perspectivas

A “Direita Fukuyama” e do “Fim da História”, aquela que tem a certeza do futuro

Anúncios

 

Fernando Pessoa escreveu que o povo raramente se manifesta a favor de uma causa, mas quase sempre contra uma outra. Mesmo que uma manifestação popular resulte no apoio a uma causa qualquer, esse apoio é apenas a consequência da principal razão da manifestação: estar contra uma outra causa. Isto é tão claro que até fere a vista.

E quando falamos em manifestações populares — quase sempre contra alguma coisa — que possam identificar-se com a opinião pública maioritária, devemos distinguir entre “vontade da maioria”, por um lado, e “vontade nacional”, por outro lado: a vontade da maioria é consciente, ao passo que a vontade nacional é inconsciente e, por isso, o rumo histórico de uma nação foge ao controlo dos políticos e das elites.

As vontades das maiorias e/ou das minorias não determinam, pelo menos de uma forma clara e óbvia, a vontade nacional; e a uma corrente política muito minoritária1 pode ser entregue, pelo consentimento inconsciente do povo e a um determinado momento, a tarefa de reorientar o rumo da nação, e sem que a opinião maioritária popular — mesmo que não seja claramente a favor essa reorientação nacional — se resolva manifestar.

Por isso é que qualquer análise política nacional — como esta, aqui — que pretenda prever o futuro, está condenada ao fracasso: a ideia segundo a qual “o vento sopra para um lado e nunca muda de direcção”, ou a ideia segundo a qual “o marxismo foi definitivamente derrotado”, só podem prevalecer se apenas considerarmos a “vontade da maioria” e esquecermos a “vontade nacional”. Não é por acaso que nações como Portugal e a Grécia, que têm muitos séculos de existência, estão a ser alvo de um ataque vil por parte da União Europeia: não se trata apenas da questão da dívida: o que se pretende é quebrar a espinha dorsal dos povos e, concomitante, tentar controlar a vontade nacional que é inconsciente. E destruindo a vontade nacional portuguesa, a União Europeia do directório alemão destruirá a nação portuguesa. É isto que está hoje em causa.

Por isso, quando eu vejo “nacionalistas” de Direita a apoiar a política de Passos Coelho, fico com os cabelos em pé. A Direita do “Fim da História” tem a certeza do futuro: pensa que o marxismo acabou e que o vento nunca muda.

Nota
1. Essa corrente política minoritária pode ser marxista.

Anúncios

Anúncios