perspectivas

Segunda-feira, 28 Dezembro 2015

A Maria João Marques é como “umas e outras”

 

Lamento contrariar a Maria João Marques, mas ela não é igual a mim. E graças a Deus! Teria um imenso desgosto se eu fosse igual à Maria João Marques — não só por ela ser mulher, mas sobretudo por ela ser a Maria João Marques.

Nem os animais irracionais são iguais uns aos outros. Dois cães da mesma raça não são iguais. O conceito de igualdade reduz o ser humano a uma criatura infra-animal. Nem duas bactérias são iguais entre si. A igualdade transforma o ser humano em um átomo ou em uma partícula elementar sub-atómica.

Ao contrário da Maria João Marques, eu sou contra as quotas concedidas pelo politicamente correcto às mulheres. Ou seja, a Maria João Marques considera-se diferente dos outros naquilo que lhe interessa; mas quando não lhe interessa, ela já é “como umas e outras”.

A Maria João Marques utiliza o termo “colectivismo” de forma abusiva, para designar toda a doutrina social que sacrifica o indivíduo à colectividade. Mas, por outro lado, a Maria João Marques adopta claramente o utilitarismo que tem em si mesmo uma norma colectivista, segundo a qual os interesses dos indivíduos, a começar pelos interesses da Maria João Marques, devem ser subordinados e mesmo sacrificados à felicidade geral ou do "maior número". E esta é também uma outra diferença que me separa da Maria João Marques.

“Sem uma estrutura hierárquica não é possível transformar a liberdade da fábula ao facto. O liberal acaba sempre por descobrir demasiado tarde que o preço da igualdade é o Estado omnipresente.”

→ Nicolás Gómez Dávila

O preço da igualdade contra-natura entre a mulher e o homem é o Estado omnipresente. E como eu sou contra o Estado omnipresente, sou contra a igualdade entre o homem e a mulher. Eu sou coerente; a liberal Maria João Marques não é.

Por fim, a Maria João Marques confunde “direito à diferença”, por um lado, e “respeito pela diferença”, por outro lado. A diferença entre seres humanos deve ser respeitada dentro dos limites do bom-gosto, o que não significa que se respeite o “direito à diferença” que a Maria João Marques parece defender.

A reivindicação do “direito à diferença” é, por um lado, contraditória, e por outro lado, perigosa.

É contraditória porque os direitos do Homem têm como fundamento o princípio da equidade natural entre os seres humanos — sublinho: natural; a equidade natural não significa que sejamos todos iguais, mas antes significa que nascemos todos de uma idêntica relação cromossómica, e que a desigualdade é compatível com a justiça.

É perigosa porque reivindica direitos especiais — por exemplo, para as mulheres, para os invertidos, etc. — e pode conduzir a um retrocesso no princípio de equidade natural não só entre os seres humanos, mas também entre os dois sexos.

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