perspectivas

Quarta-feira, 25 Março 2020

Eu não estou disposto a perder a minha liberdade individual

Filed under: liberdade,liberdade de expressão — O. Braga @ 10:27 am
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O que me separa da chamada “extrema-direita” (seja o que for que isso signifique, por exemplo, Juan Manuel de Prada, em Espanha) é a ideia (de Prada, nomeadamente) segundo a qual é necessário alienar a nossa liberdade individual em prol de alguma coisa que chamam de “bem-comum”.

liberdade-individual

Eu não estou disposto a perder um milímetro da minha liberdade individual senão por um tempo limitado (Notrecht)— por exemplo, devido a uma possível guerra; mas, do que esta gente (da dita “extrema-direita”) fala, é de perda permanente de liberdade individual em prol de um alegado e chamado “bem-comum”, o que vai de encontro a uma certa mundividência de Esquerda que também sacrifica a liberdade do indivíduo em função de um putativo “superior interesse” colectivista.

Esta é uma das razões por que eu não me considero de “extrema-direita”, mas antes considero-me um “reaccionário” (não são sinónimos).

O reaccionário não procura a glória imanente: em vez disso, procura a ética dos valores e a ordem metapolítica — aquela ordem que está para além da política de cada época ou de cada “espírito do tempo”.

sloterdijk

“O reaccionário é aquele que não só tem um sentido apurado para detectar o absurdo, mas também tem um palato adequado para o saborear.”
→ Nicolás Gómez Dávila

O filósofo alemão Peter Sloterdijk, em uma entrevista recente ao jornal francês “Le Point”, declarou que — devido (nomeadamente) às medidas securitárias tomadas por quase todos os governos dos países da União Europeia face à epidemia do Coronavirus — “o sistema ocidental irá revelar-se tão autoritário quanto o da China”; e eu concordo que a tendência do leviatão da União Europeia para um autoritarismo de tipo chinês (a que eu chamei de sinificação) é clara e evidente, e é própria da agenda política do globalismo que une a Esquerda internacionalista/ trotskista, por um lado, e a plutocracia anglo-saxónica, por outro lado.

Dois exemplos desta síntese ideológica e política (a sinificação, ou a aliança entre globalistas e trotskistas) são o António Guterres e o papa Chicozinho.

A manutenção da liberdade individual — defendida, por exemplo, por Santo Agostinho, S. Tomás de Aquino, e Kant — não é incompatível com a hierarquização da sociedade: pelo contrário, e dentro da tradição cristã, só pode haver verdadeira hierarquia se for garantida a liberdade do indivíduo (o livre-arbítrio) — a liberdade individual serve de contra-poder em relação à hierarquia (de dominação), porque a hierarquia, per se, não é sinónimo automático de “superioridade moral” e/ou legitimidade política (vide S. Tomás de Aquino).

Estas medidas securitárias — na sequência do Coronavirus — têm-se mostrado muito “convenientes” para uma certa elite política globalista nos países da União Europeia.

1 Comentário »

  1. Reaccionária presente aqui também. Primeiro, pelas razões apresentadas, as quais subscrevo totalmente e porque não me identifico com totalitarismos, venham eles da esquerda (China e demais globalistas), ou de uma direita inexistente neste mundo.

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    Comentar por Ana — Quarta-feira, 25 Março 2020 @ 7:53 pm | Responder


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