perspectivas

Quarta-feira, 24 Abril 2019

O grande erro da Conferência Episcopal Portuguesa: adaptar a doutrina católica às opiniões publicadas no FaceBook

 

A Conferência Episcopal Portuguesa pretende cativar a juventude através da banalização das Escrituras; mas a estratégia de marketing ideológico não irá certamente resultar: quem não é jovem não irá à missa por causa da vulgarização do discurso doutrinal; e quem é jovem não vai à igreja porque pode tratar Deus por “tu”. Eu, pelo menos, vou deixar de ir à missa católica se o Padre começar a tratar Deus por “meu cunhado” ou “tiozinho da aldeia”, ou coisa que o valha.

Nova tradução da Bíblia trata Deus por  tu  e altera orações como o Pai Nosso

Um absurdo, tudo isto. O clero continua um processo de deterioração hermenêutica e simbólica das Escrituras, fenómeno que já vem do Concílio do Vaticano II.

O clero progressista nunca decepciona quem é apreciador do ridículo — é este o clero que hoje absolve os pecados, em vez de absolver os pecadores.

Antes do Concílio do Vaticano II, os clérigos tontos (da espécie do Frei Bento Domingues) atacavam a Igreja — os mesmos tontos que hoje a reformam.

O progressismo católico é uma tentativa de adaptar a doutrina católica às opiniões publicadas no FaceBook, e a outras opiniões patrocinadas pelas agências de notícias e por agentes de publicidade.

A degradação do Cristianismo, da responsabilidade do clero, já não é somente ética: é sobretudo sociológica.

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2 comentários »

  1. As traduções brasileiras já trazem o “tu”, mas nunca tive problema com isso. O “vós” só caberia quando se tivesse se referindo à trindade, mas na Bíblia isso não ocorre, senão, em uma ou duas passagens. Na maioria dos casos a interação se dá com as pessoas da Trindade, individualmente. Na maioria das vezes com o Pai, muitas vezes com o Filho e algumas vezes com o Espírito Santo.

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    Comentar por Jobson Coutinho — Quarta-feira, 24 Abril 2019 @ 9:52 pm | Responder

    • Em primeiro lugar, o que se faz no Brasil não pode ser NECESSARIAMENTE entendido como exemplo a seguir: há muita coisa que se faz no Brasil que não deve ser seguido por ninguém — por exemplo, a quantidade anual de homicídios no Brasil.

      Em segundo lugar, o original da Bíblia (em grego) não utiliza o “tu”.

      Repito: o texto bíblico original, escrito em grego antigo (grego clássico), não utiliza o “tu” quando se refere a Deus.

      Portanto, o que a Conferência Episcopal Portuguesa pretende fazer não é uma tradução : é uma interpretação adaptada a uma determinada cultura.

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      Comentar por O. Braga — Quarta-feira, 24 Abril 2019 @ 10:01 pm | Responder


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