perspectivas

Quarta-feira, 18 Dezembro 2019

O gnosticismo abjecto do Anselmo Borges

O Anselmo Borges não se dá conta das suas contradições — acho extraordinário que um indivíduo destes seja professor universitário de filosofia e “teólogo”.

1. A concepção de “cristianismo”, segundo o Anselmo Borges e comandita, é (escandalosamente) gnóstica: baseia-se no conhecimento, por um lado, e coloca em segundo plano ou elimina a graça, por outro lado. E sendo gnóstica, não pode ser cristã. Um “gnóstico cristão” é uma contradição com pernas.

"o cristão do futuro será místico, isto é, alguém que "experienciou" algo, ou não será cristão, porque a espiritualidade do futuro já não se apoiará num ambiente religioso generalizado, anterior à experiência e à decisão da pessoa."

Segundo este conceito de “Cristianismo”, o “cristão do futuro” não será cristão (porque o Cristianismo será extinto), desde logo porque a “experiência” religiosa (do indivíduo) é subjectiva — não pode ser medida, de forma objectiva —, e por isso ela não pode ser um critério de aferição da religiosidade da pessoa; o conceito de “Cristianismo”, segundo o Anselmo Borges e sequazes, conduz inexoravelmente à abolição objectiva do Cristianismo enquanto tal — porque, do ponto de vista social, a religião deixará de existir.

Celso e Porfírio inventaram o Jesus revolucionário. 

O dogma da bondade natural do Homem formula, em termos éticos, a experiência central do gnóstico: o Homem é naturalmente bom porque é naturalmente deus (Spinoza).

O Anselmo Borges é objectivamente um inimigo da Igreja Católica. Ou então, é burrinho e não se dá conta das suas (dele) contradições.


Vamos definir “religião”.

A religião é um conjunto de crenças e de ritos que compreendem um aspecto subjectivo (o sentimento religioso ou a fé) e um aspecto objectivo (as cerimónias, as instituições, os ritos, e um templo).


O conceito de “Cristianismo do futuro” — segundo o Anselmo Borges, os seus sequazes da Nova Teologia e da Teologia da Libertação, e também segundo o Frei Bento Domingues (é tudo a mesma tropa fandanga!) — diz que a parte subjectiva da religião (ou seja, o sentimento religioso ou a fé) constitui a experiência individual, por um lado, e por outro lado pretende abolir o aspecto objectivo da religião (ou seja, as cerimónias, as instituições, os ritos, e um templo).

Ora, a abolição do aspecto objectivo do Cristianismo implica o fim deste enquanto religião. É isto que o Anselmo Borges objectivamente defende.

2. Na Idade Média, a noção de “religião” não existia (do ponto de vista da cultura antropológica). Para o homem medieval, falar de “religião” seria como falar do ar que ele respirava: não lhe lembraria isso, e nem ao careca!

¿Conseguem imaginar um homem medieval (clérigo, paisano ou fidalgo) a conjecturar sobre o ar circundante?
Pois, de modo semelhante, não lhe passaria pela cabeça falar de “religião” — porque a religião (cristã) fazia parte da sua própria realidade em termos idênticos ao do ar que ele respirava.

Foi com a “reforma” protestante que o Cristianismo (a religião) passou a estar separado do indivíduo e da sociedade; e foi graças à “reforma” protestante que surgiu a Nova Teologia e a Teologia da Libertação .

A missão (satânica) do papa Chico e dos seus sequazes (entre os quais o Anselmo Borges) é o de protestantizar a Igreja Católica.

Acho extraordinário que alguém (como é o caso do Anselmo Borges e do Frei Bento Domingues) que faz a apologia da Nova Teologia se possa afirmar como “católico”. Extraordinário! A que ponto chegamos !

gnosticismo-web3. Se retirarmos à religião o seu aspecto objectivo — as cerimónias, as instituições, e os ritos a que o burrinho Anselmo Borges chama de “ritualismos secos” —, deixa de ser religião (ver definição de “religião”).

Estamos em presença (no conceito de “religião” do Borges) da versão actual de gnosticismo e de puritanismo: a recusa de contemplar Deus, e/ou o Bem, senão através do intelecto e da “experiência” alegadamente “privilegiada” e elitista.

O Racionalismo é o pseudónimo oficial de Gnosticismo.

O puritano (religioso, neste caso, porque há hoje puritanos ateus) é um homem cuja mente não tem férias; e não deixa que nada se interponha entre ele e o seu deus (e vem daqui o conceito de “experiência” individual, de Anselmo Borges e dos protestantes católicos): uma atitude que implica um desprezo elitista em relação aos modernos Hílicos (que são aqueles católicos “chãos e básicos”, os tais que se envolvem em “ritualismos secos”).

Para os actuais gnósticos e puritanos (da laia do Anselmo Borges e do papa Chicozinho ), é muito melhor rezar num palheiro do que numa catedral gótica, pela simples razão de que a catedral é bela e de construção dispendiosa: para os novos gnósticos e puritanos, a beleza física é um símbolo falso e sensual que se interpõe entre o intelecto e o objecto de adoração (o deus deles).

Ademais, para os novos gnósticos e puritanos (como é o caso do Anselmo Borges), Deus só pode ser adorado através de uma directa contemplação (sem qualquer tipo de intermediação, e vem daí a iconoclastia do puritano Anselmo Borges): para eles, é perversa a adoração de Deus por intermediação dos santos católicos ou da Mãe de Jesus Cristo, e/ou mediante o hábito dos ritos, e/ou através do instinto humano em relação à Beleza.

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