perspectivas

Sábado, 24 Maio 2014

O vazio ideológico em nome da ideologia

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 1:37 pm
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O sítio brasileiro de Von Mises é o exemplo do vazio ideológico assumido em nome de uma ideologia revolucionária, não obstante Von Mises ter sido tudo menos revolucionário. Por exemplo, a crítica à China não pode ser feita desta maneira!

 

Desde logo, dizer-se que “a China é uma nação” é não ter a mínima noção do que é uma nação — a não ser que o conceito de nação seja reduzido a uma colecção alargada e difusa de características genéticas. Seria a mesma coisa que dissemos que “a Espanha é uma nação”, quando nós sabemos por experiência própria que a Espanha, enquanto tal, não é uma nação mas antes é um agregado de nacionalidades (nações). Confundir Nação, por um lado, com Estado, por outro lado, é coisa que não se deve fazer.

A sustentabilidade de uma economia é algo que surge de um conceito pré-definido e previamente traçado a régua e esquadro:

“A China é uma grotesca aberração económica, cujo modelo económico simplesmente não tem semelhança a nenhum outro modelo económico já adoptado por algum outro país em algum momento da história — nem mesmo ao modelo mercantilista de estímulo às exportações originalmente criado pelo Japão, e que já se comprovou insustentável.”

Os economeiros dos sítio brasileiro de von Mises separam a cultura, da economia: a cultura torna-se “invisível” (no caso do Japão). Alegadamente, o declínio da economia japonesa deveu-se ao “modelo mercantilista de estímulo às exportações”. A idiossincrasia cultural japonesa parece não ter nada a ver com esse declínio: o mal está no “modelo mercantilista japonês” entendido em si mesmo.

Por outro lado, critica-se uma economia chinesa catalogando negativamente a liderança política:

“O governo chinês está nas mãos de um grupo de velhos comunistas que foram criados sob o regime de Mao.”

Ou seja, se a minha avó tivesse rodas era um Boeing 747.

¿E o que significa “mercantilismo keynesiano”? Ninguém sabe. ¿Será que também existe um “mercantilismo marxista”? Também ninguém sabe.

Quando se critica a dívida da China, os hayekianos brasileiros (porque é Hayek que essa gente defende, e não von Mises) deveriam pensar na dívida dos Estados Unidos. Mas nesse assunto não lhes convém falar: como bons hayekianos brasileiros, os Estados Unidos podem fazer toda a merda do mundo que estão sempre bem colocados na fotografia.

A ideia segundo a qual “a China gastou mais cimento em dois anos do que os Estados Unidos em cem anos”, é estória do Finantial Times para brasuca hayekiano ler. E mesmo que fosse literalmente verdade, esse facto significaria o potencial da economia chinesa, e não o contrário!

O problema da China é o de que não é uma nação — assim como a União Europeia não é uma nação. E mesmo os Estados Unidos tornaram-se em uma nação à força: ainda hoje existem movimentos separatistas nos Estados Unidos.

A China irá “cair” pela exacerbação política das diferenças culturais, e não pela economia: uma economia com mil milhões de pessoas não “cai” de qualquer maneira. O principal problema interno da China é cultural e político, e é pela cultura e pela política que se pode falar em “probabilidade de a China cair”.

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