perspectivas

Quarta-feira, 22 Janeiro 2014

O João Miguel Tavares é liberal? Só se for de “liberal de Esquerda”, tipo Daniel Oliveira

 

O João Miranda escreve aqui um verbete (no seguimento destoutro, de João Miguel Tavares) que coloca o problema da separação ou divórcio de duas pessoas do mesmo sexo “casadas” e que teriam “co-adoptado” uma criança. Naturalmente que o lóbi político gay irá dizer que “também existem divórcios” nos casais naturais (homem e mulher) que tenham “co-adoptado” uma criança.

Portanto, é impossível abordar esta questão sem entrar nos comportamentos e nas idiossincrasias das pessoas, e numa certa sub-cultura especifica gay.

Imaginemos um cenário A:

A Joana casa-se com o João e têm um filho (biológico, bem entendido). Ao fim de alguns anos, divorciam-se. A lei portuguesa — e bem! — dá normalmente à Joana (à mulher) a primazia da custódia da criança, sendo que o João é (ou deveria ser!) obrigado a pagar uma pensão de alimentos por causa do seu filho.

A Joana volta a casar com o Joaquim, mas nunca passaria pela cabeça da Joana retirar ao João a paternidade da criança, mesmo que o João se esteja marimbando para o filho — porque existe um padrão ético e cultural que influenciou não só a mundividência da esmagadora maioria das pessoas mas também o Direito, e que privilegia o reconhecimento (e a responsabilidade) dos pais biológicos. Porventura, a Joana e o Joaquim terão outro filho, mas sem que a paternidade do João em relação ao seu filho seja beliscada.

Ora, é este padrão ético e cultural que gente como Isabel Moreira e João Miguel Tavares quer destruir.

Imaginemos um cenário B:

O Manel foi casado com a Maria, e tiveram um filho. O Manel, por razões que só ele pode dizer, “virou” gay, por um lado, e, por outro lado, a Maria traumatizada pela “viragem” do Manel fugiu para o Canadá com um motoqueiro barbudo, mal-cheiroso e tatuado, e abandonou o filho. O Manel gay ficou com o filho nas suas mãos e “casou-se” com o José. Neste caso, e segundo a idiossincrasia gay, é perfeitamente aceitável pelo Manel que o José seja co-adoptante do filho, retirando à Maria qualquer ligação de linhagem biológica com a criança (com litigância judicial, ou sem ela uma vez que ela abandonou a criança).

Ou seja, aquilo que a Joana não faria ao João, em obediência, por assim dizer, a um padrão ético e cultural, já não influencia a idiossincrasia gay do Manel, porque as duas concepções de “família” são radicalmente diferentes (e por isso é que o activismo político gay não quer nada senão a adopção plena). Quando falamos de “família gay” e de família natural, estamos a falar de coisas que não têm nada a ver uma com a outra.

A “família gay”, a existir, é, em geral, presentista e existe em função da satisfação imediatista dos gays (o princípio do Carpe Diem); a família natural existe desde sempre e tem na mulher-mãe o seu esteio.


A lei portuguesa obriga a que toda a criança tenha um pai biológico registado, porque o homem deve ser ética e juridicamente responsabilizado pelos seus actos (o homem não deve agir em roda-livre e sem qualquer responsabilidade em relação à sua mulher-mãe e aos seus filhos). Ora, este princípio ético e jurídico, passa a ser — em termos práticos e objectivos, no espírito da leirevogado por intermédio da adopção de crianças por pares de invertidos.

E já nem falo aqui nas lésbicas que engravidam e têm filhos de pais incógnitos — voltamos ao tempo “fascista” dos filhos sem pai conhecido (para não utilizar um termo mais correcto). E nem sequer falo aqui no tráfico de seres humanos, ou seja, do gays que compram crianças na Tailândia, ou noutro sítio qualquer, através das “barriga de aluguer”.

A co-adopção nada mais é do que uma porta escancarada — uma caixa-de-pandora que se abre — para uma confusão cultural, não só na instituição do casamento mas sobretudo na filiação, ou seja, é um instrumento político de fortalecimento de um Estado plenipotenciário e paternalista que colmate a irresponsabilização geral em uma sociedade composta por cidadãos atomizados e isolados face ao Grande Estado leviatão. Por isso é que o João Miguel Tavares não pode ser liberal propriamente dito.

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