perspectivas

Sábado, 13 Maio 2017

Jordan B. Peterson, Kant, e o Princípio da Intencionalidade da Natureza

Filed under: Jordan B. Peterson,Kant,metafísica — O. Braga @ 11:22 am

 

Jordan B. Peterson é professor de psicologia da universidade de Toronto, Canadá. É um nome a reter na nossa memória, por razões que irei descrevendo aqui. Perante a pergunta: “¿você acredita em Deus?”, Peterson responde:

 

 

De certa forma, Jordan B. Peterson dá uma determinada resposta a este texto do Alberto Gonçalves, por um lado. E por outro lado, Peterson segue o pensamento de Kant que dizia que, em ciência, devemos investigar e basear racionalmente as teorias científicas como se Deus existisse.

Kant chamou-lhe Princípio da Intencionalidade da Natureza, que nos convida a investigar a Natureza como se as leis que nós descobrimos fossem parte de um conjunto de leis organizadas por um “entendimento” diferente de nós próprios — uma inteligência diferente da inteligência humana. Se procedermos desta forma — segundo Kant — somos obrigados a investigar o lugar das leis particulares no conjunto da Natureza como um todo (a procura da explicação teleológica: “¿por que existe esta lei da Natureza?”).

Na “Crítica do Juízo” (1790), Kant escreveu:

“O juízo reflectivo, que é obrigado a ascender do particular ao universal [indução], exige nesta relação um princípio que não pode extrair da experiência, uma vez que a sua função é estabelecer a unidade de todos os princípios empíricos em princípios mais elevados e, assim, estabelecer a possibilidade da sua subordinação sistemática. De um tal princípio transcendente, o juízo reflectivo poderá apenas fazer-se em forma da lei dele e para ele”.

O princípio regulador que o juízo reflectivo (juízo científico) estabelece para si próprio é a intenção da Natureza. Embora não possamos provar que a Natureza está intencionalmente organizada (ou seja, não podemos provar que o Criador da Natureza existe), devemos sistematizar o nosso conhecimento empírico vendo a Natureza como se fosse organizada por uma entidade exterior ao ser humano — acreditando que a sistematização do conhecimento empírico é apenas possível se agirmos com base no pressuposto de que uma compreensão, para além da nossa, nos forneceu leis empíricas organizadas de modo a que nos seja possível uma experiência unificada.

Anúncios

Deixe um Comentário »

Ainda sem comentários.

RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

AVISO: os comentários escritos segundo o AO serão corrigidos para português.

Please log in using one of these methods to post your comment:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Create a free website or blog at WordPress.com.