Se, por exemplo e por absurdo, a Esquerda defendesse a luta armada para conquistar o Poder, e a Direita ficasse escandalizada, a reacção da Direita passaria a ser “radical”. Para o José Pacheco Pereira, é o posicionamento político da Direita que conta, mas não a análise racional (passo a redundância, porque há “análises irracionais”) desse posicionamento político.
O José Pacheco Pereira consegue uma coisa extraordinária: chamar de “radical” a uma pessoa que manteve a sua opinião igual à que tinha no tempo em que não era considerada “radical”. Por exemplo, uma pessoa católica que não concordava com o divórcio em 1970, é hoje “radical” porque ainda não concorda com o divórcio (segundo o papa Chico que o José Pacheco Pereira tanto admira).
À medida em que a Esquerda radicaliza, a responsabilidade do radicalismo é transferida para a Direita.
O argumento do José Pacheco Pereira funda-se na falácia ad Novitatem que identifica o “radicalismo” com um alegado “imobilismo ideológico”: qualquer pessoa que mantenha uma opinião ortodoxa corre o risco de ser apodada de “radical”. A única ortodoxia que vale é a de Esquerda que concebe o progresso como uma lei da Natureza.
Se levarmos o conceito pachequiano de “Direita radical” à letra e ao limite, um dia destes qualquer pessoa (por exemplo) que não concorde com o aborto pertencerá à “Direita radical”.
O princípio do José Pacheco Pereira é maniqueísta e totalitário; a diversidade cultural (propalada pela Esquerda) é uma forma de imposição de uma uniformidade ideológica. E a palavra-mestra “Direita radical”, utilizada pelo José Pacheco Pereira, funciona como uma espécie de argumento ad Hitlerum que pretende estigmatizar os relapsos da uniformidade ideológica de Esquerda.