perspectivas

Segunda-feira, 8 Dezembro 2014

O Frei Bento Domingues e a salvação dentro do mundo

 

O Frei Bento Domingues, na linha do pensamento do “papa Francisco”, tem uma aversão inconfessável à  clausura católica. Por exemplo, é conhecida a sanha do “papa Francisco” em relação aos franciscanos da Imaculada; mas não só: os monges em clausura, em geral, incomodam sobremaneira os modernistas ditos “católicos”.

Nesta linha de pensamento, o Frei Bento Domingues escreve na sua crónica dominical no jornal Púbico:

“O Natal significa que no cristianismo a salvação não se atinge pela fuga ou desprezo do mundo, embora seja essa uma das tentações que, periodicamente, o assaltam.”

Jesus Cristo na montanhaA “táctica” do Frei Bento Domingues — assim como a do “papa Francisco” que segue a Nova Teologia que é uma forma de politização da religião  — é a de criar uma falsa dicotomia entre aqueles que alegadamente “vivem dentro do mundo”, e os outros, que andam enganados, que “vivem fora do mundo”.

Portanto, a salvação adquire aqui um padrão que se aplica a todos como se não existisse a individualidade; a salvação assume aqui a natureza de uma espécie de “receita médica” que se baseia em um qualquer nexo causal fundado no método científico. O Frei Bento Domingues, que tanto defende a diversidade cultural, quando se trata da “salvação” atira a diversidade às malvas.

Ninguém vive fora do mundo.

Mesmo aqueles que se isolam, seja no misticismo ou no seu egoísmo, vivem dentro do mundo. O próprio Jesus Cristo isolou-se na montanha para enfrentar os assaltos do fautor do egoísmo mundano. E quando Jesus Cristo sentiu a necessidade de se isolar, não esteve fora do mundo: pelo contrário, foi ali, isolado na montanha, enfrentando as tentações do mundo, que Ele se encontrou com o mundo.

Ao contrário do que escreve o Frei Bento Domingues, a História (com maiúscula) não é a narrativa de Deus — porque isso seria negar o livre-arbítrio que Deus nos deu. Há muito determinismo no pensamento do Frei Bento Domingues. Deus pode influenciar a História quando quiser, mas não a limita ou reduz a uma Sua narrativa.

A ideia segundo a qual  “a História é uma narrativa de Deus” denota uma visão hegeliana (e, por isso, monista) do mundo, em que o mundo e Deus coincidem de algum modo (Deus sive Natura); é uma forma de ateísmo Espinoziano.

E se é falsa a ideia (porque é falsa a dicotomia de que parte o raciocínio do frade) de que existem uns que “vivem fora do mundo” — os Hílicos do Frei Bento Domingues, que não têm direito à salvação —, e os outros — os Pneumáticos do Frei Bento Domingues — que “vivem no mundo” e por isso podem ser salvos, então segue-se que a crítica do Frei Bento Domingues ao aforismo “fora da Igreja não há salvação” deixa de fazer sentido: quando um princípio está errado, toda a teoria que nele se baseie não pode estar certa. A conclusão do frade acerca da salvação fora da Igreja Católica é non sequitur.

O Frei Bento Domingues é um gnóstico da Antiguidade Tardia virado do avesso: para ele, os que se salvam são os que vivem no mundo (os Pneumáticos na versão do Frei Bento Domingues), e os que não se salvam são os que não vivem no mundo (os Hílicos). É este maniqueísmo infundado do Frei Bento Domingues que transforma a religião em ideologia política; o Bloco de Esquerda não conceberia melhor o cristianismo.

(ficheiro PDF da opinião do Frei Bento Domingues)

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