ela tinha alguma razão de queixa em relação ao YouTube — embora essa razão de queixa não justificasse uma acção que poderia colocar em causa a vida de gente inocente. O YouTube, assim como o FaceBook e o Twitter, praticam a censura política de forma aberta e descarada, e de tal forma que o senador republicano Ted Cruz já defende a intervenção do Estado em relação ao FaceBook :

“By making editorial judgments about what counts as “quality” news, Facebook has shifted from a neutral platform to a publisher with an editorial opinion. As Sen. Ted Cruz explained to representatives of the tech giants in January, this undermines the case for continued legal immunity under Section 230 of the Communications Decency Act, which exempts online platforms from legal liability for content posted by their users”.


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