perspectivas

Sexta-feira, 15 Fevereiro 2019

Os bolcheviques (a Esquerda) e os mencheviques (a “Direita”) actuais

Filed under: liberalismo,liberdade — O. Braga @ 8:00 pm

 

A “escravidão” é um estado existencial/ontológico; a “escravatura” é um estado político/social.

“Viver na escravidão” pode não ser a mesma coisa que “viver na escravatura”. Pode-se viver, por exemplo, na “escravidão dos vícios” (a submissão aos vícios), ou, em termos poéticos, na “escravidão do amor” (a submissão em relação ao ente amado).

Porém, os brasileiros chamam à escravatura, “escravidão” — como podemos verificar neste texto.


Contudo, o mais incómodo do referido texto é a “crítica” que faz ao conservadorismo (através da critica a Edmund Burke) — não que o conservadorismo não seja passível de qualquer crítica: não se trata disso; o problema é que a crítica em referência no texto não faz sentido (não tem lógica).

A referida crítica ao conservadorismo é escorada em uma análise de uma obra de ficção literária. O autor do texto recorre a um romance ficcional para propôr uma crítica ao conservadorismo — o que é um completo absurdo.

Aliás, este é o método tradicional da Esquerda: recorrer à narrativa ficcional, muito carregada emocionalmente (o apelo sistémico à emoção), para fazer valer os seus pontos de vista; por isso é que os “liberais” actuais fazem parte da Esquerda: estes também são “progressistas”, no sentido em que também concebem o “progresso” como uma lei da Natureza.


Vivemos em um mundo em que o confronto político entre mencheviques e bolcheviques se globalizou: a Esquerda (os bolcheviques actuais) e a dita “Direita” (os mencheviques actuais) são duas facções do mesmo partido global.
E quem não faz parte (quem não identifica com esse) desse partido dos bolcheviques e mencheviques coevos, não pode ser “progressista”.

Os bolcheviques (a Esquerda) e os mencheviques (a “Direita”) actuais, partem do princípio errado segundo o qual “existiu um progresso real e positivo nas sociedades ocidentais desde o Iluminismo até aos nossos dias” — quando, na realidade, o único “progresso” que existe realmente é o que se verifica nas Ciências da Natureza, e mesmo este progresso científico não está isento de erros, de avanços e recuos.

A liberdade a que o “liberal” actual aspira, não é a de um homem livre, mas antes é a liberdade de um escravo em dia de feira. A verdade é que a dignidade do ser humano não está na sua (pretensa e alegada) liberdade, mas antes está no tipo de restrições livremente aceites pela sua vontade.

Os mencheviques e bolcheviques de hoje justificam o alegado “progresso social moderno” retrófobo (falácia ad Novitatem) varrendo a miséria moral que defendem para baixo do tapete da ética política que sustentam — por exemplo, quando criticam a escravatura dos séculos passados, ao mesmo tempo que defendem a liberdade de matar um ser humano (aborto) chamando-lhe um “conjunto de células”.

O problema histórico da escravatura é demasiado complexo para ser abordado à luz da emoção. A escravatura é tão antiga quanto a prostituição. Ainda hoje existem escravos que o “liberalismo progressista” não conseguiu eliminar (por exemplo, nos territórios libertados pelas revoluções da chamada “Primavera Árabe” progressista). As sociedades actuais diferenciam-se meramente no estatuto dos seus escravos e no nome que lhes dão. É tudo uma questão de semântica.

3 comentários »

  1. “As sociedades actuais diferenciam-se meramente no estatuto dos seus escravos e no nome que lhes dão. É tudo uma questão de semântica.”—————————Exactamente!

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    Comentar por Martim Moniz — Sábado, 16 Fevereiro 2019 @ 5:58 pm | Responder

  2. Não sei se conhece o livro A Tentação Totalitária(de 1975 pela bertrand)achei que poderia ter interesses,aqui

    http://kleineludwigecke.blogspot.com/2012/01/livros-tentacao-totalitaria-de-jean.html

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    Comentar por Martim Moniz — Domingo, 17 Fevereiro 2019 @ 6:51 pm | Responder

    • Lembro-me desse livro, mas não me lembro de o ter lido. Mesmo que o tivesse lido, naquela altura eu não tinha o arcaboiço intelectual necessário para uma leitura crítica. E lendo o resumo do livro, escrito no post, manifesto as minhas reservas quanto ao seu conteúdo — por exemplo, quando se diz:

      “Ora, o fim da política é a felicidade, a maior felicidade possível para o maior número possível de homens, e não o sucesso de alguns profissionais que querem impôr as suas opiniões à maioria lenta em segui-las”.

      Em primeiro lugar, teríamos que definir “felicidade”.

      Em segundo lugar, e mesmo que soubéssemos o que é a “felicidade”, a ética expressa é utilitarista (utilitarismo = http://bit.ly/2TW81qn ).

      A alternativa ao comunismo (marxismo) não se pode reduzir ao utilitarismo — até porque o marxismo cultural usa e abusa do utilitarismo (Bloco de Esquerda, Partido Socialista), e até o Partido Comunista já começa a abandonar o anti-utilitarismo de Karl Marx.

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      Comentar por O. Braga — Segunda-feira, 18 Fevereiro 2019 @ 5:43 pm | Responder


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