perspectivas

Terça-feira, 15 Abril 2014

O Brasil e a arbitrariedade da língua

Filed under: acordo ortográfico — orlando braga @ 7:04 pm
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«[Pergunta] Li no livro de estilo de um grande jornal brasileiro que a palavra «caráter» forma o plural em «caracteres» (assim mesmo, com «c» antes de «t»). Como se explica esta alteração?

[Resposta] Não é uma alteração que afete globalmente os países em que o português tem estatuto oficial. Antes parece tratar-se de uma especificidade brasileira que está há muito fixada no próprio Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa da Academia Brasileira de Letras (ver também o Dicionário Houaiss).»


Agora, pergunto eu: ¿como é possível um cidadão dominar uma língua que se afastou da sua raiz etimológica? Como é possível conhecer bem o presente sem ter uma noção do passado? E como é possível que se caia no ridículo de o singular de um substantivo não seguir a regra etimológica, mas, por outro lado, o plural do mesmo substantivo já seguir essa regra?!

Quarta-feira, 26 Março 2014

O Juiz Rui Teixeira com o politicamente correcto “à perna”

Filed under: acordo ortográfico — orlando braga @ 8:07 am

 

cao q ladra nao morde«“O Conselho Superior da Magistratura não obriga nenhum juiz a escrever ao abrigo do Acordo Ortográfico, mas também não o autoriza a impor a grafia antiga. “O Conselho Superior da Magistratura não pode indicar aos juízes a forma em que as peças deverão ser publicadas”, refere uma deliberação deste organismo de 2012, acrescentando que os magistrados “não podem indicar aos intervenientes processuais quais as normas ortográficas a aplicar”.»

Acordo ortográfico custa processo disciplinar ao juiz Rui Teixeira

Isto é uma tentativa de tentar quebrar a espinha a quem tem razão. Mas, parafraseando o poeta, “a razão, mesmo reprimida, não deixa de ser razão”.

Se um interveniente processual adoptar a escrita anterior a 1911 (aquela com que Fernando Pessoa escreveu a sua ímpar poesia!), segue-se que “o Conselho Superior da Magistratura portuguez não determina a prohibição de uso, d’esses intervenientes processuais, d’as normas ortographicas e de escripta a aplicar”. ¿Estão a ver o absurdo?

É um absurdo que um Conselho Superior da Magistratura não defina “normas a aplicar”. Se um Conselho Superior da Magistratura não define normas, ¿quem as definirá?

É claro que o Conselho Superior da Magistratura define normas, já as definiu no caso do Acordo Ortográfico 1990, mas “está com o rabo entalado”, como soe dizer-se, porque sabe que obedece a uma “normatividade anedoctica”. É que as normas do Acordo Ortográfico de 1990 conseguem ser piores e mais complicadas e confusas do que as normas revogadas pela reforma ortográfica de 1911: pelo menos, estas tinham uma certa coerência etimológica e não eram determinadas pela política correcta, em função de interesses de negócios de circunstância e de engenharias sociais.

Sábado, 15 Março 2014

A síntese é a verdade

Filed under: acordo ortográfico — orlando braga @ 5:36 am
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troxe pra voçê


«A poesia é filosofia sem lógica, e por isso é que é difícil de a entender. Ah!, poesia!, a quanto obrigas! E quanta ingratidão por ti se padece!:

“Pega
Troxe pra voçê
Te adoro
Viu”

São metáforas da Poiesis da vida e da dialéctica da construção do Devir; é a mudança em gestação, rumo à Verdade que coincide com a síntese da oposição dos contrários. “Pega / Troxe pra voçê / Te adoro / Viu” é uma expressão do Zeitgeist que contém em si o mundo inteiro.»

(José Manuel Pureza)

Sexta-feira, 14 Março 2014

A Heloísa Apolónia e a simplificação das regras de escrita

Filed under: acordo ortográfico — orlando braga @ 7:25 am
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“A simplificação das regras de escrita constitui (…) uma forma de democratização da língua portuguesa” — Heloísa Apolónia (proposição respigada aqui).

Antes de mais: segundo o Acordo Ortográfico, ¿escreve-se Heloisa (sem acento no “i”), ou Heloísa (com acento)?


¿O que significa “simplificação de regras”?

heloisa-apoloniaUma regra é a fórmula que indica ou prescreve a conduta a seguir, ou a acção a realizar em uma situação, ou, neste caso concreto, no domínio da escrita.

Outra pergunta, à laia de exemplo: ¿como se podem simplificar as regras morais? Ou ¿como se podem simplificar as regras da composição musical? Ou, ainda, ¿como se podem simplificar as regras do cálculo? A verdade é que as regras não se simplificam: em vez disso, substituem-se por outras regras. Uma regra substituída por outra não é a primeira regra “simplificada”.

Não é possível “simplificar uma regra”: o que é possível é substituir uma regra por outra regra. O conceito de “simplificação das regras da escrita” é absurdo.

Um regra indica o “caminho recto” ou correcto a tomar, para se agir em conformidade com uma norma em vigor em um determinado domínio do pensamento ou da acção, ou dos princípios que prescrevem uma via (o meio) a seguir para atingir determinado fim.

A norma é o critério ou princípio que rege a conduta ou o comportamento, ou ao qual nos referimos para fazer um juízo de valor; e é “normativo” qualquer juízo ou discurso que enuncie tais princípios. A norma, que implica a regra, conduz à prescrição dos comportamentos ou de estados aos quais está ligado em valor especial.

Ou seja, não é possível alterar uma norma e/ou uma regra sem que o valor dessa norma seja colocado em causa e seja substituído por um outro valor.

¿E o que significa “democratização da língua”?! ¿Será que a língua de um povo inteiro não é democrática? ¿Será que a língua portuguesa, que pertence nomeadamente ao povo português, não é do povo?!

¿Por que é que a Heloisa Apolónia não vai trabalhar?!!!!

Sábado, 8 Março 2014

A modorra pestilenta do Acordo Ortográfico

Filed under: acordo ortográfico — orlando braga @ 3:29 pm
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“O modo como a Assembleia da República está a fugir de tomar posições é bem revelado no modo como se empurrou para o eterno e adiado futuro a decisão sobre o Acordo Ortográfico.

Percebe-se que a opinião dos deputados não conta para nada, mesmo havendo uma possível maioria contra o Acordo, e que apenas a força do impasse político internacional, transformada em inércia, mantém as coisas como estão.

Ou seja, a língua portuguesa continua a estragar-se todos os dias, apenas porque ninguém quer saber disso nas elites políticas, nem tem coragem de dizer sim ou não. Ou não quer defrontar os interesses que explicam a manutenção de um acordo moribundo, mas deixado apodrecer no meio das palavras de uma velha língua que infecta e gangrena. Estamos assim.”

José Pacheco Pereira

Ano Regis et Anno Regis

 

Em latim, em algumas declinações, as palavras eram pronunciadas da mesma maneira; por exemplo, ânus e ano:

Multi anni elapsi sunt (muitos anos passaram)

e

Ani orificium non hominibus loquitur (o orifício anal não produz discursos)


Os romanos tiveram, neste exemplo (mais há muitos mais), a preocupação de separar o cu, por um lado, e a cronologia temporal, por outro lado. Parece-me um exercício saudável, da parte dos romanos: é que, normalmente, o cu não tem nada a ver com as calças. Embora as duas palavras se pronunciassem de forma idêntica, as duas grafias eram diferentes. Os romanos eram inteligentes.

No português acordita, temos, por exemplo, a palavra “espetadores”, que se refere simultaneamente àqueles que espetam qualquer coisa, e àqueles que assistem, por exemplo, a uma tourada. Ou seja, numa tourada há dois tipos de “espetadores”: os bandarilheiros e o público das bancadas. Os romanos eram mais inteligentes.

Existem muitas pessoas que parece que não sabem sequer que a língua portuguesa teve origem no latim, por um lado, e por outro lado, e contra a ideia etimológica, defendem o princípio segundo o qual se deve escrever conforme se fala. Se os romanos escrevessem conforme se fala, confundiriam o Cu do Senhor com o Ano do Senhor; mas os romanos eram inteligentes.

E dizem os actuais “inteligentes” que a crítica ao Acordo Ortográfico é “afetiva”, e, alegadamente, se deve escrever conforme se fala. E escrevem este relambório todo para tentar esconder o verdadeiro problema: é um absurdo que se defenda que uma língua se deve escrever conforme se fala. Este princípio está errado.

Portanto, o problema não é “afetivo”: antes, é um problema racional e de respeito pela razão. É que Ano Regis não é a mesma coisa que Anno Regis. Embora Ano e Anno se pronunciem da mesma maneira, Ano Regis significa “o cu do rei”, e Anno Regis “o ano do rei”.

Quinta-feira, 27 Fevereiro 2014

O maçon inveterado e corrupto Luís Montenegro está contra a suspensão do Acordo Ortográfico

Filed under: acordo ortográfico,Maçonaria — orlando braga @ 4:55 pm
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O problema do Partido Social Democrata é o da influência da maçonaria corrupta no partido. O Partido Social Democrata é hoje mais vulnerável à corrupção maçónica do que o Partido Socialista. Quando a maçonaria constitui uma força política não-democrática formidável, e simultaneamente torna-se profundamente corrupta, pode levar um país inteiro à degradação moral, cultural e civilizacional.

luis montenegro acordo ortografico

Terça-feira, 25 Fevereiro 2014

A falácia do “medo do futuro”

Filed under: acordo ortográfico — orlando braga @ 6:35 pm

 

Vejamos este trecho acerca do Acordo Ortográfico:

“Mas, atenção: o acordo é apenas uma reforma entre muitas que se fizeram no português e nas outras línguas vizinhas. Não é o bicho-papão que muitos querem fazer crer e, acima de tudo, não é uma imposição do Brasil a Portugal (a ortografia brasileira também muda: perde um acento, por exemplo — o trema).

Por isso, custa-me que as pessoas que são “do meu campo” (contra o acordo) caiam em exageros, como dizer que o acordo leva a “corte de raciocínio”, que “ficámos aleijados”, que leva a uma “descida do nosso nível cultural”, que vamos ficar “deficientes linguísticos” (tudo incluído no artigo do Público de Maria Alzira Seixo). Tudo isto é um exagero, porque não ficamos mancos de raciocínio (profissionalmente, tenho de escrever de acordo com o AO e não sinto qualquer dificuldade acrescida de raciocínio), não ficamos deficientes linguísticos, não descemos o nosso nível cultural ao escrever de acordo com o Acordo.”


Agora vamos ver qual o argumento principal dos defensores belgas da eutanásia para as crianças, contra os que são contra essa lei: dizem os defensores da eutanásia que os que são contra ela incorrem na falácia do “medo do futuro”, porque alegadamente fazem cenários negros e exagerados acerca do impacto da liberalização da eutanásia na sociedade.

Imaginem agora o que pensaria um defensor da revolução sexual da década de 1960 se lesse uma notícia segundo a qual o lóbi político gayzista, em 2014, está a processar judicialmente a Igreja Anglicana para poder ter acesso a celebrações religiosas casamenteiras nas igrejas cristãs inglesas.

Ou seja, a falácia do “medo do futuro” é, em si mesma, uma falácia, porque a experiência demonstra-nos que quando violamos reiteradamente determinados princípios éticos dificilmente conseguimos prever até onde a nossa prevaricação nos pode levar — o libertarismo transforma-se no seu contrário, exigindo, a determinado ponto da expansão do libertarismo, a implantação de um totalitarismo para que uma pequena elite minoritária possa continuar a ser “libertária”.


O problema do Acordo Ortográfico é, em primeiro lugar, a quebra de determinados princípios. Por exemplo, o princípio da soberania do povo sobre a língua foi quebrado pelas elites. E sabemos por experiência que quando determinados princípios são quebrados sem qualquer oposição, as elites transformam a cultura em um capricho elitista.

Sem querer fazer uma comparação entre a eutanásia para crianças e o Acordo Ortográfico, faço apenas uma analogia. Não devemos permitir que as elites nos imponham discricionariamente a quebra de princípios vitais para a sociedade, e a soberania da língua é um desses princípios.

Quinta-feira, 20 Fevereiro 2014

Miguel Esteves Cardoso e o Acordo Ortográfico

Filed under: acordo ortográfico — orlando braga @ 12:38 pm

 

MEC acordo ortografico web

Segunda-feira, 17 Fevereiro 2014

Quem fala assim não é acordita

Filed under: acordo ortográfico — orlando braga @ 5:10 pm

 

acordo ortografico“O acordo ortográfico é uma decisão política e como tal deve ser tratado. Não é uma decisão técnica sobre a melhor forma de escrever português, não é uma adaptação da língua escrita à língua falada, não é uma melhoria que alguém exigisse do português escrito, não é um instrumento de cultura e criação.

É um acto político falhado na área da política externa, cujas consequências serão gravosas principalmente para Portugal e para a sua identidade como casa-mãe da língua portuguesa. Porque, o que mostra a história das vicissitudes de um acordo que ninguém deseja, fora os governantes portugueses, é que vamos ficar sozinhos a arcar com as consequências dele.

O acordo vai a par do crescimento facilitista da ignorância, da destruição da memória e da história, de que a ortografia é um elemento fundamental, a que assistimos todos os dias. E como os nossos governantes, salvo raras excepções, pensam em inglês “economês”, detestam as humanidades, e gostam de modas simples e modernices, estão bem como estão e deixam as coisas andar, sem saber nem convicção.”

— José Pacheco Pereira (ler o resto)

Sábado, 18 Janeiro 2014

José Pacheco Pereira: está na hora de acabar com o erro que é o Acordo Ortográfico

Filed under: acordo ortográfico — orlando braga @ 7:41 am
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“Está na hora de acabar com o acordo ortográfico de vez e voltarmos a nossa atenção e escassos recursos para outros lados onde melhor se defende o português, como por exemplo não deixar fechar cursos sobre cursos de Português nalgumas das mais prestigiadas universidades do mundo, ter disponível um corpo da literatura portuguesa em livro, incentivar a criatividade em português ou de portugueses e promover a língua pela qualidade dos seus falantes e das suas obras. Tenho dificuldade em conceber que quem escreve “aspeto” – o quê? – em vez de “aspecto”, em português de Portugal, o possa fazer.”

José Pacheco Pereira (in Jornal Público, 18 de Janeiro de 2014)

Caso o texto “desapareça” da Internet (já não me admiro nada, com a auto-censura instalada nos me®dia), podem ler aqui o texto integral em ficheiro PDF.

Segunda-feira, 9 Dezembro 2013

António Emiliano: “Os Linguistas não são donos da língua”

Filed under: acordo ortográfico — orlando braga @ 12:21 pm
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Antonio emiliano

Podem ver o vídeo aqui, ou escutar o som aqui em baixo.


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