perspectivas

Quinta-feira, 5 Outubro 2017

O burro Conraria ataca outra vez

 

Este texto do Conraria é inqualificável.

“Mas temos de obrigar os sexos a ser iguais? Não os podemos deixar ser diferentes? Não, não temos de os obrigar a ser iguais, mas também não temos de os obrigar a ser diferentes. Todos podemos concordar em ser a biologia um factor importante (basta olhar para as várias espécies de mamíferos), mas também é óbvio que a socialização é importante. Além disso, as sociedades humanas há muito que deixaram para trás o determinismo da biologia. Se assim não fosse, seriam os homens a usar saias, para arejar os seus órgãos genitais, que são externos precisamente para estarem a uma temperatura mais baixa do que o resto do corpo — razão têm os escoceses, portanto. Ou, usando outro exemplo, se, realmente, há razões biológicas para os homens serem mais criminosos do que as mulheres (justificando assim o facto de haver muito mais homens que mulheres nas prisões), não faz qualquer sentido não tentar contrariar a biologia por via da socialização e educação.”

O burro descobriu a pólvora; ademais, é professor universitário e escreve umas coisas.


As principais religiões universais (excepto o Islamismo, que não é propriamente uma religião, mas antes é um princípio de ordem política) não têm feito outra coisa, ao longo de milhares de anos, senão tentar contrariar a biologia por via da socialização e educação.

Mais: Aristóteles não defendeu outra coisa senão a educação como meio de “contrariar a biologia”. Os antigos gregos tinham a noção de Thumos que deveria ser controlado socialmente “contrariando a biologia”. Mas o grande burro reduz o problema de “contrariar a biologia” ao presente, como se não existisse humanidade nem civilização antes de o burro ter nascido.

“Contrariar a biologia” não significa (como diz o burro) que “as sociedades humanas há muito que deixaram para trás o determinismo da biologia”. Grande burro! “Contrariar um determinismo” não significa que o determinismo tenha desaparecido: significa apenas que o ser humano tem cultura; só um grande burro diz que se pode contrariar uma coisa que “se deixou para trás”, no sentido de essa coisa já não influir na Natureza Humana.

Se se contraria uma coisa, é porque ela existe e é um factor determinante da Natureza Humana.

“A civilização parece uma invenção de uma espécie desaparecida.” — Nicolás Gómez Dávila

Por exemplo: a repressão do instinto através do superego (Freud) é a condição de uma qualquer civilização. O instinto (o Thumos grego, no sentido de “paixão”, ou as características biológicas a que se refere o burro) tem que ser controlado ou contrariado, até certo ponto, para que possa florescer uma civilização.

“A natureza humana apanha sempre o progressista de surpresa.” — Nicolás Gómez Dávila

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