perspectivas

Sexta-feira, 1 Setembro 2017

Os ‘libertários’ portugueses ainda seguem Ayn Rand

 

O Padre Gonçalo Portocarrero de Almada fez um comentário a um texto psicótico da Maria João Marques que eu também já tinha comentado. O meu comentário foca-se no absurdo que é a ausência de argumentos válidos no texto de Maria João Marques; o Padre Gonçalo Portocarrero de Almada vai mais longe e faz um fisking do textículo de Maria João Marques.

O Padre Gonçalo Portocarrero de Almada fez bem em publicar o comentário, por razões pedagógicas — não em relação a Maria João Marques, mas antes em relação ao público em geral. É bom que o cidadão valorize o argumento válido, em uma tese ou discussão.


libertarismo-webDo ponto de vista filosófico, a Maria João Marques é uma nódoa — como é uma nódoa a maioria dos escribas do Insurgente. Não há ponta por onde se lhe pegue.

É daquela gente que ainda não se deu conta de que o Objectivismo, de Ayn Rand, já foi consistentemente reduzido ao absurdo. Os Insurgentes fazem lembrar os comunas que ainda vivem no tempo de Estaline, quando ainda se baseiam em uma doutrina ética auto-contraditória que nenhum manual de filosofia digno desse nome já faz referência.

Do ponto de vista da filosofia e da ética, o Objectivismo de Ayn Rand é paupérrimo e não tem nada de original senão um sincretismo pobre e mal construído entre Nietzsche e a corrente marginalista de Carl Menger e Walras. Nenhum manual sério — repito: sério — e completo de filosofia menciona Ayn Rand; ela simplesmente não conta para a história da filosofia.

De Nietzsche, Ayn Rand foi buscar a noção de “selecção natural darwinista” que determina as elites sociais [social-darwinismo] e o desprezo pelo Cristianismo, pelos cristãos, e pela religião em geral. De Carl Menger e do marginalismo, Rand foi buscar a noção utilitarista radical segundo a qual “é tão útil a oração para o homem santo, como é útil o crime para o homem criminoso”.

Hoje, os manuais de filosofia (propriamente ditos) referem-se a David Gauthier e sobretudo a Nozick, quando tratam o Libertarismo; e mesmo assim, este “libertarismo” é evocado para fazer a crítica de John Rawls e de Habermas. De resto, o chamado “libertarismo” foi devidamente destruído pelos chamados “filósofos comunitaristas” — Michael Sandel, Alasdair MacIntyre, Michael Walzer, Charles Taylor, entre outros.

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