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Terça-feira, 23 Novembro 2021

A “formação de massa” covideira é diabolicamente para-totalitária

Filed under: José Pacheco Pereira,totalitarismo,Totalitarismo de Veludo — O. Braga @ 6:58 pm
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Hannah Arendt explicou bem a diferença entre “ditadura” (por exemplo, a de Salazar), por um lado, e “totalitarismo” (por exemplo, o comunismo e/ou o nazismo), por outro lado.

Em 2010, escrevi o seguinte:

“Na radical atomização da sociedade que é apanágio dos totalitarismos, não existe o “deserto político” das ditaduras vulgares (como a de Salazar ou de Franco em Espanha), nas quais ficava claro que os interesses e mundividência do tirano se opõem, e se impõem pela força, aos interesses e mundividências de uma maioria;

no totalitarismo, existe, em vez disso, uma ilusão de liberdade, dando a ideia generalizada de que a vida cultural e política não tem origem em uma força coerciva imposta pelas elites, mas antes que surge da espontaneidade social radicalmente atomizada.

O totalitarismo convence as pessoas de que não vivem em um sistema totalitário.”


O cidadão comum da Alemanha nazi (ou da ex-URSS, no início da revolução) tinha a sensação de viver em liberdade; o regime totalitário convenceu-o de que ele era “livre”, por um lado, e por outro lado ele tinha a sensação de que as decisões políticas do regime nazi tinham claramente como objectivo o “bem colectivo”.

Esta ilusão de liberdade, própria dos regimes totalitários (e não das “ditaduras”, propriamente ditas), é paradoxal.

O processo começa, em primeiro lugar, com uma ideologia; e depois, com a imposição, na cultura antropológica — através dos me®dia — de uma narrativa política que se caracteriza por uma determinada interpretação delirante da realidade.

Chamamos a este processo de estruturação primordial do totalitarismo de “formação de massa1 .

TOTALITARISMO-VOEGELIN

Qualquer tipo de “formação de massa” tem como origem a inculturação de um determinado medo do futuro, ou mesmo de aterrorização das massas através da propaganda dos me®dia. Na Alemanha nazi, o papel do ministro da propaganda (Joseph Goebbels), por intermédio dos me®dia, foi de crucial importância na afirmação totalitária do movimento político nazi.

Através da disseminação social do medo (mais ou menos difuso), a ideologia encontra invariavelmente o seu objecto de repúdio, o seu bode expiatório ou inimigo social (o objecto do medo). Mediante a descoberta desse bode expiatório (por exemplo, os judeus na Alemanha nazi), então o medo desaparece, e o cidadão sujeito à “formação de massa” tem agora uma resposta para o seu medo que lhe transmite um novo sentido de solidariedade social: a culpa (dos males da sociedade) é dos judeus, ou dos não-vacinados.

Em um regime totalitário (com a “formação de massa”), à medida em que as vozes dissidentes são eliminadas ou se calam voluntariamente, as massas começam a cometer atrocidades em nome da “solidariedade” e do “bem colectivo”. Em nome do “bom interesse colectivo”, surge o epíteto ideológico de “negacionista” propalado pelos me®dia criminosos.

Com a “formação de massa”, vai paulatinamente desaparecendo a racionalidade e o espírito crítico (a irracionalidade volta a estar na moda) em circulação na sociedade.

Este fenómeno de rarefacção da racionalidade explica o facto, por exemplo, de o “intelectual” José Pacheco Pereira defender publicamente a segregação social dos não-vacinados — mesmo sabendo que a vacinação não impede a infecção e transmissão do vírus! O rei francês Luís IX (por exemplo), visitava os leprosos nos seus leitos de morte, não temendo a infecção e dando um sinal claro de fomento de uma civilização; em oposição a Luís IX, o José Pacheco Pereira defende a barbárie.

A irracionalização da sociedade, conseguida por intermédio de uma difusão agressiva, sistemática e me®diática do medo, torna as pessoas intolerantes em relação aos “relapsos da ideologia” vigente: a dissidência ideológica deixa de ser permitida pela “formação de massa”.

E as elites, buscando um Poder absoluto, não se podem permitir que os indivíduos que compõem a “formação de massa” acordem da hipnose colectiva em que se encontram — porque se o povo acordar, poderá constatar as perdas imensas que a ideologia das elites causou na sociedade. Através do estudo da História, verificamos que os organizadores de uma qualquer “formação de massa” são invariavelmente eliminados fisicamente pelo povo que acorda do torpor hipnótico causado pela respectiva ideologia.


Notas
1. Conforme definido pelo psicólogo francês Matthias Desmet. Aqui, o conceito de “massa” deriva do conceito de “homem-massa”, de Ortega y Gasset.

2 comentários »

  1. Nas ditaduras, nem sempre “os interesses e mundividência do tirano se opõem, e se impõem pela força, aos interesses e mundividências de uma maioria”. Por exemplo, Pinochet no Chile reproduzia a mundividência prévia da maioria do povo chileno.

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    Comentar por Denis Camursa — Quarta-feira, 24 Novembro 2021 @ 2:08 pm | Responder

    • Não é verdade o que você escreve. Não confunda “anuência” com “participação activa”.

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      Comentar por O. Braga — Quarta-feira, 24 Novembro 2021 @ 2:15 pm | Responder


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