perspectivas

Domingo, 20 Março 2016

A preponderância da mulher na política é prejudicial à sociedade

 

 

1/ O José Manuel Moreira escreveu o seguinte:

“Razões para a ascensão do BE há muitas. A começar pela afirmação de uma nova geração de jovens mulheres: Catarina, Mariana e Marisa. Uma ‘troika’ que soube usar os filhos da droga do sistema para alcançar o poder adoptando causas capazes de iludir gente confusa, apreensiva e perdida. Contando com a falta de defesas contra um racionalismo agressivo que – em nome de todo o género de igualdade e diversidade – acelerou a substituição do Ethos tradicional do povo pelo Ethos indiferente e niilista que justifica o Estado de Bem-estar. Movimento que evoluiu de um Estado Paternal para um Estado Maternal com oferta aos desfavorecidos de serviços sociais tendencialmente gratuitos: da saúde à educação”.

catarina-martins-neanderthal-webInfelizmente, o texto do José Manuel Moreira é de difícil entendimento para o cidadão comum. E é este um dos trunfos das mulheres na política: por um lado, trabalham sobre a uma certa ignorância do povo (a que Fernando Pessoa chamou de “instinto”), e por outro lado, somam, à ignorância do povo, o apelo sistemático à emoção.

O “racionalismo agressivo”, a que se refere o José Manuel Moreira, deve ser entendido no sentido de “’Razão’ como um meio de conhecimento seguro e independente da experiência sensível, por oposição ao empirismo”. Ou seja, o racionalismo agressivo é “ideologia política agressiva”. Quando nós vemos a Mariana Mortágua, por exemplo, a falar na televisão, trata-se de uma cassete — diferente da cassete do Cunhal, é certo, mas não deixa de ser uma cassete.

O Estado Maternal de Bem-estar, de que nos fala o José Manuel Moreira por oposição ao absolutismo do Estado Totalitário Paternalista (seja este o de Luís XIV, seja o de Mussolini), não é novo. Sobre o governo do Wohlfahrtsstaat do século XVIII, Kant escreveu:

“Um governo que fosse fundado sobre o princípio da benevolência para com o povo — tal o do pai para com os seus filhos, quer dizer, um governo paternal —, onde, por consequência, os sujeitos, tais filhos menores, incapazes de decidir acerca do que lhes é verdadeiramente útil ou nocivo, são obrigados a comportar-se de um modo unicamente passivo, a fim de esperar, apenas do juízo do chefe do Estado, a maneira como devem ser felizes, e unicamente da sua bondade que ele o queira igualmente — um tal governo, digo, é o maior despotismo que se pode conceber.”

O que a União Europeia tem vindo a implementar é uma nova estirpe do Wohlfahrtsstaat (o Estado Maternal de Bem-estar), desta vez com contributo do marxismo cultural. O Wohlfahrtsstaat alemão  do século XVIII não era uma ditadura, no sentido policial: era algo talvez pior, porque destituía o cidadão de qualquer noção universal de felicidade que não fosse a imposta pela elite política.

2/ O que é novo, no novo Wohlfahrtsstaat, é maniqueísmo ideológico imposto pelo contributo do marxismo cultural. O José Manuel Moreira escreve:

“Ao contrário do Estado totalitário paternalista, que utiliza directamente as polícias, o maternal Estado de Bem-estar prefere sociólogos, psicólogos e assistentes sociais. Em vez da força, usa a persuasão e a provocação, visando alterar costumes, usos, instituições e hábitos que configuram as formas de vida. Mudanças orientadas para a transformação, se for preciso, dos critérios da consciência procurando normalizar através de leis novos hábitos e suscitar outros costumes e outras formas de vida de modo a que o “normal” substitua progressivamente o natural”.

Ou seja, o novo Wohlfahrtsstaat usa e abusa do cientismo. Por isso é que, por exemplo, a Raquel Varela diz que as ciências sociais são tão exactas quanto as ciências da natureza ou as ciências formais. O primado do novo Wohlfahrtsstaat é o da manipulação política da ciência. Por outro lado, pretende-se substituir, na cultura antropológica, determinados tabus por outros novos tabus: por exemplo, pretende-se que o tabu do aborto, ou do infanticídio, ou da eutanásia sejam eliminados, e em seu lugar se estabeleçam novos tabus como por exemplo o tabu da tourada, o tabu da desigualdade, etc. — porque uma cultura sem tabus é um círculo quadrado.

O sistemático apelo à emoção, por um lado, e o racionalismo agressivo (que inclui o cientismo), por outro lado, tendem a afastar a política da racionalidade.

O maniqueísmo ideológico do novo Wohlfahrtsstaat é baseado no conceito marxista de “tolerância repressiva”. Uma vez que a realidade é reduzida a uma “construção social e cultural”, as leis podem ser literalmente aquilo que as novas elites políticas quiserem, através de um processo de “progresso da opinião pública” que se baseia em um tipo de “persuasão violenta e sistemática” que tem como estratégia a estimulação contraditória das massas e a subsequente dissonância cognitiva dos cidadãos mediante o controlo dos me®dia e imposição de uma espiral do silêncio. Ou seja, pretende-se que as normas (as leis) substituam a Natureza Humana — o que é o superlativo absoluto simples de “utopia”.

4/ Toda esta estrutura ideológica totalitária (do novo Wohlfahrtsstaat) assenta no apelo constante e sistemático à emoção.

Se ouvirmos a Catarina Martins a falar na televisão, dá-nos a sensação que ela está a soluçar; parece uma menina mimada a quem tiraram a boneca, com a voz embargada pela emoção. Esta estratégia da “menina mimada a quem tiraram a boneca” desarma a oposição masculina; os seus opositores masculinos não se atrevem a confrontá-la como fariam em relação a um homem, porque, sendo a mulher considerada o “sexo fraco” na cultura antropológica, qualquer confrontação ideológica séria de um homem em relação a uma mulher seria vista (no instinto do povo) como uma forma de violência.

O terreno político está minado, com a preponderância da mulher na política. O sistemático apelo à emoção, por um lado, e o racionalismo agressivo (que inclui o cientismo), por outro lado, tendem a afastar a política da racionalidade.

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