perspectivas

Quarta-feira, 27 Setembro 2017

A Raquel Varela e a Epistemologia da Justiça Social

 

Não é importante saber se a Raquel Varela tem uma qualquer (auto-proclamada ou não) autoridade de direito; o que importa é saber se ela tem autoridade de facto em um determinado domínio de uma qualquer discussão.

Ela diz que sim; que é uma autoridade de facto em economia e finanças.

¿Como funcionam hoje os cursos de ciências sociais e/ou humanidades?

Hoje, as ciências ditas “sociais” caracterizam-se pela Epistemologia da Justiça Social (por exemplo, com Boaventura Sousa Santos).

Primeiro, estipulam-se as conclusões a que se pretende chegar; essas conclusões devem ser paradigmas de inclusão social, igualdade identitária e económica, diversidade cultural, e bem-estar subjectivo do indivíduo, etc..

Depois de se definirem as conclusões a que devem chegar as investigações científicas, a Epistemologia da Justiça Social faz a análise dos dados (dos factos).

Se os dados estão em linha com as conclusões politicamente correctas definidas a priori, então os estudos e as investigações devem ser publicadas. Mas se a análise dos dados demonstrar que a igualdade económica é praticamente impossível, ou se os “dados forem intolerantes ou/e racistas” — então esses factos ou dados da realidade devem ser escondidos do público e rejeitados.

É assim que “raciocina” a Raquel Varela em termos de “ciência” — a mesma Raquel Varela que escreveu que as ciências sociais são tão exactas como é exacta a matemática.


É no contexto da Epistemologia da Justiça Social que a Raquel Varela escreve o seguinte:

“Parece que eu teria dito que a VW-Auto Europa não produz valor. Não disse, disse que não produz valor para Portugal, mas quero acrescentar algo – a AE é um custo para Portugal. E quando deixar de ser subsidiada ou pagar baixos salários (subsidiados indirectamente também) a empresa fecha portas aqui, semeando uma tragédia no distrito de Setúbal se o Governo não actuar”.

Em primeiro lugar, parece que a Auto-Europa é um “custo para Portugal”; e o corolário lógico da opinião da Raquel Varela é que se deve, desde já, fechar a Auto-Europa. Neste sentido, já percebo a acção destrutiva do Partido Comunista na Auto-Europa.

Em segundo lugar, a Raquel Varela parece pensar (digo “parece”, porque duvido que ela saiba o que significa “pensar”) que a Auto-Europa funciona em regime de Aperfeiçoamento Activo: manda vir todos os componentes do estrangeiro, só faz a montagem dos componentes, e depois exporta o produto acabado. Ou seja, segundo parece ser a opinião da Raquel Varela, só fica em Portugal o valor da mão-de-obra paga aos trabalhadores, e respectivos impostos sobre o trabalho.

Ou seja, segundo o “raciocínio” da Raquel Varela, o Parque Industrial da Auto-Europa também é um “custo para Portugal”, e também é subsidiado pelo Estado, porque provavelmente as empresas do referido Parque não pagam o salário normal francês ou alemão.

Eu sei que a Raquel Varela é boa peça (por enquanto), e por isso dá um certo colorido aos programas de televisão. Talvez seja boa ideia convidá-la para os programas de televisão com a condição de ficar caladinha.

raque-varela-wc-web

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