perspectivas

Quarta-feira, 1 Março 2017

O Frei Bento Domingues é um modernista do passado

Filed under: Igreja Católica — O. Braga @ 1:36 pm
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1/ Como sempre tem acontecido, não concordo com o Frei Bento Domingues: eu penso que O Livro do Desassossego, de Fernando Pessoa, em vez de desassossegar, sossega a crença religiosa racional — aquela crença racional que Santo Anselmo descreveu no Prolosgian. E O Livro do Desassossego não “abala certezas”, como diz positivamente o Frei Bento Domingues: pode abalar “verdades”, mas não devemos confundir as certezas e as verdades. Por exemplo, eu tenho a certeza de que o universo tem uma causa (que, por ser causa, não se confunde com o seu efeito): é uma certeza racional equiparável às certezas do formalismo matemática. E, baseando-se nessa certeza, o ser humano constrói várias “verdades”, incluindo a “verdade científica” segundo a qual uma baleia evoluiu a partir de uma espécie de ameba.

2/ O Frei Bento Domingues acredita, genericamente, na versão histórica progressista e de esquerda acerca dos acontecimentos principais desde o 25 de Abril de 1974 até hoje. Mas o Frei Bento Domingues diz que “nenhum católico está obrigado a acreditar no carácter sobrenatural” das aparições de Fátima.

Um dos problemas do Frei Bento Domingues é o de que ele não pode ser filósofo — embora ele o queira ser —, porque o filósofo questiona racionalmente as suas crenças; o Frei Bento Domingues tem a crença segundo a qual ele questiona as suas (dele) crenças. ¿O Frei Bento Domingues poderia ser teólogo? Também não, porque um teólogo tem que ser, hoje, também um cientista. O Frei Bento Domingues é um ideólogo, e nada mais do que isso. Trabalha em ideologia.

3/ o Frei Bento Domingues confunde um mito (como o de Santiago de Compostela) com um evento testemunhado por milhares de pessoas no século XX. O problema do Frei Bento Domingues é o de que ele não estava lá para testemunhar. Ver para crer, como o Tomé. E mesmo que o Frei Bento Domingues estivesse lá, naquele dia 13 de Outubro de 1917 em que “o Sol dançou” (segundo dezenas de milhar de testemunhas), ele chegaria ao fim do “espectáculo” e diria que tudo aquilo teria sido efeito da aguardente que teria bebido no fim do almoço.

4/ a mentalidade ou o arquétipo mental do Frei Bento Domingues é a de um modernista; ele pensa da mesma forma que o meu merceeiro aqui do bairro; ou pensa como o cauteleiro da baixa da cidade que me oferece a hipótese de enriquecer. Mas gente como o Frei Bento Domingues pensa que toda a gente hodierna é modernista como ele; mas há hoje muitos cientistas que não pensam como o Frei Bento Domingues, ou seja, são modernos mas não são modernistas.

Segundo a física quântica, a probabilidade de uma pessoa, ou de um grupo de pessoas, ver, por exemplo, uma pedra desaparecer de um sítio e aparecer noutro, não é nula (não é igual a zero).

A esse fenómeno de desaparecimento e reaparecimento da pedra, chama-se “salto quântico” ou “efeito de túnel”, e tem a característica de não ter uma garantia de repetição exacta. A razão por que um “salto quântico” pode ocorrer é desconhecida pela ciência (mas essa razão é objectiva, ou seja, não depende do nosso desconhecimento circunstancial sobre o fenómeno em causa).

E dado que não existe uma garantia de que o fenómeno do desaparecimento da pedra e o seu reaparecimento seja repetível, não existe uma possibilidade de estudo científico (ou histórico) desse fenómeno, uma vez que a ciência baseia-se na análise dos fenómenos que se repetem regularmente na natureza (sem estatística não há ciência propriamente dita).

Essa pessoa ou grupo de pessoas que observaram a pedra desaparecer de um sítio e reaparecer noutro, provavelmente correm o risco de ser apodadas de malucos, se revelarem o fenómeno observado.

Aqui entramos na área do “milagre”. Por exemplo, ainda hoje os ateus e materialistas dizem que os milhares de pessoas que observaram o fenómeno das aparições de Fátima, no início do século XX, foram vítimas de alucinações. Tal como o exemplo supracitado da pedra, o fenómeno de Fátima não é repetível de forma regular de modo a ser objecto da ciência (e das ciências sociais); a razão por que esse fenómeno ocorre é desconhecida da ciência. E, por isso, os ateus dizem que aqueles milhares de pessoas em Fátima eram malucas ou estavam bêbedas. É assim que pensa o Frade modernista.

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