perspectivas

Sexta-feira, 21 Agosto 2015

A desinstitucionalização da família interessa simultaneamente à Esquerda e à plutocracia globalista

Filed under: Política,politicamente correcto — O. Braga @ 5:28 pm
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As actuais elites mundiais têm a certeza do futuro.

O fundamento dessa certeza do futuro são o fenómeno da globalização, por um lado, e, por outro lado, o potencial da capacidade de repressão brutal por parte dos Estados (em relação aos respectivos povos) controlados por essas elites.

Este binómio (globalização dos me®dia e das finanças  + repressão do Estado) pode ser traduzida através da imagem do polícia bom e do polícia mau: a globalização me®diática, que permite a propaganda em massa (a persuasão das massas utilizando a pseudo-informação e a sub-informação, em um contexto de espiral do silêncio), exerce o papel do polícia bom; a repressão brutal por parte do Estado representa a função do polícia mau.

Por exemplo, a razão por que o regime da Coreia do Norte permanece intocável até hoje, é a de que obedece a uma das premissas da certeza do futuro: a repressão brutal do Estado faz parte da certeza desse futuro. O que se pretende é que a Coreia do Norte se converta à democracia (mantendo contudo a repressão do Estado) para que globalização me®diática (a propaganda cultural) ocupe o lugar que falta no binómio: a persuasão das massas. Um fenómeno idêntico passou-se em Cuba.

Vemos essa certeza do futuro, por parte das elites globalistas, no que aconteceu recentemente na Grécia. O “veneno” do Syriza virou-se contra si mesmo, ou seja, o internacionalismo socialista serve os interesses dos globalistas. Aliás, o globalismo não tem cor ideológica-partidária, porque aquilo que se pretende atingir é independente dos meios parcialmente adoptados por esta ou por aquela corrente ideológica.

A certeza do futuro das elites baseia-se também no facto de, com a globalização política (a sinificação global), não será possível a figura jurídica do refugiado político — a não ser que os dissidentes políticos fujam para Marte ou Júpiter. Verificamos, no caso de Julian Assange, por exemplo, como se torna cada vez mais difícil o estatuto de refugiado político (independentemente de lhe darmos razão ou não). E se um determinado país concede asilo político a um refugiado, terá que pagar a factura das sanções económicas e financeiras acordadas ao mais alto nível (incluindo a ONU) pelas elites globalistas.

A democracia já passou a ser um pró-forma. A democracia é hoje um mero meio de persuasão das massas que garante a “evolução da opinião pública” através da pseudo-informação e da sub-informação pelos me®dia controlados pelas elites. A democracia é hoje uma palavra vazia, sem o sentido herdeiro da Grécia Antiga; nem sequer é uma aristocracia, como na Inglaterra vitoriana. A democracia é hoje uma abstracção, uma recordação vaga de um tempo que passou.

A pergunta que devemos fazer é a seguinte: ¿o que é que une a plutocracia globalista, por um lado, e a Esquerda neomarxista, por outro lado? Resposta: a sinificação do mundo.

À Esquerda caberá o governo de regiões do globo “sinificadas” (o exemplo do fascismo chinês actual) — porque a Direita propriamente dita já não existe senão nos Estados Unidos, e em uma percentagem muito pequena. À plutocracia globalista anglo-saxónica caberá o apoio tácito ou mesmo explícito às pseudo-democracias regionais (aos diversos leviatãs que se apresentam já em formação) controlados por regimes “sinificados” por uma Esquerda neomarxista. A própria União Europeia é um exemplo do processo em curso de sinificação do continente europeu.

A sinificação do mundo — que é um desiderato da plutocracia globalista em geral, e da Esquerda em geral — tem como um dos principais objectivos a redução da população global. A Esquerda e a plutocracia estão de acordo neste ponto — porventura por razões diferentes: eu posso concordar com uma determinada acção política por razões diferentes das do meu vizinho. E a redução da população global passa por alguns pontos:

1/ a desinstitucionalização da família no mundo ocidental, mas não só no Ocidente; ou seja, o ataque cultural e político à família antropológica;

2/ o combate ao Islão e à cultura islâmica;

3/ promover movimentos migratórios internacionais em massa, de modo a dissolver as culturas locais e promover o multiculturalismo que é o estado ideal para a sinificação de um território.

4/ a atomização das sociedades através da eliminação da capacidade crítica colectiva, por um lado, e por outro lado colocando o cidadão isolado face a um Estado plenipotenciário (leviatão).

A desinstitucionalização da família é simultaneamente realizada através da imposição pela força bruta do Estado (por exemplo, o “casamento” gay, a adopção de crianças por pares de invertidos, a procriação medicamente assistida sem critérios e sem limites, as “barriga de aluguer” e o comércio de crianças, a progressiva legalização da pedofilia, etc.), e pela propaganda persuasiva dos me®dia (o polícia mau e o polícia bom). A condição antropológica do ser humano é esmagada pela imposição pela força de uma dissolução moral transversal à sociedade proveniente do próprio Estado, e essa mesma dissolução moral é propagandeada como sendo positiva e moderna pelos me®dia (o polícia mau e o polícia bom).

A desinstitucionalização da família faz parte da certeza do futuro por parte das elites — seja a plutocracia globalista, seja a Esquerda. Essa certeza do futuro em relação à desinstitucionalização da família baseia-se em dois pressupostos:

1/ não existe qualquer possibilidade de retroacção histórica — porque a História está cientificamente controlada. A História passou a ser plenamente determinista e determinada, tal como acontece em qualquer outra ciência como a química ou a física. A impossibilidade de retroacção histórica é garantida pela repressão do Estado através de uma legitimação absoluta do Direito Positivo (por mais arbitrário e discricionário que seja o Direito), por um lado, e pela propaganda massiva através dos me®dia, por outro lado.

2/ as leis não voltam atrás. Qualquer lei promulgada, em qualquer país ou região “sinificada”, que tenha o apoio da Esquerda local e da plutocracia globalista, é definitiva e irrevogável. O Direito Positivo passou a ser uma interpretação do conceito de “evolução darwinista” aplicada à sociedade humana e à cultura antropológica.

É isto que une o Francisco Louçã e o Bill Gates, o Pinto Balsemão e a Catarina Martins, o “papa Francisco” e o Richard Dawkins.

2 comentários »

  1. Braga, um dia que tiver um tempo poderia escrever sobre um tema que me intriga (e imagino que a outros também): aonde, quando e por que a direita tradicional, o conservadorismo, se perdeu? A mim parece que o conservadorismo vendeu seus valores por dinheiro, isto é, trocou os valores fundamentados na ética religiosa pelo culto à eficiência econômica e ao enriquecimento pessoal ilimitado – literalmente substituiu Deus por Mamon! Uma vez derrubado, ou contornado, o eixo ético central da sociedade, questões como a família e seus desdobramentos (sexualidade, paternidade, etc.) passam a ter um status meramente “cultural”, em sua acepção mais vulgar de hábitos ou costumes sujeitos à modificação. Traduzindo: ser homem e resolver amputar seu pênis e implantar seios tem o mesmo status de deixar de apreciar bacalhau e passar a comer churrasco!

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    Comentar por R. Teixeira — Segunda-feira, 24 Agosto 2015 @ 3:25 pm | Responder

    • 1/ Você não pode falar em “degradação do conservadorismo”, que inclui o capitalismo, sem falar na influência da maçonaria a nível mundial, principalmente da maçonaria anglo-saxónica. Nos Estados Unidos, uma grande percentagem de cristãos protestantes são simultaneamente maçons; talvez por isso é que o Olavo de Carvalho não critica muito a maçonaria…

      Porém, a maçonaria dos “pais fundadores” dos Estados Unidos “involuiu”, degradou-se eticamente. Hoje, a maçonaria nos Estados Unidos não tem nada a ver com a maçonaria de finais do século XVIII. Mas a força da maçonaria nos Estados Unidos não só se manteve, como aumentou muito — só que é hoje uma força muito negativa. O Novus Ordo Seclorum (globalismo, migrações em massa, etc.) é um projecto maçónico, não só da maçonaria dos Estados Unidos, como a dos países europeus.

      2/ no capitalismo sempre houve gente sem ética, e por isso é que o G. K. Chesterton inventou o Distributismo (que não é a mesma coisa que socialismo). Mas o Distributismo é essencialmente um sistema ético, e não propriamente económico — e por isso falhou. No Distributismo, a economia depende da ética; no capitalismo, a ética depende da economia.

      3/ a economia depende dos valores éticos em circulação numa determinada sociedade. E para que existam valores éticos fortes, têm que existir liberdade (livre-arbítrio das pessoas). Por outro lado, a economia depende também da cultura antropológica de um povo: de pouco serve a liberdade se o povo é analfabeto. Se juntarmos os valores éticos, a liberdade e a cultura, obtemos o respeito racional pela lei legítima.

      O capitalismo só faz sentido em uma sociedade em que existam fortes valores éticos em circulação (a religião é imprescindível), em que exista liberdade (de expressão, de religião, etc.), e em que a sociedade invista massivamente no ensino do povo. Se você retira a religião cristã do sistema capitalista, encontra a pura selvajaria.

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      Comentar por O. Braga — Segunda-feira, 24 Agosto 2015 @ 6:26 pm | Responder


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