perspectivas

Quarta-feira, 16 Março 2016

O Miguel Esteves Cardoso e o puritanismo do Frei Bento Domingues

 

O Miguel Esteves Cardoso escreve aqui um comentário a este texto do Frei Bento Domingues em que, invariavelmente, este se dedica a tecer loas ao papa-açorda Francisco. Parece que o Frei Bento Domingues tem necessidade de justificar todo e qualquer acto do papa-açorda Francisco; é uma espécie de “culto do chefe” que é próprio das ideologias políticas. Não há uma só crónica do Frei Bento Domingues que não se preocupe com o culto do chefe.

O culto do chefe leva à justificação do fariseu que critica os fariseus. Estamos em presença do fariseu-mor. O fariseu-mor (ao contrário de Jesus Cristo) utiliza a falácia da mediocridade: em nome da misericórdia, nivela por baixo. A igualdade ontológica dos seres humanos é definida por critérios chãos que, por sua vez, justificam um certo relativismo ético.


Em relação à mulher adúltera, Jesus Cristo disse-lhe: “Vai em paz e não voltes a pecar”. Mas para o Frei Bento Domingues, é o “vai em paz” que conta; o “não voltes a pecar” é sempre “condicionado pela sua vida, pela sua psicologia e pela sua situação”.

O “não voltes a pecar” não interessa muito ao Frei Bento Domingues e ao papa-açorda Francisco, porque é uma forma de repressão farisaica. A verdade é que Jesus Cristo fez um juízo de valor: o “não voltes a pecar” é uma forma de censura.

A verdade insofismável é que Jesus Cristo criticou a mulher adúltera! Para o Frei Bento Domingues e para o papa-açorda Francisco, Jesus Cristo deveria ter dito à mulher adúltera apenas e somente: “Vai em paz” — porque, alegadamente, “ninguém é obrigado a fazer coisas impossíveis”.


As pessoas, em geral, — como o Miguel Esteves Cardoso — não se dão conta de que o anti-farisaísmo do Frei Bento Domingues e do papa-açorda Francisco é uma forma de puritanismo.

O puritano parte da premissa tradicional e óbvia segundo a qual o ser humano é imperfeito; a partir daqui, o puritano acredita que a salvação é individualista e subjectivista, no sentido em que não depende da relação do indivíduo com a comunidade (da Igreja) ou com a família natural, mas antes depende exclusivamente do sujeito enquanto tal (o que não acontece no catolicismo tradicional). O puritano subjectiviza a salvação. Trata-se de uma soteriologia subjectivista.

A rígida obediência a certos padrões morais é necessária ao puritano; mas esses padrões morais dizem respeito apenas ao indivíduo enquanto sujeito e independente da comunidade religiosa (a Igreja).

No papa-açorda Francisco, há uma rígida obediência a determinados padrões morais que concedem privilégios especiais ao puritano. E um desses privilégios é a legitimização do anti-farisaísmo enquanto fim em si mesmo, e não como um meio para atingir um fim (como fez Jesus Cristo). O anti-farisaísmo dos puritanos é uma forma de farisaísmo. O puritano, enquanto indivíduo, julga-se a si próprio como “o eleito por Deus”, em contraponto aos fariseus e escribas que são diabolizados. O papa-açorda Francisco é uma espécie actualizada de Quaker.

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