perspectivas

Sexta-feira, 8 Janeiro 2016

O politicamente correcto é (também) um puritanismo romântico

Filed under: Política — O. Braga @ 8:10 pm
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“Political correctness is not merely the imposition of rules of sensitivity on us; it is also the demand that incorrect thoughts expressing the forbidden attitudes must be stigmatized and abolished. For reasons I have given earlier, this seems virtually impossible, but impossibility has never discouraged moral reformers.

And the basic assumption of the politically correct moral reformer is that the moral life is essentially imitative. That is part of the reason why the anti-discrimination movement is so preoccupied with creatures called ‘role models.’

The assumption is that the young (particularly) will imitate those they admire, so the state attempts in the first place to control the people called ‘celebrities’ by imposing the responsibilities of ‘model-hood’ upon them. It relies on the psychology of imitation to control the way people behave.

“One way of understanding this strange project is to say that it is a version of the story of the fall of man, played backwards, so that fallen men return to their pristine condition of moral goodness.”

Kenneth Minogue, The Servile Mind – How Democracy Erodes the Moral Life (Encounter, 2010) extract from pages 107 through to 109.


Trata-se de um puritanismo invertido e romântico, traduzido por Rousseau através do conceito de “bom selvagem”.

Em 1754, Rousseau escreveu um livro com o título “Discurso Sobre a Desigualdade” em que afirmou que “o homem é naturalmente bom e só as instituições [da sociedade] o tornam mau”. Atirar a culpa para a sociedade é uma característica endémica do romantismo.

Segundo Rousseau, o primeiro homem que vedou um terreno e disse: ‘isto é meu’, achou pessoas bastantes simples para acreditar nisso, e foi o verdadeiro fundador da sociedade civil. Ele vai ao ponto de de deplorar a introdução da metalurgia e da agricultura. O trigo é símbolo da nossa infelicidade. A Europa é um continente infeliz por ter o máximo do trigo e do ferro. Para abandonar o mal, basta abandonar a civilização, porque o homem é naturalmente bom, e o selvagem depois de jantado está em paz com toda a natureza e é amigo de todas as criaturas.

Rousseau enviou uma cópia do livro a Voltaire que depois de o ler, escreveu-lhe em 1755 uma carta em que dizia o seguinte:

“Recebi o seu novo livro contra a raça humana, e agradeço. Nunca se utilizou tal habilidade no intuito de tornar-nos estúpidos. Lendo este livro, deseja-se andar de gatas; mas eu perdi o hábito há mais de sessenta anos, e sinto-me incapaz de readquiri-lo. Nem posso ir ter com os selvagens do Canadá porque as doenças a que estou condenado tornam-me necessário um médico europeu, e por causa da guerra actual naquelas regiões; e porque o exemplo das nossas acções fez os selvagens tão maus como nós.”

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