perspectivas

Terça-feira, 21 Janeiro 2014

Não se pode dizer de Helena Matos que ela não tenha coragem

 

“O que está em causa na co-adopção, tal como no recurso às barrigas de aluguer e em alguns casos à inseminação artificial, não é uma questão de amor ou de competência para tratar de crianças mas sim de modelo familiar e de direito à identidade por parte da criança.”
Helena Matos

A Helena Matos acertou aqui na mouche, porque o conceito abstruso de “homoparentalidade” (ou seja, a adopção de crianças por pares de invertidos) suprime toda a percepção carnal da origem da criança, que ela já não se pode inscrever em duas linhas directas e claras de parentesco.

O controlo dos dois gays adultos sobre a origem da criança transforma-os (a eles) em um ponto zero da linhagem da criança que fica, assim, com as suas gerações anteriores relegadas para uma espécie de limbo ou lugar marginal. A criança já não pode instituir as suas gerações anteriores como suas raízes pessoais — o que vai tornar difícil o acesso dessa criança à sua própria maternidade ou paternidade.

Só uma pessoa com muita má-fé não vê isto; é tão evidente que me admira que existam “técnicos” que não o consigam ver.

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2 comentários »

  1. Orlando, deixe-me perguntar (e a questão cinge-se, única e exclusivamente, à linhagem biológica, portanto, à ancestralidade): as crianças adotadas por casais héteros também não tem suprimidas esse patrimônio identitário, dado que, uma vez adotadas, extingue-se, por completo, o parentesco do menos com seus pais biológicos.

    Do contrário, se é dado à criança ingressar na árvore genealógica dos pais (heterossexuais) adotivos, por quê, de outro lado, isso lhe seria vedado em se tratando de adotantes homossexuais?

    Meus cumprimentos.

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    Comentar por Junior Souza — Terça-feira, 21 Janeiro 2014 @ 10:33 pm | Responder

    • 1/ Há basicamente dois tipos de adopção: adopção plena e adopção restrita. Na adopção plena, a identidade dos pais biológicos da criança é apagada; na adopção restrita, essa identidade não é apagada.

      E ainda há os regimes de tutorado (os tutores), em que alguém se pode responsabilizar por uma criança sem adoptá-la.

      2/ os pares de homossexuais “casados” querem a adopção plena. Ou tudo, ou nada. Por isso, nós dizemos: NADA!

      3/ Uma criança adoptada PLENAMENTE por um casal natural (homem e mulher) vai ser educada em um ambiente ANÁLOGO à de uma família normal (com avós, tios, primos, etc. do pai e da mãe adoptantes). Muitas vezes, só quando essa criança chega à adultez é que fica a saber que tinha sido adoptada — mas os laços familiares com os avós, tios, primos, etc., ficam nela mesmo depois de ela saber que, afinal, tinha sido adoptada.

      4/ no caso da adopção PLENA de um par de homossexuais, a criança apercebe-se logo desde tenra idade que não existe dupla linhagem. Não sei se você sabe disto: as crianças, normalmente, não são burras. Ou seja, a criança apercebe-se que os dois adultos ditos “pais” são o princípio da sua linhagem. Desde pequena, ela apercebe-se que não tem avó por parte de mãe, e avô por parte de pai, como as outras crianças da escola.

      É difícil perceber isto? A adopção gay PLENA discrimina automaticamente a criança.

      5/ finalmente, uma coisa é uma mulher parir um filho que tem um pai biológico identificado; outra coisa, bem diferente, é a “barriga de aluguer” e o tráfico de seres humanos. Eu acredito que você não defenda que o ser humano seja traficado. Ou defende?! Será que você defende uma nova forma de escravatura???!! Nem quero acreditar nisso!

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      Comentar por O. Braga — Quarta-feira, 22 Janeiro 2014 @ 8:23 am | Responder


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