perspectivas

Terça-feira, 9 Fevereiro 2016

O politicamente correcto diz que “as ciências são todas iguais”

 

“Centenas de pseudo-cientistas andam por esse mundo fora citando-se uns aos outros e baseando as suas “descobertas” nas “descobertas” dos seus prestigiados colegas cujo prestígio saiu do facto de terem escrito alguma coisa a que dão muita importância, mas cuja fundamentação científica nunca existiu. É todo um edifício de “conhecimento” que se sustenta em pilares de igual valia científica e que se reclama de modernidade e originalidade ao ponto de designarem a ciência clássica como “mainstream” ou “ortodoxa” (acreditem, já ouvi…). Usam o termo “ciências sociais” para poderem usufruir de regras paralelas à ciência e não, como seria de esperar, ciência dedicada a fenómenos sociais.”

O Rerum Natura, por exemplo, nunca subscreveria este artigo. A única coisa que os preocupa é a homeopatia. Tal como a Raquel Varela, o Rerum Natura diz que “todas as ciências são exactas”, ou seja, que “não há umas ciências mais exactas do que outras”: o radicalismo igualitarista exige que todas as ciências sejam iguais. Raquel Varela escreveu o seguinte:

“A separação entre ciência fundamental e aplicada, ou entre ciências sociais e exactas é fictícia, e do ponto de vista produtivo, regressiva.”

É este o novo paradigma: todas as ciências são iguais; já estamos longe do “everything goes” de Feyerabend: passamos já à Era do “everything is the same” da pseudo-ciência que o Rerum Natura não reconhece como tal.

Aquilo que a chamamos hoje “pseudo-ciência” é mais cientismo do que outra coisa: o controlo da ciência pela ideologia política. A ciência está sitiada; e o Rerum Natura está calado, como seria de esperar. E este novo cientismo tem origem no romantismo contemporâneo de que falei aqui.

4 comentários »

  1. Nas artes ocorre o mesmo fenômeno. Por ex. a apresentação teatral em Madri para crianças exposta nessa reportagem

    Comentar por Sandra Sabella — Terça-feira, 9 Fevereiro 2016 @ 1:48 pm | Responder

    • Deixou de existir senso-comum e bom-senso.

      http://sofos.wikidot.com/bom-senso

      Comentar por O. Braga — Terça-feira, 9 Fevereiro 2016 @ 2:03 pm | Responder

      • Sim, estimado Orlando, a ingenuidade desses pais é… como direi…
        Sabes, sou simplória, sempre fui, mas depois de dois tremendos sustos – um show de “Premeditando o breque” de música brasileira e o Rei Leão do estúdio Disney, nunca mais houve improviso na agenda cultural de nossos filhos ainda pequeninos. Nota que eu falo da década de 1980! De lá para cá a sem-vergonhice e ânsia de puro poder estão explícitos.
        Também a responsabilidade desses eleitores, pois há denúncias contra Podemos ter sido financiado por Venezuela e Irã em suas campanhas eleitorais.
        E cá, estamos atentos com Sócrates e Lula. Neste feriado de carnaval, penso que posso dizer-te que estamos sodomizados mas ainda não lobotomizados, não?

        Comentar por Sandra Sabella — Terça-feira, 9 Fevereiro 2016 @ 2:26 pm

  2. […] Raquel Varela é de opinião de que as ciências sociais são tão exactas quanto a biologia ou a matemática. Naturalmente que só nos resta rir da sua (dela) visão científica histriónica. Quando a […]

    Pingback por A Raquel Varela diz que o suicídio no Alentejo não tem nada a ver com a religião | perspectivas — Quarta-feira, 2 Março 2016 @ 1:51 pm | Responder


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