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Quinta-feira, 9 Junho 2022

O Utilitarismo Dialéctico, utilizado na normalização da eutanásia e na cultura da morte

Filed under: aborto,eutanásia,utilitarismo — O. Braga @ 12:51 pm
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oito portugueses web

“A legislação para a eutanásia ainda não foi aprovada em Portugal, o que leva a que muitos portugueses com doenças terminais ou incapacidades permanentes viajem para outros países para pôr termo à vida. É o caso da Suíça.”

Portanto, “oito cidadãos portugueses que se suicidaram na Suíça” = “muitos portugueses com doenças terminais ou incapacidades permanentes viajem para outros países para pôr termo à vida”.

“Oito portugueses = muitos portugueses”.


Este argumento — o do absolutismo da irrevogabilidade dos direitos do indivíduo, que faz dos direitos do indivíduo uma política em si mesma — está ligado a um dos dois braços da dialéctica do utilitarismo: a proposição positiva, que diz que os homens devem ser considerados como indivíduos egoístas, calculadores e racionais, e que tudo deve ser pensado e elaborado a partir do seu ponto de vista.

Esta proposição positiva é seguida, no caso da normalização da eutanásia, pelo partido IL (Iniciativa Liberal), e pela facção de Rui Rio no PSD (incluindo o José Pacheco Pereira); mas também por utilitaristas ditos “de Esquerda”, como por exemplo Isabel Moreira e a maior parte do Partido Socialista.


Em complemento dialéctico à proposição positiva supracitada (“eu quero ser dono da minha morte!”, como diz o José Pacheco Pereira), temos uma proposição normativa, que afirma que os interesses dos indivíduos, a começar pelo meu próprio, devem ser subordinados e mesmo sacrificados à felicidade geral ou do “maior número”.

O argumento normativo a favor da normalização da eutanásia é o mesmo utilizado para a normalização do aborto:

“Morreu uma mulher em Portugal devido a aborto clandestino! E por isso, é necessário normalizar o aborto!”

Esta proposição normativa é seguida principalmente (mas não só) pelo Bloco de Esquerda: e quem não fizer parte do “maior número” do colectivo, está futricado, é descartável e “não conta para o totobola”. Esta é a proposição da dialéctica utilitarista utilizada para instituir um eugenismo encapotado e para “descartar” os mais indefesos da nossa sociedade.

Os defensores da normalização da eutanásia utilizam, à vez e conforme as conveniências circunstanciais, cada uma das duas proposições: ora a proposição positiva (“eu quero ser dono da minha morte!”), ora a proposição normativa (“os interesses individuais devem ser subordinados à felicidade geral”).

Estas duas proposições são contraditórias entre si; mas a utilização dialéctica das duas proposições é imbatível, do ponto de vista da argumentação, porque ela cobre todo o espectro da discussão política: o indivíduo e o colectivo — abrangendo uma axiomática do interesse (“eu quero ser dono da minha morte!”), por um lado, e uma axiomática sacrificialista (“é necessária a felicidade geral”), por outro lado, que é simultaneamente um encantamento pelo egoísmo e uma apologia do altruísmo, e tentativa de reconciliar um ponto de vista ferozmente individualista, por um lado, e por outro lado uma vertente colectiva, globalizada e holista.

A estratégia política contraditória da dialéctica utilitarista é imbatível.

A única forma de vencer a estratégia política da dialéctica utilitarista é recorrendo à violência. Não há outra forma.


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