perspectivas

Segunda-feira, 14 Janeiro 2019

As mulheres deveriam circunscrever-se à poesia

Filed under: filosofia,Kant,metafísica — O. Braga @ 10:08 pm

 

A professora Helena Serrão publica um excerto de uma tal Stéphane Ferret que eu não sei quem é nem quero saber. Só sei que — à semelhança do paralamento português – ela descobriu que “a Terra é redonda”.

O problema é que a Terra não é exactamente redonda; é achatada nos pólos. É aqui que a Stéphane Ferret “se ferra”.

“Contrariamente a uma longa tradição filosófica que reserva a intencionalidade para o homem, parece ser um dado adquirido que também os animais (pelo menos alguns) são entidades capazes de acção. Aos olhos da maioria dos homens, parece não restarem dúvidas de que também os símios, os burros ou as girafas são criaturas agentes”.

Ao ler esta passagem do texto, por um segundo quase acreditei que a Stéphane Ferret tinha razão.


É isto o que acontece quando as fêmeas se põem a filosofar: por exemplo, Hannah Arendt sempre afirmou dela própria que não era filósofa — o que revela grande inteligência da sua parte.

¿A Stéphane Ferret age porque é livre? Ou ¿é livre porque age?

Quando ela se compara aos animais, sou induzido a pensar que ela é livre porque age. É este o grande problema da modernidade: as pessoas consideram-se livres porque agem.

Eu prefiro dizer de mim mesmo que ajo porque sou livre — e é na liberdade que reside o busílis da questão: se considerarmos que a burra é livre, então podemos equiparar a sua acção à do vulgar ser humano.

A liberdade na acção pressupõe autoconsciência!.


Immanuel Kant chamou à atenção para o facto de nós termos sempre de acrescentar um suplemento a todos os nossos pensamentos, independentemente daquilo que estamos a pensar: a frase “eu penso”.
Sem a consciência de que “sou eu que penso”, não existe qualquer pensamento que mereça esse nome. Sem a autoconsciência de que a consciência se pensa a si mesma, não é possível qualquer conteúdo dessa consciência.

Um computador pode percorrer o seu programa sem este “eu penso”, mas não pode, por isso, pensar como um ser humano.

No “eu penso” do sujeito humano, todos os conteúdos da consciência estão ligados; o “eu penso” do humano é a condição lógica de qualquer pensamento — constitui o último ponto de referência lógico e o ponto de unidade de todo o conhecimento.

Na linguagem de Kant: o “eu penso” é a condição da possibilidade do pensamento.

Este “eu penso”, segundo Kant, é o “X” da condição humana.

Não é possível reconhecer este “X”, porque qualquer acto de pensamento já o pressupõe: o X é anterior ao próprio pensamento — e por isso é que nenhum computador (ou nenhuma burra!) tem ou alguma vez terá este X. A comparação que os naturalistas fazem entre os símios, os burros ou as girafas, por um lado, e um ser humano, por outro lado (sociobiologia), é uma estupidez de uma grandeza elevada à potência infinita.

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