perspectivas

Quinta-feira, 14 Janeiro 2016

O Francisco Sena Santos “supunheta”

 

Em ciência, desconfiamos das coincidências. A indução é raciocínio por analogia; perante uma coincidência, procuramos encontrar um qualquer nexo causal que a justifique. Podemos estar errados no nosso raciocínio, mas não podemos desprezar a indução.

Toussenel, que foi discípulo de Fourier, dizia que “a analogia possui o privilégio de não poder ensinar uma ciência sem as ensinar a todas”.

Quando dois fenómenos coincidem no tempo e no espaço, o espírito científico fica em estado de alerta e raciocina por analogia (indução). Por exemplo, coincide no tempo e no espaço que a Alemanha recebeu cerca de 1 milhão de “refugiados” desde o verão de 2015, por um lado, e por outro lado aconteceram as agressões a mulheres em várias cidades alemãs, durante a noite de Ano Novo, por parte de homens de origem muçulmana.

Mas o Francisco Sena Santos (FSS) não aceita o raciocínio por analogia e despreza as coincidências:

“Mas este caso da noite de passagem de ano em Colónia – há relatos de outros em outras cidades alemãs, o que já levou as autoridades alemãs a falarem de ataque organizado – remete unanimemente para agressores da bacia sul do Mediterrâneo. Apareceu logo quem apontasse o dedo aos refugiados a quem Merkel abriu as portas no último Verão. Custa crer que os agressores possam ser os novos refugiados. Não parece provável que gente que acaba de arriscar a vida para chegar à terra ambicionada arrisque pôr a esperança em causa encurralando-se numa noite de loucura. Aliás, os indícios já disponíveis apontam para imigrantes de segunda ou terceira geração, jovens socialmente débeis que se consideram discriminados na Europa e que sentem que conquistam poder ao impor o medo.

Não sabemos ao certo o que estava na cabeça dos agressores. Nem sabemos exactamente quem são. Sabemos que a maioria deles tem origens no mundo árabe-muçulmano. Supõe-se que a maioria dos agressores vem do meio dos imigrantes, não do dos refugiados”.

Ou seja, para o FSS, o facto de terem entrado em 2015, e na Alemanha, cerca de 1 milhão de “refugiados” não significa que os ataques a mulheres alemãs tenham vindo da parte destes.

Segundo o FSS, a culpa do comportamento dos jovens muçulmanos é da sociedade alemã: “jovens socialmente débeis que se consideram discriminados na Europa”. Coitados! Se os jovens muçulmanos violam mulheres alemãs, é óbvio que a culpa é dos alemães.

Isto é típico do arquétipo mental do politicamente correcto: a inversão da moral.

E depois, o FSS entra no âmbito do “supunhetamos”: ele “supunheta” que “a maioria dos agressores vem do meio dos imigrantes, não do dos refugiados”. E ¿por quê? Porque sim! Perante determinadas coincidências factuais, somos livres de “supunhetar”. Podemos supunhetar, por exemplo, que o facto de a chuva cair não tem nada a ver com o fenómeno da evaporação e da condensação da água; podemos dizer, em vez disso, que a chuva cai porque o S. Pedro está zangado connosco.

Supunhetar não paga imposto. O problema é que o FSS é jornalista e escreve nos me®dia, e por isso o povo tem que aturar a sua (dele) masturbação politicamente correcta.

2 comentários »

  1. Seria melhor ter dito que foram os recém-chegados, que ainda não estão acostumados, que estão confusos etc… Dizer que são imigrantes de segunda ou terceira geração só prova ser falsa a ideia de surgir, pela interação com o Ocidente, uma nova geração de islamitas capaz de viver em uma democracia.

    Comentar por José Nilson — Quinta-feira, 14 Janeiro 2016 @ 5:05 pm | Responder

  2. Isto ilustra como não é possível racionalizar o politicamente correto. Daqui a pouco dirão que os filhos de imigrantes já nascem adultos!
    O politicamente correto não tem forma definida num prazo de tempo longo, está sempre se destruindo para rapidamente se construir. Temos presenciados defensores de gays, lésbicas, borboletas, crocodilos, pessoas que acham que foram unicórnios em vidas passadas (isso existe!), e agora o Islã, estúpido, retrógrado, violento; e, mesmo assim, defendido como se fosse uma borboleta cósmica homossexual ameaçada de extinção. O tempo nos aguarda surpresas: canibais vegetarianos, sereias lésbicas, zumbis gays extraterrestres, serial killers arrependidos etc. não é possível apostar qual será o próximo grupo da moda.
    Aqui no Brasil, ultimamente tenho notado muitos jovens portando a “biografia de Hitler”, Mein Kampf, “As Idéias de Hilter” etc. não sei qual o próximo espírito de época nos aguarda por aqui, mas uma coisa é recorrente em toda parte: brutalidades sempre se iniciam com o antissemitismo.

    Comentar por Giovani Marinho — Quinta-feira, 14 Janeiro 2016 @ 10:47 pm | Responder


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