perspectivas

Quinta-feira, 31 Dezembro 2015

A confusão ateísta entre o infinito e o finito

Filed under: cultura — O. Braga @ 4:41 pm
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O Domingos Faria elabora aqui um arrevesado lógico para chegar à conclusão de que Deus permite o Mal. O problema é o de que os ateus dizem que “se Deus é Bom, não deveria permitir o Mal” — ou seja, os ateus acham-se no direito de impôr a Deus aquilo que Ele deveria ou não permitir.

“Se existisse um Deus bom e omnipotente — dizem os ateístas — teria necessariamente que intervir contra os males. Porém, dado que existem os males, resulta daí — continua o argumento ateísta — que ou Deus não quer ajudar, e neste caso não é bom; ou não pode ajudar, e neste caso não é omnipotente.

Este argumento ateísta é completamente incongruente, porque quem afirma que a existência dos males no mundo é a prova da inexistência de Deus, parte do princípio de que tem o direito natural de viver em um mundo absolutamente positivo; o ateísta vê o problema da seguinte maneira: o bem entende-se por si mesmo; só o mal constitui problema.”

A negação ateísta de Deus mediante a existência do Mal

Este argumento ateísta afirmou-se, na cultura, com o Romantismo, com a sua tendência para identificar o finito com infinito (imanência, monismo). Trata-se de um erro de palmatória. Nicola Abbagnano faz a crítica ao romantismo de Hegel e Croce (§719):

“Mas como pode um espírito infinito (Deus), ou seja, por definição auto-suficiente, numa categoria sua (por definição, universal) ser necessidade, paixão, individualidade, etc., que são características constitutivas do finito como tal e elementos ou manifestações da sua natureza, é um problema que Croce (como Hegel) nunca considerou”.

Na literatura romântica portuguesa surge, por exemplo, “A Velhice do Pai Eterno” de Guerra Junqueiro, em que Deus é considerado “eterno”, ou seja, em que o “infinito” é traduzido por “eterno”.

Porém, o infinito não se confunde com o eterno: podemos dizer que o infinito concebe tudo o que está para além do espaço-tempo, sendo que, neste sentido, o infinito é “detectado” (por assim dizer) de uma forma objectiva pela Razão, pela Lógica, e pela matemática.

Na realidade subjectiva, o infinito também é "detectado" através da intuição do “ilimitado”, e também através do testemunho da interioridade que inspira o infinito que contém o finito (quando se fala do “Ser em Si”).

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