perspectivas

Sábado, 9 Janeiro 2016

Os sofismas do Anselmo Borges acerca do “futuro de Deus”

 

“Nos últimos séculos, a fé cristã teve falta de inteligência, e a inteligência cristã teve falta de fé”. (Nicolás Gómez Dávila)


Sofisma nº 1

“há o perigo de esquecer que, contra o que frequentemente se pensa, antes do século XIV, a Europa, segundo, G. Duby, não apresentava senão "as aparências de uma cristandade. O cristianismo não era plenamente vivido senão por raras elites”. ( Anselmo Borges)

Em primeiro lugar, passa a ideia segundo a qual, depois do século XIV, o Cristianismo passou a ser melhor vivido do que era antes; em segundo lugar, passa a ideia segundo a qual terá havido na História períodos em que o Cristianismo foi vivido plenamente não só por raras elites.

O que o Anselmo Borges escamoteia é a cultura de raiz cristã, que é marca de uma civilização, e que está para além da forma subjectiva de “como” o Cristianismo foi ou é vivido. Por exemplo, antes do século XIV, S. Bernardo, que era presumivelmente parte dessa rara elite, defendia a casuística que é uma forma pouco cristã e mais judaica de conceber Deus.

Dizer que “o cristianismo não era plenamente vivido senão por raras elites” requer que se defina, em primeiro lugar, o que é “viver plenamente o Cristianismo”, e para além da sua influência na cultura antropológica.


“A evolução do dogma cristão é menos evidente que a evolução da teologia cristã. Nós, católicos, com muito pouca teologia acreditamos hoje na mesma coisa que converteu o primeiro escravo em Éfeso ou em Corinto”. (Nicolás Gómez Dávila)


Sofisma nº 2

“Lutero também escreveu: "Temo que haja mais idolatria agora do que em qualquer outra época." Daí que Delumeau acentue a importância da actualização, também para se não cair em idealizações e dogmatismos. Por vezes, é preciso "desaprender", não idealizar o passado”. ( Anselmo Borges)

Quando o Anselmo Borges confunde dogma, por um lado, e teologia, por outro lado, incorre num sofisma. Através da evolução da teologia, Anselmo Borges defende a “desaprendizagem” do dogma por intermédio daquilo a que ele chama de “actualização”. Assim como os modernos dizem que “a lógica evolui”, assim o Anselmo Borges diz que o dogma evolui.

Sofisma nº 3

Qual é o grande mal do cristianismo? A sua ligação ao poder. "Pelas suas consequências, uma das mais trágicas falsas vias para as Igrejas cristãs foi, depois do fim das perseguições, a ligação entre o poder imperial romano e a hierarquia eclesiástica, simbolizada e fortificada pela coroação de Carlos Magno pelo Papa." (idem)

É impossível que uma religião — qualquer que seja — não tenha uma ligação ao Poder. Negar que o Cristianismo possa ter uma ligação ao Poder é negar a própria Natureza Humana. O que é importante é racionalizar a ligação da religião ao Poder, como aconteceu na Europa ocidental em que a Igreja Católica e o Poder se separaram, e ao contrário do que aconteceu na Igreja Ortodoxa e com o luteranismo.

Sofisma nº 4

Dever-se-á perguntar: como foi possível o movimento iniciado por Jesus ter hoje um Vaticano?! Seja como for, digo eu, a história é o que é e o que se impõe é uma revolução, para modos democráticos de governo eclesial, para a simplicidade, a transparência, o serviço. Cardeais e bispos não são "príncipes" nem podem viver como "faraós", diz Francisco. E as nunciaturas só poderão justificar-se enquanto serviços humildes de pontes para o diálogo e a paz mundiais. (ibidem)

Exactamente porque a Igreja Católica se separou do Poder, serviu durante séculos, de contra-poder. É exactamente este papel de contra-poder que é exercido pelo papa-açorda Francisco, mas que ele critica. Ou seja, ele exerce esse contra-poder e, simultaneamente, critica esse contra-poder — o que nos dá um vislumbre da irracionalidade do papa-açorda.

Quando Jesus Cristo disse “tu és Pedro e sobre essa pedra edificarei a minha igreja” (Mateus, 16, 18), Jesus quis dizer que a Igreja Católica teria uma hierarquia — porque qualquer edificação tem uma estrutura, e dentro da estrutura, as partes não são todas iguais. Ademais, o Anselmo Borges generaliza (falácia da generalização): a maioria dos cardeais e bispos não vivem como faraós: quando toma uma pequena parte pelo todo, o Anselmo Borges (assim como o papa-açorda Francisco) pretende condenar o todo.

Ao querer tornar a Igreja Católica inumana (no sentido de eliminar dela a Natureza Humana), o papa-açorda Francisco e os seus apaniguados (como o Anselmo Borges) pretendem destruir a Igreja Católica. É isso que essa gente pretende, em nome da criação de uma Igreja Católica perfeita, feita por homens perfeitos e por santos que ainda não morreram mas que (alegadamente) já fazem milagres.

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