perspectivas

Segunda-feira, 22 Junho 2015

Pequeno diálogo entre Sócrates e Nietzsche

Filed under: filosofia — O. Braga @ 3:10 am
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Sócrates – Nietzsche, você que é um literato, e diz que estudou a retórica e a linguagem, diga-me: ¿o que é a “verdade”?

Nietzsche – A verdade é um exército móvel de metáforas, metonímias e antropomorfismos, em suma, um conjunto de relações humanas que foram poética- e retoricamente consagradas, transpostas e ornadas, e que, no termo de um longo uso, parecem firmes a um povo, canónicas e obrigatórias. As verdades são ilusões que esquecemos que o são, metáforas que perderam a sua força sensível, moedas que perderam o seu cunho e passam a ser consideradas, não moedas, mas metal.1

Sócrates – ¿E será que a sua definição de “verdade” é verdadeira?

Nietzsche – Sem dúvida alguma! A “verdade”, para o comum dos mortais, é conforme a acabei de definir.

Sócrates — Mas os critérios dessa definição de “verdade”, ¿também não se aplicam à sua “verdade”?

Nietzsche – Claro que não! Eu não sou um mortal comum: sou um super-homem.


Nota
1. Definição retirada do ensaio de Nietzsche “Da Verdade e da Mentira na acepção extra-moral”.

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3 comentários »

  1. Sou e sempre fui muito mais Sócrates !

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    Comentar por vileite — Segunda-feira, 22 Junho 2015 @ 2:57 pm | Responder

  2. O seu desconhecimento daquilo que é realmente a perspectiva de Nietzsche é brutal como já tive oportunidade de observar noutros posts, sugiro-lhe que leia sem palas nos olhos o recente livro do João Constâncio, Arte e Niilismo, o Enigma do Mundo em Nietzsche, porque claramente você não entendeu minimamente o filólogo alemão, mas lá está, você tem todos os traços de um indivíduo que prefere ter razão a ser feliz, como tal, Sócrates assenta-lhe que nem uma luva.

    E já agora, só para que conste, para Nietzsche as suas verdades eram combinações do maior número de perspectivas como forma de aproximação à realidade já que esta não nos é acessível (dai a sua constante contradição), sendo que por várias vezes na sua obra a palavra Verdade assume significados diferentes, dependendo do contexto, tanto que por vezes é escrita em V maiúsculo e outras em minúsculo, mas isso poderá ser mais facilmente estudado pelo recurso à obra que já mencionei

    Tenho sérias dúvidas que não seja uma perda de tempo estar aqui a dizer isto a alguém que nos seus comentários se comporta como um extremista inflexível e que depende da sustentação das suas verdades para poder justificar a sua existência/sobrevivência, quando a muitas delas se traduzem em absurdos que metem dó.

    Nota: o seu desconhecimento de Nietzsche está bem latente quando traduz Ubermensch por super-homem, alinhavando com a tradução fácil e deslavada do termo dos maus interpretes desse autor cuja tradução para português não possui correlação directa para português e cuja definição mais correcta seria “além-do-homem”.

    Abraço

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    Comentar por Daniel Russo — Segunda-feira, 22 Junho 2015 @ 5:44 pm | Responder

    • 1/ Em vez de dar a sua opinião sobre este diálogo em particular, você preferiu não falar dele e chamar-me de “ignorante”. Hoje está na moda chamar os outros de ignorantes sem explicar por quê.

      2/ Quando você comenta um determinado texto, deve cingir-se ao conteúdo do texto, e não tergiversar e fugir ao assunto.

      3/ Da mesma forma que você diz que eu não entendi Nietzsche, também eu poderei dizer que você não o entendeu. É pura doxa (opinião). E não me interessa discutir opiniões: prefiro discutir o episteme.

      4/ Quando você me definir “felicidade”, poderei então saber o que significa “preferir ter razão a ser feliz”. Parece que o irracionalismo voltou a estar na moda. Portanto, fico à espera que você me defina “felicidade”, para que eu tenha a noção do que você está a falar.

      ¿O que é “felicidade”?

      5/ Se é verdade que a Verdade não nos é (totalmente) acessível, isso não significa que a Verdade não exista — como defende Nietzsche.

      “Quando se pergunta: “a verdade existe?”, quem faz a pergunta admite, à partida, a possibilidade de uma resposta ― porque caso contrário a pergunta seria absurda ― e portanto já pressente, ou sabe intuitivamente, que a verdade existe. O que a pessoa que pergunta não sabe, é quais são as respostas correcta e errada à pergunta, o que significa que o facto de a verdade existir é independente do critério racional seguro que a distinga. Quem pergunta, sabe que a verdade existe; o que não tem a certeza é se aquilo que dizem – ou o que pensa – ser a verdade, é a verdade.

      Por outro lado, se alguém afirma categoricamente que “não existe qualquer verdade”, pretende afirmar uma verdade, acabando, por isso, por se contradizer ― porque se alguém afirma algo, está convencido que a sua afirmação está correcta e que todos devem corroborar essa sua opinião. Por conseguinte, essa pessoa pressupõe que existem afirmações que possuem uma validade incondicional, ou sejam, verdades incondicionais. Isto significa que quem afirma que “não existe qualquer verdade” pressupõe ― mesmo que essa afirmação possa estar errada ― que a verdade e o erro se excluem mutuamente, e em consequência, existe entre a verdade e o erro uma diferença que não pode ser relativizada. Por outras palavras: quando alguém diz que “tudo é relativo porque não existe qualquer verdade”, cai em auto-contradição e no absurdo.

      A verdade está condenada à existência.”

      Ler o resto.

      6/ você faz lembrar os gayzistas: quando não concorda com uma determinada ideia, a primeira coisa que faz é insultar. “Extremista” é a sua mãezinha.

      7/ você pode fazer a interpretação que quiser acerca do conceito de “super-homem”, de Nietzsche. Continua a ser doxa. Uma interpretação subjectiva não é necessariamente verdadeira.

      Você não compreendeu a noção de “super-homem”, conforme exarada neste diálogo. Eu vou explicar:

      O conceito de “super-homem” deve ser compreendido como uma fractura e uma ruptura histórica que deveria permitir a libertação de um poder criativo acima de qualquer suspeita ou dúvida. Trata-se de um apelo a uma transgressão por parte do ser humano através do acto de auto-superação conforme à essência mais íntima da “vontade de poder”.

      Do ponto de vista retórico, o conceito de “super-homem” é muito bonito. Trata-se de uma utopia, ou melhor, de uma distopia.

      Porém, o pensamento de Nietzsche é circular (tautológico), porque não é possível erradicar os fundamentos da Natureza Humana sem se pretender criar um ser diferente do que é de facto o ser humano. E o corolário lógico (você sabe o que é a Lógica?) do conceito de “super-homem” é a criação fictícia de um ser que transcende o comum dos mortais, na medida em que nega e recusa a própria Natureza Humana.

      ¿Será que você entendeu? Tomara que você tenha entendido, porque você não vai mais comentar aqui.

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      Comentar por O. Braga — Segunda-feira, 22 Junho 2015 @ 7:18 pm | Responder


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