perspectivas

Sábado, 12 Junho 2021

A teoria do Aquecimento Global Antropogénico e o princípio da falsificabilidade de Karl Popper

O Henrique Sousa explana aqui (e muito bem!) as razões por que a teoria do Aquecimento Global Antropogénico é uma teoria  metafísica (é uma teoria que não pode fazer parte das Ciências da Natureza), na medida em que não é falsificável.


Para que se compreenda o que se quer dizer, vejamos a seguinte proposição:

“Todos os deuses falam grego”.

¿Será que esta proposição pode ser considerada como sendo passível de investigação científica? ¿Como é que eu posso ter a certeza de que “todos os deuses falam grego”?!

Esta proposição poderia fazer parte da ciência (da investigação científica) se alguém pudesse demonstrar que existe (pelo menos) um deus que falasse latim (por exemplo) — o que faria com que a referida proposição pudesse ser falsificada, porque a ciência parte do princípio segundo o qual toda a regra ou categoria tem (implicitamente) excepções (indução).

E são as excepções (demonstráveis) à regra geral que definem a falsificabilidade de uma teoria, e por isso, são as excepções que estipulam que uma teoria pode fazer parte de uma investigação científica.

Portanto, a proposição “todos os deuses falam grego” é uma proposição metafísica; não pode fazer parte das Ciências da Natureza enquanto não for encontrada uma excepção à regra proposicional que seja demonstrável.


Vejamos outra proposição:

“Todos os cisnes são brancos”.

A partir do momento em que alguém demonstre que existe (pelo menos) um cisne preto, esta proposição é falsificada, e por isso ela pode passar a fazer parte de uma investigação científica. A partir do momento em que a proposição “todos os cisnes são brancos” é falsificada, deixa de ser uma proposição metafísica e passa a ser uma proposição científica.


falsificabilidade-web

O problema actual é que o princípio da falsificabilidade, de Karl Popper, foi substituído, na “ciência” do Pós-modernismo, pelo princípio do “paradigma”, de Thomas Kuhn: por exemplo, se a comunidade cientifica acreditar (trata-se de uma fé inconfessável) na teoria segundo a qual “a chama da combustão do bário é verde por causa de uns átomos marcianos, verdinhos, que compõem a molécula do bário”, então esta teoria passa a ser um paradigma científico, e qualquer pessoa que se oponha a esse paradigma é considerada “reaccionária” ou “retrógrada”.

Se lermos um qualquer manual actual de filosofia da ciência, o princípio de falsificabilidade de Karl Popper ocupa, no máximo, uma página em toda a obra.


Para que se compreenda o enorme problema que advém da secundarização — por parte da comunidade científica pós-moderna — do princípio de falsificabilidade de Karl Popper, vejamos o exemplo da “teoria da contracção”, de Lorentz:

Lorentz criou uma teoria segundo a qual “todos os corpos na Terra se submetem a uma contracção momentânea na direcção do movimento da Terra, através do éter circundante”.

Foi através desta teoria que Lorentz explicou o resultado da experiência Michelson-Morley, que demonstrou que a velocidade a que a luz se desloca é a mesma em todas as direcções da superfície terrestre — sendo que a experiência Michelson-Morley era inconsistente com a “teoria do éter”, previamente estabelecida, segundo a qual “a velocidade a que a luz se desloca deveria ser mais baixa na direcção do movimento”.

Ou seja: a teoria da contracção de Lorentz restabeleceu a concordância entre a teoria (previamente estabelecida do “éter”) e a experimentação! (de Michelson-Morley) — mas fê-lo de uma forma atabalhoada. Porém, na época de Lorentz, esta teoria assumiu a condição de paradigma na comunidade científica!

Karl Popper citou a teoria da contracção de Lorentz como um exemplo de uma teoria que teria que ser excluída da ciência empírica através do critério da falsificabilidade.


Contudo, com o Pós-modernismo, a consistência e a objectividade das Ciências da Natureza foram claramente ameaçadas: “cientistas” como Feyerabend (através do seu/dele conceito de “Anything Goes”) , Thomas Kuhn, Lakatos e/ou Laudan, aumentaram decisivamente a influência da subjectividade nas Ciências da Natureza.

Por isso é que eu defendo a importância crescente de Kant na cultura pós-moderna actual.

O “criticismo” (assim se denomina a doutrina de Kant) é hoje importantíssimo para separar as Ciências da Natureza, por um lado, da metafísica transformada em “ciência” (ou cientismo), por outro lado. E Karl Popper seguiu, de forma assumida e explicita, o criticismo de Kant.

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