Existe gente psicótica que se torna muito perigosa, como é o caso do Paulo Sanduíche — porque defendem a constituição de um leviatão europeu totalitário, e sem qualquer remorso: pelo contrário, fazem uma apologia entusiástica de um novo tipo de totalitarismo crescente na Europa.
Pergunto-me: ¿quem lhe paga para escrever esta merda?!
O Paulo Sanduíche reduz a realidade social inteira à economia — o que faz dele um estúpido elevado à potência infinita. Ele é de opinião de que, se o povo vive bem, deve obedecer caninamente, dando razão a Kant quando este escreveu [Teoria e Prática, 1793]:
“Um governo que fosse fundado sobre o princípio da benevolência para com o povo — tal o do pai para com os seus filhos, quer dizer, um governo paternal —, onde, por consequência, os sujeitos, tais filhos menores, incapazes de decidir acerca do que lhes é verdadeiramente útil ou nocivo, são obrigados a comportar-se de um modo unicamente passivo, a fim de esperar, apenas do juízo do chefe do Estado, a maneira como devem ser felizes, e unicamente da sua bondade que ele o queira igualmente — um tal governo, digo, é o maior despotismo que se pode conceber.”
A mundividência do Paulo Sanduíche é semelhante à do Peter Singer: eleva o critério de “utilidade” a um princípio de conduta de vida: aquilo que é útil para o indivíduo ou para a sociedade deve ser designado de “bom”.
Quando o utilitarista Peter Singer defende a ideia segundo a qual os seres humanos com deficiências graves não têm qualquer direito à vida, justifica a sua opinião com a situação real de um deficiente como “uma vida que não vale a pena ser vivida”; mas também porque (alegadamente) a sociedade pode poupar dinheiro com a eutanásia dessas pessoas.
De um modo análogo, o Paulo Sanduíche reduz a realidade inteira à utilidade da economia. Pergunta ele:
“¿Se os europeus vivem melhor do que nunca viveram antes, por que razão votam em partidos radicais que são contra a União Europeia?”
Naturalmente que os “partidos radicais” são aqueles com os quais o Sanduíche não concorda. Esta Europa globalista do Sanduíche e do George Soros entrou já por uma deriva totalitária com a condenação pública da liberdade de expressão. Já perderam a vergonha.
O Sanduíche não consegue entender o Immanuel Kant.
O que move o Sanduíche a escrever aquela merda é ideologia pura e dura, e não uma mera utopia.
A utopia é um desejo que se sabe não realizável na prática. Segundo Kant, é apenas um ideal regulador que assume uma dimensão crítica de que não se espera realização. A utopia regula a marcha da História para que não se descambe na incivilidade e na tirania. Os teóricos utópicos têm consciência dessa natureza reguladora da utopia, e sabem que os ideais utópicos absolutos não são realizáveis na prática. A utopia é como a esperança que coloca o Bem sempre como um absoluto que sabemos que não podemos atingir na (nossa) realidade. A utopia tem uma função e um papel ético-moral; as consequências políticas da utopia vêm em segundo lugar e não são, por isso, o seu objectivo principal; ela não transporta consigo a certeza do futuro, mas apenas a noção de um lugar que não pertence a lugar nenhum. A utopia apela ao indivíduo e à ética individual; não é uma profecia mas apenas uma conjuração das consciências individual e colectiva. Por isso é que as utopias foram criticadas pelos ideólogos, como Karl Marx criticou o “socialismo utópico”.
Ideologia (a “lógica de uma ideia”, segundo Hannah Arendt) é coisa diferente de utopia. A ideologia é a base filosófica de uma religião política. Não apela necessariamente à ética — aliás, na religião política, a ética torna-se indiferente e relativizada. Para a religião política (e portanto para a ideologia), são apenas importantes os rituais sacrificiais que definem a elite de iluminados, e independentemente de qualquer construção ética.
Segundo Hannah Arendt, todo o pensamento ideológico (as ideologias políticas) contém três elementos de natureza totalitária:
1/ a pretensão de explicar toda a realidade;
2/ dentro desta pretensão de explicar tudo, está a capacidade de se afastar de toda a experiência;
3/ a capacidade de construir raciocínios lógicos e coerentes que permitem crer em uma realidade fictícia a partir dos resultados esperados por via desses raciocínios — e não a partir da experiência.